Onde estão os jovens católicos?

“Conversando com um amigo terça-feira, ele me relatava com lágrimas nos olhos a triste experiência que ele fez na madrugada de domingo (Domingo da Misericórdia – 15 de abril de 2007). Ele e mais quatro jovens do seu grupo de oração, resolveram ir rezar pela sua cidade numa montanha onde conseguem enxergar toda a cidade. Oraram e clamaram a Deus de 22:00 as 00:00 do domingo. Quando estavam se preparando para descer a montanha se depararam com uma cena estarrecedora – quinze jovens encapuzados, com uma capa preta até os pés, e cada um com uma sacola na mão, se preparando para fazer um culto satânico.

Fiquei me questionando: o número dos jovens que subiram ao monte para culturar a satanás eram três vezes superior ao número de jovens que subiram para adorar a Deus. Me perguntava, onde estavam os jovens católicos numa madrugada de domingo…será que estavam nas baladas, nos barzinhos, danceterias, shows, noitadas, etc… Não estou condenando ninguém, só me questionei se os jovens católicos teriam disposição de passar a madruga em vigília como muitos tem a disposição de passar a noite na balada, vivendo as ofertas do mundo. E pensava na disposição desses quinze jovens em passar a madrugada cultuando ao inimigo de Deus.
Você tem disposição jovem, de passar as madrugadas nos fins de semana adorando a Deus, vigiando…as vezes vemos jovens reclamando quando a Missa dominical atrasa um pouco, dizendo que o padre fala demais. Quantos jovens ficam do lado de fora da Igreja papeando durante a Santa Missa, não dando valor a Jesus presente na Hóstia Consagrada, enquanto satanistas tentam roubar Jesus das nossas Igrejas para fazer sacrilégio, acreditando mais do que os católicos na presença real de Jesus na Eucaristia. Quantos de nós nem fazemos questão de comungar, não buscamos o Sacramento da Confissão e continuamos vivendo uma mediocridade na nossa fé.

Temos que reagir, temos que mudar nossa postura, temos que combater, nos colocar na brecha da oração como nos convida o profeta. Sei que a oração eficaz foi a desses cinco jovens, pois Deus é infinitamente superior a satanás, e a experiência de Eliseu e seu servo nos mostra isso: o rei de Aram sempre era surpreendido por Israel todas as vezes que ia atacar essa nação, e ficou irritado achando que era algum dos dele que o estava traindo, mais seu oficial disse que era o homem de Deus, chamado Eliseu que revelava tudo aquilo que era decidido até em lugar fechado, e esse rei separou o melhor do seu exército e carros para cercar Dotain onde estava o profeta. Ao amanhacer o criado de Eliseu viu toda a cidade cercada, e ficou apavorado e disse ao homem de Deus: “Ai, meu senhor, o que faremos” e Eliseu respondeu “Não tenhas medo. Os que estão a nosso favor são em maior número do que os que estão com eles” (2 Reis 6, 15-16). Eliseu orou para que o Senhor abrisse os olhos de seu servo, e o servo viu a montanha cheia de de cavalos e carros de fogo, protegendo o homem de Deus.

Tenho consciência da força de Deus que está a nosso favor, mais não posso me conformar que jovens se consagrem ao satanismo e tenham mais disposição de “orar” do que os jovens cristãos, especialmente os católicos. Onde estão os profetas de Deus, onde estão os Elias, Eliseus, Jonas… Deus está a procura de jovens que profetizem com suas vidas, com sua disposição de orar, com seu clamor, e que estejam dispostos a dar a vida pela tranformação dessa nação, da nossa juventude. Deus quer que os nossos jovens saiam do comodismo e combatam na oração, vivam uma vida de santidade, na verdade, no Espírito. Já chega de gastarem a carne com o mundo, é hora de ser inteiramente de Deus.
Faço um apelo a juventude brasileira a uma reação na oração, a uma reação na santidade, a uma reação no poder do Espírito Santo. Precisamos promover a revolução Jesus Cristo. Declaremos um jejum no inferno, pois o que engorda o diabo são as almas que ele está conquistando para o inferno. Precisamos dar as almas para Deus, não sejamos acomodados, não podemos mais aceitar passivamente que nossos jovens troquem o Deus de milagres, o Deus da vida, o Deus que nos sustenta nas nossas dificuldades, nos sofrimentos, e que tem o céu como promessa, a vida eterna com Ele, pelo enganador que é satanás. Ore com intensidade, não desanime!

“Jovens: sois fortes, a palavra de Deus permanece em vós, e vencestes o malígno”. (1 Jo 2, 14). Estamos juntos, contem comigo, vamos subir juntos ao monte da adoração, vamos nos colocar na presença de nosso Deus Sacramentado e proclamar a libertação de todos os jovens do nosso Brasil, vamos proclamar a vitória de Jesus que é a luz do mundo contra toda treva, vamos proclamar com a profecia da nossa vida que servimos a um Deus poderoso e que nos ama com amor eterno. Jovens, sejamos santos!

Proponho vigílias, jejuns, clamores, louvor e adoração aos jovens que assumem hoje esse compromisso de interceder por aqueles que estão se perdendo!

Deus abençoe o nosso propósito!”

(Canção Nova ;D Padre Roger Luís)

A Cruz e o jovem. Sinal da escolha por Cristo

Alguns podem pensar se, nos dias de hoje, seria apropriado falar de cruz ou de provação para os jovens. Realmente, a juventude do nosso tempo parece não estar disposta a ouvir um convite ao seguimento de Cristo que fale sobre a cruz e sobre sacrifícios. Por isso, muitos caem no engano de querer passar um Evangelho “light” para os jovens, sem “radicalismos”, com medo de espantá-los… Que engano! Mal sabem que o que afasta os jovens do Senhor é a mediocridade, é justamente esta falta de radicalidade. Também não é correto aplicar um fundamentalismo irracional, mas é preciso passar aos jovens um anúncio explícito e integral do Evangelho.

Como sabiamente nos ensinou o papa dos jovens, João Paulo II: “A juventude do nosso tempo sente fortemente a atração pelas alturas, pelas coisas desafiadoras, pelos grandes ideais. Se transmitirmos aos jovens, sem cortes ou falsos pudores, os grandes valores do Evangelho, eles estarão prontos a responder”. O jovem e a cruz não são opostos e, mesmo se fossem, poderíamos afirmar, mais do que nunca, que os opostos se atraem.

A cruz foi confiada à juventude pelo papa João Paulo II, por isso, hoje, simbolicamente, vários jovens levam uma enorme cruz de madeira na Semana Santa e durante as jornadas mundiais da juventude. O papa reconhecia nos jovens o vigor necessário para sustentar a cruz.

Podemos também dizer que a juventude espiritual é condição necessária para carregar a cruz. Os santos e mártires, quando carregaram suas cruzes (perseguições, calúnias, doenças e morte), estavam na “flor da idade” espiritual.

João Paulo II, durante um encontro com os jovens, já com a saúde debilitada pela idade, exclamou: “Sou um jovem de 83 anos!”. Essa é a juventude que não depende da idade… Alguns dizem que a juventude não é uma fase da vida, mas um estado da alma. Uma alma que se encontra envelhecida não consegue mais ver sentido na cruz, não a vê com esperança.

Nas Sagradas Escrituras, São João, o discípulo mais jovem, escreve-nos em sua primeira carta: “Jovens, vós sois fortes, a Palavra de Deus permanece em vós e vencestes o maligno”. Essa passagem é muito significativa para compreendermos melhor o motivo pelo qual o Papa confiou a cruz à juventude.

O jovem, apesar de todos os flagelos que o assolam no nosso tempo (materialismo, hedonismo, permissivismo, promiscuidade sexual, etc.), é dotado de um espírito que está sempre a buscar o transcendente, a buscar emoções novas e algo pelo qual lutar. Essas características o capacitam a encarar a cruz com um olhar confiante e cheio de esperança.

Manifestação nas dificuldades

Afinal, o que é essa cruz? Como foi dito sobre os santos, a cruz pode se revelar a nós através das perseguições que sofremos, doenças, lutas pessoais e até mesmo da morte. A cruz pode ter essas ou várias outras faces. Mas o certo é que a cruz sempre estará presente na vida daqueles que optam por seguir Jesus, pois Ele mesmo associa diretamente o seu seguimento com a cruz quando diz: “Aquele que quiser seguir-me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16,24).

Queremos seguir o Senhor, mas não queremos tomar nossa cruz. Diz-nos São Francisco, o pobre de Assis: “Os que não sabem do Crucificado não sabem nada do Ressuscitado. Os que não falam do Crucificado também não podem falar do Ressuscitado. Os que não passam pela sexta-feira da Paixão nunca vão chegar ao domingo da Ressurreição”. Na nossa vocação, chamamos Jesus de o Ressuscitado que passou pela cruz. Ele ressuscitou, mas, para que isso acontecesse, teve antes que morrer no lenho da cruz. São duas realidades que não podemos separar.

O jovem (e todo homem) deve entender que toda cruz é portadora de um potencial redentor, diz-se potencial pois ela pode redimir, mas não necessariamente cumprirá seu papel salvífico se não soubermos carregá-la. Dessa forma, vamos tornando-a motivo de desespero, murmuração e desconfiança em Deus. Porém, se todo o potencial redentor, purificante e libertador da provação for bem vivido através do abandono em Deus, da paciência e do oferecimento do sofrimento que passamos como sacrifício, a cruz será porta para o céu.

Sacrifícios de cruz

Quando um jovem se decide pelo seguimento de Cristo, muitas situações desafiantes se apresentem como sacrifício de cruz: a objeção da família, a rejeição dos amigos, as tentações do pecado e a própria sociedade, que de todas as formas tentam tirar Deus do coração das pessoas, sendo os jovens seus maiores alvos.

Os jovens são muito atingidos, pois o demônio sabe qual seria o poder de uma geração de jovens santos no seguimento de Cristo, que impacto isso seria para o mundo. “O terceiro milênio aguarda a contribuição da fé e da inventiva de uma multidão de jovens consagrados, para que o mundo se torne mais sereno e capaz de acolher a Deus e, nele, todos os seus filhos e filhas”. Diz-nos João Paulo II em sua exortação vita consecrata.

Para viver a cruz é preciso antes contemplá-la. Ela sempre irá nos remeter à palavra sacrifício, palavra essa tão obsoleta para o mundo atualmente. O sacrifício vivido como cruz, ou seja, unido ao sacrifício de Cristo, é um crivo, uma peneira que retira os excessos. É como uma fornalha que vai purificando e nos fazendo ficar somente com o essencial.

A cruz nos faz ter o olhar voltado somente para Deus. Pela falta de um olhar sobrenatural, não entendemos o nosso sofrimento e o sofrimento do homem. Somente vamos entender o sofrimento, que é sempre presente na existência humana, se partirmos da contemplação do sofrimento de Cristo.

É importante também saber que não somos chamados a entender tudo, a saber o motivo das provações pelas quais passamos. Haverá muitas situações em que só nos restará nos curvarmos diante do mistério do sofrimento e esperarmos no Senhor. Talvez seja por isso que Deus permite o sofrimento, pois Ele sabe que a dor pode dobrar o mais duro e indiferente dos corações. Se não passarmos pelas provações, não poderemos dizer como Jó: “Te conhecia Senhor, somente em palavras, mas hoje meus olhos te viram”.

Por fim, é bom lembrarmos que Deus Pai escolheu uma jovem para ser a mãe de seu Filho. O Senhor confiou a mais alta missão que poderia ser dada a um ser humano a uma adolescente. Maria, na sua juventude, tinha em seu coração os anseios típicos de todos os jovens, seja qual for a época na qual estejam inseridos, tais como a busca pela felicidade, pelo amor verdadeiro, pelo sentido último da existência e por viver a vida em sua plenitude. A diferença é que para suprir esses anseios ela não buscava grandezas, mas buscava somente a grandeza que é Deus, que é a santidade. Maria foi-nos dada como mãe quando estava aos pés da cruz de seu filho, quando Jesus a confiou a João, o mais jovem dos apóstolos, o discípulo amado, que certamente só conseguiu estar aos pés da cruz pois estava ao lado de Maria. Recorramos sempre à Mãe de Deus, e que ao lado dela possamos contemplar a face do verdadeiro amor, deste amor que tanto buscamos em nossa juventude: o Cristo Crucificado!

Daniel Chagas
Missionário da Comunidade Católica Shalom

(Comunidade Católica Shalom – http://www.comshalom.org)

A sobriedade do jovem

Caríssimos filhos,

Este encontro semanal do Papa com os jovens e os adolescentes — tão entusiasta e tão cheio de vivacidade verdadeiramente sinal de alegria e de esperança. Sinal de alegria, porque onde há jovens, adolescentes ou crianças, há certeza de alegria, uma vez que está a vida no seu florir mais espontâneo e viçoso. Vós possuís em abundância e dais generosamente esta “alegria de viver” a um mundo que às vezes esta cansado, desanimado, desconfiado e desiludido. Sinal de esperança é também este nosso encontro, porque os adultos — não só os vossos pais mas também os vossos professores e todos quantos ajudam o vosso crescimento e maturação física e intelectual — vêem em vós aqueles que hão-de realizar aquilo que eles, pela variedade das circunstâncias, não puderam talvez levar a termo.

Portanto, um jovem sem alegria e sem esperança não é autêntico jovem, mas homem murcho e envelhecido antes de tempo. Por isso vos diz o Papa: Levai, comunicai e irradiai a alegria e a esperança! O assunto da Audiência de hoje está profundamente relacionado com tudo o que recordei até agora: nas quartas-feiras precedentes, continuando o esquema deixado quase como testamento pelo meu saudoso Predecessor João Paulo I, falei das virtudes cardeais: prudência, justiça e fortaleza. Hoje quero deter-vos brevemente com a quarta virtude cardeal: a temperança, a sobriedade. São Paulo escrevia a seu discípulo Tito, que deixara como bispo na ilha de Creta: Exorta os jovens a serem sóbrios (Tit 2, 6). Seguindo eu também a exortação do Apóstolo das Gentes, desejaria começar por dizer que as atitudes do homem, provenientes de cada uma das virtudes cardeais, são entre si interdependentes e unidas. Não se pode ser homem verdadeiramente prudente, nem autenticamente justo, nem realmente forte, não se possuindo a virtude da temperança. Esta condiciona indirectamente todas as outras virtudes; mas também estas são indispensáveis para que o homem possa ser “temperante” ou “sóbrio”. Temperantia est commune virtutum cognomen — escrevia no século VI São João Clímaco (Escada do Paraíso, 15) — isto é, poderíamos traduzir, “a temperança é o denominador comum de todas as virtudes”.

Poderia parecer estranho falar da temperança ou da sobriedade a jovens e a adolescentes. Mas, filhos caríssimos, esta virtude cardeal é necessária de modo particular a vós, que vos encontrais no período maravilhoso e delicado, em que a vossa realidade biopsíquica cresce até à maturação perfeita para serdes capazes, física e espiritualmente, de enfrentar as alternativas da vida nas suas mais desvairadas exigências.

Temperante é aquele que não abusa dos alimentos, das bebidas e dos prazeres; que não toma desmedidamente bebidas alcoólicas; que não se priva da consciência mediante uso de estupefacientes ou drogas. Em nós podemos imaginar um “eu inferior” e um “eu superior”. No nosso “eu inferior” exprime-se o nosso “corpo” com as suas carências, os seus desejos, as suas paixões de natureza sensível. A virtude da temperança garante a cada homem o domínio do “eu superior” sobre o do “inferior”. Trata-se, talvez, neste caso, de humilhação, de diminuição para o nosso corpo? Pelo contrário! Esse domínio valoriza-o, exalta-o.

O homem temperante é aquele que é senhor de si mesmo; aquele em que as paixões não tomam a supremacia sobre a razão, sobre a vontade e também sobre o coração. Entendamos portanto como a virtude da temperança é indispensável para que o homem seja plenamente homem, para que o jovem seja autenticamente jovem. O triste e aviltante espectáculo dum alcoólico ou dum drogado faz-nos compreender claramente como “ser homem” significa, antes de qualquer outra coisa, respeitar a própria dignidade, isto é, deixar-se alguém conduzir pela virtude da temperança. Dominar-se a si mesmo, as próprias paixões e a sensualidade não significa de maneira nenhuma tornar-se alguém insensível ou indiferente; a temperança de que falamos é virtude cristã, que aprendemos com o ensino e o exemplo de Jesus, e não com a chamada moral “estóica”.

A temperança exige de cada um de nós urna especial humildade a respeito dos dons que Deus colocou na nossa natureza humana. Há a “humildade do corpo” e a do “coração”. Esta humildade é condição necessária para a harmonia interior do homem, para a sua beleza íntima. Reflecti bem nisto, vós jovens, que estais precisamente na idade em que tanto se estima ser belo ou bela para agradar aos outros! Um jovem e uma jovem devem ser belos primeiramente e sobretudo interiormente. Sem tal beleza interior, todos os outros esforços que só tenham o corpo por objecto não farão — nem dum jovem nem duma jovem — uma pessoa verdadeiramente bela.

Desejo, filhos caríssimos, que irradieis sempre beleza interior.

Papa João Paulo II *

(Comunidade Católica Shalom – http://www.comshalom.org)

O que é ser casto? Por que ser casto? Como ser casto hoje?

Ser casto é muito mais do que ser virgem. No entanto, a pureza, ou castidade, inclui necessariamente a vivência da virgindade. Ser casto abrange toda a pureza de coração, de intenções e de desejo sincero de fazer a vontade de Deus. Inclui a determinação de não pecar (e isso não somente com relação ao sexo, mas em todas as áreas da vida). Inclui, ainda, uma compreensão madura do que seja a vida e a decisão de viver para cumprir a vontade de Deus.

Viver a pureza é uma grande graça, da qual hoje todos zombam abertamente. É correr o grande risco de ser incompreendido, chacoteado, caluniado, humilhado, maltratado. No entanto, vale a pena buscar esta graça. Vale a pena pedi-Ia a Deus e colaborar com toda a nossa vontade para que ela seja efetiva na nossa vida.

No meio do “Anti-tabu” do sexo, agressiva e desafiadoramente praticado nos dias de hoje como algo muito natural, a busca da vida pura é um desafio para jovens de têmpera. Os tolos e imaturos nem sequer o entendem. Aqueles, porém, que encaram a vida com a serena alegria dos que crêem em Deus abraçam o desafio com grande confiança de que a graça irá socorrê-los.

Falar de maneira genérica sobre a castidade nos levaria a todo um tratado sobre a vida santa, o que é muito além de nossas possibilidades e das desta revista. Como sabemos que o que mais questiona o jovem é a razão para a castidade com relação à vivência da sexualidade, é sobre ela que falaremos.

Baseando-se no texto de D. Rafael Cifuentes, vê-se que ele ressalta três pontos essenciais:

A pureza de vida é um mandamento evangélico.

Parece óbvio demais? Engano! Há educadores (desculpe, “educadores”) que não mais entendem ou ensinam o sexto mandamento da lei de Deus. O “Não pecar contra a castidade” não faz parte de suas pregações ou é covardemente omitido. Conheço dezenas de casos de ensinos, pregações, aulas, debates, mesas redondas, onde o representante do pensamento cristão, de quem todos esperam respostas esclarecedoras e firmes, se perde em observações esquivas, omissões e relativismos. Com certeza, infelizmente, você conhece outras dezenas.

No entanto, a Palavra e a Doutrina continuam como antes. Não mudaram. Não mudou tampouco (ao contrário do que muitos meios de comunicação divulgaram) a visão da Igreja sobre o sexo pré-marital, a masturbação, o homossexualismo, o adultério, a fornicação, a luxúria. No Catecismo da Igreja Católica em língua francesa (sua língua original) estes conceitos continuam imutáveis. Pensando bem, quem se atreveria a mudar um mandamento da lei de Deus e, ao mesmo tempo, um mandamento evangélico ensidado por Jesus que diz: “bem-aventurados os puros porque verão a Deus?” (Mt 5,8).

Enganam-se os que pensam poder-se relativizar o que está bem claro tanto no Novo quanto no Antigo Testamento, tanto na Doutrina quanto na Tradição e Magistério da Igreja. O problema é que hoje tem gente que nem a isso dá importância.

Enganam-se, também, os que pensam que o casamento seria uma “‘quebra” da castidade ou uma “concessão” feita quanto a este mandamento. Muito pelo contrário: a noção correta de castidade envolve o mandamento evangélico da pureza que deve, obrigatoriamente, estar presente tanto no matrimônio quanto no sacerdócio ou no celibato. O conceito evangélico de pureza ultrapassa o de estado de vida.

O segundo ponto ressalta que “o mandamento é muitas vezes recalcado devido à mentalidade de hoje”.

De fato. Tem-se medo de pensar diferente, de ser diferente da imensa maioria das pessoas, sejam jovens ou adultos. Tem-se medo de testemunhar o que pensa Deus a este respeito, o que a Igreja ensina, o que todo nós, no fundo no fundo, temos desejo de viver, pois Deus nos criou para sermos santos. O medo e a covardia, sem falar na ingratidão, nos levam a calar, a sermos omissos, a preferirmos a mentalidade do mundo à vontade de Deus. Desta forma, “recalcamos” o mandamento evangélico da pureza, isto é, abafamo-lo, ignoramo-lo, tratamos de relativizá-lo para sermos mais “normais”, mais bem aceitos. Corremos até o risco de achar que se fizermos isso vamos ter mais facilidade de nos aproximar dos jovens e levá-los a Jesus. Terrível engano! Como se pode levar alguém a Jesus deixando-o em seu pecado? O método de Jesus era bem diferente. Ele se aproximava amorosamente do pecador, mas não admitia seu pecado. Claro, não condenou jamais o pecador e, no entanto, nunca deixou de condenar o pecado abertamente e a ordenar com clareza: “Vai e não peque mais” . Quanto mais a gente conhece a beleza de alma que Deus deu ao jovem, mais a gente se convence que o que ele quer é Jesus. Jesus como Ele é: verdadeiro; radical quanto à perfeição de vida, mas extremamente misericordioso para com o pecador; absolutamente radical quando se trata de redimir ou retratar o pecado (veja-se Zaqueu), mas extremamente flexível quanto à regeneração do homem aviltado por seus pecados. Jovem quer Jesus. Um Jesus corajoso, radical, misericordioso, livre, como o jovem deseja ser.

O terceiro ponto é contundente: este recalque do mandamento, seja por medo e covardia, seja na ilusão do ser aceito para “evangelizar”, “produz distúrbios espirituais e psíquicos”.

Nada mais previsível. Se Deus criou o homem pua o amor a Ele, a seus irmãos e a si mesmo, tudo o que venha deturpar esta finalidade última de amor e santificação deforma o homem. A isto se dá o nome de pecado.

O recalque do princípio evangélico da pureza visto aqui principalmente como o princípio de castidade, traz enormes prejuízo espirituais, especialmente devido à intemperança e ao vício. E, veja, aqui não estamos falando somente de coisas “‘fortes” como relações sexuais antes do matrimônio ou masturbação e homossexualismo masculino ou feminino. Estamos falando de toda uma caminhada de relacionamento também no namoro e no noivado, caso a vocação do jovem seja a do matrimônio. Estamos falando também dos pensamentos, das fantasias, dos filmes e revistas, dos programas de televisão (mesmo aqueles que parecem meros programas de variedades, mas contêm centenas de sentidos duplos em cada palavra dos apresentadores) das conversas; da maneira de vestir; do comportamento sensual ao andar, falar, sentar; das diversões;, da busca desenfreada de mais prazer, de mais emoções, de mais “coisas novas”.

Tudo o que, no campo da sexualidade, for uma manipulação do meu irmão para o meu próprio prazer é contrário à castidade, seja fora, seja dentro do matrimônio, fora ou dentro do namoro, na amizade ou no relacionamento superficial. O que for uma manipulação do outro ou de mim mesmo (pois só sou manipulado, usado, se o permitir, exceto no caso do estupro) vai, obviamente, ser ultraje para a minha alma e para o meu psiquismo. Mais que isso, vai produzir distúrbios espirituais como o vício, a incontinência, a falta de auto-domínio, o afastamento de Deus e da Igreja, o afastamento da oração e da Eucaristia, o esfriamento da alma, a falta de temor a Deus, a relativização dos valores evangélicos, só para citar alguns.

No campo dos distúrbios psíquicos teremos a insegurança, a dependência emocional do outro, a dependência emocional de sensações, a culpa, o medo, o sentimento de ser sujo, de não servir mais para nada, entre muitos outros prejuízos, por vezes, irreversíveis.
Mas qual a vantagem de um jovem viver a castidade? Por que ser casto?
Perguntar isso de maneira genérica equivaleria a perguntar qual a vantagem de ser santo. No entanto, se a pergunta se refere especificamente à castidade quanto à sexualidade, dentre as inúmeras vantagens pode-se destacar duas: a fomentação do amor e a liberdade para discernir a própria vocação. É ainda D. Rafael Cifuentes quem nos ensina:

“O coração humano está destinado a amar. Só no amor ele encontra o seu alimento. Quando não se lhe dá amor, ele procura, esfomeado, o primeiro que encontra: a excitação sexual, a descarga hormonal que o levam a uma insatisfação afetiva e a uma frustração amorosa. O coração humano necessita de um amor à altura da sua dignidade. ”

Bastaria esta última frase, não é verdade? O seu coração não necessita de um amor degradante, passional, quase animalesco. O seu coração humano necessita de um amor à altura de sua dignidade de filho de Deus. Este amor verdadeiro é o alimento do seu coração e é o único que o leva a Deus. A vivência de uma sexualidade deturpada, pelo contrário, afastam-no de Deus e deixam o seu coração cada vez mais inquieto e faminto em busca de ilusões que o farão cada vez mais fraco e escravizado. Tem razão a Palavra de Deus quando diz, em Jeremias: “Meu povo me abandonou a mim, fonte de água viva, para cavar para si cisternas, cisternas fendidas, que não retêm a água (Jer 2,13)

O seu coração pode descobrir, na vivência tranqüila e corajosa da castidade – seja você homem ou mulher o amor que corresponda ao preceito de “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. Desta maneira, você está colocando todo o seu ser, seu espírito, suas forças, na vivência do amor autêntico e, nesta vivência, com toda a certeza, vai ter um ambiente mais propício para descobrir a sua vocação. E, entenda, seja ela celibato, sacerdócio ou matrimônio, seu coração estará muito melhor preparado para descobri-la se estiver livre por amor e para o amor, ainda que namorando, ainda que com inúmeros amigos, ainda que vivendo como o mais normal dos jovens cristãos.

Sendo casto, você fomenta o amor real em você, você se prepara para assumir a vontade de Deus em sua vida. Estas duas coisas são suficientes para garantir a “inteireza”‘ e a felicidade permanente, serena e madura de qualquer um. Feliz aquele que não se deixar iludir pelos inúmeros prazeres e ofertas do mundo e aceitar o desafio de trilhar a estrada do amor para um amor maior.

Como viver a castidade hoje

Encontro somente uma resposta: como Maria, tendo coragem e fazendo uma opção radical de vida por Jesus e inteiramente apoiada na graça.

A coragem de optar radicalmente por Jesus, como Maria. Na fé. A coragem sustentada pela convicção de que Jesus é a resposta e de que a Igreja fala por Ele, ainda que o mundo pense o contrário, ainda que meus colegas não me aceitem, ainda que o mundo inteiro espere outra coisa de mim.

A coragem de apoiar-se inteiramente na graça de Deus e de abandonar-se com toda a confiança em Deus, sabendo que, ainda que você sofra, d’Ele vem a recompensa, pois Ele é um Deus fiel e sustentará você constantemente.

Viver a castidade hoje exige coragem e determinação. Exige convicção para vestir-se, comportar-se e pensar diferente de todo o mundo. Exige a determinação de ser fiel à vontade de Deus.

Isto, porém, não depende somente de você. A fonte desta coragem e determinação é a graça de Deus. Somente um encontro pessoal com Jesus ressuscitado vai dar a você a coragem e determinação que você não encontra em si mesmo. Somente uma graça especial deste mesmo Jesus levará você a fazer d’Ele o Senhor de sua vida, entregando-se sem medidas e cumprindo a vontade de Deus não por voluntarismo e muito menos por moralismo, mas por amor. Amor a quem amou você primeiro, amor a quem o sustenta e conduz, amor Àquele que transformou sua vida. Um jovem que conhece e ama Jesus assim vive a castidade e as outras virtudes apoiado na graça e encontra n’Ele a coragem de ser luz na escuridão. Aquele que não encontrou Jesus, porém, vai achar tudo muito bonito e vai fazer uma força enorme para viver tudo isso, mas, infelizmente, sozinho ele não conseguirá. Precisará da graça, da força da oração, do poder da Palavra, da graça poderosa da reconciliação e Eucaristia.

Maria contou com a graça de Deus como ninguém. Disse seu “sim” incondicional e foi fiel. Viveu de maneira diferente de todas as pessoas de todos os séculos, enquanto durar a humanidade, pois nela refletia-se de maneira singular o próprio Deus. Ser diferente não a abalava. Era uma mulher de fé. Especialmente, era uma mulher que sabia amar, que viveu plenamente sua sexualidade feminina e a maternidade que dela decorre na pureza, na castidade, na fidelidade e obediência a Deus. Quem, de fato, crê, não tem medo de ser diferente. Pelo contrário, sem agressões e vivendo com toda a simplicidade a graça de Deus, é diferente pelo mero fato de ter-se entregue a Ele. Da mesma forma, para quem ama de verdade, ser aceito ou não pelo mundo tem muito pouca, mas muito pouca importância mesmo. Importa Aquele a quem ama e para quem vive e aqueles para quem Ele ama e vive.

Deixo você com esta reflexão de D. ‘Rafael sobre o poder da graça e da virtude da castidade sobre o amor humano:

“O amor humano, que vem da natureza, e o divino, que provém da graça, entrelaçam-se e complementam-se: a graça fortifica, eleva, sublima a natureza. É um privilégio único do ser humano que a vida sexual, que deriva da natureza, esteja impregnada pelo amor de Deus que deriva da graça. Dito de maneira mais clara, a energia sexual, a libido, é banhada, é tonificada pelo amor de Deus. O amor de Deus eleva de tal modo o instinto sexual que muda profundamente a sua contextura. Assim, é possível viver de modo estável e gostoso a virtude da castidade”.

(Comunidade Católica Shalom – http://www.comshalom.org)

Jovem, sê forte e corajoso.

“Vigiai, pois, com cuidado sobre a vossa conduta: que ela não seja conduta de insensatos, mas de sábios que aproveitam ciosamente o tempo, pois os dias são maus. Não sejais imprudentes, mas procurai compreender qual seja a vontade de Deus. Não vos embriagueis com vinho, que é uma fonte de devassidão, mas enchei-vos do Espírito. Recitai entre vós salmos, hinos e cânticos espirituais. Cantai e celebrai de todo o coração os louvores do Senhor. Rendei graças, sem cessar e por todas as coisas, a Deus Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo!” (Efésios 5, 15-20).

O mundo quer viver o prazer que cada vez mais. Os jovens querem viver segundos de prazer, independente do que isso vai lhes causar. O mundo quer que sejamos pessoas insensatas, insanas; e se os jovens forem assim, melhor.

Ouvimos dizer que o jovem é a esperança do amanhã e, realmente vocês são. Vocês, jovens, são os políticos que não temos hoje, porque se você não conhecer a sua coragem, será mais um fraco na face da terra. Somos sal da terra, luz do mundo, fermento na massa. O jovem não pode viver desocupado, ele tem de ocupar-se com algo.

“Não sejais imprudentes, mas procurai compreender qual seja a vontade de Deus. Não vos embriagueis com vinho, que é uma fonte de devassidão, mas enchei-vos do Espírito” (Ef 5,17-18). Se essa passagem fosse escrita nos dias de hoje, no lugar de vinho estaria escrito cocaína, maconha, êxtase, ice, cachaça… outras coisas que nos embriagam e são próprias do nosso tempo. Mas não vamos falar apenas da embriaguez química, das drogas; mas da embriaguez da sexualidade, da pornografia. Se você tem computador em casa, sabe que, com apenas um clique, aparece pornografias na sua tela. Se você é fraco, com apenas um clique o inferno aparece na sua vida.

Se você tem computador e internet, você tem o mundo na sua casa. O Papa João Paulo II dizia: “Use a internet para levá-lo a águas mais profundas e, assim, evangelizar pela internet. Você tem televisão na sua casa e pode ter também TV por assinatura. Seus pais podem estar dormindo e, então, você escolhe o canal que quer ver. No momento de apertar o botãozinho do controle, você precisa ter força, muita coragem, porque você é o dono dos seus olhos, dos seus ouvidos. “Não vos embriagueis”. Podemos também ser embriagados pela inveja, pela raiva, pelo ódio, pelo ciúme.

Sexo é uma das coisas mais gostosas do mundo, mas sexo demais esgota a carne. Quando estamos solteiros, nos embriagamos e precisamos de força da alma, dos sentimentos. Quando você se embriaga no sexo, está gastando algo que será precioso no seu casamento. É preciso aguentar, segurar, manter o controle. Para isso, você precisa de coragem e quem vai lhe dar essa coragem é o Espírito Santo.

O mundo tem se embriagado de uma droga branca que, geralmente tem quatro componentes: pós de mármore, talco, bicarbonato e um pouquinho de cocaína. Nós também usamos uma droga (agora no sentido positivo), e ela também é branquinha, mas tem outros elementos: corpo, sangue, alma e divindade de Jesus Cristo; chama-se Eucaristia. Isso se chama embriagar-nos no Espírito Santo, exaltar o nome d’Aquele que está acima de toda as coisas. Esta é uma santa embriagues, é tomar ar novo, fôlego novo.

Deus quer que você seja santo, mas isso não significa que você vai ter de ficar parado, com o pescoço torto como vemos nas imagens, mas trabalhando, estudando, namorando, jogando seu futebol…. Deus quer santo assim. Fico imaginando daqui há uns 30, 40 anos quando vão haver novos santos no altar e alguns deles estarão de calça jeans, camiseta, boné. Daqui a 50 anos, alguém estará confeccionando, esculpindo imagens de santos e eles sairão dessa nossa geração, daqueles que foram alimentados pelas palavras dos papas João Paulo II e Bento XVI, de monsenhor Jonas Abib.

Vamos nos embriagar com a força do Espírito Santo que vai nos encher da vontade de Deus, e a vontade d’Ele é a nossa santificação.

Dunga – missionário da Comunidade Católica Canção Nova

Alegria que não passa…

Jovens, busquem a santidade!

Busquem o Cristo que vos ama e vos espera!
Não há vida melhor!
Dá pra ser jovem e viver no mundo sem ser do mundo!
Eu não tenho dúvida de que escolhi a melhor parte!
Viver a minha juventude, a minha vida em/para Deus!

Sou muito feliz e sei que é essa a verdadeira felicidade,
a que não passa… Jesus Cristo!

Saia dessa, fique sóbrio!

Enquanto muitas drogas são encontradas e consumidas as escondida, existe uma bem destacada em cada es¬quina, em cada boteco, em cada calçada: O ÁL¬COOL.

Tudo começa, muitas vezes, na própria família, onde a criança pega o copo do pai e dá um gole, e todos acham que não tem muita importância; ou o pai, que bebe muito e a criança observa aquilo e toma como modelo para ela, seja para agradar, para agredir os pais (filhos não amados, “mal vis¬tos”), ou para escapar da solidão ou de situações mal resolvidas.

Nossos jovens começam muito cedo: “Ah! Mas é só um chopinho…”; “Quem resiste a uma cervejinha estupidamente gelada?” “É só nos fins de semana. Isso não vicia!”.

Mas será que alguém pode apontar um alcoólatra que tenha desenvolvido sua doença da noite para o dia? Se apontar, então o álcool do fim de semana não vicia, porque a doença do alcoolismo começa com um gole, e desenvolve-se ao longo de muitos dolorosos e angustiantes tragos.

Hoje em dia o álcool se toma cada vez mais um “vício social”. Toleram-se os embriagados entre risos e complacências; mais e mais jovens buscam no álcool um alívio para sua timidez, seus problemas pessoais, sua auto-afirmação social. Ignoram completa¬mente que o álcool, antes de resolver os problemas, está contribuindo para aumentá-los.

Os colégios e faculdades têm sempre um barzinho por perto. “Mais e mais jovens” dão uma escapulida” no recreio ou intervalo entre as aulas para” tomar uma” . O bate-papo com os amigos no shopping ou na feirinha, na praia ou no clube tem de começar sempre com um gole. Aos poucos, lá se vão os estudos e lá se complica sua vida pelo terror assas¬sino do álcool.

A imagem que se vê é desoladora: pernas trôpegas, sorrisos disfarçados, língua pesada. A ressaca física não é melhor que a moral. E a famosa “ressaca moral” é tão difícil de suportar que só dando mais um traguinho. Pronto! Você caiu na armadilha. Entrou no ciclo vicioso e, embora possa até se achar tão “grande”, não passa de um trapo de gente…

Você pode estar pensando: “Ah! Sem essa! Que exagero! Então todo mundo é alcoólatra! Comigo nunca vai acontecer isso… eu me conheço… tenho força de vontade… sei parar… sem essa de moralismo… você quer que eu seja diferente de todo mundo?”.

Veja bem: nem todas as pessoas que bebem tornam¬se dependentes profundos da bebida. No entanto, todos se tomam dependentes em um nível. Uns a um nível mera¬mente social, outros a um .vel psicológico e químico.

Os cientistas têm descoberto que o alcoolismo se instala devido ao desenvolvimento de uma enzima necessária para quebrar as moléculas do álcool. A ingestão de álcool faz com que o organismo produza maior quantidade desta enzima, que, por sua vez, provoca a carência do álcool que é responsável de digerir. Cria-se a famosa “dependência química”, que escraviza milhões de pessoas em todo o mundo, por toda uma vida.

Tem gente que só se sente bem, socialmente, se beber. É a insegurança e o medo resolvidos pelo meio “mágico” que tanto fascina o homem moderno. Não se pode sofrer. Sofrer é proibido. Superar suas próprias fraquezas por seu esforço pessoal é impensável. Há sempre um “remedinho”, um gole, um cigarro, algo bem ao alcance da mão para afastar o mal-estar, o ti sentir-se peixe fora d’água ti, a angústia. É assim que pensa o homem de hoje e, infelizmente, muito jovem hoje…

Tem gente que ainda pensa que só se toma alcoólatra quem bebe demais, quem bebe todos os dias. Isto é um engano! Há alcoólatras de final de semana, há alcoólatras de segundas feiras, há alcoólatras de escritório, há alcoólatras de escola. O alcoolismo não depende da freqüência nem da quantidade. Depende dos efeitos que a bebida faz em você, do tempo em que você fica pensando nela, dos pretextos que você arranja para um gole, das ocasiões onde você só se sente bem se beber. Só que, quando estes sintomas se instalam, já fica difícil de você perceber o quanto se tomou de¬pendente também psicologicamente do álcool e, a partir deste ponto, é muito difícil voltar atrás sozinho. Tem-se que procurar ajuda imediata!

Tem gente, ainda, que pensa que só se toma alcoólatra quem bebe “bebida forte”. Hoje, dizem, há bebidas “light”, cervejas “light”, até refrigerantes e sucos “light”. Ao ler o próximo parágrafo, você vai perceber como e porque o organismo vai ter necessidade de algo sempre mais forte e que possa suprir suas necessidades químicas e psicológicas em menor tempo.

Das bebidas “light” você vai passar para uma maior quantidade de “lights”, que, por fim, não vão satisfazer a necessidade do seu organismo, que pede algo mais forte, mais pesa¬do, que “resolva” seu problema em menos tempo. Da cerveja vai-se para o whisky, para o vinho, para a vodca, para a cana, que é mais barata e popular para o bolso do estudante. Daí, em poucos anos, é sarjeta.

Tem gente pouco esclarecida que ainda pensa que só se toma alcoólatra, quem tem problemas na família, é meio “pirado”, meio carente, meio “mongol”. Nada disso. Se você já estudou um pouco de química sabe muito bem que não é preciso ser “mongol” para desenvolver uma de¬pendência química. Ela pega você de jeito. Você pode não se tornar um alcoólatra de sarjeta, mas vai ser um pobre coitado que só se sente alguém se beber, que só se sente “no ponto” depois de um gole, um homem ou mulher fraca, sem personalidade, sem convicção, incapaz de planejar e dirigir a própria vida, escravo, um pobre escravo. Veja um pouco como se dá à química do álcool:

“O álcool é absorvido rapidamente pela corrente sangüínea, agindo sobre o encéfalo, alterando o equilíbrio, a coordenação motora e produzindo distúrbios na articulação da fala e do tônus muscular, produzindo, ainda, alteração do humor, da atenção, da percepção, da capacidade crítica, da memória.” (1).

Além deste pouquinho que foi dito aí em cima, cada vez que você bebe além da conta, o álcool destrói milhares de células cerebrais e, você sabe, este tipo de célula não se re¬põe. Uma vez destruídas, para sempre destruídas. Você, certamente, não é pouco inteligente ao ponto de achar que alguns milhares de neurônios não fazem falta, não é verdade?

O número de jovens alcoólatras aumenta assustadoramente.
Ainda mais que no i Brasil se vende bebida alcoólica a menores, com o maior descaramento e, se não beberem, os próprios pais fornecem em casa. Quando se vai perceber o problema, o mal já está instala¬do. Por vezes, o que não se manifestou na juventude vai manifestar-se após os vinte e cinco anos, quando, muitas vezes, o jovem já se casou e onde co¬meça o drama e sofri¬mento de milhões de famílias no mundo inteiro.

O álcool mata mais que o trânsito, mais que o coração, mais que o câncer. No entanto, a pesquisa científica sobre o alcoolismo se arrasta. Não é do interesse dos que têm lucros formidáveis que estas pesquisas se desenvolvam. É preciso ter governos muito honestos e um povo que assuma muito bem os rumos do seu próprio país para ter a liberdade suficiente de pesquisar sem o peso do lucro. Sabe ¬se muito, muito pouco no mundo inteiro sobre o álcool. Uma coisa, porém, é certa: qualquer pessoa, especialmente, o jovem, pode ser a vítima. É espantosa a porcentagem de alcoólatras que começaram a beber na juventude!

O Álcool mata mesmo. Pior, mata você
e todos os que o amam.

Causa:

. convulsões
. demência
. diminuição do raciocínio e da inteligência
. perda da memória
. desequilíbrio psico-motor

. pancreatites
. diabetes
. hipertensão arterial . arritimias cardíacas e insuficiência cardíaca
. neurites
. úlceras
. gastrites
. cirrose hepática
. anomalias congênitas

O álcool faz muito mal ao homem pois, além do que já se disse, pode acarretar ainda a impotência sexual, cirrose hepática, pancreatite e mor¬te. À mulher, além dessas, no período da gravidez, o álcool prejudica o feto, que pode vir a ter problemas de má formação congênita.
Isto significa que você nunca pode beber? Não sei. Talvez sim, talvez não. Se você for um dependente químico em potencial, pode ser suficiente o primeiro trago. Se você não for um dependente químico em potencial, você poderá beber, como se diz, “socialmente”, sem exceder se e viver toda a vida sem tomar-se um dependente sério da droga. Se você for um dependente psicológico, você poderá vir a se tomar um dependente químico e aí tem início o infernal ciclo vicioso.

O que fazer?

Se você sente que começa a pensar demais na bebida, a associá-la, demasiadamente, a situações de sua vida, a vê-Ia como válvula de escape, de fuga, PROCURE AJUDA IMEDIATAMENTE. Fale a seus pais. Não tente sair sozinho: Você não conseguiria. Deixe o orgulho de lado, mas saia dessa. O Álcool mata mesmo. Pior, mata você e todos os que o amam.
Saia dessa, fique sóbrio. O álcool mata mesmo.

(I) ROCHA, Luiz Carlos. Jovem e droga. Ed. Loyola.São Paulo, 1987.

(Comunidade Católica Shalom – http://www.comshalom.org)