Homilia de Bento XVI na Missa de Quarta-feira de Cinzas -13/02/13

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CELEBRAÇÃO DE QUARTA-FEIRA DE CINZAS
Basílica de São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Venerados Irmãos,
caros irmãos e irmãs!

Hoje, Quarta-feira de Cinzas, iniciamos um novo caminho quaresmal, um caminho que se estende por quarenta dias e nos conduz à alegria da Páscoa do Senhor, à vitória da Vida sobre a morte. Seguindo a antiquíssima tradição romana da stationes quaresimais, nos reunimos hoje para a Celebração da Eucaristia. Tal tradição prevê que a primeira statio tenha acontecido na Basílica de Santa Sabina na colina Aventino. As circunstâncias sugeriram reunir-se na Basílica Vaticana. Somos numerosos reunidos ao redor do Túmulo do Apóstolo Pedro também para pedir sua intercessão para o caminho da Igreja neste momento particular, renovando nossa fé no Pastor Supremo, Cristo Senhor. Para mim é uma ocasião propícia para agradecer a todos, especialmente aos fiéis da Diocese de Roma, neste momento em que estou para concluir o ministério petrino, e para pedir especial lembrança na oração.

As leituras que foram proclamadas nos oferecem ideias que, com a graça de Deus, são chamados a se tornarem atitudes e comportamentos concretos nesta Quaresma. A Igreja nos repropõe, antes de tudo, o forte chamado que o profeto Joel dirige ao povo de Israel: “Agora, diz o Senhor, voltai para mim com todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos” (2,12). Sublinhamos a expressão “com todo o coração”, que significa do centro de nossos pensamentos e sentimentos, das raízes das nossas decisões, escolhas e ações, com um gesto de total e radical liberdade. Mas é possível este retorno a Deus? Sim, porque há uma força que não mora em nosso coração, mas que nasce do coração do próprio Deus. É a força da sua misericórdia. Diz ainda o profeta: “Voltai para o Senhor, vosso Deus; ele é benigno e compassivo, paciente e cheio de misericórdia, inclinado a perdoar o castigo” (v.13). O retorno ao Senhor é possível como ‘graça’, porque é obra de Deus e fruto da fé que nós depositamos na sua misericórdia. Este retornar a Deus torna-se realidade concreta na nossa vida somente quando a graça do Senhor penetra no íntimo e o toca doando-nos a força de “rasgar o coração”. É ainda o profeta a fazer ressoar da parte de Deus estas palavras: “Rasgai o coração, e não as vestes” (v.13). Com efeito, também em nossos dias, muitos estão prontos a “rasgar as vestes” diante de escândalos e injustiças – naturalmente cometidos por outros -, mas poucos parecem disponíveis a agir sobre o próprio “coração”, sobre a própria consciência e sobre as próprias intenções, deixando que o Senhor transforme, renove e converta.

Aquele “voltai para mim com todo o vosso coração”, é ainda um apelo que envolve não só o particular, mas a comunidade. Ouvimos na primeira Leitura: “Tocai trombeta em Sião, prescrevei o jejum sagrado, convocai a assembleia; congregai o povo, realizai cerimônias de culto, reuni anciãos, ajuntai crianças e lactentes; deixe o esposo seu aposento, e a esposa, seu leito” (vv.15-16). A dimensão comunitária é um elemento essencial na fé e na vida cristã. Cristo veio “para reunir os filhos de Deus dispersos” (cfr Jo 11,52). O “Nós” da Igreja é a comunidade na qual Jesus nos reúne juntos (cfr Jo 12,32): a fé é necessariamente eclesial. E isto é importante recordá-lo e vivê-lo neste Tempo da Quaresma: cada um esteja consciente de que o caminho penitencial não se percorre sozinho, mas junto com tantos irmãos e irmãs, na Igreja.

O profeta, enfim, se detém sobre a oração dos sacerdotes, os quais, com lágrimas nos olhos, se dirigem a Deus dizendo: “Não deixes que esta tua herança sofra infâmia e que as nações a dominem. Por que se haveria de dizer entre os povos: ‘Onde está o Deus deles?’” (v.17). Esta oração nos faz refletir sobre a importância do testemunho de fé e de vida cristã de cada um de nós e das nossas comunidades para manifestar a face da Igreja e como esta face seja, muitas vezes, deturpada. Penso especialmente nas culpas contra a unidade da Igreja, nas divisões no corpo eclesial. Viver a Quaresma em uma mais intensa e evidente comunhão eclesial, superando individualismos e rivalidade, é um sinal humilde e precioso para aqueles que estão distantes da fé ou indiferentes.

“É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação!” (2 Cor 6,2). As palavras do apóstolo Paulo aos cristãos de Corinto ressoam também para nós com uma urgência que não admite ausências ou omissões. O termo “agora” repetido várias vezes diz que este momento não pode ser desperdiçado, ele é oferecido a nós como uma oportunidade única e irrepetível. E o olhar do Apóstolo se concentra sobre a partilha com a qual Cristo quis caracterizar sua existência, assumindo todo o humano até carregar o pecado dos homens. A frase de São Paulo é muito forte: Deus “o fez pecado por nós”. Jesus, o inocente, o Santo, “Aquele que não cometeu pecado”(2 Cor 5,21), carregou o peso do pecado partilhando com a humanidade o êxito da morte, e da morte de cruz. A reconciliação que nos é oferecida teve um preço altíssimo, o da cruz elevada sobre o Gólgota, sobre a qual foi pendurado o Filho de Deus feito homem. Nesta imersão de Deus no sofrimento humano e no abismo do mal está a raiz da nossa justificação. O “voltar a Deus de todo o coração” no nosso caminho quaresmal passa através da Cruz, o seguir Cristo sobre a estrada que conduz ao Calvário, ao dom total de si. É um caminho no qual se aprende cada dia a sair sempre mais do nosso egoísmo e dos nossos fechamentos, para dar espaço a Deus que abre e transforma o coração. E São Paulo recorda como o anúncio da Cruz ressoa em nós graças a pregação da Palavra, da qual o próprio Apóstolo é embaixador; um chamado para nós para que este caminho quaresmal seja caracterizado por uma escuta mais atenta e assídua da Palavra de Deus, luz que ilumina nossos passos.

Na página do Evangelho de Mateus, que pertence ao assim chamado Discurso da montanha, Jesus faz referência a três práticas fundamentais previstas pela Lei Mosaica: a esmola, a oração e jejum: são também indicações tradicionais no caminho quaresmal para responder ao convite de “voltar a Deus como todo o coração”. Mas Jesus destaca que seja a qualidade e a verdade da relação com Deus o que qualifica a autenticidade de cada gesto religioso. Por isso, Ele denuncia a hipocrisia religiosa, o comportamento que quer aparecer, as atitudes que buscam o aplauso e a aprovação. O verdadeiro discípulo não serve a si mesmo ou ao “público”, mas ao seu Senhor, na simplicidade e na generosidade: “E o teu Pai, que vê no escondido, te dará a recompensa” (Mt 6,4.6.18). O nosso testemunho então será sempre mais incisivo quando menos buscarmos nossa glória e formos conscientes que a recompensa do justo é o próprio Deus, o ser unido a Ele, aqui, no caminho da fé, e, ao término da vida, na paz e na luz do encontro face a face com Ele para sempre (cfr 1 Cor 13,12).

Queridos irmãos e irmãs, iniciemos confiantes e alegres o itinerário quaresmal. Ressoe forte em nós o convite à conversão, a “voltar para Deus com todo o coração”, acolhendo a sua graça que nos faz homens novos, com aquela surpreendente novidade que é participação à vida do próprio Jesus. Nenhum de nós, portanto, seja surdo a este apelo, que nos é dirigido também no austero rito, tão simples e ao mesmo tempo tão sugestivo, da imposição das cinzas, que daqui a pouco realizaremos. Nos acompanhe neste tempo a Virgem Maria, Mãe da Igreja e modelo de todo autêntico discípulo do Senhor. Amém!

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Hino Oficial JMJ Rio 2013

Sou marcado desde sempre
com o sinal do Redentor,
que sobre o monte, o Corcovado,
abraça o mundo com Seu amor.

 

Cristo nos convida:
“Venham, meus amigos!”
Cristo nos envia:
“Sejam missionários!”

Juventude, primavera:
esperança do amanhecer;
quem escuta este chamado
acolhe o dom de crer!
Quem nos dera fosse a terra,
fosse o mundo todo assim!
Não à guerra, fora o ódio,
Só o bem e paz a não ter fim.

Do nascente ao poente,
nossa casa não tem porta,
nossa terra não tem cerca,
nem limites o nosso amor!
Espalhados pelo mundo,
conservamos o mesmo ardor.
É Tua graça que nos sustenta
nos mantém fiéis a Ti, Senhor!

Atendendo ao Teu chamado:
“Vão e façam, entre as nações,
um povo novo, em unidade,
para mim seus corações!”
Anunciar Teu Evangelho
a toda gente é transformar
o velho homem em novo homem
em mundo novo que vai chegar.

Padre deixa Brasil e visita Síria para ajudar vítimas dos conflitos

Enquanto milhares de pessoas deixam a Síria por causa dos conflitos que afligem o país, há algumas que se sentem motivadas a visitar a região e dar seu apoio material e espiritual às vítimas.

É o caso do padre George Rateb Massis, que nasceu na Síria, lá foi ordenado sacerdote, deixou sua família, sua terra e veio em missão para o Brasil, onde está há oito anos e atualmente é pároco da Igreja Sagrado Coração de Jesus dos Siríacos Católicos, em Belo Horizonte (MG).

O sacerdote partiu para a Síria nesse domingo, 29, e deve permanecer no país por um mês, com uma significativa motivação: “Minha visita à minha terra Síria é para que seja um presente diante da situação do meu país, e para entrar em comunhão com minha família, amigos, padres, bispos, o povo sírio em geral, sejam eles cristãos ou muçulmanos, porque na Síria somos todos sírios debaixo do sol da Síria”.

Em entrevista ao noticias.cancaonova.com, Padre George conta que leva toda preocupação dos imigrantes, dos árabes sírios que moram no Brasil e pretende ver uma imagem verdadeira da situação, pois, segundo ele, as notícias que chegam do país muitas vezes são exageradas e não transmitem a pura verdade.

Muitas pessoas da Síria perderam suas casas e estão alojadas em escolas e igrejas. É o caso da aldeia de padre George, onde a situação está tranquila, mas como está localizada nas proximidades de Homs, cidade com os maiores conflitos, está acolhendo os refugiados.

A Arquidiocese de Belo Horizonte lançou uma campanha em prol da Síria, por tempo indeterminado, para ajudar as pessoas que estão nesses lugares de maior conflito. Padre George já levou a coleta das Missas do domingo, 22, que foram doadas pela arquidiocese para o povo sírio. “Nós estamos levando umas ajudas para eles realmente se sustentarem com algum tipo de alimento e remédio”.

O sacerdote agradece toda a generosidade dos brasileiros e o zelo pelos irmãos da Síria, e afirmou que “espera que esse gesto fraterno traduza um grande amor entre os brasileiros e o povo sírio”.

(Comunidade Canção Nova – http://www.cancaonova.com)

Bento XVI faz novo apelo pelo fim da violência na Síria

Depois da proclamação do Angelus, neste domingo, 29/07/12, o Papa Bento XVI fez um apelo urgente para que se coloque fim a toda violência e derramamento de sangue na Síria.

“Continuo a seguir com apreensão os trágicos e crescentes episódios de violência na Síria que deixaram mortos e feridos, também entre civis. Por estes eu peço que seja garantida a necessária assistência humanitária e ajuda solidaria”, reforçou o Santo Padre.

O Pontífice disse ainda rezar a Deus para dar sabedoria de coração, em particular para aqueles que têm maior responsabilidade, para que não sejam poupados esforços na busca pela paz. Bento XVI espera que com o empenho da comunidade internacional, através do diálogo e da reconciliação, seja alcançada uma adequada solução política para o conflito.

“O meu pensamento se volta também para a nação iraquiana, atingida nos últimos dias por numerosos e graves atentados que deixaram muito mortos e feridos. Que este grande país possa encontrar o caminho da estabilidade, da reconciliação e da paz”, disse ainda o Papa.

(Comunidade Canção Nova – http://www.cancaonova.com)

CAMINHAR NUM PROCESSO DE CURA INTERIOR

Num processo de cura interior é muito importante que observemos alguns aspectos importantes. O primeiro deles é o exercício de uma verdadeira, autêntica e profunda vida espiritual. Através da vida de intimidade com o Senhor somos introduzidos num processo de cura, pois esta intimidade nos leva ao conhecimento de Deus e conseqüentemente ao auto-conhecimento.

Neste momento com o Senhor, o Espírito Santo está em ação e ilumina nossa inteligência, esclarecendo-a sobre fatos, sobre realidades profundas, sobre sentimentos, sobre verdades religiosas, sobre o plano de Deus para determinados momentos, mesmo que estes sejam muito doloridos, ajudando-nos a tirar conclusões sábias.

O Espírito Santo também age na nossa vontade, inspirando-lhe decisões acertadas, firmes, perseverantes, corajosas e criativas. Ele concede à vontade motivações sobrenaturais claras, convincentes e gratificantes, que nos impulsiona a agir com muito vigor, a entender com amor as motivações das pessoas que provocaram algum constrangimento a nós ou foram causa de traumas profundos.

O Espírito Santo age ainda na nossa imaginação, na nossa memória e na nossa afetividade, concedendo-nos imagens esclarecedoras, sejam elas acontecimentos do passado, da vida cotidiana. Pode inspirar sentimentos como compaixão, alegria, piedade, vigor, de gratidão… que são capazes de transformar, de dar vida nova aos corações e de nos reconciliar com a nossa própria história.

A busca intensa de Deus e da Sua verdade é muito importante, porque temos imagens e impressões muito deformadas dos acontecimentos, das pessoas e de nós mesmos, e não ficarmos limitados na superficialidade na cura interior, mas descermos ao mais profundo do nosso ser à luz de Deus. Não basta deixarmos que Deus retire a casca grossa das nossas feridas, mas permitir que a Sua luz penetre nas raízes das nossas feridas mais profundas, que muitos de nós não têm o conhecimento e que são verdadeiros obstáculos para a vivência da salvação em nossas vidas. A salvação precisa atingir nossas vidas como um todo.

A obra de salvação de Deus em nossa vida passa pelo auto-conhecimento. Este acontece a medida que o Espírito Santo nos revela a nossa verdade interior. Quanto mais nos aproximamos de Deus em espírito e verdade, mais ele nos revela a nossa realidade interior. É interessante observarmos isto, porque existem dois motivos que nos impedem de sermos curados e assim livres, a ignorância e o medo de olharmos para dentro de nós mesmos, preferimos culpar os outros. Quanto mais profunda for a ferida, maior o amor de Deus para nos curar.

O Senhor possui o remédio eficaz para a nossa ferida mais profunda. Aliás, só ele tem o remédio. Só ele é o remédio. Ele tem amor suficiente para derramar sobre as nossas feridas que doem, que queimam como um fogo, que ardem, que incomodam, como um bálsamo que as acalma, que as alivia e que as cura. É muito importante que aceitemos a nossa vida, a nossa história, o nosso passado e presente que temos.

É fundamental que aceitemos a dor, a ferida que temos em nossa vida. Devemos crer que esta dor se constituirá na manifestação da glória de Deus. É preciso trocarmos a amargura e o medo da dor pela esperança de que em Jesus venceremos, seremos transformados. Há um futuro para nós, por maior que seja a nossa dor, a nossa ferida. As nossas feridas se transformarão em pérolas, serão as nossas riquezas, não só para nós, mas também para os outros. Se deixarmos Deus trabalhar em nossas vidas, se deixarmos Deus penetrar naquela ferida, em vez de ser amargura, se transformará em amor. Não nos assustemos com a dor inicial, pois para Deus curar as feridas precisa abri-las, rasga-las. Diz São João da Cruz: “A chaga produzida pelo Espírito Santo será profunda, porque é feita por Aquele que só sabe curar”.

A graça do Espírito Santo é Luz e pode iluminar todas as áreas da nossa vida até que elas se tornem muito mais resplandecentes do que a luz do sol, do que os seus raios do meio dia, isto é, alcançarem a plenitude do Espírito. Quando o Espírito Santo inunda a vida humana com seus dons, o homem passa a se sentir extraordinariamente bem, com a alma cheia de um silêncio, uma paz, um calor e uma alegria inexplicável.

Uma delícia extraordinária! Acontece exatamente o que São Paulo diz: “O que os olhos não viram, o que os ouvidos não ouviram e o coração do homem não percebeu, isso Deus preparou para aqueles que o amam” ( 1Cor 2,9). Todas estas graças que o homem passa a experimentar neste momento aqui na terra, nada é em comparação com o Bem Supremo que o Senhor tem preparado para ele na eternidade. É apenas uma antecipação da glória que desfrutará no céu.

A graça do Espírito Santo renova as forças humanas, formam-lhe asas como as águias, os impulsiona a correr e não se fatigar, a caminhar e não se cansar ( cf. Is 40,31). O Reino de Deus, que se entende pela graça do Espírito Santo, passa a habitar no mais profundo de nós, em nosso coração. E aí ele nos ilumina e aquece, alegra os nossos sentidos, enche o ar de perfumes suaves e sacia o nosso coração com seu amor, com alegria indizível. A nossa fé não é mais vacilante, frágil, nem de livros, nem de testemunho de outros, mas da manifestação do poderio do Espírito. Pequenos como somos, podemos, pela misericórdia de Deus sermos cheios da plenitude de Seu Espírito.

Precisamos decidirmo-nos em entregar verdadeiramente o nosso coração a Deus, passarmos a ser seus amigos de verdade. É isto que o Senhor procura um coração que o adore em espírito e verdade, um coração cheio de amor por Ele e pelo próximo, um coração cheio de fé Nele e em Seu Filho único, em resposta envia do alto a graça do Espírito Santo. Ele mesmo diz em Provérbios: “Meu filho, dá-me o teu coração, e o resto eu te darei por acréscimo” ( Pr 23,26). A saúde do nosso coração consiste no perfeito amor a Deus.

Nós não podemos nos desfazer do mal sozinhos, nem devemos deixar o tempo passar sem recebermos a cura dos nossos males porque não nos abrimos para a graça de Deus, precisamos da ajuda da graça divina. Quanto mais nos tornamos amigos de Deus mais experimentamos o seu amor por nós e mais o amamos e é essa relação de amor, de confiança, de abandono em suas mãos que vai nos configurando a ele e vamos nos sentindo extraordinariamente bem.

Para que o homem conheça a sua enfermidade, em primeiro lugar Deus o entrega a si próprio, para que ele compreenda que nada pode fazer por si, para compreender a sua impossibilidade e nunca julgar a graça divina como algo supérfluo. Chegando neste ponto em sua vida onde conheceu sua pequenez e sua enfermidade, o Senhor, convenientemente, lhe concedeu a sua graça pela qual se ilumina um cego e se cura um doente.

É importante o processo de cura interior porque na verdade as nossas feridas por serem frutos do nosso pecado e do pecado dos outros, estão ligadas diretamente a nossa vida com Deus. Pela ação da graça divina em nós somos iluminados para o conhecimento da verdade, somos esfriados para o desejo do mal, somos inflamados pelo amor as virtudes, somos comprometidos com a messe do Senhor, enfim amamos a Deus e aos irmãos com o perfeito amor.

Precisamos, portanto, ir além da teoria e praticarmos. Como? Nas orações pessoais ministre sobre você mesmo a cura interior, ore pela sua cura interior. Exponha a sua vida diante do Senhor. Dê espaço na sua oração pessoal para que a cura interior aconteça. Não tenha medo. Não resista. Você vai sentir mais bem-estar do que antes. Peça ao Senhor as manifestações dos Seus dons carismáticos.

Passos:

01. Coloque-se de maneira simples diante do Senhor;

02. Peça ao Espírito Santo que revele as feridas que Ele deseja curar.

03. Em nome de Jesus e diante de Jesus, ministre sobre si mesmo a aceitação deste fato do seu passado ou presente e num ato de fé creia que Jesus reverterá isto em um grande bem para você e para os outros.

04. Apresente a Jesus a área ferida, traumatizada, marcada .

05. Ore em línguas ministrando a cura do Senhor, o quanto a inspiração lhe mover. Neste instante abra-se ao Espírito pois pode o Senhor revelar palavras de ciência, sabedoria, profecia sobre esta situação.

06. Agradeça a Deus por esta área ferida, na certeza do grande bem (pérola) que está sendo gerado. Louve ao Senhor pelo bem que Ele lhe fez neste momento.

07. Não se esqueça que a cura interior é um processo que ocorre das mais variadas formas e que esta oração pode de acordo com a inspiração ser feita em repetidas oportunidades, entretanto, em cada uma delas, precisamos crer no poder de Jesus que se manifesta concretamente em nós.

(Comunidade Católica Shalom – http://www.comshalom.org)

Uma reflexão cristã sobre o Carnaval

Aproxima-se o período do Carnaval e, automaticamente, desperta em nós a ânsia em estarmos reunidos com os amigos, buscando a diversão, a alegria, com direito a muita música e agitação! Para a maioria, é assim!

Mas, afinal, por que celebramos o Carnaval?

Etimologicamente, o termo Carnaval advém, dentre várias interpretações, de “carne vale” que significa “adeus carne” ou “despedida da carne”, pois que permitido o consumo de carne no tríduo que antecede a quarta-feira de cinzas, marco da Quaresma. (período durante o qual é recomendada a prática da penitência e abstinência de carnes vermelhas).
Desde a origem da festividade do Carnaval, há um contraste entre o carnaval cristão e o carnaval pagão. E, de fato, percebemos ainda hoje essa discrepância.

De um lado, muitos jovens aproveitam essa data para extravasarem seus desejos, influenciados pela sensação de ”liberdade”, em que tudo é permitido. É comum, portanto, vermos nos carnavais a presença do excesso: de bebidas, de drogas, do apelo sexual etc. Vale lembrar que estes “sintomas” são perceptíveis, também, em outras épocas do ano, não apenas no carnaval.

Tal comportamento vem acompanhado do vazio, da “ressaca moral”, da ausência daquilo que verdadeiramente é capaz de nos preencher: o amor, a paz no coração, a liberdade de poder dizer SIM e NÃO.

“Liberdade é ter O Amor pra se prender…”

Por outro lado, o carnaval cristão experimenta a verdadeira alegria de estar na presença viva e real do Amor. O dançar, o cantar, o comportar-se muda de feição. Aqui, tudo o que é do bem e para o bem é permitido. Todos somos chamados a viver e aproveitar o tempo do Carnaval, que é tempo de festejar, com a alegria própria que o momento requer, sem, no entanto, extremar os excessos.

Fomos criados para amar ao próximo como a nós mesmos; para propagar e incentivar aquilo que é bom e verdadeiro; para vivermos conforme nos exige o senso de responsabilidade social, respeitando os limites da coletividade. Não somos meros expectadores da vida, mas estamos aqui, para sermos os atores, exercendo fielmente nosso papel de cristãos, com alegria e entusiasmo, com música e dança, com amigos e familiares, com respeito e fraternidade. Com amor!

Vivemos, sim, no mundo; e o mundo precisa, sim, de nós: jovens de calça jeans que amam, que dançam, que se divertem, e que sabem, acima de tudo, viver e fazer suas escolhas com o olhar para o Alto!

Quantos jovens desejam encontrar a felicidade que o mundo não nos proporciona? Como é difícil, por vezes, aceitar e desejar as coisas do Pai! O mundo nos põe à prova a todo momento. O Carnaval alimenta em nosso espírito uma propensão ao pecado, a desejar o que não é saudável, tirando-nos do foco. Sim, isso acontece com muitos.

O momento é propício para que analisemos tudo aquilo que nos mancha, que nos tira a paz de estar em paz com Deus. É tempo, pois, de iniciar ou persistir no chamado à conversão, preparando nossos corações para a Quaresma.

Independente do local onde você for passar o Carnaval, o segredo é não perder o senso de responsabilidade cristã.

Proponho a todos, e a mim mesma, vivenciar um carnaval de paz, sem excessos…

Um carnaval de dentro pra fora, onde nós possamos aproveitar três dias de alegria plena e duradoura.

“Orai e vigiai, pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mateus 14, 38).

por Sabrina Tabatinga Araujo, Serva GSV (Grupo São Vicente) Paróquia de São Vicente/Fortaleza-Ce

(Comunidade Católica Shalom – http://www.comshalom.org)

Natal X Natal

A salvação chega para todos, de graça. Deus abre seus braços para reencontrar homens e mulheres, seus filhos.

Há um mistério no Natal. A encarnação do Verbo. Deus se faz humano. Por amor. Mas, há um perigo neste Natal. A sociedade de consumo pode transformá-lo em mercadoria. Felicidade ao alcance de quem tem dinheiro. Deus feito mercadoria. Por dinheiro. Há uma finalidade no Natal. Deus veio morar conosco para liderar nossa caminhada humana para a sua plenitude. Nos faz mais humanos. Nos diviniza. Mas há uma meta pequena nesta Natal. Vender mais. Consumir emoções. Curtir o Natal como espetáculo. Beber todas. Faz-nos menos humanos. Desumaniza-nos. Há uma alegria infinita no Natal. A salvação chega para todos, de graça. Deus abre seus braços para reencontrar homens e mulheres, seus filhos. Os que não tinham chance são os que mais se alegram. Como os pastores. Os pobres. Mas, há uma tristeza pegando neste Natal. Há barulho de festa, música alta, luminosidade dos anúncios, muito corre-corre, tilintar de copos… mas está faltando alguma coisa. Ou alguém. Quem é mesmo que estamos festejando? Há uma estrela no Natal. A de Belém. Confirmando as profecias. Indicando o caminho aos peregrinos que buscam o Messias. Mas, há um Herodes no Natal. O mesmo que perseguiu a família de Belém. O que decretou a morte dos inocentes. Na noite do Natal, ele assina decretos que aumentam a fome, a mortalidade infantil e o abandono das crianças nas ruas. Há uma gruta iluminada pela lua no Natal. A de Belém. A dos animais. A da pobreza. O berço do príncipe da paz. No seu despojamento. Na sua simplicidade. Há palácios iluminados nesta Noite. Palácios herodianos. Ostentando luxo e riqueza. Debochando do natal magro da mesa do pobre. Jogando comida no lixo. Há um anjo no Natal. Muitos, aliás. Enchem a noite santa de aleluias e glória a Deus nas alturas. E paz na terra aos homens e mulheres de boa vontade. Anjos mensageiros das boas-novas. Anjos da paz. Há um diabo solto neste natal. Talvez se vista de anjo. Não anuncia ‘paz na terra’. O grito dele é de vingança e ódio. Fala de bombardeios, explosões de bombas e inocentes sacrificados. Anjo da guerra. Um diabo solto neste natal. Quer saber o que é o natal? Então siga o caminho da manjedoura. Siga a estrela. Os sinais que Deus colocou no seu caminho vão lhe levar direto à gruta de Belém. Quando o menino Deus, nos braços de Maria, sorrir para você, saberás o que verdadeiramente é o Natal. É ele mesmo sorrindo para você. No presépio. Feliz Natal!

Pe. João Carlos, SDB
(FONTE: http://www.cancaonova.com/portal/canais/formacao/internas.php?id=&e=467 )

(Canção Nova – http://www.cancaonova.com)