Homilia de Bento XVI na Missa de Quarta-feira de Cinzas -13/02/13

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CELEBRAÇÃO DE QUARTA-FEIRA DE CINZAS
Basílica de São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Venerados Irmãos,
caros irmãos e irmãs!

Hoje, Quarta-feira de Cinzas, iniciamos um novo caminho quaresmal, um caminho que se estende por quarenta dias e nos conduz à alegria da Páscoa do Senhor, à vitória da Vida sobre a morte. Seguindo a antiquíssima tradição romana da stationes quaresimais, nos reunimos hoje para a Celebração da Eucaristia. Tal tradição prevê que a primeira statio tenha acontecido na Basílica de Santa Sabina na colina Aventino. As circunstâncias sugeriram reunir-se na Basílica Vaticana. Somos numerosos reunidos ao redor do Túmulo do Apóstolo Pedro também para pedir sua intercessão para o caminho da Igreja neste momento particular, renovando nossa fé no Pastor Supremo, Cristo Senhor. Para mim é uma ocasião propícia para agradecer a todos, especialmente aos fiéis da Diocese de Roma, neste momento em que estou para concluir o ministério petrino, e para pedir especial lembrança na oração.

As leituras que foram proclamadas nos oferecem ideias que, com a graça de Deus, são chamados a se tornarem atitudes e comportamentos concretos nesta Quaresma. A Igreja nos repropõe, antes de tudo, o forte chamado que o profeto Joel dirige ao povo de Israel: “Agora, diz o Senhor, voltai para mim com todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos” (2,12). Sublinhamos a expressão “com todo o coração”, que significa do centro de nossos pensamentos e sentimentos, das raízes das nossas decisões, escolhas e ações, com um gesto de total e radical liberdade. Mas é possível este retorno a Deus? Sim, porque há uma força que não mora em nosso coração, mas que nasce do coração do próprio Deus. É a força da sua misericórdia. Diz ainda o profeta: “Voltai para o Senhor, vosso Deus; ele é benigno e compassivo, paciente e cheio de misericórdia, inclinado a perdoar o castigo” (v.13). O retorno ao Senhor é possível como ‘graça’, porque é obra de Deus e fruto da fé que nós depositamos na sua misericórdia. Este retornar a Deus torna-se realidade concreta na nossa vida somente quando a graça do Senhor penetra no íntimo e o toca doando-nos a força de “rasgar o coração”. É ainda o profeta a fazer ressoar da parte de Deus estas palavras: “Rasgai o coração, e não as vestes” (v.13). Com efeito, também em nossos dias, muitos estão prontos a “rasgar as vestes” diante de escândalos e injustiças – naturalmente cometidos por outros -, mas poucos parecem disponíveis a agir sobre o próprio “coração”, sobre a própria consciência e sobre as próprias intenções, deixando que o Senhor transforme, renove e converta.

Aquele “voltai para mim com todo o vosso coração”, é ainda um apelo que envolve não só o particular, mas a comunidade. Ouvimos na primeira Leitura: “Tocai trombeta em Sião, prescrevei o jejum sagrado, convocai a assembleia; congregai o povo, realizai cerimônias de culto, reuni anciãos, ajuntai crianças e lactentes; deixe o esposo seu aposento, e a esposa, seu leito” (vv.15-16). A dimensão comunitária é um elemento essencial na fé e na vida cristã. Cristo veio “para reunir os filhos de Deus dispersos” (cfr Jo 11,52). O “Nós” da Igreja é a comunidade na qual Jesus nos reúne juntos (cfr Jo 12,32): a fé é necessariamente eclesial. E isto é importante recordá-lo e vivê-lo neste Tempo da Quaresma: cada um esteja consciente de que o caminho penitencial não se percorre sozinho, mas junto com tantos irmãos e irmãs, na Igreja.

O profeta, enfim, se detém sobre a oração dos sacerdotes, os quais, com lágrimas nos olhos, se dirigem a Deus dizendo: “Não deixes que esta tua herança sofra infâmia e que as nações a dominem. Por que se haveria de dizer entre os povos: ‘Onde está o Deus deles?’” (v.17). Esta oração nos faz refletir sobre a importância do testemunho de fé e de vida cristã de cada um de nós e das nossas comunidades para manifestar a face da Igreja e como esta face seja, muitas vezes, deturpada. Penso especialmente nas culpas contra a unidade da Igreja, nas divisões no corpo eclesial. Viver a Quaresma em uma mais intensa e evidente comunhão eclesial, superando individualismos e rivalidade, é um sinal humilde e precioso para aqueles que estão distantes da fé ou indiferentes.

“É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação!” (2 Cor 6,2). As palavras do apóstolo Paulo aos cristãos de Corinto ressoam também para nós com uma urgência que não admite ausências ou omissões. O termo “agora” repetido várias vezes diz que este momento não pode ser desperdiçado, ele é oferecido a nós como uma oportunidade única e irrepetível. E o olhar do Apóstolo se concentra sobre a partilha com a qual Cristo quis caracterizar sua existência, assumindo todo o humano até carregar o pecado dos homens. A frase de São Paulo é muito forte: Deus “o fez pecado por nós”. Jesus, o inocente, o Santo, “Aquele que não cometeu pecado”(2 Cor 5,21), carregou o peso do pecado partilhando com a humanidade o êxito da morte, e da morte de cruz. A reconciliação que nos é oferecida teve um preço altíssimo, o da cruz elevada sobre o Gólgota, sobre a qual foi pendurado o Filho de Deus feito homem. Nesta imersão de Deus no sofrimento humano e no abismo do mal está a raiz da nossa justificação. O “voltar a Deus de todo o coração” no nosso caminho quaresmal passa através da Cruz, o seguir Cristo sobre a estrada que conduz ao Calvário, ao dom total de si. É um caminho no qual se aprende cada dia a sair sempre mais do nosso egoísmo e dos nossos fechamentos, para dar espaço a Deus que abre e transforma o coração. E São Paulo recorda como o anúncio da Cruz ressoa em nós graças a pregação da Palavra, da qual o próprio Apóstolo é embaixador; um chamado para nós para que este caminho quaresmal seja caracterizado por uma escuta mais atenta e assídua da Palavra de Deus, luz que ilumina nossos passos.

Na página do Evangelho de Mateus, que pertence ao assim chamado Discurso da montanha, Jesus faz referência a três práticas fundamentais previstas pela Lei Mosaica: a esmola, a oração e jejum: são também indicações tradicionais no caminho quaresmal para responder ao convite de “voltar a Deus como todo o coração”. Mas Jesus destaca que seja a qualidade e a verdade da relação com Deus o que qualifica a autenticidade de cada gesto religioso. Por isso, Ele denuncia a hipocrisia religiosa, o comportamento que quer aparecer, as atitudes que buscam o aplauso e a aprovação. O verdadeiro discípulo não serve a si mesmo ou ao “público”, mas ao seu Senhor, na simplicidade e na generosidade: “E o teu Pai, que vê no escondido, te dará a recompensa” (Mt 6,4.6.18). O nosso testemunho então será sempre mais incisivo quando menos buscarmos nossa glória e formos conscientes que a recompensa do justo é o próprio Deus, o ser unido a Ele, aqui, no caminho da fé, e, ao término da vida, na paz e na luz do encontro face a face com Ele para sempre (cfr 1 Cor 13,12).

Queridos irmãos e irmãs, iniciemos confiantes e alegres o itinerário quaresmal. Ressoe forte em nós o convite à conversão, a “voltar para Deus com todo o coração”, acolhendo a sua graça que nos faz homens novos, com aquela surpreendente novidade que é participação à vida do próprio Jesus. Nenhum de nós, portanto, seja surdo a este apelo, que nos é dirigido também no austero rito, tão simples e ao mesmo tempo tão sugestivo, da imposição das cinzas, que daqui a pouco realizaremos. Nos acompanhe neste tempo a Virgem Maria, Mãe da Igreja e modelo de todo autêntico discípulo do Senhor. Amém!

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Nossa Senhora Aparecida

Hoje o meu coração e os meus lábios permaneceram em um constante louvor a Deus em gratidão por Vós, minha Mãe! Oh, como gostaria de poder escrever os mais belos poemas e cânticos de amor à Mãe de Deus e também minha… mas se não o sei fazer, utilizo-me das palavras de Sta. Teresinha, “Por que te amo, oh, Maria!”.

Eu Vos amo, minha Mãe, minha Rainha, minha Senhora! Eu sou toda Vossa, Maria Santíssima! Totus Tuus, Mariae!

 

Por que te amo, oh, Maria!

1. Oh! Quisera cantar, Maria, por que te amo,
Por que teu nome tão doce me faz estremecer o coração
E por que o pensamento de tua suprema grandeza
Não consegue inspirar à minha alma nenhum temor.
Se te contemplasse em tua sublime glória,
Ultrapassando o esplendor de todos os Bem-aventurados,
Não poderia acreditar que sou tua filha…
Diante de ti, oh, Maria, meus olhos, eu os abaixaria!

2. Para que um filho possa amar sua mãe, é preciso
Que ela chore com ele, partilhe suas dores…
Oh, Mãe querida! Nesta terra estrangeira,
Para atrair-me a ti, como chorastes!
Meditando tua vida no santo evangelho,
Ouso te olhar e aproximar-me de ti.
Acreditar que sou tua filha não é difícil,
Pois te vejo mortal e sofrendo como eu…

3. Quando um Anjo do Céu te ofereceu para seres a Mãe
Do Deus que deve reinar por toda eternidade,
Vejo-te preferir, oh, Maria – Que mistério! –
O inefável tesouro da virgindade.
Compreendo que tua alma, oh, Virgem Imaculada,
Seja mais cara ao Senhor que a divina morada;
Compreendo que tua alma, Humilde e Manso Vale,
Possa conter Jesus, o Oceano de Amor!…

4. Oh! Eu te amo, Maria, proclamando-te a serva
Do Deus que deslumbras com tua humildade.
Esta virtude escondida te faz poderosa,
Atrai ao teu coração a Santíssima Trindade.
Então, ao cobrir-te com sua sombra o Espírito de Amor,
O Filho igual ao Pai em ti se encarnou…
Será bem grande o número de seus irmãos pecadores,
Pois, Jesus há de se chamar o teu primogênito.

5. Oh, Mãe amada! Apesar de minha pequenez,
Como tu, em mim possuo o Todo-poderoso.
Mas, não tremo ao ver minha fraqueza:
O tesouro da mãe pertence à filha;
E sou tua filha, oh, Mãe querida.
Tuas virtudes, teu amor, não são eles meus?
Então, quando em meu coração desce a branca Hóstia,
Jesus, teu manso Cordeiro, julga repousar em ti!…

6. Tu me deixas perceber que não é impossível
Caminhar sobre teus passos, oh, Rainha dos eleitos.
O estreito caminho do Céu, tu o tornastes visível
Praticando sempre as virtudes mais humildes.
Ao teu lado, Maria, gosto de permanecer pequena;
Das grandezas desse mundo, vejo a vaidade…
Na casa de Santa Isabel que recebe tua visita,
Aprendo a praticar a ardente caridade.

7. Aí, escuto admirada, doce Rainha dos Anjos,
O sagrado cântico que brota do teu coração.
Tu me ensinas a cantar os louvores divinos
E a me glorificar em Jesus, meu Salvador.
Tuas palavras de amor são místicas rosas
Que devem perfumar os séculos futuros.
Em ti, o Todo-poderoso faz grandes coisas;
Quero meditá-las para o bendizer.

8. Quando o bom São José ignorava o milagre
Que, em tua humildade, querias esconder,
Tu o deixaste chorar junto ao Tabernáculo
Que escondia a divina beleza do Salvador!
Oh! Como amo, Maria, teu eloqüente silêncio!
Para mim, é um doce e melódico concerto
Que me fala da grandeza e da onipotência
De uma alma que só espera auxílios dos Céus…

9. Mais tarde, em Belém, oh, José e Maria,
Vejo-vos rejeitados por todas as pessoas…
Ninguém quer receber em sua hospedaria
Uns pobres estrangeiros… O lugar é para os grandiosos…
O lugar é para os grandiosos, e é num estábulo
Que a Rainha dos Céus deve dar à luz um Deus!
Oh, Mãe querida! Como me pareces amável!
Como te acho grande num lugar tão pobre!

10. Quando vejo o Eterno envolto em paninhos,
Quando do Verbo divino escuto o débil vagido,
Oh, Mãe querida! Não invejo mais os Anjos,
Pois o Senhor poderoso é meu Irmão querido!
Como te amo, Maria, tu que em nossa terra
Fizeste desabrochar esta flor divina!
Como te amo, escutando os pastores e os magos
E tudo guardando em teu coração, com cuidado!

11. Amo-te em meio às outras mulheres
Que para o templo santo se dirigem.
Amo-te apresentando o Senhor de nossas almas
Ao ditoso Ancião que o aperta em seus braços.
Primeiro, sorrindo, escuto seu cântico,
Mas, logo, seu tom me faz lágrimas verter.
Lançando ao futuro um profético olhar,
Simeão te apresenta uma espada de dor.

12. Oh, Rainha dos Mártires! Até o findar de tua vida
Esta espada de dor transpassará teu coração.
Já tens que deixar o Sol de tua pátria
Para evitares, de um rei, o furor invejoso.
Jesus dorme em paz sob as dobras do teu véu,
José vem te pedir para depressa partir,
E a tua obediência logo se revela:
Partes sem nenhuma demora, sem nada pensar…

13. Na terra do Egito, me parece, oh, Maria,
Que, na pobreza, teu coração continua feliz.
Pois, não é Jesus a mais bela Pátria?
Que te imposta o exílio? Possuis os Céus!
Mas, em Jerusalém, uma amarga tristeza,
Tão vasta como o oceano, vem inundar teu coração:
Jesus, durante três dias, se esconde aos teus carinhos.
É, então, o exílio em todo o seu rigor!…

14. Enfim, o encontras e a alegria te invade.
Dizes ao belo Infante que encanta os Doutores:
“Oh, meu Filho! Por que agiste assim?
Teu pai e eu te procurávamos chorando.”
E o Menino Deus respondeu – Oh! Que profundo mistério! –
À Mãe querida que lhe estende seus braços:
“Por que me procuráveis? Às coisas de meu Pai
É preciso que me dedique. Vós não o sabíeis?”

15. O evangelho me ensina que, crescendo em sabedoria
A José e Maria, Jesus era submisso.
E meu coração revela com que ternura
Ele sempre obedecia a seus queridos pais.
Agora, compreendo o mistério do templo,
As palavras veladas do meu amável Rei…
Teu doce Filho, Mãe, quer que sejas o exemplo
Da alma que o busca na noite da fé!

16. Já que o Rei dos Céus quis que sua Mãe
Mergulhasse na noite, na agonia do coração,
Maria, então, é um bem sofrer sobre a terra?
Sim, sofrer amando é a mais pura felicidade!
Tudo o que ele meu deu, Jesus pode retomá-lo.
Diz para ele não se incomodar comigo.
Pode bem se esconder; consinto em esperar
Até o dia sem ocaso em que minha fé se extinguirá.

17. Sei que em Nazaré, Mãe cheia de graça,
Viveste muito pobremente, nada mais querendo.
Nem arroubos, nem milagres, nem êxtases
Embelezam tua vida, oh, Rainha dos eleitos!
É bem grande sobre a terra o número dos pequeninos.
Para ti, eles podem, sem tremer, erguer os olhos.
É pela via comum, incomparável Mãe,
Que te apraz caminhar para os guiar aos Céus.

18. Esperando o Céu, oh, Mãe querida,
Contigo quero viver, te seguir a cada dia.
Mãe, ao te contemplar, mergulho extasiada,
Descobrindo em teu coração os abismos do amor.
Teu materno olhar afasta todos os meus medos;
Ele me ensina a chorar, me ensina a gozar.
Ao invés de desprezar as puras e santas alegrias,
Queres partilhá-las, te dignas a abençoá-las.

19. Vendo a aflição dos esposos de Caná,
Que não a podem esconder, pois lhes falta o vinho,
Ao Salvador o dizes, em tua solicitude,
Esperando o socorro do seu divino poder.
De início, Jesus parece recusar teu pedido:
“Que imposta, Mulher, a vós e a mim?” – respondeu.
Mas, no fundo do seu coração, chama-te Mãe,
E seu primeiro milagre, ele o fez por ti…

20. Um dia em que os pecadores escutavam a doutrina
Daquele que no Céu os queria receber,
Te encontro em meio a eles, Maria, sobre a colina.
Alguém diz a Jesus que o querias ver.
Então, teu divino Filho, diante da multidão inteira,
Mostra a imensidão do seu amor por nós.
Diz: “Quem é meu irmão, minha irmã e minha Mãe,
Senão aquele que faz a minha vontade?”

21. Oh, Virgem Imaculada! A mais terna das mães!
Escutando Jesus, tu não ficas triste,
Mas te alegras porque ele nos faz compreender
Que nossa alma se torna sua família na terra.
Sim, tu te alegras por ele nos dar sua vida,
Os tesouros infinitos de sua divindade!
Como não te amar, oh, Mãe querida,
Vendo tanto amor e tanta humildade?

22. Tu nos amas, Maria, como Jesus nos ama
E consentes, por nós, em te afastares dele.
Amar é tudo doar e doar a si mesmo.
Quiseste prová-lo permanecendo nosso apoio.
O Salvador, conhecendo tua imensa ternura,
Conhecia os segredos do teu coração materno.
Refúgio dos pecadores, é a ti que ele nos deixa
Quando abandona a Cruz para nos esperar no Céu.

23. Maria, tu me apareces no alto do Calvário
De pé junto da Cruz, como um sacerdote no altar
Oferecendo, para apaziguar a Justiça do Pai,
Teu amado Jesus, o doce Emanuel…
Disse o profeta, oh, Mãe desolada:
“Não há dor igual à tua dor!”
Oh, Rainha dos Mártires! Ficando no exílio,
Tu nos dás todo o sangue do teu coração!

24. A casa de São João se torna teu único abrigo;
Os filhos de Zebedeu devem ficar no lugar de Jesus…
É o último detalhe que o evangelho nos dá;
Da Rainha do Céu não fala mais.
Mas, seu profundo silêncio, oh, Mãe querida,
Não revela que o Verbo eterno
Quer ele mesmo cantar os segredos de tua vida
Para encantar os teus filhos, todos os eleitos do Céu?

25. Em breve, ouvirei esta doce harmonia…
Em breve, no belo Céu, hei de te ver…
Tu que vieste me sorrir na manhã de minha vida,
Vem sorrir-me de novo… Mãe… Eis que o dia já declina!…
Já não temo o esplendor de tua sublime glória.
Contigo sofri e quero, agora,
Cantar no teu regaço, Maria, por que te amo
E repetir para sempre que sou tua filha!…

(Santa Teresinha do Menino Jesus)

Alma de Cristo

Alma de Cristo, santificai-me.
Corpo de Cristo, salvai-me.
Sangue de Cristo inebriai-me.
Água do lado de Cristo, purificai-me.
Paixão de Cristo, confortai-me.
Ó bom Jesus, ouvi-me.
Dentro de Vossas chagas, escondei-me.
Não permitais que me separe de Vós.
Do espírito maligno, defendei-me.
Na hora da minha morte chamai-me e mandai-me ir para Vós, para que,
com Vossos Santos e Anjos, a Santíssima Virgem Maria e São José,
Vos louve por todos os séculos dos séculos.
Amém.

Em comunhão com a Santa Mãe de Deus

2673. Na oração, o Espírito Santo une-nos à pessoa do Filho Único, na sua humanidade glorificada. É por ela e nela que a nossa oração filial comunga, na Igreja, com a Mãe de Jesus (21).

2674. Desde o consentimento prestado na fé à Anunciação e mantido sem hesitação ao pé da cruz, a maternidade de Maria estende-se aos irmãos e irmãs do seu Filho ainda peregrinos e que caminham entre perigos e angústias (22). Jesus, o único mediador, é o caminho da nossa oração; Maria, sua Mãe e nossa Mãe, é pura transparência dele: Ela «mostra o caminho» («Hodêghêtria»), é «o sinal» do caminho, segundo a iconografia tradicional no Oriente e no Ocidente.

2675. Foi a partir desta singular cooperação de Maria com a acção do Espírito Santo que as Igrejas cultivaram a oração à santa Mãe de Deus, centrando-a na pessoa de Cristo manifestada nos seus mistérios. Nos inúmeros hinos e antífonas em que esta oração se exprime, alternam habitualmente dois movimentos: um «magnifica» o Senhor pelas «maravilhas» que fez pela sua humilde serva e, através d’Ela, por todos os seres humanos (23); o outro confia à Mãe de Jesus as súplicas e louvores dos filhos de Deus, pois Ela agora conhece a humanidade que n’Ela foi desposada pelo Filho de Deus.

2676. Este duplo movimento de oração a Maria encontrou uma expressão privilegiada na oração da «Ave-Maria»:

«Ave, Maria (alegrai-vos, Maria)». A saudação do anjo Gabriel abre esta oração. É o próprio Deus que, por intermédio do seu anjo, saúda Maria. A nossa oração ousa retomar a saudação a Maria com o olhar que Deus pôs na sua humilde serva (24), alegrando-nos com a alegria que Ele n’Ela encontra (25).

«Cheia de graça, o Senhor é convosco». As duas palavras da saudação do anjo esclarecem-se mutuamente. Maria é cheia de graça, porque o Senhor está com Ela. A graça de que Ela é cumulada é a presença d’Aquele que é a fonte de toda a graça. «Solta brados de alegria […] filha de Jerusalém […]; o Senhor teu Deus está no meio de ti» (Sf 3, 14. 17a). Maria, em quem o próprio Senhor vem habitar, é em pessoa a filha de Sião, a arca da aliança, o lugar onde reside a glória do Senhor: é «a morada de Deus com os homens» (Ap 21, 3). «Cheia de graça», Ela dá-se toda Aquele que n’Ela vem habitar e que Ela vai dar ao mundo.

«Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus». Depois da saudação do anjo, fazemos nossa a de Isabel. «Cheia […] do Espírito Santo» (Lc 1, 41), Isabel é a primeira, na longa sequência das gerações, a declarar Maria bem-aventurada (26): «Feliz d’Aquela que acreditou…» (Lc 1, 45); Maria é «bendita entre as mulheres», porque acreditou no cumprimento da Palavra do Senhor. Abraão, pela sua fé, tornou-se uma bênção «para todas as nações da terra» (Gn 12, 3). Pela sua fé, Maria tornou-se a mãe dos crentes, graças a quem todas as nações da terra recebem Aquele que é a própria bênção de Deus: Jesus, «fruto bendito do vosso ventre».

2677. «Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós…». Com Isabel, também nós ficamos maravilhados: «E de onde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?» (Lc 1, 43). Porque nos dá Jesus, seu Filho, Maria é Mãe de Deus e nossa Mãe; podemos confiar-lhe todas as nossas preocupações e pedidos: Ela ora por nós como orou por si própria: «Faça-se em Mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 38). Confiando-nos à sua oração, abandonamo-nos com Ela à vontade de Deus: «Seja feita a vossa vontade».

«Rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte». Pedindo a Maria que rogue por nós, reconhecemo-nos pobres pecadores e recorremos à «Mãe de misericórdia», à «Santíssima». Confiamo-nos a Ela «agora», no hoje das nossas vidas. E a nossa confiança alarga-se para lhe confiar, desde agora, «a hora da nossa morte». Que Ela esteja então presente como na morte do seu Filho na cruz e que, na hora do nosso passamento, Ela nos acolha como nossa Mãe (27), para nos levar ao seu Filho Jesus, no Paraíso.

2678. A piedade medieval do Ocidente propagou a oração do rosário como substituto popular da Liturgia das Horas. No Oriente, a forma litânica do akáthistos e da paráclêsis ficou mais próxima do ofício coral nas Igrejas bizantinas, ao passo que as tradições arménia, copta e siríaca preferiram os hinos e cânticos populares à Mãe de Deus. Mas, na Ave-Maria, nas theotokía, nos hinos de Santo Efrém ou de São Gregório de Narek, a tradição da oração é fundamentalmente a mesma.

2679. Maria é a orante perfeita, figura da Igreja. Quando Lhe oramos, aderimos com Ela ao desígnio do Pai, que envia o seu Filho para salvar todos os homens. Como o discípulo amado, nós acolhemos em nossa casa (28) a Mãe de Jesus que se tornou Mãe de todos os viventes. Podemos orar com Ela e orar-Lhe a Ela. A oração da Igreja é como que sustentada pela oração de Maria. Está-lhe unida na esperança (29).

Catecismo da Igreja Católica, Quarta parte, “A oração cristã”.

E “como celebraremos o nascimento de Maria?”

Essa pergunta, feita por São Pedro Damião em seu “Segundo Sermão sobre a Natividade de Nossa Senhora”, ainda surge hoje quando se trata de comemorar essa solenidade. O acontecimento é grande demais. E assim o santo justificou sua perplexidade:

“Às trevas do paganismo e à falta de fé dos judeus, representadas pelo templo de Salomão, sucede o dia luminoso no templo de Maria. É justo, portanto, cantar este dia e Aquela que nele nasceu. Mas como poderíamos celebrá-la dignamente? Podemos narrar as façanhas heroicas de um mártir ou as virtudes de um santo, porque são humanas. Mas como poderá a palavra mortal, passageira e transitória exaltar Aquela que deu à luz a Palavra que fica? Como dizer que o Criador nasce da criatura?”

Uma Festa de Alegria

Está inteiramente de acordo com o espírito da Igreja festejar com alegria a Festa da Natividade da Bem-Aventurada Virgem Maria. Sua comemoração é feita no dia 8 de Setembro. “A celebração de hoje é para nós o começo de todas as festas”, afirma o Calendário Litúrgico Bizantino. O nascimento de Maria Santíssima traz ao mundo o anuncio jubiloso de uma boa nova: a mãe do Salvador já está entre nós. Ele é o alvorecer prenunciativo de nossa salvação, o início histórico da obra da Redenção.

São Pedro Damião afirma em sua homilia para essa festa:

“Deus onipotente, antes que o homem caísse, previu a sua queda e decidiu, antes dos séculos, a redenção humana. Decidiu Ele encarnar-se em Maria.” “Hoje é o dia em que Deus começa a pôr em prática o seu plano eterno, pois era necessário que se construísse a casa, antes que o Rei descesse para habitá-la. Casa linda, porque, se a Sabedoria constrói uma casa com sete colunas trabalhadas, este palácio de Maria está alicerçado nos sete dons do Espírito Santo. Salomão celebrou de modo soleníssimo a inauguração de um templo de pedra. Como celebraremos o nascimento de Maria, templo do Verbo encarnado? Naquele dia a glória de Deus desceu sobre o templo de Jerusalém sob forma de nuvem, que o obscureceu.O Senhor que faz brilhar o sol nos céus, para a sua morada entre nós escolheu a obscuridade (1Rs 8,10-12), disse Salomão na sua oração a Deus. Este mesmo templo estará repleto pelo próprio Deus, que vem para ser a luz dos povos.”

***

A Natividade de Maria era celebrada no Oriente católico muito antes de ser instituída no Ocidente. Ela tem provavelmente sua origem em Jerusalém, em meados do século V. Foi em Jerusalém que se manteve viva a tradição que a Virgem teria nascido junto à Porta da Piscina Probática.

Nessa festa o mundo católico admira Nossa Senhora como sendo Ela a aurora que anuncia o Sol de justiça que dissipa as trevas do pecado. Nela, a Igreja convida a “contemplarmos uma menina como todas as outras, e que ao mesmo tempo é única, pois, Ela é a “bendita entre todas as mulheres” (Lc 1, 42), a Imaculada “filha de Sião”, destinada a tornar-se a Mãe do Messias”.(João Paulo II,  Audiência de 8/9/2004)

Alegria até para os Anjos

A alegria nas comemorações da festa litúrgica do nascimento de Nossa Senhora é justificadamente incentivada a todos, até aos anjos:

“Alegrem-se os Patriarcas do Antigo Testamento que, em Maria, reconheceram a figura da Mãe do Messias. Eles e os justos da Antiga Lei aguardavam há séculos, serem admitidos na glória celeste pela aplicação na fé dos méritos de Cristo, o bendito fruto da Virgem Maria.”

“Alegrem-se todos os homens porque o nascimento da Virgem veio anunciar-lhes a aurora do grande dia da libertação pela qual aspiram todos os povos. Alegrem-se todos os anjos porque neste dia foi-lhes dada pela primeira vez a ocasião de reverenciar a sua futura Rainha.” (Lehmann, P. JB. Na luz Perpétua, 1959 p.268)

Só no Céu houve Festa

Ainda que sendo Maria a “Virgem bela e Gloriosa” que Deus amou com predileção desde a sua eternidade, desde toda a Criação como sua obra-prima, enriquecida das graças mais sublimes e elevada à excelsa dignidade de Mãe de Deus, (Patriarca Fócio, Homilia sobre a Natividade,PG 43) visivelmente, nenhum acontecimento extraordinário acompanhou o nascimento de Maria.

Os Evangelhos nada dizem sobre sua natividade. Nenhum relato de profecia, nem aparições de anjos, nem sinais extraordinários são narrados pelos Evangelistas. Só no Céu houve Festa, pois o Filho de Deus vê sua Mãe nascer.

Maria, santa desde o primeiro instante de sua vida

Os Santos e outros abalizados autores, de diversas maneiras exprimiram essa doutrina. Em um de seus arrebatadores sermões dedicados a Nossa Senhora, São Tomás de Villanueva ensina: “Era necessário que a Mãe de Deus fosse também puríssima, sem mancha, sem pecado. E assim não apenas quando donzela, mas em menina foi santíssima, e santíssima no seio de sua mãe, e santíssima em sua concepção. Pois não convinha que o santuário de Deus, a mansão da Sabedoria, o relicário do Espírito Santo, a urna do maná celestial, tivesse em si a menor mácula. Pelo que, antes de receber aquela alma santíssima, foi completamente purificada a carne até do resíduo de toda mancha, e assim, ao ser infundida a alma, não herdou nem contraiu pela carne mancha alguma de pecado, como está escrito: “Fixou sua habitação na paz” (Sl. LXXV, 3). Quer dizer, a mansão da divina Sabedoria foi construída sem a inclinação para o pecado.

Ao assinalar os principais privilégios que acompanharam a Imaculada Conceição de Maria, escreve São João Eudes:

“A gloriosa Virgem não apenas foi preservada do pecado original em sua concepção, como foi também adornada da justiça original e confirmada em graça desde o primeiro momento de sua vida, segundo muitos eminentes teólogos, a fim de ser mais digna de conceber e dar à luz o Salvador do mundo. Privilégio que jamais foi concedido a criatura alguma humana nem angélica, pertencendo somente à Mãe do Santo dos Santos, depois de seu Filho Jesus […]

Todas as virtudes, com todos os dons e frutos do Espírito Santo, e as oito bem-aventuranças evangélicas se encontram no coração de Maria desde o momento de sua concepção, tomando inteira posse e estabelecendo n’Ela seu trono num grau altíssimo e proporcionado à eminência de sua graça”.

Santo Afonso de Ligório, por sua vez, comenta: “A nossa celeste menina, tanto por causa de seu ofício de medianeira do mundo, como em vista de sua vocação para Mãe do Redentor, recebeu, desde o primeiro instante de sua vida, graça mais abundante que a de todos os Santos reunidos. E que admirável espetáculo para o Céu e para a Terra, não seria a alma dessa bem-aventurada menina, encerrada ainda no seio de sua mãe! Era a criatura mais amável aos olhos de Deus, pois que, já cumulada de graças e méritos, podia dizer: ‘Quando era pequenina agradei ao Altíssimo’. E ao mesmo tempo era a criatura mais amante de Deus, de quantas até então haviam existido.

Houvera, pois, nascido imediatamente após a sua Imaculada Conceição, e já teria vindo ao mundo mais rica em méritos e mais santa do que toda a corte dos Santos. Imaginemos, agora, quanto mais santa nasceu a Virgem, vendo a luz do mundo só depois de nove meses, os quais passou adquirindo novos merecimentos no seio materno!”

Preciosa pérola no seio de Sant’Ana

Como fecho dos comentários ao presente louvor, estas ardorosas palavras do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira:

“Porque concebida sem pecado original, Nossa Senhora, afirmam os teólogos, foi dotada do uso da razão desde o primeiro instante de seu ser. Portanto, já no ventre materno Ela possuía altíssimos e sublimíssimos pensamentos, vivendo no seio de Sant’Ana como num verdadeiro tabernáculo.

“Temos uma confirmação indireta disso no que narra a Sagrada Escritura (Lc. I, 44) a respeito de São João Batista. Ele, que fora engendrado no pecado original, ao ouvir a voz de Nossa Senhora saudando Santa Isabel, estremeceu de alegria no seio de sua mãe.

“Assim, pode-se acreditar que a Bem-aventurada Virgem, com a altíssima ciência que recebera pela graça de Deus, já no seio de Sant’Ana começou a pedir a vinda do Messias e, com Ele, a derrota de todo mal no gênero humano. E desde o ventre materno se estabeleceu, com certeza, no espírito de Maria, aquele elevadíssimo intuito de vir a ser, um dia, a servidora da Mãe do Salvador.

“Na realidade, por essa forma Nossa Senhora já começava a influir nos destinos da humanidade. Sua presença na Terra era uma fonte de graças para todos aqueles que d’Ela se aproximavam na sua infância, ou mesmo quando ainda se encontrava no seio de Sant’Ana. Pois se da túnica de Nosso Senhor – conta o Evangelho (Lc. VIII, 44-47) – se irradiavam virtudes curativas para quem a tocasse, quanto mais da Mãe de Deus, Vaso de Eleição!”

“Por isso, pode-se dizer que, embora fosse Ele criancinha, já em seu natal graças imensas raiaram para a Humanidade”. (Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP; “Pequeno Ofício da Imaculado Conceição”)

(FONTE: http://www.arautos.org/especial/19039/A-Natividade-de-Maria.html)

Natividade da Santíssima Mãe de Deus

Hoje, é comemorado o dia em que Deus começa a pôr em prática o Seu plano eterno, pois era necessário que se construísse a casa, antes que o Rei descesse para habitá-la. Esta “casa”, que é Maria, foi construída com sete colunas, que são os dons do Espírito Santo.
Deus dá um passo à frente na atuação do Seu eterno desígnio de amor, por isso, a festa de hoje, foi celebrada com louvores magníficos por muitos Santos Padres. Um livro de São Tiago, venerado desde o começo do cristianismo, nos traz alguns detalhes sobre a infância de Maria, ele afirma que os seus pais, Joaquim e Ana, não podiam ter filhos, até que em meio às lágrimas, penitências e orações, alcançaram esta graça de Deus.
De fato, Maria nasce, é amamentada e cresce para ser a Mãe do Rei dos séculos, para ser a Mãe de Deus. E por isso comemoramos o dia de sua vinda para este mundo, e não somente o nascimento para o Céu, como é feito com os outros santos.
Sem dúvida, para nós como para todos os patriarcas do Antigo Testamento, o nascimento da Mãe, é razão de júbilo, pois n’Ela apareceu no mundo a Aurora que precedeu o sol da justiça e Redentor da humanidade.
“Deus Onipotente, antes que o homem caísse, previu a sua queda e decidiu, antes dos séculos, a redenção humana. Decidiu, portanto, encarnar-Se em Maria”.
Como poderemos celebrar este dia dignamente? Deus, em Seu infinito amor, quis nos dar uma Mãe, e aceitando a condição humana, criou Maria para que a Encarnação acontecesse, e o impossível aos nossos olhos, Deus o faz por amor: o Criador nasce da criatura!
Nossa Senhora, como todo filho de Deus, teve um dia para nascer. Não se sabe ao certo o dia do nascimento de Maria, a quem com muito carinho chamamos de Nossa Senhora Menina. Acesse e saiba mais: A Devoção e o culto a Nossa Senhora Menina

Oração
Oh! Maria Santíssima eleita e destinada ao eterno pela augustíssima Trindade para Mãe do unigênito Filho do Pai, anunciada pelos profetas, esperada dos Patriarcas, e desejada de todas as gentes; Sacrário e templo vivo do Espírito Santo, sol sem mancha, porque fostes concebida sem pecado original, Senhora do céu e da terra, Rainha dos anjos; Nós humildemente prostrados vos veneramos, e nos alegramos da solene comemoração anual de vosso felicíssimo Nascimento; E do, mas íntimo de nosso Coração vos suplicamos que vos digneis benigna vir a nascer espiritualmente em nossas almas, para que cativadas estas por vossa amabilidade e doçura, vivam sempre unidas.
O que era antigo passou, eis que tudo se fez novo.
O fim da lei é Cristo (Rm 10,4), que ao mesmo tempo separa da lei e eleva para o espírito. Nele está a consumação, pois o próprio legislador – tendo cumprido e terminado tudo – transfere a letra para o espírito. Assim tudo recapitula em si mesmo, vivendo a graça depois da lei. A lei, porém, submetida; a graça, harmoniosamente adaptada e unida. Não misturadas e confundidas as características de uma com as da outra, mas mudado de modo divino o que era pesado, servil e escravo, em leve e liberto, para que não mais estejamos reduzidos à servidão dos elementos do mundo (Gl 4,3), como diz o Apóstolo, nem sujeitos ao jugo da escravidão da letra da lei.
É este o resumo dos benefícios de Cristo para nós; é esta a manifestação do mistério; é o aniquilamento da natureza; é Deus e homem; é a deificação do homem assumido. Todavia era absolutamente necessário ao esplendor e à evidência da vinda de Deus aos homens uma introdução jubilosa, antecipando para nós o grande dom da salvação. Este é o sentido da solenidade de hoje que tem início na natividade da Mãe de Deus, cuja conclusão perfeita é a predestinada união do Verbo com a carne. Agora a Virgem nasce, é alimentada com leite, plasmada e preparada como mãe para o Deus e rei de todos os séculos.
Neste momento, foi-nos dado duplo proveito: um, a elevação à verdade; outro, a rejeição da servidão e da vida sob a letra da lei. De que modo, com que fim? Pelo desaparecimento da sombra com a chegada da luz; em lugar da letra, a graça que dá a liberdade. Nossa solenidade está na fronteira entre a letra e a graça, unindo a realidade que chega aos símbolos que a figuravam, substituindo o antigo pelo novo.
Portanto cante e exulte toda a criação e contribua com algo digno para a alegria deste dia. É um só o júbilo dos céus e da terra; juntos festejem tudo quanto está unido no mundo e acima do mundo. Pois hoje se construiu o templo criado do Criador de tudo, e pela criatura, de forma nova e bela, preparou-se nova morada para o seu Autor.
Dos Sermões de Santo André de Creta, bispo
(Oratio 1: PG 97,806-810) (Séc.VIII).

Celebremos com carinho o natal da Mãe de Deus; Sua vida gloriosa ilumina toda a Igreja. Com alegre coração para Cristo entoemos nosso canto de louvor nesta festa de Maria, a Mãe de Deus altíssima.
Oração Final
Oh! Graciosíssima menina! Que com vosso feliz Nascimento haveis consolado ao mundo, alegrado ao céu e aterrado ao inferno; Haveis dado ajuda aos caídos, esperança aos tristes, saúde aos enfermos e alegria a todos; Suplicamos-vos com os, mas fervorosos afetos que renasçais espiritualmente com vosso Santo amor em nossas almas; Renovai nosso espírito para que vos sirvamos, acendei de novo nosso coração para que vos amemos; E fazei florescer em nós aquelas virtudes com as quais possamos fazer-nos sempre mais agradáveis a vossos benigníssimos olhos. Oh! Maria! Sede para nós Maria, fazendo-nos experimentar os saudáveis efeitos de vosso suavíssimo nome; Sirva-nos a invocação deste nome de alívio nos trabalhos, de esperança nos perigos, de escudo nas tentações, de alimento na morte. Seja o nome de Maria como mel na boca, a melodia no ouvido, e o júbilo no coração. Assim seja. a vosso dulcíssimo e amabilíssimo coração. Amém

Padre Luizinho

(Comunidade Canção Nova – blog.cancaonova.com/padreluizinho)

Nossa Senhora é Rainha!

“Só Maria encontrou graça diante de Deus sem o auxílio de qualquer outra criatura (Lc 1, 30). Todos os que acharam graça diante de Deus desde então, só por seu intermédio a acharam, e também só por Ela a encontrarão todos os que ainda hão de vir. Maria estava cheia de graça ao ser saudada pelo arcanjo São Gabriel (Lc 1, 28), e recebeu uma plenitude superabundante de graça quando o Espírito Santo a cobriu com a sua sombra inefável (Lc 1, 35). De tal modo essa dupla plenitude foi aumentando dia a dia, momento a momento, que a sua alma atingiu um grau imenso e inconcebível de graça. Por isso o Altíssimo a fez única tesoureira dos Seus tesouros e única dispensadora das suas graças, para para que Ela enobrecer, elevar e enriquecer a quem lhe aprouver, possa fazer entrar no caminho estreito do Céu quem Ela quiser, para fazer passar, apesar de tudo, quem Ela quiser pela porta estreita da vida, e para dar a quem Ela entender o trono, o cetro e a coroa de rei. Jesus é, em toda a parte e sempre, o fruto e o filho de Maria; e Maria é, por toda a parte, a verdadeira árvore que dá o fruto da vida, e a verdadeira mãe que o produz.

Só a Maria confiou Deus as chaves dos celeiros do Divino Amor (Ct 1, 3) e o poder de entrar nos caminhos mais sublimes e mais secretos da perfeição, bem como de neles fazer entrar os outros.

Só Maria dá aos miseráveis filhos da infiel Eva a entrada no Paraíso Terrestre para aí passearem aprazivelmente com Deus (Gn 3, 8), para aí se esconderem dos seus inimigos, para aí comerem o alimento delicioso – já sem temer a morte – do fruto das árvores da vida e da ciência do bem e do mal, e beberem a grandes tragos as celestes águas da bela fonte que aí jorra abundantemente. Ou melhor, visto ser Ela própria esse Paraíso Terrestre, essa Terra virgem e abençoada de onde Adão e Eva culpados foram expulsos, só acolhe em si aqueles e aquelas que lhe apraz, para os tornar santos.”

Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria
São Luis Maria Montfort