QUE CAMINHO DEVO SEGUIR?

O que devemos fazer quando Deus nos chama, quando somente o nosso servir não basta e, realmente, precisamos nos doar inteiramente ao Senhor? Creio que todos já passaram por essa situação um tanto difícil.
Antes de nascermos, Deus já construiu todo um planejamento para nossa vida. Ele pensou e escreveu cada detalhe sobre nós, mas também nos deu o livre-arbítrio para escolhermos fazer o que quisermos de nossa vida. Cabe a nós decidir se devemos ou não seguir o caminho que Ele traçou para nós.

Na maioria das vezes, o que acontece é que vivemos a nossa vida sem ter tempo para Deus, sem ter tempo de perguntar a Ele qual o Seu propósito para nós. Mas essa “oportunidade” que nos falta é chamada de comodismo. Irmãos, todos nós precisamos de Deus, independentemente de tudo, de qualquer coisa, precisamos d’Ele em todos os momentos da nossa vida. Mas quando não temos essa dimensão, uma hora ou outra, Deus vai nos mostrar o quanto precisamos d’Ele. Às vezes, não é da melhor maneira que percebemos isso.

Chega uma hora em nossa vida que, inesperadamente, aparecemos na porta de uma igreja, onde está acontecendo a reunião de um grupo de oração ou uma Missa. Naquele momento, estamos com o coração tão quebrado, tão dilasserado que entramos; ali, irmãos, sentimos o real poder de Deus em nossa vida, ali sentimos o Seu amor nos envolver. É uma sensação tão forte que não queremos mais deixar de senti-la, queremos nos entregar ao Pai cada vez mais.

“Cabe a nós decidir se devemos ou não seguir o caminho que Ele traçou para nós”

Há um momento, então, que precisamos renunciar ao “eu” e sermos “nós”. Mas será que vale a pena, realmente, sairmos do nosso comodismo para servir o Senhor? Será que vale a pena largar nosso dinheiro, nosso pecado por Deus?

Ser ou não ser, eis o cristão! Essa é a hora de você provar que quer sim, atender ao chamado do Senhor e completar o projeto que Ele fez para você. Essa é a hora de você realmente dizer: “Senhor Jesus, eu renuncio ao “eu” para que sejamos “nós”.

Irmãos, cabe a nós sermos o cristão que Deus planejou. Digamos ‘sim’ a Ele.

Senhor, faça-se em nós conforme a Sua vontade.

(Comunidade Canção Nova – http://destrave.cancaonova.com)

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O amor tem seu tempo

A urgência dos nossos dias nos faz pensar exatamente na urgência do amor. Quando o sentimento se faz presente entre duas pessoas é muito comum a necessidade imediata de dizer: “Eu te amo”. Algumas pessoas dizem: “Que loucura! Isso não é amor”; outras afirmam: “Pra que esperar, eu amo e digo!”.

Avaliar nossos sentimentos e todas as implicações que ele [amor] envolve também nos faz pensar que os caminhos para o amor nunca são ou estão prontos, mas, certamente, passam por nossa maturidade.

A maturidade biológica nem sempre está relacionada à maturidade psicológica. As expectativas dos pais nem sempre serão concretizadas nos desejos dos filhos. Da mesma forma, o que foi vivido no passado nem sempre será válido para as experiências atuais.

Os gregos diziam que o amor é “uma questão de despertar para a vida” e, com isso, nem todos despertam ao mesmo tempo, nem esperam as mesmas coisas ou se satisfazem com as mesmas coisas.

Quando se acelera o processo do amor, muitas vezes, se “mata” esse sentimento. É por isso que as pessoas não podem se casar porque os pais delas se admiram, porque as famílias se dão bem ou porque o (a) namorado (a) tem ou não tem um status, ou um tipo de estudo.

Amor requer tempo, conhecimento, reconhecimento do que gosto ou não das minhas limitações e das limitações do outro. Amor é como uma construção: escolhe-se o terreno, as fundações e a base para que a obra seja realizada, os tijolos vão sendo colocados um a um, até que a casa seja coberta e todo o acabamento interior seja feito. Depois virão os jardins, os detalhes, os cuidados.

E é por isso que o amor não pode ser urgente: uma casa feita às pressas, com material de qualidade inferior, tende a cair antes do tempo. Imaginem se os tijolos desta casa, que é o amor, forem assentados com areia e água?

Sonhos são muito bonitos nas novelas, mas, na vida real, os caminhos não são prontos. Os caminhos de um casal se fazem pela descoberta das alegrias e das tristezas que os dois podem viver. Estes se fazem ainda pela capacidade de reconhecer no outro aquele que me faz feliz, mas não apenas a única pessoa do mundo que me faz feliz, mas que me completa em parte da vida, que é muito mais do que apenas uma pessoa ou um único motivo.

“Quem quer o amor precisa dar tudo o que tem para possuí-lo (Mt 13,44)” e é por isso que o amor exige dedicação e decisão.

Se você ainda não está pronto para isso, pense se não é tempo de se autoconhecer para conviver com o amor, mas também não espere que esteja 100% pronto para vivê-lo, pois a perfeição não existe, ainda mais quando falamos de seres humanos.

E lembre-se: para tudo existe um tempo: amor, afetividade, sexualidade, cada um deve e precisa acordar em seu tempo, até mesmo para que as experiências fora do tempo e erradas não se tornem marcas negativas no futuro.

Elaine Ribeiro

(Comunidade Canção Nova – http://www.cancaonova.com)

Por que não adoro Maria

Padre José Fernandes de Oliveira, SCJ

Vou dizer por que não adoro Maria, a mãe de Jesus; porque ela não é deusa! E…ponto final! Mas vou dizer por que a amo, respeito, louvo e venero. É porque não é todo dia que uma mulher dá à luz um filho como Jesus… Jesus é incomum e sua mãe também é.

E vou dizer por que, além de falar com Jesus, eu também falo com Maria; é que eu creio que Maria não está dormindo o sono da espera pelo último dia da humanidade; ela está no céu, santificada e elevada pelo seu Filho. Falo a cristãos porque ateus não admitem nem Deus nem estes dogmas. Budistas, judeus e muçulmanos também não. Eles têm outros dogmas de fé.

Como creio que o sangue de Jesus tem poder e que Jesus Cristo salva o céu está repleto de santos alguns dos quais nós, católicos, retratamos e lembramos em imagens para não esquecer deles. Como não há humanos perfeitos tiveram seus limites, mas assim mesmo eram crentes e pregadores melhores do que nós.

Se Jesus salva a quem o segue, então é claro que a mãe dele está no céu porque Maria foi quem melhor o seguiu. Raciocinem comigo. Se Jesus ainda não levou nem a mãe dele para o céu, então Mateus exagerou; todo o poder não foi dado a ele… Se até agora ninguém entrou no céu, então a estação de baldeação onde ficam as almas à espera do último dia do planeta deve estar superlotado.

Intercessão

É por crer que o céu está repleto de humanos que Jesus salvou que peço intercessão dos salvos no céu e aceito também a dos que se proclamam salvos já nesta vida porque aceitaram Jesus. Se eles estão salvos a mãe de Jesus esta super-hiper-salva… É a razão pela qual peço a Maria que, lá no céu, ore por mim e comigo. Se padre e pastor podem interceder a Jesus por mim então a mãe de Jesus pode mais. Ela é mais de Jesus que todos nós juntos. Se aceito os intercessores da terra, que diante das câmeras, de manhã e de noite, em emocionados programas de rádio e televisão, dizem de boca cheia que vão orar e oram pelos seus fiéis, então eu posso acreditar nos santos do céu que Jesus já salvou. Entre os salvos escolhi Maria a mãe de Jesus para orar comigo e por mim e pelos que me pedem orações. Eu creio que ela está viva no céu. De Jesus ela foi quem mais entendeu neste mundo, e imagino que continue a ser no céu a que mais sintoniza com Ele.

Como creio que Jesus não era um simples homem e que ele de fato era o Filho eterno que se encarnou não tenho como explicar isso a um judeu, um muçulmano ou um ateu. Mas para cristãos parece-me lógico explicar por que razão não adoro Maria e por que razão eu escolhi a intercessão desta humana acima de qualquer outro cristão.

Não acho que Deus espera pelo toque da última trombeta para levar seus filhos para perto dele. Não esperaremos 10 ou 100 mil anos para entrar no céu. Jesus já disse que iria preparar-nos um lugar e que viria e levaria com ele os que ele resgatou. E penso que Maria foi o primeiro grande fruto da santidade de Jesus: santificou primeiro a mãe dele.

Se eu disser que Jesus foi um simples profeta e que ele não é o Cristo, nem tem poder algum, e que tudo foi empulhação dos primeiros cristãos, então terei que descartar Maria e situá-la no mesmo nível de qualquer mulher mãe. Mas, se eu aceitar que ele é do céu e que houve um tremendo momento da humanidade no qual Deus se manifestou assumindo a natureza humana, então, seja eu católico ortodoxo, ou evangélico, ou pentecostal, terei que louvar e enaltecer a mãe dele. Nunca houve mulher mais privilegiada do que ela. Pagou, com o filho o alto preço da redenção, porque mesmo sendo humana esteve lá de Belém até à cruz assumindo tudo com ele, da mesma forma que hoje nós nos associamos às dores dos outros em nome dele.

Vou dizer outra vez por que não adoro Maria. Eu só adoro a Deus e Maria não foi, não é, nem nunca será deusa. Mas vou dizer outra vez porque a coloco acima de todos os papas, bispos, padres e pastores do mundo. É que nenhum de nós conhece Jesus como Maria conheceu e conhece. A mãe dele foi o primeiro fruto de sua ação no mundo.

Se você me vir falando com Maria, não com a imagem dela, é claro, porque sei a diferença, pode apostar que é porque acredito no poder de Jesus Cristo e na sua promessa e porque também acredito em intercessão. Tenho um trato com o céu. Eu falo direto com o Pai, usando o nome do Filho que aqui se chamou Jesus, ou falo com Jesus que está no seio da Trindade, ou falo com os santos que ele salvou. E entre eles prefiro Maria a quem todos os dias peço que ore comigo e por mim agora e na hora de nossa morte.

Se você é cristão então não terá dificuldade de entender esse assunto de orar uns pelos outros. Se não for e achar essa doutrina estapafúrdia, continue achando. Ateus e outras religiões também têm seus credos estranhos ou estapafúrdios. Em nome do nazismo e do comunismo ou da ditadura do proletariado ou de uma raça, não defenderam no século passado Marx, Lenin, Stalin, Che Guevara e Fidel e, os da direita, Hitler, apesar das mortes que causaram? Cada qual aceita seus dogmas e faz suas faz a suas escolhas. Não mataram em nome de Jesus e de Maomé? Eu proclamo que os que deram a vida e não mataram estão no céu… Meus dogmas aceitos são muito mais suaves.

Escolhi crer que Deus existe e esteve entre nós e ainda se manifesta. Respeito quem não crê em Deus ou crê, mas não crê como eu. Espero o mesmo respeito. Não sou tão tolo quanto pareço, nem os que duvidam são tão espertos e humanitários quanto parecem. Vivemos de apalpar o tempo e a eternidade, sem saber o que fazer com ambos. Então, cada um defina sua vida a partir o que acha que entendeu. E ponto final!

(FONTE: Site Padre Zezinho,SCJ)

Tempo, uma questão de opção

Se vivermos sabendo que Deus e, portanto, nós somos os senhores do tempo cronos, ele se transforma em kairós. Ao passar a administrar o tempo e submetê-lo a Deus, seu verdadeiro dono e criador, passo a conviver com ele como uma chance de viver para Deus.

Ah, o tempo! Essa coisa tão medida, tão preciosa, tão disputada, tão valiosa! O que fazer do tempo? Afinal, quem manda em quem, sou eu que mando no tempo ou ele que manda em mim? Como distinguir o senhor e o servo? Como evitar “ser tragado” por ele?

Os gregos resolveram, em parte, esse problema tão inquietante nos nossos dias. Resolveram criar duas palavras para designar dois tipos de tempo diferente. A primeira, o tempo cronos, significa o único termo que a língua portuguesa utiliza, com seus diferentes sinônimos: tempo mensurável pelo relógio e pelos astros. Esse é o tempo que nos restringe, inquieta, interpela, irrita e nunca parece bastar para fazer o que necessitamos.

A outra palavra grega para “tempo” é kairós. Este tipo de tempo é aquele que não se mede, é interior, espiritual, pleno, profundo. É pessoal, mas universal. Seu efeito atinge os que participam dele e os que lhe são indiferentes. Ao perceber isso, os cristãos dos primeiros séculos passaram a utilizar essa palavra para designar o “tempo da graça de Deus”, o kairós de Deus.

Na verdade, ambos os tipos de tempo foram criados por Deus. São, portanto, criaturas de Deus, como as nuvens, o ar, a água. Deus age em ambos e através de ambos. Quando Jesus se encarnou, ele encarnou-se no “tempo cronos”, mensurável, histórico, preciso. Entretanto, ao encarnar-se e nascer, ele transformou este tempo cronos em tempo kairós, tempo de graça, tempo da graça de Deus.

Senhor do Tempo

O Verbo se fez carne e habitou entre nós. Ele, o Senhor do tempo, submeteu-se ao tempo cronos para transformá-lo em kairós. Obviamente, isso não é coisa de pouca monta. Trata-se da transformação da história da humanidade, a transformação de sua mentalidade humana em mentalidade divina. Diz respeito à inserção palpável do tempo kairós no tempo cronos. Com Jesus, podemos viver escravizados pelo tempo cronos ou libertos pelo tempo kairós.

Alienação? Zen? Nada disso: sabedoria. Se vivermos sabendo que Deus e, portanto, nós somos os senhores do tempo cronos, ele se transforma em kairós. Ao passar a administrar o tempo e submetê-lo a Deus, seu verdadeiro dono e criador, passo a conviver com ele como uma chance de viver para Deus, de enxergar a graça de Deus em cada minuto passado, presente ou por vir. Passo a viver o tempo kairós sem deixar de viver o tempo cronos.

Tenho 10 minutos para chegar ao trabalho, estou a 100 metros do prédio e o trânsito simplesmente não anda. Nervosismo e desespero? Jamais! O cronos foi transformado por Cristo em kairós. Ele sabe de tudo. Sabe porque o transito não anda, porque estou preso aqui e, como me ama, faz sempre o melhor para mim. Aproveito, então, o tempo que me é concedido como kairós: canto, rezo, ouço músicas ou palestras sobre o Evangelho, rezo o terço, louvo o Senhor da minha vida e do tempo.

Luta contra o tempo

Quando vemos o tempo como nosso senhor, como o indomável cronos, lidamos com a raiva que temos dele, lutamos contra ele o tempo todo, vemo-lo como um adversário invencível a quem, cedo ou tarde, teremos que nos submeter se quisermos ser alguém na vida.

Quando o vemos como nosso servo, um presente de Deus para melhor amá-lo e servi-lo, o tempo que percebemos é o kairós, ainda que inserido no cronos. Acolhemo-lo com alegria, enchemo-nos de gratidão para com ele que passa a ser para nós tempo da graça de Deus. Aquele tipo de tempo que a gente deseja nunca acabar: o tempo que mede o amor, a amizade, a oração, o carinho, a ternura, o dar-se ao outro por amor, a compaixão, a solidariedade, a partilha, a piedade.

Embora muitas vezes estraguemos esta percepção, o nascimento de Jesus é, essencialmente, kairós. A observação mais superficial de como o festejamos indicaria exatamente o contrário. O trânsito infernal, a lista de presentes, a preparação da ceia, a corrida para comprar o presente esquecido, a roupa que não foi passada, o sapato novo que prolonga o martírio, a impaciência, as repetidas olhadelas para o relógio, a correria de uma residência para outra, tudo denuncia o tempo cronos, implacável e indômito senhor a nos fustigar.

Entretanto, em sua essência mais verdadeira, o Natal não deixa de ser um kairós. Um autêntico, profundo e pródigo tempo de graça, tempo da graça de Deus. Toda a graça do Deus Vivo está à nossa disposição. Nele, o Todo Poderoso, se torna um recém nascido. Nele, o Forte se torna frágil, o Rico se torna pobre, o Livre se torna dependente para que nós sejamos livres. Será que é por isso, por nossa rejeição natural a esse abaixamento de Deus, por nosso medo de participar desse tipo de graça de não “ser alguém na vida” que insistimos em abafar esse incomparável kairós, sufocando-o com o nosso cronos?

por Maria Emmir Nogueira
Co-fundadora da Comunidade Shalom

(Comunidade Católica Shalom – http://www.comshalom.org)

Não pecar mais!

O tempo do Quaresma nos convida a refletir no silêncio de nossa consciência. As leituras da Palavra de Deus nesses dias nos predispõem a ouvir a fim de conferir nosso agir. A novidade é a libertação. Deus quer a nossa libertação de todo o mal, no plano do espírito.

Começamos com um oráculo de libertação anunciado pelo profeta Isaias 43,19-21, ao povo de Israel, no tempo em que esteve deportado na Babilônia. Deus já o tinha libertado uma vez quando fora escravo no Egito, e logo tornará a libertá-lo. Por isso Israel não pode fixar-se nos males do momento, mas olhar com confiança o futuro. O seu retorno à liberdade será cumprido na alegria, como o deserto que floresce.

São Paulo fala da importância de novidade trazida por Cristo, que morreu e ressuscitou para que nós também ressuscitemos com nele para uma vida nova. O apóstolo lembra uma corrida para vencer na vida cristã, como no esporte, a fim de conquistar o prêmio que Deus reserva àqueles que o tenham escutado.

A ação libertadora de Deus para o povo eleito foi militar, política, social, , naqueles séculos longínquos da escravidão do Egito e da deportação na Babilônia, mas sempre foi também libertação de caráter espiritual e moral. De fato, o Senhor pedia a seu povo a fidelidade à aliança estreita com ele, a coerência de uma vida reta como sinal de amor a Deus que salva. Libertação que comportava a vitória sobre o pecado, existência polida e digna sob a luz do sol, vida que fosse em si mesma agradecimento e louvor a Deus.

Tudo isso ficou mais explícito em Jesus Cristo. Ele, homem novo, introduziu plenamente no mundo a novidade de vida; libertação que tem raízes profundas no coração humano, que comporta a vitória sobre o pecado e a expansão da graça. O evangelho de hoje de João 8,1-11, nos apresenta Jesus libertador do pecado. Jesus que se põe da parte dos pecadores, e nos mostra toda a sua alegria em perdoar e reabrir caminhos novos.

O evangelho de domingo passado nos ensinava, com a parábola do filho pródigo, que Deus é misericordioso. O evangelho de hoje, com o episódio da mulher adúltera, nos apresenta a aplicação do princípio geral ao caso concreto, à vida.

A pobre pecadora, colhida em flagrante reato, segundo a lei antiga devia ser condenada à morte cruel: a lapidação. Os escribas e fariseus chegaram com pedras nas mãos. Disseram: “Moisés na lei nos ordenou lapidar mulheres como esta”. Na expressão “mulheres como esta” se vê já o desprezo de quem se julga justo, e por isso se atribui o direito de condenar os outros.

Na realidade os escribas e fariseus trazendo a pecadora a Jesus tinham uma segunda finalidade: queriam preparar uma cilada, desacretizá-lo diante da gente, colocá-lo em dificuldades. Propõem-lhe um dilema e queriam que Jesus se pronunciasse. Acrescentam por isso: “Tu, o que dizes?”. Jesus podia aprovar ou desaprovar. Qualquer resposta que pronunciasse o faria desacreditado.

Se dissesse: é justo, é preciso lapidar esta desgraçada, não estaria da parte dos pecadores, a gente não teria mais confiança e simpatia para com ele, talvez o teria abandonado.

Se dissesse: é preciso deixar livre esta infeliz, teria exortado abertamente a violar a lei de Moisés! De todo modo, teriam encontrado um pretexto para criticá-lo e desacreditar Jesus.

Jesus se coloca fora do dilema proposto pelos escribas. Já o profeta Ezequiel (33,11) tinha dito que Deus não quer a morte do pecador, mas “que se converta e viva”. Jesus mesmo fora explícito: “Não vim para julgar, mas para salvar” (João 3,17).

Desta vez, Jesus se inclinou em terra, pôs-se a escrever com o dedo na areia. Uma pausa de reflexão. No auge da tensão, a resposta veio, cheia de piedade, de sabedoria divina. Disse: “Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra contra ela”. Depois voltou a escrever. O único sem pecado era ele. Um a um deixou cair as pedras e se foi, a começar pelos mais velhos até os jovens. Jesus pergunta: “Mulher, onde estão os que te acusavam? Nenhum te condenou?” “Nenhum, Senhor”. “Nem eu te condeno. Vá, e de agora em diante não peques mais”.

CNBB

(Comunidade Católica Shalom – http://www.comshalom.org)

Jejuar do mundo

A Quaresma é um tempo no qual vivemos a tensão para encontrarmos o equilíbrio certo, o momento exato, a fórmula ‘mágica’ para vivermos a tríplice ordem – jejum, esmola e oração. Sabemos que a Igreja nos ensina várias modalidades para mergulharmos nesta intimidade com Jesus por meio desses atos. Porém, ela não fecha em uma forma exata, dogmatizada, sobre como devemos praticar o jejum, a esmola e a oração.

Assim, para encontramos a medida certa precisamos ser criativos, sobretudo no que diz respeito ao jejum. Clemente de Alexandria, em sua criatividade, nos ensinou a “Jejuar do Mundo”, ou seja, a nos afastarmos das situações rotineiras que não nos colocam em comunhão com Jesus. Essas modalidades são chamadas extracanônicas (cf., Estromatas, II, 15: GCS 15,242).

Para explicarmos isso melhor recorremos à proposta de “Jejum do Mundo” ensinada pelo Frei Ranieiro Cantalamessa – pregador da Casa Pontifícia, no livro “Preparai os Caminhos do Senhor”.

Segundo ele existe um tipo de mortificação possível a todos e, acima de tudo, benéfica, que é o jejum das notícias inúteis e das imagens do mundo. O religioso afirma que vivemos em um mundo no qual a comunicação em massa nos bombardeia com notícias, informações, propagandas, imagens que corroem a nossa vida espiritual.

Essas informações e imagens, presentes na televisão, na publicidade, nos espetáculos, nos jornais, nas revistas, na internet tornaram-se o veículo privilegiado para a expansão da ideologia mundana, consequentemente nos afastam da união com o Senhor. Podemos constatar isso na nossa vida, sabemos o quão difícil é nos recolhermos para rezar em meio a tanto “barulho”. Um exemplo claro disso é quando acabamos de nos “encher” de algumas informações e vamos rezar, parece que não “desligamos”, ficamos pensando no celular que poderá tocar, na notícia que acabamos de receber, na fofoca que ouvimos ou falamos, daquela bendita música – secular, que não sai da nossa cabeça –, enfim, levamos em nosso coração todos aqueles emaranhados de notícias que acabamos de ouvir e ver.

Portanto, não é possível encher os olhos, a mente e o coração com essas imagens e informações e depois querer rezar.

Frei Raniero afirma ainda que “o Reino de Deus tem as suas notícias eternas, sempre novas, a serem ouvidas, e, pelo fato de estarmos tomados pela paixão das notícias do mundo, não mais as compreendemos. Parecem-nos apenas coisas velhas superadas, não a proclamaremos com força, pois elas não vivem com força dentro de nós”.

Podemos, dessa forma, em meio à rapidez das informações, dedicar nosso tempo gasto com a procura destas informações inúteis à oração, por intermédio do Jejum do Mundo, pois todo pequeno esforço pode se transformar em uma ocasião de encontro com Deus. Assim, desviando o nosso olhar da ilusão (cf. Sl 119,37), teremos acesso às notícias eternas, as quais somente os corações íntimos do Senhor podem ver.

(Canção Nova ;D Ricardo Gaiotti Silva – Formação)

Você realmente serve a Deus?

“Servi ao Senhor com toda a alegria, vinde e exultaremos. Sabei que o Senhor é Deus e Salvador e só a Ele pertencemos”, e porque pertencemos a Ele, é seu desejo fazer uma obra maravilhosa em nós.

Às vezes, pensamos que servir a Deus é apenas trabalhar para Ele, mas a essência do servo é pertencer ao Senhor e a Ele servir. Vamos supor que você tenha um motorista para servi-lo. Você gostaria que ele usasse o carro o tempo todo? Não, a função dele é esperar por você. Se você está em casa, ele deve esperá-lo lá; se você sai, ele sai com você; se você entra numa loja, ele espera por você, porque é essa a obrigação de um servo. Às vezes, pensamos que servir ao Senhor é fazer mil coisas ao mesmo tempo, mas quando chega o fim do dia, estamos exaustos. No dia seguinte, fazemos tudo igual. Queremos servir ao Senhor com alegria, mas nos enganamos, porque a maneira de servi-Lo é ser d’Ele, assim como Maria aos pés de Jesus. Certamente, haverá momentos em que deveremos ser ativos, no entanto, a essência do servo não é fazer coisas, mas sim ser.

“Servi ao Senhor com toda a alegria, vinde e exultaremos”. É bom servir ao Senhor, é bom ser do Senhor. “Sabei que o Senhor é Deus e salvador”, o nome de Jesus significa Salvador. Não foi isso que o anjo disse a Maria? Seu nome será Jesus, porque Ele é o Salvador. Ele quer nos salvar concretamente, tornando-nos novas pessoas, verdadeiramente renovadas. A salvação começa em nós. Jesus quer ser o nosso salvador, por isso não precisamos usar máscaras carismáticas com aspectos de piedade e de espiritualidade. Temos que ser nós mesmos.

O próprio Senhor nos diz: “Quero vos construir no dia-a-dia. Não quero que façais grandes coisas. É nas pequenas que vos quero formar. Quero vos reconstruir nas coisas domésticas. Construir em vós a minha Igreja. Sede, pois, dóceis à minha condução”.

Louvado seja Deus que quer que vivamos essa experiência de oração.

(Canção Nova ;D Monsenhor Jonas Abib – Formação)