Reconciliai-vos com Deus – Convite a experimentar a Misericórdia

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Estamos nos aproximando da Semana Santa. O tempo da Quaresma, como caminhada de conversão e penitência rumo à Páscoa, tem como um belo e importante sinal visível dessa caminhada de “metanóia” a celebração do sacramento da Penitência. Somos chamados a fazer a experiência da misericórdia de Deus em nossas vidas. Para isso, somos iluminados pela Palavra de Deus e a ação do Espírito Santo para que, aprofundando a nossa realidade de pecado, experimentemos ainda mais a graça que nos vem pelo amor derramado em nossos corações em Jesus Cristo, nosso Senhor.

O pecado é o ato voluntário de quem se afasta da comunicação com a graça divina. Mas o sacramento da Reconciliação, ou Confissão, como também se pode chamar, vem reatar os laços da pessoa com Deus. Quando Jesus inicia sua vida pública, anuncia um convite à penitência: “porque o Reino de Deus está próximo”. Isto já se dá no momento do seu batismo, e, convida o precursor, São João Batista, para que continue nesta pedagogia divina. Sabemos que as consequências do pecado vão longe, não só em nossas vidas, mas também na própria vida social.

A Penitência é a ação que nos conduz a uma vida nova e a viver em oração e fidelidade ao Evangelho e, por isso, somos chamados a uma vida de conversão para prevenir contra as faltas no futuro. Podemos ver nas cartas paulinas quão inúmeras vezes o Apóstolo Paulo exorta as comunidades à reconciliação. Vale lembrar das consequências do pecado na vida da pessoa humana, nos relacionamentos e no próprio tecido social.

A Igreja recomenda confessar-se pelo menos pela Páscoa da Ressurreição, mas este sacramento deve ser buscado sempre que houver alguma transgressão à Lei Divina. Ou seja, pelo exame de consciência, o ser humano saberá da necessidade de buscar a reconciliação. Quanto mais somos iluminados pela Palavra e quanto mais perto do Senhor, mais enxergamos nossos pecados. Deus não condena o pecador, mas repudia o pecado. Basta recordar o capítulo 15 de São Lucas e tantos outros trechos do Evangelho, que nos falam da alegria do pecador arrependido. Deus é sempre justo e misericordioso, e como Pai bondoso sempre espera o retorno de seu filho amado, obra de Sua vontade para você existir no mundo. Lembre-se: você é querido, amado e pensado por Deus! O retorno ao amor de Deus transforma os corações, os pensamentos e comportamentos daquele que caminha como uma nova pessoa, deixando para trás tudo o que fazia parte do velho homem.

Pela razão e pela fé, vemos no pecado o pior dos males; por isso há a necessidade de conversão e reconciliação, na busca do sacramento da Confissão, que religa a alma humana à graça divina. Na prática, após a confissão, o penitente deve ter a clara consciência de suas atitudes e/ou lugares que põem sua alma em risco. A nova vida o leva a ter novas atitudes.

Às vezes acontece que numa confissão regular, mensal, por exemplo, o “penitente” possa ficar preso em um impasse. Isso ocorre quando se nota que na confissão a rotina dos pecados é a mesma. Ele tem uma boa vontade, ele vê seus pecados, sempre se arrepende, e decide melhorar. E até agora nada. Cada vez é a mesma coisa. Esta situação pode causar frustração. Pois nada realmente mudou na minha vida espiritual? E o penitente se questiona: Eu sou moralmente tão corrupto? Ou talvez eu seja apenas um que não sirvo para nada?

Cada momento é uma nova oportunidade de caminhada, na direção à comunhão com Deus e com os irmãos e irmãs. Torna-se necessário rever nosso estilo de vida. Encontrar as raízes de nosso pecado. É importante rezar todos os dias e, para isso, é necessário intimidade, um lugar que é o meu espaço pessoal para o encontro com Deus e comigo mesmo. Tendo um lugar de oração é mais fácil manter a regularidade e o tempo de meditação e reflexão. São Bento sempre dizia “Ora et labora”, que quer dizer: “oração e trabalho!”

E quem pode se esquecer do momento em que Jesus, pregado na cruz, dialoga com um famoso ladrão também pregado ao lado dele? “Mestre, quando estiver no Reino de Deus, lembra-se de mim!” e Jesus responde: “Ainda hoje estarás no paraíso comigo!” Existe maior prova de amor e misericórdia que isso? Mesmo sangrando e perfurado pelos pregos, lá na cruz, Jesus estende seu gesto de misericórdia. Daí, podemos perceber como que, de fato, o amor de Deus se estende e sua misericórdia transcende. E o soldado, aos pés da cruz, que exclama: “Este Homem é, de fato, o Filho de Deus!”

Por isso, o rito da Confissão é um ato que leva à justiça para com Deus, nos reincorpora em Jesus, retomando a nossa veste batismal, pois somos unidos como ramos à videira pelo próprio sacramento do Batismo.

Caríssimos, estamos já bem próximos da Páscoa do Senhor. Em todo o mundo é um período privilegiado para a aproximação ao sacramento da confissão. Não deixe de visitar sua paróquia ou comunidade e verificar o calendário dos mutirões de confissão. Reconciliação com Deus, neste sacramento, é o abraço Dele de acolhida ao filho ou filha. Sinta, depois disso, o alívio em seu coração e comungue com leveza de coração!

Santa Páscoa a todos! Rezem pela nossa santa Igreja e pelo nosso Papa Francisco, neste novo período que iniciamos. Deus dê a todos uma santa continuação da Quaresma e os abençoe!

Dom Orani João Tempesta
Arcebispo Metropolitano do Rio de Janeiro

Fonte: Canção Nova – http://www.cancaonova.com

Viva a vida nova em Cristo

Cristo morreu e ressuscitou para nos dar a vida nova e não para que continuássemos na vida de pecado, pois o velho homem foi crucificado com Cristo. Pelo Batismo fomos inseridos na vida nova em Cristo, portanto tudo o que era velho passou, mas tudo se faz novo. “E, se já morremos com Cristo, cremos que também viveremos com Ele” (Rm 6,8).

Muitas vezes, não temos assumido esta vida nova que Cristo adquiriu com Seu Sangue e Sua Cruz, também com Sua Ressurreição. E deixamos o nosso corpo ser dominado pelo homem velho, pelas práticas da vida passada que estão latentes em nós, pelos apetites carnais que nos levam ao pecado. Acabamos, portanto, nos acostumando com o pecado e somos levados por ele. Não podemos submeter nossos membros a serviço do pecado, mas a serviço de Deus, no amor, na justiça e santidade.

Muitos oferecem seus membros para destruir os outros e a si próprio. As nossas mãos não podem ser instrumentos para o roubo, para matar ou para a masturbação; porém para louvar o Senhor e tocar naquilo que é santo.

Os nossos olhos não podem ser instrumentos de cobiça e pecado, mas para serem fixados no Senhor e olhar os outros com pureza; nossas pernas não podem ser usadas para nos levar para longe de Deus e sim, para perto do Senhor; a nossa boca precisa ser usada para receber o corpo de Cristo, cantar e falar os louvores do Senhor, palavras puras e benção; mas não para falar coisas impuras, como palavrões, piadas, maldições, etc.

O mesmo deve acontecer com nossos ouvidos, eles não podem ser usados para ouvir músicas ou piadas impuras, mas devem ser purificados, a fim de ouvirmos a voz do Senhor, Sua palavra. E também nossa sexualidade e genitalidade, como dom de Deus, não podem ser instrumentos ou estar a serviço da impureza, depravação, porém para nos santificar.

“Que o pecado não reine mais em vosso corpo mortal, levando-vos a obedecer às suas paixões. Não ofereçais mais vossos membros ao pecado como armas de injustiça. Pelo contrário, oferecei-vos a Deus como pessoas que passaram da morte à vida, e ponde vossos membros a serviço de Deus como armas de justiça” (Rm 6,12-13).

Porém, estamos a serviço Daquele que reina para sempre, o Senhor. Fomos libertos do pecado por causa de Sua entrega total; por este motivo, não podemos nos submeter mais ao jugo do pecado, e sim, buscarmos a nossa liberdade.

O nosso corpo precisa estar inteiramente a serviço de Deus e não pela metade. Sei também que em nosso corpo há marcas do pecado que querem nos arrastar para o mal e o pecado, principalmente o da sexualidade, mas permaneçamos firmes na graça do Senhor e ofereçamos a Deus o nosso templo, o corpo.

“Devido a vossas limitações naturais, falo de maneira humana: assim como outrora oferecerdes vossos membros como escravos à impureza e à iniqüidade, para viverdes iniquamente, agora oferecei-vos como escravos à justiça, para a vossa santificação. Que fruto colhíeis, então, de ações das quais hoje vos envergonhais? Agora, porém, libertados do pecado e como servos de Deus, produzis frutos para a vossa santificação, tendo como meta a vida eterna” (Rm 6,19.21-22).

Pe. Reinaldo Cazumbá

Confissão e Penitência

O Sacramento da Confissão ou Penitência só se faz necessária para aqueles que, após o Batismo, tiverem contraído algum pecado mortal; não podendo escapar à eterna condenação, se não expiarem devidamente os pecados cometidos.

Se em todos os regenerados houvesse tal gratidão para com Deus que conservassem constantemente a justiça recebida no batismo por benefício e graça sua, não seria necessário outro sacramento instituído para remissão dos pecados, diferente deste [do batismo]. Mas como “Deus, rico em misericórdia” (cf. Ef 2,4) “conheceu a fragilidade de nossa origem” (Sl 103,14), quis também conceder um remédio vivificante aos que se entregassem de novo à escravidão do pecado e ao poder do demônio, a saber: o sacramento da penitência, pelo qual se aplica o benefício da morte de Cristo aos que caem depois do Batismo. (Concílio de Trento XIV, cap 1 sobre o sacramento dapenitência. Denzinger 1668).

Matéria e forma do Sacramento da Penitência

Conforme definido pelo Concílio de Trento, há uma quase-matéria constituída pelos atos do penitente, a saber: contrição, acusação, e satisfação. Estes atos chamam-se partes da Penitência, porque da parte do penitente são necessários por instituição divina, para que haja integridade do Sacramento, e perfeita remissão dos pecados. Chama-se a estes atos de quasematéria, não por que não tenham o caráter de verdadeira matéria, mas porque não são matéria de aplicação exterior, como a água no Batismo e o crisma na Confirmação.

Os atos do penitente são como que matéria deste sacramento, a saber: a contrição, a confissão e a satisfação. Estes mesmos atos são requeridos por instituição divina no penitente para a integridade do sacramento e para a remissão plena e perfeita dos pecados e, por este motivo, se chamam partes da penitência. (Conc. Trento XIV, cap 3. Denzinger 1673).

Se alguém negar que para a inteira e perfeita remissão dos pecados se requerem do penitente três atos como matéria do sacramento da penitência, a saber: contrição, confissão e satisfação, que são chamadas as três partes da penitência; ou se disser que são somente duas as partes da penitência, isto é: os terrores que padece a consciência ao reconhecer seus pecados e a fé no Evangelho ou na absolvição, pela qual crê que os pecados lhe são perdoados por Cristo: seja anátema. (Conc. Trento XIV, IV. Denzinger 1704).

Sobre a contrição observemos a catequese do Concílio de Trento (Sessão XIV, cap 4):

A contrição, que tem o primeiro lugar entre os mencionados atos do penitente, é uma dor da alma e detestação do pecado cometido, com o propósito de não tornar a pecar… Declara, pois o santo Sínodo que esta contrição encerra não só a cessação do pecado e o propósito e início de uma nova vida, mas também o ódio da vida passada, conforme as palavras: “Lançai longe de vós todas as vossas maldades em que prevaricastes e fazei-vos um coração novo e um espírito novo” [Ez 18,31] . (Denzinger 1676).

Ensina ainda que, embora algumas vezes suceda que esta contrição seja perfeita em virtude da caridade e reconcilie com Deus antes que seja realmente recebido este santo sacramento, contudo não se deve esta reconciliação à contrição somente, independente do desejo de receber o sacramento, que aliás está contido nela. (Denzinger 1677).

Sobre a confissão, catequese do Concílio de Trento (Sessão XIV, cap 5):

Em conseqüência da instituição do sacramento da penitência, que já foi explicada, a Igreja toda sempre entendeu que foi também instituída pelo Senhor a confissão integral dos pecados [cf. Tg 5,16; 1 Jo 1,9; Lc 5,14; 17,14]. Esta confissão é necessária por direito divino a todos os que, depois do batismo caem, porque nosso Senhor Jesus Cristo, antes de sua ascenção aos céus, deixou os sacerdotes como vigários seus [cf. Mt 16,19; 18,18], como presidentes e juízes a quem seriam confiados todos os pecados mortais em que os fiéis cristãos houverem caído, para que em virtude do poder das chaves de perdoar ou reter os pecados, pronunciem a sentença… Daí segue que os penitentes devem dizer e declarar na confissão todos os pecados mortais de que, depois de diligente exame de consciência, se sentirem culpados, ainda que sejam os mais ocultos. (Denzinger 1679-80).

Sobre a satisfação, catequese do Concílio de Trento (Sessão XIV, cap 8):

Enfim, quanto à satisfação, de um lado, como todas as demais partes da penitência, foi ela em todo tempo recomendada ao povo cristão pelos Santos Padres, por outro lado, nesta nossa idade, sob o pretexto de piedade, é fortemente impugnada por aqueles que têm aparência de piedade, mas lhe negaram a força [cf. 2Tm 3,5]. Por isso, o santo Sínodo declara ser totalmente falso e estranho à Palavra de Deus afirmar que o Senhor nunca perdoa a culpa, sem que também perdoe toda pena. Pois, para não falar da tradição divina, encontram-se na Sagrada Escritura claros e conhecidos exemplos [cf. Gn 3,16; Num 12,14; 20,11; 2Rs 12,13]. (Denzinger 1689).

Condiz também com a divina clemência que os pecados não nos sejam perdoados sem nenhuma satisfação, a fim de que, por julgar leves os pecados não caiamos em maiores culpas quando se apresenta a ocasião, mostrando-nos injuriosos e ultrajantes ao Espírito Santo [cf. Hb 10,29], entesourando assim ira para o dia da ira [cf. Rm 2,5; Tg 5,3]. (Denzinger 1690).

A forma do Sacramento é a seguinte: “Eu te absolvo… em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.

Ministro do Sacramento da Penitência

As leis da Igreja mostram que o ministro de per si do Sacramento é Bispo. Porém, o sacerdote também pode ministrá-lo, enquanto possui jurisdição ordinária ou delegada para absolver; pois quem deve desempenhar tal ministério deve ter não só poder de ordem, mas também o poder de jurisdição.

[…] O Bispo, chefe visível da Igreja Particular, é, portanto, considerado, com plena razão, desde os tempos primitivos, aquele que principalmente detém o poder e o ministério da reconciliação: ele é o moderador da disciplina penitencial. Os presbíteros seus colaboradores, o exercem na medida em que receberam o múnus, que de seu Bispo (ou de um superior religioso), que do Papa, por meio do direito da Igreja. (CIC 1462).

Alguns pecados particularmente graves são passíveis de excomunhão, a pena eclesiástica mais severa, que impede a recepção dos sacramentos e o exercício de certos atos eclesiais. Neste caso, a absolvição não pode ser dada, segundo o direito da Igreja, a não ser pelo Papa, pelo Bispo local ou por presbíteros autorizados por eles. Em caso de perigo de morte, qualquer sacerdote, mesmo privado da faculdade de ouvir confissões, pode absolver qualquer pecado e de qualquer excomunhão (CIC 1463).

(Comunidade Católica Shalom – http://www.comshalom.org)

Vida nova na Quaresma

Iniciamos o importante tempo da Quaresma! Durante este tempo somos chamados a aprofundar nossa vida cristã e caminhar em sincera conversão. Queremos renovar na Vigília Pascal os nossos compromissos batismais com o coração sincero.

Iniciamos estes quarenta dias recebendo cinzas sobre as nossas cabeças, sinal de que reconhecemos que somos pecadores, que somos pó e ao pó voltaremos e, enquanto isso, aceitamos o chamado à conversão, acolhendo e crendo no Evangelho.

Iniciado com um dia de jejum e abstinência, iremos também vivenciar este tempo de penitência com atitudes concretas, significando a nossa disposição de corresponder com a graça de Deus que nos convida a uma verdadeira conversão – eis o tempo favorável, eis o dia da conversão!

Oração, jejum, esmola, penitência, lectio divina, confissão, arrependimento a que somos convocados devem estar presentes a cada instante.

A Campanha da Fraternidade será um outro tema que não só exigirá de nós uma mudança de mentalidade, mas, principalmente, uma mudança de atitudes, uma mudança de vida. Somos chamados a viver mais sobriamente e respeitar o nosso habitat.

Nos domingos que antecederam a Quaresma, escutamos o “Sermão da Montanha”, e assim tivemos oportunidade de nos preparar para este tempo oportuno. Diante de um tempo de vinganças e violências, a vida cristã é chamada a ser um sinal de um tempo diferente.

Jesus pronuncia algumas frases que são um impulso para o nosso modo de vida. A nova justiça que veio nos trazer parte do pressuposto de que a lei de talião, olho por olho, dente por dente, é substituída pela lógica do perdão e da não-violência, que não significa covardia ou aquiescência.

A lógica da não-violência também se manifesta em dar a outra face em nível de atitude e não apenas na aparência. Os cristãos não consideram o outro como inimigo, mas todos são pessoas que devem se amar e se respeitar, de modo que o violento torne-se não-violento. Ouvindo estas palavras, a primeira reação espontânea é um sorriso de descrença. Elas parecem, de fato, propostas absurdas.

A atitude de Jesus quebra o nosso orgulho, porque Ele é o exemplo vivo nesse caminho. Nós não somos chamados a perdoar a nível jurídico ou penal, mas aparecer desarmado diante das pessoas é a atitude que pode mudar uma mentalidade, vencendo a violência que está no coração do agressor.

Jesus convida-nos não só a opor-se à não-violência, mas para amar os nossos inimigos e orar pelos que nos perseguem. Na verdade, a atitude do Pai para nós é assim. Além disso, se apenas saudamos as pessoas que vêm nos cumprimentar, somos como qualquer outra pessoa, enquanto a novidade do anúncio cristão consiste nessa mudança de mentalidade. Podemos reconhecer amargamente a distância de tal caminho!

Cumprir um gesto de amor gratuitamente, sem exigir qualquer recompensa, é viver no estilo do doar-se.

Ainda com o eco da “figura da nova humanidade” que ouvimos nos últimos domingos antes da Quaresma, sem dúvida que a iniciamos com o coração contrito e necessitado de transformação. Que o arrependimento nos ajude a acolher o dom de Deus dessa vida que em Cristo Jesus Ele nos promete. A raiz da moralidade cristã não consiste na relação com a paternidade de Deus, para o qual a lei para os cristãos é Jesus Cristo inserido no íntimo de cada um

Depois de escutarmos o “Sermão da Montanha” é claro que o dilema inicial permanece. Pessoas que têm dificuldade para enfrentar, que são um fardo para nós, permanecem. Mas, talvez, pode gerar uma nova atitude: O estilo da acolhida, do deixar sempre a porta aberta, de não guardar rancor, para orar por eles, amá-los ainda mais. A novidade cristã pode desbloquear as paralisias de nossas relações interpessoais. Jesus, por exemplo, fez. E de discípulos humildes.

Somos chamados a seguir o único caminho para a verdadeira paz: o caminho do amor. Eis agora a oportunidade de dar passos nessa direção: o tempo da Quaresma!

Por Orani João Tempesta, O. Cist. Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

(Comunidade Católica Shalom – http://www.comshalom.org)

A sobriedade do jovem

“Caríssimos filhos,

Este encontro semanal do Papa com os jovens e os adolescentes — tão entusiasta e tão cheio de vivacidade verdadeiramente sinal de alegria e de esperança. Sinal de alegria, porque onde há jovens, adolescentes ou crianças, há certeza de alegria, uma vez que está a vida no seu florir mais espontâneo e viçoso. Vós possuís em abundância e dais generosamente esta “alegria de viver” a um mundo que às vezes esta cansado, desanimado, desconfiado e desiludido. Sinal de esperança é também este nosso encontro, porque os adultos — não só os vossos pais mas também os vossos professores e todos quantos ajudam o vosso crescimento e maturação física e intelectual — vêem em vós aqueles que hão-de realizar aquilo que eles, pela variedade das circunstâncias, não puderam talvez levar a termo.

Portanto, um jovem sem alegria e sem esperança não é autêntico jovem, mas homem murcho e envelhecido antes de tempo. Por isso vos diz o Papa: Levai, comunicai e irradiai a alegria e a esperança! O assunto da Audiência de hoje está profundamente relacionado com tudo o que recordei até agora: nas quartas-feiras precedentes, continuando o esquema deixado quase como testamento pelo meu saudoso Predecessor João Paulo I, falei das virtudes cardeais: prudência, justiça e fortaleza. Hoje quero deter-vos brevemente com a quarta virtude cardeal: a temperança, a sobriedade. São Paulo escrevia a seu discípulo Tito, que deixara como bispo na ilha de Creta: Exorta os jovens a serem sóbrios (Tit 2, 6). Seguindo eu também a exortação do Apóstolo das Gentes, desejaria começar por dizer que as atitudes do homem, provenientes de cada uma das virtudes cardeais, são entre si interdependentes e unidas. Não se pode ser homem verdadeiramente prudente, nem autenticamente justo, nem realmente forte, não se possuindo a virtude da temperança. Esta condiciona indirectamente todas as outras virtudes; mas também estas são indispensáveis para que o homem possa ser “temperante” ou “sóbrio”. Temperantia est commune virtutum cognomen — escrevia no século VI São João Clímaco (Escada do Paraíso, 15) — isto é, poderíamos traduzir, “a temperança é o denominador comum de todas as virtudes”.

Poderia parecer estranho falar da temperança ou da sobriedade a jovens e a adolescentes. Mas, filhos caríssimos, esta virtude cardeal é necessária de modo particular a vós, que vos encontrais no período maravilhoso e delicado, em que a vossa realidade biopsíquica cresce até à maturação perfeita para serdes capazes, física e espiritualmente, de enfrentar as alternativas da vida nas suas mais desvairadas exigências.

Temperante é aquele que não abusa dos alimentos, das bebidas e dos prazeres; que não toma desmedidamente bebidas alcoólicas; que não se priva da consciência mediante uso de estupefacientes ou drogas. Em nós podemos imaginar um “eu inferior” e um “eu superior”. No nosso “eu inferior” exprime-se o nosso “corpo” com as suas carências, os seus desejos, as suas paixões de natureza sensível. A virtude da temperança garante a cada homem o domínio do “eu superior” sobre o do “inferior”. Trata-se, talvez, neste caso, de humilhação, de diminuição para o nosso corpo? Pelo contrário! Esse domínio valoriza-o, exalta-o.

O homem temperante é aquele que é senhor de si mesmo; aquele em que as paixões não tomam a supremacia sobre a razão, sobre a vontade e também sobre o coração. Entendamos portanto como a virtude da temperança é indispensável para que o homem seja plenamente homem, para que o jovem seja autenticamente jovem. O triste e aviltante espectáculo dum alcoólico ou dum drogado faz-nos compreender claramente como “ser homem” significa, antes de qualquer outra coisa, respeitar a própria dignidade, isto é, deixar-se alguém conduzir pela virtude da temperança. Dominar-se a si mesmo, as próprias paixões e a sensualidade não significa de maneira nenhuma tornar-se alguém insensível ou indiferente; a temperança de que falamos é virtude cristã, que aprendemos com o ensino e o exemplo de Jesus, e não com a chamada moral “estóica”.

A temperança exige de cada um de nós urna especial humildade a respeito dos dons que Deus colocou na nossa natureza humana. Há a “humildade do corpo” e a do “coração”. Esta humildade é condição necessária para a harmonia interior do homem, para a sua beleza íntima. Reflecti bem nisto, vós jovens, que estais precisamente na idade em que tanto se estima ser belo ou bela para agradar aos outros! Um jovem e uma jovem devem ser belos primeiramente e sobretudo interiormente. Sem tal beleza interior, todos os outros esforços que só tenham o corpo por objecto não farão — nem dum jovem nem duma jovem — uma pessoa verdadeiramente bela.

Desejo, filhos caríssimos, que irradieis sempre beleza interior.”

Papa João Paulo II
(Comunidade Católica Shalom – http://www.comshalom.org)

Advento: A chegada de quem se ama

Grandes são as expectativas daqueles que aguardam a chegada de quem se ama.

Quão prazerosos são esses momentos, os quais gostaríamos de eternizá-los, retê-los entre as mãos. Como não registrar a ansiedade dos pais ao aguardarem a chegada de um filho, sobretudo, da mãe ao ouvir o choro do bebê, que faz com que toda a apreensão seja rompida, completando assim sua alegria.

Em todas estas situações, houve uma expectativa de grande alegria, ainda vivendo os preparativos dessa chegada: preparando a casa, arrumando o enxoval, se capacitando para receber o bem-amado.

É nessa expectativa de alegria e preparativos, que vivemos o tempo do Advento. A chegada do Messias – o Deus que Salva! A chegada do Verbo que desafiou as leis naturais ainda na concepção, surpreendeu a muitos nascendo em uma manjedoura, desconcertou doutores da lei, e exaltou os pequenos, lhes garantindo a liberdade para que pudessem servi-Lo em santidade e justiça em sua presença.

Hoje, com o nosso amadurecimento, devemos perceber que as festividades natalinas passam longe de ser simplesmente um tempo de troca de presentes, mas de presentear quem sabe, a decisão e a perseverança daqueles que assumiram ao longo do ano o propósito de mudança de vida, que somente acontece através do Espírito Santo, que nos prepara para o encontro com o Cristo.

Queremos que como “o amigo do esposo, que está presente e o ouve, regozija-se sobremodo com a voz do esposo” (João 3,29), regozijar pelo nosso encontro com o Deus que É.

Bem vindo ao Advento, tempo de preparação!

(Comunidade Católica Shalom – http://www.comshalom.org)

Rezar, orar para viver

Rezar não é só falar com Deus. É viver com Ele, por Ele e pelos irmãos. “Rezar é viver uma presença de amor em sua vida e fazer tudo por Deus”, explica frei Patrício Sciadini em seu livro “Rezar é”. Orar continuamente, sem cessar, foi ordem de Jesus aos Seus discípulos. Rezar é orar e trabalhar para o Reino de Deus, para acudir os pobres, os doentes, trabalhar pela justiça, exercer uma profissão e fazê-lo a serviço do próximo. Trabalhar assim é colocar a oração dentro da vida e fazer a vida uma oração.

O contato com Deus nos desintoxica da maldade e coloca a oração sempre dentro da vida. Nas palavras de frei Patrício: “Rezar é viver, é amar e deixar-se amar, é evangelizar, abandonar-se em Deus, cantar salmos, olhar os lírios do campo, ouvir os pássaros, desabafar o coração, dizer ‘sim’ e nunca dizer ‘não’ a Deus”.

Na vida cristã, o nosso momento de estar a sós com Deus é na oração pessoal, assim como Jesus também o tinha. Mas a oração cristã não é um ato realizado apenas em benefício próprio, e sim, em benefício dos outros; não rezamos só para nós mesmos. Jesus, Maria e os grandes santos da Igreja sempre colocaram em suas orações a preocupação com os homens, pois, para o cristão, orar não é apenas contemplar a Deus, mas também orar pelo próximo, o que gera atitudes concretas de amor.

A oração é o que nos mantém vivos. Assim como a planta não cresce e não dá frutos se estiver exposta ao sol, também o coração humano não desabrocha para a vida se não tiver Deus. Quem não reza corre o risco de morrer internamente. Mais cedo ou mais tarde sentirá a falta de algo, como se fosse o ar para respirar, o calor para viver, a luz para ver, o alimento para crescer e sustentar-se. É como se lhe faltasse um objetivo para dar sentido à vida.

Santo Afonso de Liguori, fundador dos Redentoristas, dizia que “quem reza se salva e quem não reza se condena”.

O corpo não vive sem alimento. A alma também não. Mas, na prática, notamos que a maioria dos cristãos parece não conhecer esta verdade. Quem mantém o controle de sua vida sabe como a oração lhe faz falta… bastam alguns dias sem oração para as tentações aumentarem e sair do caminho.

Para rezar, procure estar em silêncio dentro de si e ao seu redor. Não é sempre fácil criar esse ambiente [o silêncio], mas é no silêncio que Deus se manifesta e podemos ouvi-Lo.

Quanto mais rezamos, tanto mais temos vontade de rezar e de ajudar aqueles que sofrem. Ao contrário, quando rezamos pouco, menos queremos rezar.

Quem reza sente os frutos do Espírito que fazem a vida mais bela e mais harmoniosa.

Artigo extraído do livro “Cristãos de atitude” – O caminho espiritual proposto por Dom Bosco, Editora Canção Nova

(Canção Nova ;D Padre Mário Bonatti – Formação)