Catequese de Bento XVI – Quaresma – 13/02/2013

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CATEQUESE
Sala Paulo VI – Vaticano
Quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Queridos irmãos e irmãs,

Hoje, Quarta-Feira de Cinzas, iniciamos o Tempo litúrgico da Quaresma, 40 dias que nos preparam para a celebração da Santa Páscoa; é um tempo de particular empenho no nosso caminho espiritual. O número 40 aparece várias vezes na Sagrada Escritura. Em particular, como sabemos, isso remete aos quarenta anos no qual o povo de Israel peregrinou no deserto: um longo período de formação para transformar o povo de Deus, mas também um longo período no qual a tentação  de ser infiel à aliança com o Senhor estava sempre presente. Quarenta foram também os dias de caminho do profeta Elias para chegar ao Monte de Deus, Horeb; como também o período que Jesus passou no deserto antes de iniciar a sua vida pública e onde foi tentado pelo diabo. Nesta catequese gostaria de concentrar-me propriamente sobre este momento da vida terrena do Filho de Deus, que leremos no Evangelho do próximo domingo.

Antes de tudo o deserto, onde Jesus se retira, é o lugar do silêncio, da pobreza, onde o homem é privado dos apoios materiais e se encontra diante da pergunta fundamental da existência, é convidado a ir ao essencial e por isto lhe é mais fácil encontrar Deus. Mas o deserto é também o lugar da morte, porque onde não tem água não tem vida, e é o lugar da solidão, em que o homem sente mais intensa a tentação. Jesus vai ao deserto, e lá é tentado a deixar a vida indicada por Deus Pai para seguir outras estradas mais fáceis e mundanas (cfr Lc 4,1-13). Assim Ele assume as nossas tentações, leva consigo a nossa miséria, para vencer o maligno e abrir-nos o caminho para Deus, o caminho da conversão.

Refletir sobre as tentações às quais Jesus é submetido no deserto é um convite para cada um de nós a responder a uma pergunta fundamental: o que conta verdadeiramente na nossa vida? Na primeira tentação, o diabo propõe a Jesus transformar uma pedra em pão para acabar com a fome. Jesus responde que o homem vive também de pão, mas não só de pão: sem uma resposta à fome de verdade, à fome de Deus, o homem não pode ser salvar (cfr vv. 3-4). Na segunda tentação, o diabo propõe a Jesus o caminho do poder: o conduz ao alto e lhe oferece o domínio do mundo; mas não é este o caminho de Deus: Jesus tem bem claro que não é o poder mundano que salva o mundo, mas o poder da cruz, da humildade, do amor (cfr vv. 5-8). Na terceira tentação, o diabo propõe a Jesus atirar-se do ponto mais alto do Templo de Jerusalém e fazer-se salvar por Deus mediante os seus anjos, de cumprir, isso é, algo de sensacional para colocar à prova o próprio Deus; mas a resposta é que Deus não é um objeto ao qual impor as nossas condições: é o Senhor de tudo (cfr vv. 9-12). Qual é o núcleo das três tentações que sofre Jesus? É a proposta de manipular Deus, de usá-Lo para os próprios interesses, para a própria glória e o próprio sucesso. E também, em sua essência, de colocar a si mesmo no lugar de Deus, removendo-O da própria existência e fazendo-O parecer supérfluo. Cada um deveria perguntar-se então: que lugar tem Deus na minha vida? É Ele o Senhor ou sou eu?

Superar a tentação de submeter Deus a si e aos próprios interesses ou de colocá-Lo em um canto e converter-se à justa ordem de prioridade, dar a Deus o primeiro lugar, é um caminho que cada cristão deve percorrer sempre de novo. “Converter-se”, um convite que escutamos muitas vezes na Quaresma, significa seguir Jesus de modo que o seu Evangelho seja guia concreta da vida; significa deixar que Deus nos transforme, parar de pensar que somos nós os únicos construtores da nossa existência; significa reconhecer que somos criaturas, que dependemos de Deus, do seu amor, e somente “perdendo” a nossa vida Nele podemos ganhá-la. Isto exige trabalhar as nossas escolhas à luz da Palavra de Deus. Hoje não se pode mais ser cristãos como simples consequência do fato de viver em uma sociedade que tem raízes cristãs: também quem nasce de uma família cristã e é educado religiosamente deve, a cada dia, renovar a escolha de ser cristão, dar a Deus o primeiro lugar, diante das tentações que uma cultura secularizada lhe propõe continuamente, diante ao juízo crítico de muitos contemporâneos.

As provas às quais a sociedade atual submete o cristão, na verdade, são tantas, e tocam a vida pessoal e social. Não é fácil ser fiel ao matrimônio cristão, praticar a misericórdia na vida cotidiana, dar espaço à oração e ao silêncio interior; não é fácil opor-se publicamente a escolhas que muitos adotam, como o aborto em caso de gravidez indesejada, a eutanásia em caso de doenças graves, ou a seleção de embriões para prevenir doenças hereditárias. A tentação de deixar de lado a própria fé está sempre presente e a conversão transforma-se uma resposta a Deus que deve ser confirmada muitas vezes na vida.

Temos como exemplo e estímulo as grandes conversões como aquela de São Paulo a caminho de Damasco, ou de Santo Agostinho, mas também na nossa época de eclipses do sentido do sagrado, a graça de Deus está a serviço e realiza maravilhas na vida de tantas pessoas. O Senhor não se cansa de bater à porta dos homens em contexto sociais e culturais que parecem ser engolidos pela secularização, como aconteceu para o russo ortodoxo Pavel Florenskij. Depois de uma educação completamente agnóstica, a ponto de demonstrar uma real hostilidade para com os ensinamentos religiosos aprendidos na escola, o cientista Florenskij encontra-se a exclamar: “Não, não se pode viver sem Deus!”, e a mudar completamente a sua vida, a ponto de tornar-se monge.

Penso também na figura de Etty Hillesum, uma jovem holandesa de origem judia que morreu em Auschwitz. Inicialmente distante de Deus, descobre-O olhando em profundidade dentro de si mesma e escreve: “Um poço muito profundo está dentro de mim. E Deus está naquele poço. Às vezes eu posso alcançá-lo, sempre mais a pedra e a areia o cobrem: então Deus está sepultado. É preciso de novo que o desenterrem” (Diario, 97). Na sua vida dispersa e inquieta, encontra Deus propriamente em meio à grande tragédia do século XX, o holocausto. Esta jovem frágil e insatisfeita, transfigurada pela fé, transforma-se em uma mulher cheia de amor e de paz interior, capaz de afirmar: “Vivo constantemente em intimidade com Deus”.

A capacidade de contrapor-se às atrações ideológicas do seu tempo para escolher a busca da verdade e abrir-se à descoberta da fé é testemunhada por outra mulher do nosso tempo, a estadunidense Dorothy Day. Em sua autobiografia, confessa abertamente ter caído na tentação de resolver tudo com a política, aderindo à proposta marxista: “Queria ir com os manifestantes, ir à prisão, escrever, influenciar os outros e deixar o meu sonho ao mundo. Quanta ambição e quanta busca de mim mesma havia nisso tudo!”. O caminho para a fé em um ambiente tão secularizado era particularmente difícil, mas a própria Graça agiu, como ela mesma destaca: “É certo que eu ouvi muitas vezes a necessidade de ir à igreja, de ajoelhar-se, dobrar a cabeça em oração. Um instinto cego, poderia-se dizer, porque eu não estava consciente da oração. Mas ia, inseria-me na atmosfera de oração…”. Deus a conduziu a uma consciente adesão à Igreja, em uma vida dedicada aos despossuídos.

Na nossa época não são poucas as conversões entendidas como o retorno de quem, depois de uma educação cristã talvez superficial, afastou-se por anos da fé e depois redescobre Cristo e o seu Evangelho. No Livro do Apocalipse, lemos: “Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei em sua casa e cearemos, eu com ele e ele comigo” (3, 20). O nosso homem interior deve preparar-se para ser visitado por Deus, e por isto não deve deixar-se invadir pelas ilusões, pelas aparências, pelas coisas materiais.

Neste Tempo de Quaresma, no Ano da Fé, renovemos o nosso empenho no caminho de conversão, para superar a tendência de fechar-nos em nós mesmos e para dar, em vez disso, espaço a Deus, olhando com os seus olhos a realidade cotidiana. A alternativa entre o fechamento no nosso egoísmo e a abertura ao amor de Deus e dos outros, podemos dizer que corresponde à alternativa das tentações de Jesus: alternativa, isso é, entre poder humano e amor da Cruz, entre uma redenção vista somente no bem-estar material e uma redenção como obra de Deus, a quem damos o primado da existência. Converter-se significa não fechar-se na busca do próprio sucesso, do próprio prestígio, da própria posição, mas assegurar que a cada dia, nas pequenas coisas, a verdade, a fé em Deus e o amor tornem-se a coisa mais importante.

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A dor que nos purifica

A cruz e o sofrimento nos purificam, pois abrem nosso olhos para panoramas de vida maiores, mais verdadeiros e belos. O sofrimento nos ajuda a escalar os cumes do amor a Deus e do amor ao próximo.
São inúmeras as histórias de homens e mulheres que, sacudidos pelo sofrimento, acordaram, adquiriram uma nova visão – que antes era impedida pela vaidade, pela cobiça e pelas futilidades – e perceberam com olhos mais puros: o que vale a pena, de verdade, é Deus que nunca morre nem trai. Descobriram que n’Ele se encontra o verdadeiro amor pelo qual todos ansiamos e que nenhuma outra coisa consegue satisfazer. Entenderam que o importante são os tesouros no céu, pois estes nem a traça rói nem os ladrões arrebatam (cf. Mt 6,20). Perceberam, enfim, que os outros também sofrem, por isso decidiram se esquecer de si mesmos e dedicaram-se a aliviá-los e ajudá-los a bem sofrer.

É uma lição encorajadora verificar que, na vida de São Paulo, as tribulações se encadeavam umas às outras, sem parar, mas nunca o abatiam. É que ele não as via como um empecilho, mas como graça de Deus e garantia de fecundidade, de modo que podia dizer de todo o coração: “Trazemos sempre em nosso corpo os traços da morte de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nosso corpo” (2Cor 4,10). E ainda: “Sinto alegria nas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições, no profundo desgosto sofrido por amor de Cristo; porque quando me sinto fraco, então é que sou forte!” (2Cor 12,10). Até mesmo com entusiasmo: “Nós nos gloriamos das tribulações, pois sabemos que a tribulação produz a paciência; a paciência, a virtude comprovada; a virtude comprovada, a esperança. E a esperança não desilude, porque o amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rom 5,3-5).
É o retrato perfeito da alma que se agiganta no sofrimento, que se deixa abençoar pela cruz. Outro exemplo muito significativo. Uma perseguição injusta dos seus próprios confrades arrastou São João da Cruz a um cárcere imundo. Todos os dias, ele era chicoteado e insultado. Mal comia. Suportava frios e calores estarrecedores. Para ler um livro de oração, tinha de erguer-se nas pontas dos pés sobre um banquinho e apanhar um filete de luz que se filtrava por um buraco do teto. Foi nesses meses de prisão, num cubículo infecto, que ganhou o perfeito desprendimento, alcançou um grau indescritível de união com Deus e compôs, inundado de paz, a ‘Noite escura da alma’ e o ‘Cântico espiritual’, obras consideradas dois dos cumes mais altos da mística cristã. E, uma vez acabada a terrível provação, quando se referia aos seus torturadores, chamava-os, com sincero agradecimento, “os meus benfeitores”.
As histórias de mulheres e de homens santos, que se elevaram na dor, poderiam multiplicar-se até o infinito: mães heroicas, mártires da caridade… Daria para encher uma biblioteca só com a vida dos mártires do século XX, como São Maximiliano Kolbe, que, na sua cruz – na injustiça do campo de concentração nazista, nos tormentos, na morte –, achou e soube dar o amor e a vida com alegria.

Padre Francisco Faus

(Comunidade Canção Nova – http://www.cancaonova.com)

O pedido de Deus é claro: devemos defender a vida!

Por Exequiel Alvarez, Geraçao PHN – Corrientes, Argentina

A decisão do Supremo Tribunal Federal do Brasil (STF), que descriminalizou o aborto de feto com anencefalia, continua gerando controvérsias e discordâncias. A Igreja Católica, una e santa por graça divina, não cessará de proclamar, nos quatro pontos da Terra, que será sempre “a favor da vida”.

O blog ‘Canção Nova pelo mundo’ fez uma entrevista com o padre argentino da diocese de Corrientes, Martín Daniel González, falando sobre essa decisão do STF no Brasil. O sascerdote responde as perguntas sem nenhuma técnica, mas com grande reflexão e discernimento.

“Verdadeiramente, a notícia da lei sancionada, no Brasil, não deixa de me surpreender, pois espero nunca perder a capacidade da surpresa diante do mau. Como em outras ocasiões de aprovações de leis desse tipo, o que mais me surpreende são os argumentos empregados para proclamá-la. ‘Berços, não ataúdes’ proclamavam os defensores dessa lei, pedindo o direito de matar, de tirar uma vida. Soa-nos uma contradição, não é? Segue-se proclamando e defendendo a capa e a espada, o direito da mulher de decidir sobre seu próprio corpo; mas nos esquecemos de que, desde a concepção, há uma pessoa, há um corpo, diferente do corpo da mãe”.

O sacerdote continua fundamentando sua opinião sobre o impacto dessa notícia: “Depois de ver alguns dados, não posso deixar de pensar que, por trás de leis como essas se esconde (não tão escondido) o multimilionário negócio do aborto ‘legal’. No mundo morrem (segundo algumas estatísticas) 0,0021 % das mulheres que recorrem ao aborto, algumas delas em países nos quais esta prática já está despenalizada há algum tempo.

Num país como o Brasil, uma em cada mil crianças padecem de anencefalia. Depois de nascerem vivas, elas permanecem assim por horas, dias ou, como Marcela de Jesus, um ano e oito meses”.

Devemos dizer que, na Argentina, já existe uma lei similar à promulgada dias anteriores no Brasil. O sacerdote, refletindo sobre essa questão, diz que essas leis apenas alertam, mais uma vez, para o horizonte do nosso povo, pois “um país que mata seus próprios filhos não tem futuro” (João Paulo II).

“Deus continua dirigindo Seu Povo para Sua vontade, que é, antes de mais nada, a felicidade da humanidade. Sua voz é clara”, diz padre Martín, que nos exorta a nos pronunciarmos sempre a favor da vida, tendo como primeira atitude a oração incessante.

Em seu país, o consagrado a Deus dirige umas palavras a todos os cristãos: “O pedido do Senhor é claro, devemos defender a vida! Em todas suas etapas e em todas suas formas, a despenalização do aborto exige dos cristãos muita valentia. Se ‘agora é legal e não há lei que a impeça’, você vai fazer o aborto? A resposta é bem mais valiosa”.

Sigamos, dia a dia, dizendo sim à vida, à nossa e àquela que foi posta em nossas mãos. É decisão, de cada batizado, elevar sua voz junto à Igreja e dizer “não” ao aborto, mas “sim” à vida.

O problema, entretanto, não termina com a morte da criança, pois, depois do ato do aborto, é preciso dar atenção às mães, porque elas não são capazes de superar a decisão que tomaram (ou que foram obrigadas a tomar).

(Canção Nova – blog.cancaonova.com/pelomundo)

A Virgem Maria nos prepara para a ressurreição

Várias pessoas, muito machucadas no coração por causa do autoritarismo do pai, por causa de maus-tratos, rudeza, rejeição, não conseguem sentir o amor de Deus, não conseguem sentir o amor do Pai. E a Santíssima Virgem toca nesses corações com sua mão, curando e os tornando capazes de amar. E diz: “Eu não estou apenas consertando seu coração, mas lhe dando um coração novo. Receba-o. É com ele que eu quero que você caminhe”.

Nossa Senhora o chama pecador não por você ter cometido um ou outro pecado, mas porque existe um mal habitando em seu coração; o demônio colocou um veneno dentro de você. Este é o pecado original. O diabo, como serpente, o mordeu, espalhou em você o veneno da rebeldia, da desobediência, da oposição a Deus.

Há, portanto, em seu interior duas inclinações, e você sente isso: uma o leva a sentir-se impulsionado para o bem, para ser de Deus e viver n’Ele, e foi o próprio Deus quem a pôs em você; mas, ao mesmo tempo, você sente uma outra inclinação empurrando-o para o mal, para o pecado, colocando-o contra Deus e Suas ordens.

A Santíssima Virgem Maria o está preparando para a ressurreição: “Foi por isso que meu Filho veio. O Pai enviou Seu Filho, e meu Filho, para salvar você. Foi por isso que Jesus foi até a morte, e morte de cruz; foi por isso que derramou todo Seu Sangue para salvá-lo de uma doença incurável que se chama pecado. A única salvação para essa doença é Jesus, é a redenção, o Sangue de Cristo”.

Monsenhor Jonas Abib
(Canção Nova – http://www.cancaonova.com)

Jejum, o alimento que sacia a fome de Deus

Dom Redovino Rizzardo

Até há alguns anos, todos os católicos aprendiam, quando crianças, os cinco mandamentos da Igreja. Um deles tem a seguinte formulação: “Jejuar e abster-se de carne conforme manda a Santa Mãe Igreja”.

Escrevi “até alguns anos atrás”, porque após as reformas litúrgicas acontecidas na segunda metade do século passado, a situação não ficou sempre clara na mente de muitos católicos. A maioria dos que ainda acredita no valor da penitência, pensa que os dias de jejum e abstinência de carne foram reduzidos a apenas dois: quarta-feira de cinzas e sexta-feira santa. Jejum, para quem está entre os 18 e os 60 anos; abstinência, para os que superaram os catorze anos.
Contudo, não é bem isso que prescreve o Código de Direito Canônico, sancionado pelo Papa João Paulo II, em 1983: «Os dias e tempos penitenciais, em toda a Igreja, são todas as sextas-feiras do ano e o tempo de quaresma» (Cân. 1250).

Em 1986, a “Legislação Complementar” ao Código de Direito Canônico, redigida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, retomou e detalhou a orientação dada pela Santa Sé: «Toda sexta-feira do ano é dia de penitência, a não ser que coincida com solenidade do calendário litúrgico. Os fiéis, nesse dia, se abstenham de carne ou outro alimento, ou pratiquem alguma forma de penitência, principalmente obra de caridade ou exercício de piedade. A Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira Santa, memória da Paixão e Morte de Cristo, são dias de jejum e abstinência. A abstinência pode ser substituída pelos próprios fiéis por outra prática de penitência, caridade ou piedade, particularmente pela participação, nestes dias, na Sagrada Liturgia».

Qual o sentido e o valor de normas como estas, em pleno século XXI? A resposta é simples: aumenta cada vez mais o número de médicos e psicólogos que olham para o jejum e a abstinência como uma das melhores terapias para a saúde física e mental. Não apenas a obesidade, mas principalmente a ansiedade e a depressão crescem e matam quando se tenta superar o vazio existencial pelos três ídolos da modernidade: o ter, o prazer e o poder.

Quem realiza o ser humano é sempre e somente o amor, o qual, quando verdadeiro, vem de Deus, é gratuito, busca o bem da pessoa amada e liberta quem o vive. Em contrapartida, ele não passa de uma máscara se não se percorre um caminho de conversão e santidade. É precisamente esta a função da penitência, do jejum e da abstinência. Com eles, o que se verifica é um salto de qualidade na vida da pessoa, libertando-a das amarras e dos pesos que lhe impedem de captar os apelos de Deus e dos irmãos. Se o alimento sacia a fome do corpo, o jejum sacia a fome da alma.

Como toda disciplina, o autodominínio na comida e na bebida acaba sendo também uma vitória sobre a cultura do consumo e do materialismo – que, aliás, não é de hoje, se já o salmista a detectava em seu tempo: «Não dura muito tempo o homem rico e poderoso; é semelhante ao gado gordo que se abate. Este é o fim do que espera estultamente, o fim daqueles que se alegram com sua sorte: são um rebanho recolhido ao cemitério, e a própria morte é o pastor que os apascenta; são empurrados e deslizam para o abismo» (Sl 49,13-15).

O verdadeiro jejum, porém, vai muito além… da comida e da bebida. Se «a lei e os profetas se resumem no amor a Deus e ao próximo» (Mt 22,40), para o jejum não é diferente. É o que assevera o próprio Deus, através do profeta Isaías: «O jejum que prefiro é este: acabar com as prisões injustas, libertar os oprimidos, romper com a escravidão, repartir o pão com o faminto, acolher os pobres e peregrinos, vestir os nus e não se fechar à própria gente. Se assim você fizer, a sua luz brilhará como a aurora, suas feridas sararão rapidamente, e quando você invocar o Senhor, ele o atenderá; você pedirá socorro e ele dirá: Eis-me aqui» (Is 58, 6-9).
Para acolher e viver o amor de Deus, o coração precisa estar limpo e livre. É esse o papel que Santo Agostinho atribui ao jejum: «O vazio precisa ficar cheio. Você conseguirá se encher de bens se se esvaziar do mal. Suponha que Deus queira enchê-lo de mel. Se você estiver cheio de vinagre, onde ficará o mel? É preciso jogar fora o conteúdo do jarro e limpá-lo, ainda que com esforço, esfregando-o, para que possa servir a outro fim. Pode ser mel, ouro, vinho, tudo o que dissermos e quisermos, mas, no fundo, há sempre uma realidade indizível, que se chama Deus. Dizendo Deus, o que dissemos? Esta única sílaba é toda a nossa expectativa. Tudo o que conseguimos dizer, fica sempre aquém da realidade. Dilatemo-nos para ele, e ele, quando vier, encher-nos-á. Seremos semelhantes a ele, porque o veremos como ele é».

(Comunidade Católica Shalom – http://www.comshalom.org)

Nossa Senhora do Rosário

Promessas a todos que rezarem o rosário…

“O Terço é a minha oração predileta. A todos, exorto, cordialmente, que o rezem”. (João Paulo II)

Nossa Senhora, em suas aparições, pede que rezemos o rosário e confiou valiosas promessas, a São Domingos e ao bem-aventurado Alan de La Roche.
Tomemos posse dessas promessas e rezemos com amor essa oração.

Primeira promessa

“A todos os que rezarem, com constância, o meu Rosário, receberão graças especiais”

Segunda promessa

“Aos que rezarem devotamente o meu Rosário, prometo minha especial proteção e as grandes graças.”

Terceira promessa

“Os devotos do meu Rosário serão dotados de uma armadura poderosa contra o inferno, pois conseguirão destruir o vício, o pecado, as heresias.”

Quarta promessa

“Aos que rezarem devotamente o meu Rosário, prometo minha especial proteção e as grandes graças.”

Quinta promessa

“Toda alma que recorre a mim, através da oração do Rosário, jamais será condenada.”

Sexta promessa

“Todo aquele que rezar devotamente o Rosário e aplicar-se na contemplação dos mistérios da redenção, não será atingido por desgraças; não será objeto da justiça divina, através de castigos e não morrerá impenitente. Se for justo, permanecerá como tal até a morte.”

Sétima promessa

“Os que realmente se devotarem à prática da oração do Rosário, não morrerão sem receber os sacramentos.”

Oitava promessa

“Todos aqueles que rezarem com fidelidade o meu Rosário, terão durante a vida e no instante da morte a plenitude das graças e serão favorecidos com os méritos dos santos.”

Nona promessa

“Os devotos do meu santo Rosário que forem para o Purgatório, eu os libertarei no mesmo dia.”

Décima promessa

“Os devotos do meu Rosário terão grande glória no Céu.”

Décima primeira promessa

“Tudo o que os meus fiéis devotos pedirem, através do meu Rosário, será concedido.”

Décima segunda promessa

“Aos missionários do meu santo Rosário prometo o meu auxílio em todas as suas necessidades.”

Décima terceira promessa

“Para todos os devotos do meu Rosário, eu consegui de meu Filho, a intercessão de toda a corte celeste, na vida e na morte.”

Décima quarta promessa

“Todos os que rezam o meu Rosário são meus filhos e irmãos de Jesus, meu unigênito.”

Décima quinta promessa

“A devoção ao meu Rosário é grande sinal de predestinação*.”

*predestinados à salvação

Oração a Nossa Senhora do Rosário

Nossa Senhora do Rosário, intercedei em favor de todos os filhos de Deus para que, pela oração do Santo Rosário, meditando os santos mistérios do nascimento, da vida, morte e ressurreição de Jesus, com a recitação das Ave-Marias, possamos como discípulos de teu Filho, proclamar a Boa Nova do Reino do Pai; vencer todos os males e todos os pecados, e chegar um dia, pela paixão e cruz de Cristo, à glória da ressurreição. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

Amar até a cruz

Depois que o pecado entrou em nossa história, amar tornou-se uma “imolação a si mesmo”, uma verdadeira crucificação própria. Mas os seus frutos são doces. Não foi isso que Jesus nos ensinou? Ele veio a nós para ensinar o amor. A sua lição foi esta: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15,12).

Ele se apresentou como “modelo” do verdadeiro amor. Não apenas ele mandou amar, mas amar “ como Eu vos amo” . E como Ele nos amou? Até à cruz!

Antes mesmo de abraçá-la, Ele disse aos discípulos: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos” ( Jo 15,120). Esta é a definição divina do amor: “dar a vida”.

Isto não quer dizer que para você amar alguém, terá que morrer na cruz por ele, ou morrer de alguma outra forma. Isto significa que você deva “dar a sua vida” pelo outro, até a morte, isto é , o seu tempo, o seu dinheiro, a sua presença, etc…, e tudo isto desinteressadamente. Se houver uma “ Segunda intenção” em nosso amor por alguém , ele deixa imediatamente de ser puro, e morre. A grandeza do amor é a sua gratuidade.

No “ hino ao amor” (1Cor 13), São Paulo ensina que o “amor não busca o seu próprio interesse. Este é o verdadeiro amor que sustenta o casamento e a família. O resto é caricatura do amor, miragens falsas e perigosas. Nada mais perigoso do que colocar o amor falsificado na base do casamento, pois ele não sustentará o lar. Todas as grandes obras realizadas neste mundo foram projetos de um amor verdadeiro.

Quando se planta amor, se colhe amor, ensinava São João da Cruz. Muitas vazes você pode Ter reclamado de que não recebeu amor, mas será que você semeou amor ali naquele lugar?

Se você amar gratuitamente, receberá tudo de volta. Se nos apegarmos ciosamente a nós mesmos e ás criaturas, acabaremos perdendo tudo. O mesmo São João da Cruz ensina a “dar tudo pelo Tudo”.

(Canção Nova ;D Felipe Aquino – Formação)