Tempo de missão

«Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa Nova a toda criatura». O tempo da missão da Igreja começa com estas palavras do Ressuscitado, contidas na parte conclusiva do Evangelho de Marcos (16, 15). Com efeito, a Igreja existe para evangelizar, para anunciar sempre e em toda a parte a «boa nova» a todos os homens.

O mandamento permanece o mesmo, assim como Jesus Cristo é o mesmo «ontem, hoje e para sempre» (Hb, 13, 8) e também o seu Evangelho. Ao contrário, mudam os destinatários e as condições sociais, culturais, políticas e religiosas nas quais eles vivem.

O mandamento missionário do Senhor marcará também a décima-terceira assembleia geral ordinária do Sínodo dos bispos, que se iniciou no domingo, 7 de Outubro, com a missa celebrada por Bento XVI na praça de São Pedro. Aliás, precisamente esta palavra de Jesus Cristo serviu como fio condutor do segundo capítulo do Instrumentum laboris intitulado «Tempo de nova evangelização».

Como se sabe, a assembleia sinodal realizar-se-á até 28 de Outubro sobre o tema «A nova evangelização para a transmissão da fé cristã». É importante manter unidos os dois aspectos do tema sinodal. Com efeito, ele indica que o objectivo da nova evangelização é a transmissão da fé. Por outro lado, o processo da transmissão da fé, que hoje em muitos casos encontra obstáculos de diferente natureza realiza-se no âmbito da nova evangelização.

A preparação e a realização de uma assembléia sinodal fazem parte de um processo complexo e exigente, que requer uma actividade considerável e exige a contribuição de numerosas pessoas. Em geral, neste processo existem três aspectos que se entrelaçam: dimensão espiritual, reflexão teológica pastoral e preparação técnica organizativa. Mas é sobretudo a oração que acompanha e anima cada actividade sinodal. Não esqueçamos que o cristão está convidado a orar ininterruptamente (cf. 1 Ts 5, 17) seguindo o exemplo do Senhor. Com maior razão uma reunião de bispos, representantes do episcopado do mundo inteiro, em redor do bispo de Roma, que preside o Sínodo, não pode deixar de ser realizado num ambiente de oração.

A oração que acompanhou os trabalhos de preparação – e que tem como ícone a peregrinação que acabou de ser realizada por Bento XVI a Loreto, na Quinta-feira 4 de Outubro– terá, por conseguinte, um lugar de primeiro plano durante os trabalhos sinodais. Não é por acaso que, ao lado da sala sinodal, na capela adjacente, será exposto o Santíssimo Sacramento, para poder oferecer aos participantes na assembleia, antes e depois das reuniões, a possibilidade de parar em meditação diante do Mestre que continua a enviar os seus discípulos pelas estradas do mundo para a anunciar o Evangelho, a «boa nova» também ao homem contemporâneo.

Aliás, a presença assídua na oração, além do que na escuta e na reflexão, não deixará de aumentar ulteriormente o afecto colegial entre os prelados, e entre eles e o bispo de Roma, chefe do colégio episcopal. Além disso, a participação nos trabalhos de representantes qualificados do povo de Deus reforçará ainda mais os vínculos entre todos os membros da Igreja católica. E ainda, a presença dos delegados fraternos dará um aspecto ecuménico relevante à assembleia sinodal. Juntamente com eles rezaremos a fim de que se realize o mais cedo possível a invocação do Senhor Jesus: «para que todos sejam um só; como Tu, ó Pai estás em Mim e Eu em Ti, que também eles estejam em Nós, para que o mundo creia que Tu Me enviaste» (Jo 17, 21.

A vasta obra de evangelização e de nova evangelização do mundo actual exige a contribuição de todas as Igrejas e das comunidades eclesiais. Eis por que a necessidade de acompanhar este processo com a oração e com o testemunho da vida cristã. Em comunhão com Bento XVI, sucessor de são Pedro apóstolo, uni a um renovado dinamismo ao confessar: «Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo» (Mt 16, 16).

Dom Nicola Eterović
Secretário-geral do Sínodo dos Bispos

(Comunidade Católica Canção Nova – http://www.cancaonova.com)

Onde mora a felicidade?

O fim da vida cristã é nos conduzir à felicidade. Esta é a nossa vocação. Deus nos pede para deixá-lo nos fazer felizes.

É verdade que às vezes temos medo de ser felizes. E é justamente aí que somos atingidos pela infelicidade, por acharmos impossível ao homem ser feliz. Encontrar o Cristo é encontrar a alegria e a coragem para ser feliz. A aspiração à felicidade é nutrida no fundo do nosso coração, os obstáculos exteriores e interiores parecem nos impossibilitar o acesso. O primeiro dentre eles somos nós mesmos. Nehru (primeiro presidente da Índia) disse um dia: “Eu tenho três inimigos. Meu primeiro inimigo é a China, o segundo é a fome e o terceiro sou eu mesmo”. Geralmente fabricamos para nós uma imagem de felicidade perfeita: uma carreira profissional de sucesso, uma bela família, uma casa ideal, muito dinheiro… Esta imagem é reescrita a cada dia quando nos olhamos no espelho. Guardamo-la em segredo, como um retrato de nós mesmos, e lutamos, com todas as nossas forças, para coincidir com essa imagem. Na verdade, para alcançar a felicidade que tanto desejamos, é necessário ir além dos obstáculos, responder a diversas questões das quais a primeira é: “Onde está a felicidade?”.

Nosso coração, um tabernáculo
A felicidade está primeiramente inscrita no fundo de nós mesmos. Não a procuremos fora de nós! Santo Agostinho, que viveu um momento caótico na sua existência, diz em seu livro “Confissões”: “Tarde te amei, durante muito tempo te procurei fora de mim e Tu estavas dentro de mim, próximo de mim, no interior de mim mesmo”. É o que a Bíblia chama de coração: a felicidade reside no coração. Se o nosso coração não é o primeiro a ser agarrado pela felicidade, não poderemos jamais ser felizes em todas as dimensões do nosso ser.

Somos assim levados a nos perguntar em que consiste a felicidade. A felicidade consiste em se unir a Deus! A felicidade é Deus! “Tu és meu Deus, eu não tenho outra felicidade senão em Ti” (Sl 15,2). Deus, que é fonte de nós mesmos, quis nos encontrar no nosso coração. O profeta Isaías escreve: “Escreverei minha lei em vosso coração, mudarei vosso coração de pedra, eu vos darei um coração de carne”. É a vontade mais profunda de Deus encontrar nosso coração como um tabernáculo onde Ele possa morar. Não uma residência pontual, de passagem, mas uma presença intensa e permanente através da qual Ele nos dá sua alegria. Ele age com sua presença viva. Deus quer habitar nosso coração e estender sobre ele toda sua “atividade”, toda a sua vida.

A terceira questão que precisamos resolver em relação à felicidade é conhecer a sua natureza. A felicidade é amor. Nós somos feitos para amar e para sermos amados. Toda a obra de Jesus é mostrar que Deus é Amor. É a definição de Deus dada por São João. É um amor extraordinário. A maior tentação do cristão é duvidar do extraordinário amor de Deus, é dizer: “O Bom Deus nos ama de maneira simpática e bondosa”. O amor de Deus é um amor extraordinário, vai além de tudo que o homem pode conceber, imaginar ou mesmo desconfiar. É um amor excepcional que se deposita em nosso coração. É um amor pessoal. Deus nos ama como somos, com toda a nossa história.

Recentemente vi, dentro de um trem, um mulçumano estender seu tapete e se colocar em oração de joelhos. Que audácia poder orar assim a Deus, que senso de sua grandeza e majestade! Mas a missão específica do cristianismo é revelar que Deus ama cada homem. “Tu és precioso a meus olhos”. Não existe nenhuma concorrência entre Deus e o homem. Se o que damos ao homem não nos priva de Deus. O amor do homem participa do amor de Deus. Tudo que toca, atinge ou fere o coração do homem tem importância para Deus. Tudo que é feito para o homem participa do amor de Deus.

A terceira característica deste amor é a misericórdia; Deus nos ama como somos. Tive a alegria de encontrar Marta Robin no dia em que completei 20 anos. Eu lhe falei da minha dificuldade de seguir o Senhor. Ela me contou esta pequena história da vida de São Jerônimo (Século IV), que traduziu a Bíblia do grego para o latim: “Um dia, o Senhor se manifestou a ele, que trabalhava em uma gruta em Belém: ‘Jerônimo, o que tu me ofertas?’ Jerônimo reflete: ‘Senhor, eu te oferto todo o meu passado, tudo o que fiz depois da minha conversão…’ Mas o Senhor lhe repete: ‘Jerônimo, o que me tu ofertas?’. Jerônimo reflete: ‘Senhor, eu te oferto todo meu presente, todo este trabalho de exegese para melhor conhecer tua Palavra’. ‘Jerônimo, o que tu me ofertas?’ Jerônimo, todo constrangido: ‘Senhor, eu te oferto todo o meu futuro, todos os meus projetos’. ‘Jerônimo, o que tu me ofertas?’ (Silêncio de Jerônimo) Jesus o olha e diz: ‘Jerônimo, oferta-me teus pecados’.”

Quando nos aproximamos de Deus, chegamos com nossos méritos, nosso trabalho, tudo que vamos fazer, o melhor de nós mesmos. Todas essas coisas o Senhor conhece. O que Ele vem procurar, não são as nossas qualidades e méritos, mas nossos pecados e pobreza. A missa começa por “Senhor, tende piedade”. Jesus veio, como Ele mesmo disse, para curar os doentes. Deus é amor misericordioso. A misericórdia é o movimento do coração que se inclina em direção à miséria. Os grandes santos têm consciência desta misericórdia porque têm consciência da sua pobreza. Quanto mais crescemos na santidade, mais sabemos que não somos nada. O santo não é aquele que não comete mais pecado (ele se considera o maior dos pecadores), mas aquele que sabe que a misericórdia é maior do que qualquer pecado. A misericórdia de Deus é como uma torrente transbordante que leva tudo a passar – diz o Cura d’Ars.

Enfim, não se pode ser feliz sozinho. Logo, se estou feliz comunico minha felicidade. Pensemos na Bíblia, a alegria de Maria que canta seu Magnificat e faz sua alegria visitar Isabel, levar-lhe a boa nova. A alegria, por definição, é comunicativa. O homem é um ser social. Desde a criação o homem não é só. Ele é chamado à existência como homem e como mulher, na dimensão do casal. O homem e a mulher não podem se realizar sem a dimensão de comunhão, porque Deus é comunhão de pessoas (Pai, Filho e Espírito Santo) e o homem é imagem de Deus.

Como empregar a felicidade?
A felicidade está dentro de nós, é união a Deus, é amor, é comunhão. Mas como esperar essa felicidade? Em outros termos, qual é o modo de empregar a felicidade?

Se está inscrita em nós, nossa vida vai consistir em estender essa presença irresistível de Deus em nós. Por Ele vencemos todos os obstáculos: nossos medos, incertezas, ilusões, pecados, feridas. Um dia Celina, irmã de Santa Teresinha, lhe diz: “Quando te vejo, eu vejo tudo o que me resta adquirir”. Responde Teresinha: “Oh não, não diga adquirir, mas perder!”

O nosso desejo de encontrar a Deus é bom, mas não deve nos fazer esquecer que é primeiro Deus que nos encontra. A felicidade consiste em deixar Deus vir a nós. Isto implica uma atitude de despojamento. Estamos prontos para deixar Deus conduzir a nossa vida?

Se compararmos nossa maneira de conduzir nossa existência com a condução de um carro, estamos prontos para dar o volante ao Senhor, a fim que Ele tome a direção de nossa existência? Às vezes oramos o Pai-Nosso da seguinte maneira: “Pai-Nosso que estais no céu… seja feita a ‘nossa’ vontade…” e estamos prontos a fazer jejum e ascese para que esta oração se realize. E pedimos, de todo coração, ao Senhor que faça a nossa vontade, e nossa vontade é muito simples, é querer segui-lo conduzindo nós mesmos o nosso carro. Mas Jesus orou dizendo: “Que a tua vontade seja feita”. Isso implica em aceitar que o Senhor dirija nossa existência, que Ele nos conduza à felicidade. Isso implica abandonar nossas idéias sobre a maneira de chegar à felicidade e pedir ao Senhor que seja Ele que dirija, oriente e organize nossa vida.

Aceitar depender de Deus
Para viver esse abandono darei uns pequenos conselhos, simples e fundamentais.

Antes de tudo, uma conversão profunda de coração. No Salmo 1, que começa com “Feliz o homem”, a Bíblia confirma que o homem é feito para a felicidade e o salmista mostra duas vias: a dos ímpios – que procuram a felicidade nos seus desejos e paixões e a Bíblia os compara a folhas que são levadas pelo vento. Esta via não conduz à felicidade – e aquela que reclama precisamente uma conversão, a via do justo, que segue a lei do Senhor.

Nos convertemos quando descobrimos que a nossa felicidade consiste em aceitar depender de Deus. Não podemos ser felizes simplesmente aos pés de nossas idéias e paixões. É verdadeiramente uma conversão porque temos medo de depender de Deus, de perder nossa liberdade. A resposta ao Senhor é simples: “Quanto mais você depender de mim, mais você será livre”.

É preciso ainda se colocar na escuta da Palavra de Deus. Ela é ajuda preciosa para discernir e depois construir nossa vocação. Na oração, com efeito, nos abandonamos em Deus: a oração é, por definição, um abandono da nossa atividade, do nosso agir.

Para entrar na felicidade que Deus nos destina, é preciso crer que a felicidade é possível, que fomos criados para ela. Peçamos ao Senhor que nos conduza. Para isso, deixemos que Ele entre profundamente em nossa vida. Não desejando com palavras, mas, no silêncio do nosso coração, de uma maneira muito pessoal, dando nosso consentimento total em deixar o Senhor agir em nós e nos dirigir. Acolhamos esta dependência de Deus, ela nos levará à verdadeira felicidade.

Dom Dominique Rey – Bispo de Fréjus/Toulon – França

(Comunidade Católica Shalom – http://www.comshalom.org)

Qual o sonho de Deus para mim?

Estamos no mês de agosto, tempo em que a Igreja no Brasil celebra as vocações. Veremos, ao longo destes dias, que a liturgia tratará, em cada uma das quatro semanas, o despertar e a reflexão sobre os chamados ao sacerdócio, ao matrimônio, a vida religiosa e do leigo consagrado, respectivamente.

A palavra “vocação” significa “chamado”. O que denota uma ação de alguém que chama e alguém que é chamado. Toda vocação sempre é iniciativa de Deus. “Não fostes vós que me escolhestes mas eu vos escolhi” (Jo 15,16). O Senhor, não só recruta como também capacita seu escolhido. “Não deverás temê-los, porque estarei contigo para livrar-te; Eis que coloco minhas palavras nos teus lábios” (Jr 1, 8.9).

O vocacionado é, então, alguém escolhido por Deus, que porta um carisma, uma graça particular; é um agente do sobrenatural, aquele que traz em si algo específico para uma localidade e um tempo. Mas todos esses dons e a eficácia sobrenatural estarão submetidos à humanidade dessa pessoa, ou seja, aos seus traços e habilidades naturais e psicológicos. (cf. Rm 1,20). O dom sobrenatural supera a humanidade, mas o jeito, o temperamento, as habilidades naturais, o conhecimento e a inteligência da pessoa são as bases de suporte para sua missão.

Por isso é muito importante que, no processo de ir se reconhecendo enquanto pessoa, em sua humanidade e atributos que o Altíssimo lhe deu, vá também desvendando o motivo para o qual Deus a chamou, onde e no que, o Senhor quer que ele desenvolva seus talentos. Qual é o fundamento de sua vocação. Para entendermos melhor, tomamos o exemplo do apóstolo Paulo, do nível de entendimento e profundidade que tinha a respeito de si e de sua missão. Ele cita quatro pontos que também precisamos saber. Em Rm 15,16-20 vemos:

Identidade – Quem ele é, sob a ótica de Deus: “ministro de Jesus Cristo entre os pagãos, exercendo a função sagrada do Evangelho de Deus”. Este é o primeiro chamado.

Finalidade da sua missão: “levar os pagãos a aceitar o Evangelho pela Palavra e pela ação”.

Forma que se desenvolverá sua missão: “pelo poder dos milagres e prodígios, pela virtude do Espírito. De maneira que tenho divulgado o Evangelho de Cristo”.

Quais são os dons e habilidades que o Senhor infundiu nele para desempenhar a missão?

Campo de atuação: “desde Jerusalém e suas terras vizinhas, tendo o cuidado de anunciar o Evangelho somente onde o Cristo ainda não era conhecido.”

Todos esses pontos vão sendo revelados conforme nos colocamos a caminho, pois ser vocacionado requer que se dê um sim diariamente. Paulo foi percebendo, aos poucos, estas características, nos fatos de sua vida e ministério. Talvez não estejamos ainda preparados para saber de pronto, tudo o que virá, mas com certeza Deus tem o melhor para nós. (cf. Rm 8,28). Nisso ficamos dependentes do amor do Altíssimo. O maior interessado em fazer cumprir uma vocação é o próprio Senhor, e Ele revelará tudo a Seu tempo: “Porque o Senhor Javé nada faz sem revelar seu segredo aos profetas, seus servos” (cf. Am 3,7).

Muitos daqueles que foram chamados, até se assustaram num primeiro momento, indagando: “Como acontecerá isso?” (Lc 1,34); outros alegaram “não sei falar” (Jr 1,6) ou “tenho a boca e a língua pesadas” (Ex 4,10), ainda “eu não passo de um adolescente” (I Rs 3,7), prova que, nessa hora, o importante é corresponder e acreditar que Deus proverá.

É na iniciativa de Deus, nas Suas Palavras e ações e na história pessoal que identificamos o carisma, o chamado e tudo o que irá comportar a missão. Ainda que, estes pontos devam ser refletidos não somente pela pessoa – ser individual – , toda instituição, paróquia, grupo de oração, congregação e comunidade também possuem um específico.

Leia os fatos e siga seu coração! Boa missão e que Deus o abençoe!

Sandro Ap. Arquejada

(Canção Nova – http://www.cancaonova.com)

Dom Bosco tinha um jeito especial de catequizar os jovens

Num sonho profético, aos 9 anos de idade, ele anteviu sua futura missão de educador da juventude. Este sonho levou São João Bosco a entregar sua vida aos jovens. Sendo um inovador no seu tempo, um grande modificador das realidades e vendo como estavam os jovens naquele período, não parou nas dificuldades e foi sempre além.

Ao visitar as prisões e verificar a situação em que se encontravam centenas de jovens, Dom Bosco foi se tornando consciente dos males que atormentavam a sociedade naquele período. Suas pregações eram um alerta à autoridade, aos ricos e aos patrões, mas sem colocar operários contra patrões, pois sabia bem que sua missão passava pelo Cristo humilde.

Começou, então, a realizar um trabalho concreto para a solução da crise existente. Criou escolas noturnas, buscando a promoção dos jovens da época.

A primeira parceria com uma tipografia foi um ponto marcante dos trabalhos e da história de Dom Bosco, pois, desta forma, os jovens puderam desenvolver trabalhos profissionais e continuar os estudos: “Prometi a Deus que até o meu último suspiro seria para os jovens”, dizia Dom Bosco.

Entre brincadeiras, conversas e muita diversão, Dom Bosco tinha um jeito especial de catequizar os jovens e ganhar a confiança deles.

Toda essa herança foi passada para a congregação fundada, chamada “Pia Sociedade de São Francisco de Sales” (Salesianos), aprovada em 1874 pelo papa Pio IX.

A missão dos Salesianos é presente em todo o mundo, de forma particular em países onde esse amor aos mais necessitados é visível. No continente africano lutam em favor dos jovens em dificuldades. Em muitas áreas rurais, as comunidades precisam da ajuda dos missionários na proteção e na tutela das crianças, sobretudo órfãs, para enfrentar novas problemáticas na difusão da AIDS, na urbanização incontrolada e nas sangrentas guerras civis.

No Brasil, eles foram criando escolas, paróquias, oratórios, obras assistenciais e sociais, escolas de nível infantil ao universitário, rádios comunitárias, editora, centros audiovisuais, além da obra missionária junto aos povos indígenas.

Monsenhor Jonas Abib, fundador da Comunidade Canção Nova, traz em si essa raiz salesiana.

Dom Bosco, ao falecer, deixou em seu testamento:
“Quem salva a alma, salva tudo. Quem a perde, perde tudo.”
“Quem protege os pobres será largamente recompensado pelo divino tribunal.”
“Que grande recompensa teremos de todo o bem que fazemos na vida!”
“Quem faz o bem em vida, encontra bem na morte: no Paraíso, gozam-se de todos os bens eternamente”.

Esse lema acompanha a missão da Canção Nova. Monsenhor Jonas apresentou à comunidade ao qual fundara o exemplo de Dom Bosco, o seu empenho em dar a vida; mais ainda, trouxe uma frase que lhe era costumeira, que norteava a sua vida: “Dai-me Almas e ficai com o resto”.

O fundador da Canção Nova explicou que, a partir daquele momento, o que toda a Comunidade iria viver era exatamente isso: dar a vida, o tempo, dar tudo o que Deus investiu em cada um; iria, na verdade, se sacrificar pelos outros, dando a vida para que outros vivam.

O carisma salesiano é presente em muitas gerações e contribui generosamente para a missão da Igreja frente os desafios: “Essa querida juventude foi sempre terno objeto de minhas ocupações, dos meus estudos, do meu ministério sacerdotal e da nossa congregação”, disse Dom Bosco.

Da Redação Canção Nova.Com – blog.cancaonova.com/redacao

(Comunidade Canção Nova – http://www.cancaonova.com)

Santa Teresinha a pequena , grande MULHER

No mês de Outubro, que é dedicado as missões, é sempre bom refletir sobre a nossa pequena Santa Teresinha, mas que por cumprir com fidelidade sua missão, se tornou numa grande Mulher, a Mulher modelo em: determinação, ideal, fidelidade, caridade, maturidade, apesar da pouca idade.
No Carmelo Santa Teresinha encontrou o seu Céu na terra, mas também seu Calvário, ela mesma em uma de suas cartas escreve: “O que importa se a vida esta sorrindo ou esta triste, por causa disto não chegaremos tampouco até a meta de nossa viagem terrestre, um dia sem sofrimento é para uma carmelita um dia perdido”.
A grande missionária fez ecoar de dentro de sua cela o maior grito de amor por um ideal e que chega ainda hoje aos nossos ouvidos com a mesma força. Força de um amor que se tornou mais forte do que a morte.
Santa Teresinha no Carmelo teve a oportunidade de exercer a sua vocação que, segundo ela mesma, dizia que a sua vocação era o amor, e de transforma-la em missão. A missão que Teresinha colocou em exercício foi baseada no sofrimento de Jesus no alto da Cruz, inocentar os pecadores, “Pai perdoai-lhes porque não sabem o que fazem”, quantas vezes vemos em seus escritos Teresinha perdoando suas irmãs, principalmente aquelas que mais as perseguiam? Teresinha tinha como o Cristo sede de justiça, fome de libertação, em gestos concretos ela com toda a sua fragilidade, sacia a sede e fome de Deus daqueles e daquelas que Deus permite cruzar em seu caminho.
Na aceitação do sofrimento e pelo silêncio de quem sabe que palavras nem sempre conseguem expressar verdadeiros sentimentos, ela consegue arrebatar mais para perto da Cruz, para que, como ela, pudessem entrar no grande Mistério do Amor de um Deus que se aniquila por amor aos seus.
Teresinha em todo o seu caminhar rumo a montanha Santa sempre deixou muito claro que nunca estava sozinha, mas que tinha alguém muito superior a ela que lhe fazia companhia, que era uma presença constante na sua vida desde criança, quando em seu leito de morte, viu a Virgem Maria, aquela que por se fazer escrava de seu Senhor, este mesmo Senhor a constituiu SENHORA, Senhora do Céu e da terra, e que para com ela tinha um amor de predileção. Teresinha faz da Virgem Maria Co-redentora de sua história, uma vez que sua história pertencia a seu Filho Jesus Cristo.
Santa Teresinha fazia questão que seu amor transcendesse de sua cela e percorresse por todos os lugares do convento e só parasse quando encontrasse alguém que dele precisasse, mesmo que este alguém fosse sua inimiga. Teresinha entendeu muito bem a mensagem da Cruz, “HOJE MESMO ESTARÁS COMIGO NO PARAÍSO”, foi o que Jesus disse ao ladrão, e é por isso que Santa Teresinha, procurando amar principalmente aquelas que lhes roubavam a paz, a tranquilidade e a sua liberdade de expressar, queria que através de seu gesto concreto de amor sentisse que Deus estava abrindo as portas do Céu, e introduzindo-as no Paraíso, grande lição de amor por quem se dizia ser tão pequenina.
Que todos possamos colher para nós, no Jardim de rosas de Santa Teresinha, a rosa que pode perfumar as nossas vidas e que também exale seu perfume na vida daqueles que Deus permitir que cruzem nossos caminhos.

Santa Teresinha Rogai por nós.

FONTE.: http://comfamiliadenazare.blogspot.com/2011/10/santa-teresinha-pequena-grande-mulher.html

A cruz de Cristo é o símbolo de Sua doação total

Celebramos hoje a festa da Exaltação da Santa Cruz. Esta festa chama a atenção, pois destaca o grande paradoxo da nossa fé – foi exatamente pela cruz, o mais terrível entre os suplícios, que veio nossa salvação.

Humanamente falando, a morte de Jesus na cruz significava o fracasso total da Sua vida e missão, mas, de fato, escondia a vitória de Deus sobre o mal, da vida sobre a morte, da graça sobre o pecado – uma vitória que se manifestaria ao terceiro dia, na Ressurreição.

Estamos diante do mistério que Paulo desvenda: “Deus escolheu o que é loucura no mundo, para confundir os sábios; e Deus escolheu o que é fraqueza no mundo, para confundir o que é forte. E aquilo que o mundo despreza, acha vil e diz que não tem valor, isso Deus escolheu para destruir o que o mundo pensa que é importante” (I Cor 1,27-28).

Deus enviou-nos o Seu Filho. O “Filho do Homem” significa o humano, o encarnado na vida, na história. O Filho do Homem desceu do céu e será levantado. É o Verbo que se fez carne e vimos a Sua glória. Temos aqui a dinâmica característica do Evangelho de João: Jesus desceu do céu para elevar o humano.

João prima pela revelação da exaltação da condição humana a partir da Encarnação do Filho de Deus, Jesus. A elevação do Filho do Homem é a elevação do humano. Jesus é a serpente levantada no deserto por Moisés para a salvação de toda a humanidade.

A festa de hoje celebra a cruz, não o sofrimento. Jesus não nos salvou por ter sofrido três horas na cruz – Ele nos salvou porque a Sua vida foi totalmente fiel à vontade do Pai. Por causa dessa fidelidade, as Suas opções concretas O colocaram em conflito com as estruturas de dominação sócio-político-religiosas, o que causou o Seu assassinato judicial.

A morte de Jesus foi muito mais do que uma tentativa de eliminar alguém que incomodasse. Era a tentativa de aniquilar o Seu movimento, a Sua pregação, a visão de Deus e do projeto divino que Ele ensinava. A cruz então se tornava o símbolo de doação total numa vida de fidelidade absoluta ao projeto do Pai. Era o último passo de coerência, consequência lógica do seguimento segundo a vontade de Deus.

Assim, Jesus deixa bem claro nas páginas dos Evangelhos que a cruz é a característica do discípulo: “Se alguém quer me seguir, renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz, e me siga”. (Mc 8,24).

Jesus não nos convida a buscar o sofrimento, mas a carregar a cruz – consequência de uma religião que é vivencial, que acarreta ações e atitudes coerentes com o Deus no qual acreditamos, e que traz em seu bojo as sementes de um conflito com todo poder opressor, pois “os meus projetos não são os projetos de vocês, e os caminhos de vocês não são os meus caminhos”. (Is 55,8).

Paulo descobriu que pregar Cristo “sem a cruz” era esvaziar a evangelização. Assim, declara à comunidade de Corinto: “Entre vocês eu não quis saber outra coisa a não ser Jesus Cristo e Jesus Cristo crucificado”.(I Cor 2,2). A cruz de Cristo é inseparável da Sua vida, pois é a consequência dela.

No entanto, a cruz também não se separa da Ressurreição, pois ela é o resultado de tal coerência e fidelidade. A festa de hoje nos desafia para que respondamos ao convite de Jesus para carregar a nossa cruz numa vida de discipulado e missionariedade, continuando a Sua missão no mundo, pois – como diz o nosso texto de hoje, – “Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por meio dele”.

Padre Bantu Mendonça

(Canção Nova ;D Liturgia Diária)