HABEMUS PAPAM!

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Que dia memorável na história da Santa Igreja Católica, Apostólica e Romana! Não estava fisicamente em Roma, mas… ah, o meu coração estava lá. Sim, estava lá. Mais uma vez, todos os católicos fizeram a experiência de serem “membros de um só corpo, cuja cabeça é o Senhor Jesus Cristo”! Todos nós vibramos com amor e nos alegramos ao contemplar, da chaminé da Capela Sistina , a tão esperada fumaça branca.

Com grande surpresa enfim conhecemos e acolhemos o Sumo Pontífice. Cardeal Dom Jorge Mario Bergoglio, o PAPA FRANCISCO, nos emocionou com seu gesto sincero de humildade em sua primeira saudação aos fiéis católicos que estavam na Praça de São Pedro. Da Sacada da Basílica de São Pedro Inclinou-se e pediu que intercedessem por ele… A Praça silenciou e intercedeu.

Em suas primeiras palavras, convidou todo o povo católico a também interceder pelo Papa Emérito Bento XVI: “Antes de tudo, gostaria de fazer uma oração pelo nosso Bispo Emérito Bento XVI. Rezemos todos juntos para que o Senhor o abençoe”. 

A eleição do Papa não é fruto das especulações humanas, mas fruto da vontade de Deus, manifestada pela ação do Seu Espírito Santo! Por isso o nosso coração, com imensa gratidão a Deus, brada: Bem-vindo, PAPA FRANCISCO! Nós, filhos da Igreja Católica Apostólica Romana, a Igreja de Cristo, te acolhemos, te amamos e permaneceremos em constante oração pelo seu pontificado!

Lara Vaz

São João Maria Vianney

São João Maria Vianney, padroeiro dos sacerdotes, nasceu em 08 de maio de 1786, na França, numa cidade perto de Lyon.
Desde sua infância trazia em si um grande amor à Virgem Maria, quando pequeno ganhou de sua mãe uma imagem de Nossa Senhora da qual ele nunca se separava, onde quer que fosse, a levava consigo.
São João Maria Vianney tinha um amor preferencial pelos pobres, pelos abandonados, pelos excluídos, e a todos que encontrava pelas ruas, bosques, levava-os para casa, e seus pais admirados da sua caridade, à todos acolhiam.
Aos 13 anos fez sua primeira comunhão, e nesse dia em oração, disse a Deus e a si mesmo: Eu serei Padre! Eu serei Padre!
Trazia em si o desejo de ser padre, mas tinha muitas dificuldades com os estudos. Foi rejeitado três vezes no seminário, mas com a ajuda do padre Balley, teve uma segunda chance, e com grande esforço, venceu todos os desafios, e foi então ordenado, após se tornar sacerdote permaneceu como padre auxiliar ao lado do tão querido padre Balley, tempo onde pode rever a Teologia, e em seguida foi enviado como pároco para a cidade de Ars, onde ficou até sua morte.
A cidade de Ars, vivia uma grande indiferença referente à religião. São João Maria Vianney ao perceber o combate espiritual, pôs-se em luta, suas armas foram a oração, a penitência e as homilias.
Fixou residência na matriz e sua primeira ocupação era rezar pela conversão dos seus paroquianos. Desde a manhã à noite, com pequenas interrupções, ficava de joelhos diante do altar do Santíssimo Sacramento.
Em suas homilias, sempre denunciou o pecado, e proclamou a salvação em Nosso Senhor Jesus, e aos poucos pode ver a conversão dos habitantes de Ars.
São João Maria Vianney sofreu perseguição da parte dos homens, e também um grande e árduo combate espiritual, este combate durou cerca de 35 anos, a noite o santo sofria com pesadelos assustadores e até mesmo ataques diretos do demónio.
Sempre apoiado na graça divina, e recorrendo à especial proteção da Virgem Maria, São João Maria Vianney, saiu vitorioso de todos os assaltos do maligno.
A vida, a pregação, a humildade do santo pároco de Ars, começaram a atrair fiéis de todas as partes da França e do mundo, que desejavam ouvir o santo pároco e se confessar. Por duas vezes, para poder se isolar um pouco, e estar a sós com Deus, São João Maria Vianney tentou deixar a paróquia, mas os fiéis não permitiram indo o buscar e o levando de volta para a Igreja.
Em 04 de agosto de 1859 faleceu, foi beatificado por São Pio X, em 5 de janeiro de 1905, e canonizado por Pio XI no dia 31 de maio de 1925.
Seu corpo repousa na Igreja dedicada à Santa Filomena, sua santa de devoção, na cidade de Ars.
A cidade é hoje um dos grandes lugares de peregrinação no mundo.

São João Maria Vianney, rogai por nos!

(Canção Nova – Ana Meneses, missionária da Canção Nova na França)

A Oração da Quaresma, de Santo Efrén, o Sírio

Por Pe. Alexander Schmemann

Trad.:: monges da Comunidade Monástica São João o Teólogo

e todos os hinos e orações da quaresma, uma pequena oração pode ser qualificada como “A Oração da Quaresma”. A Tradição atribui sua autoria a um dos maiores mestres da vida espiritual, Santo Efrén o Sírio.

“Senhor e Mestre de minha vida,
afasta de mim o espírito de preguiça,
de abatimento, de domínio, de loquacidade,
e concede a mim, teu servo, um espírito de integridade,
de humildade, de paciência e de amor.
Sim, Senhor e Rei,
concede ver meus pecados e não julgar meus irmãos”
porque és bendito pelos séculos dos séculos. Amém.

Esta oração é recitada duas vezes ao final de cada Ofício de Quaresma, de segunda a sexta-feira.

Por que esta pequena e simples oração ocupa um lugar tão importante em toda a vida litúrgica da Quaresma? Porque enumera, de um modo singular, todos os elementos positivos e negativos do arrependimento e constitui, de algum modo, uma espécie “checking list” de nosso esforço individual de Quaresma. Este esforço aponta primeiro a nossa libertação de algumas enfermidades espirituais fundamentais que dão forma à nossa vida e que tornam virtualmente impossível para nós, inclusive, iniciar o nosso retorno para Deus.

Então, negativos:
1. Indolência
2. Desalento
3. Vanglória
4. Loquacidade (palavras vãs, inúteis)

Indolência

A enfermidade básica é a indolência. É esta estranha preguiça e passividade de nosso ser que sempre nos empurra para “baixo”, em vez de nos elevar para o “alto” – que constantemente nos convence que nenhuma mudança é possível e, portanto, desejável.

É de fato um cinismo profundamente enraizado que reage a cada ato espiritual: “para que?” e faz de nossa vida um enorme desperdício espiritual. É a raiz de todo pecado porque envenena a sua energia espiritual em sua própria fonte.

Desalento

E o resultado da indolência é a pusilanimidade, o estado de desalento considerado por todos os Santos Padres como o maior perigo para a alma. O desalento é a impossibilidade do homem ver qualquer coisa como boa ou positiva; é a redução de tudo ao negativismo e pessimismo. É, verdadeiramente, um poder demoníaco em nós, porque o diabo é fundamentalmente um mentiroso. Ele mente ao homem sobre Deus e sobre o mundo; ele enche a vida com obscuridade e negação. O desalento é o suicídio da alma porque, quando o homem é possuído por ele fica absolutamente incapaz de ver a luz e desejá-la.

Vanglória

Vanglória! Por estranho que possa parecer, é precisamente a indolência e o desalento que enchem nossa vida de vanglória. Ao contaminar toda a atitude para a vida e fazê-la sem sentido e vazia, forçam-nos a buscar compensação numa atitude radicalmente equivocada para com as outras pessoas.

Se minha vida não estiver orientada para Deus, não apontará para valores eternos e, inevitavelmente, se tornará egoísta e egocêntrica, e isto significa que todos os outros seres se tornarão meios de minha autodestruição.

Se Deus não é o Senhor e Mestre de minha vida, então eu me torno senhor de mim mesmo, mestre e centro absoluto de meu mundo, e começo a avaliar tudo em termos de minhas necessidades, minhas necessidades, meus desejos e meus juízos.

A vanglória é então uma depravação fundamental em minha relação com outros seres, uma busca de sua subordinação a mim. Não é necessariamente expressada num verdadeiro impulso de dominar e mandar aos “outros”. Pode também se manifestar em indiferença, desprezo, falta de interesse, consideração e respeito.

Quando a indolência e o desalento se dirigem aos outros, aí então está verdadeiramente a vanglória; assim completamos o suicídio e a morte espiritual.

Loquacidade (Palavra Inútil)

De todos os seres criados, somente o homem foi dotado com o dom da palavra. Todos os Santos Padres vêem na vã palavra o verdadeiro “selo” da Imagem Divina no homem, porque Deus mesmo se revelou como verbo (Jo 1,1). Porém, na medida em que é dom supremo, é igualmente prova de supremo perigo. Sendo a mesma expressão do homem, o meio de sua auto-realização, é por esta mesma razão o meio de sua queda e auto-destruição, de traição e de pecado. A palavra salva e a palavra mata; a palavra inspira e a palavra envenena. A palavra é o meio da verdade e a palavra é um meio da mentira demoníaca. Verdadeiramente, cria, positiva e negativamente. Quando é desviada de seu propósito e origem divina, a palavra se torna inútil e reforça:

1. a indolência;
2. o desalento;
3. a vanglória

e transforma a vida em um inferno, se torna mesmo poder do pecado.

Estes são então, os quatro “objetos” negativos do arrependimento. São os obstáculos a serem removidos. Porém, somente Deus pode removê-los. Portanto, é a primeira parte da Oração de Quaresma – este grito do fundo do desamparo humano. Logo, a oração se move às atitudes do arrependimento que também são quatro.

Então, Positivos:
1. Castidade
2. Humildade
3. Paciência
4. Amor

Castidade

Castidade! Se se reduz este termo (e, freqüentemente é entendido de forma errônea) só às suas conotações sexuais, é entendido como a contraparte positiva da indolência. A indolência é, antes de tudo, dissipação, ruptura de nossa visão e energia, a incapacidade de ver o todo. Seu oposto é precisamente plenitude.

Se, usualmente nos referimos a castidade como a virtude oposta à depravação sexual, é porque o caráter destruído de nossa existência é aqui melhor manifestado que na luxúria sexual. Cristo restaura a plenitude em nós e Ele faz isto ao restaurar em nós a verdadeira escala de valores ao levar-nos de volta a Deus.

Humildade

O primeiro e maravilhoso fruto desta plenitude ou castidade é a humildade. Está sobre tudo mais a vitória da verdade em nós, a eliminação de todas as mentiras nas que usualmente vivemos. A humildade é em si mesma a verdade, e pode ver e aceitar as coisas como são e, portanto, de ver a majestade e bondade de Deus em tudo. É por isso que se nos diz que Deus dá graça ao humilde e se opõe ao orgulhoso.

Paciência

A castidade e a humildade são naturalmente seguidas pela paciência.

O homem “natural”, ou “caído” é impaciente porque, sendo cego para si mesmo é rápido para julgar e para condenar aos outros. Tendo um conhecimento fragmentado e distorcido do todo, ele mede todas as coisas por seus próprios gostos e idéias. Sendo indiferente a todos, exceto a si mesmo, ele quer que a vida seja exitosa aqui mesmo e agora. A paciência, não obstante, é realmente uma virtude divina. Deus é paciente não porque Ele é “indulgente”, mas porque Ele vê a profundidade de tudo o que existe, a realidade interior das coisas que, em nossa cegueira, não conseguimos ver.

E, quanto mais nos aproximamos de Deus, mais pacientes nos tornamos e mais refletimos este infinito respeito por todos os seres, que é a qualidade própria de Deus.

Amor

Finalmente, a coroa e fruto de todas as virtudes, de todo o crescimento e esforço é o amor – o amor que, como temos dito, só pode ser dado por Deus – este dom que é a meta de toda a preparação e prática espiritual.

Então, Todo isto é resumido e reunido na súplica (petição) de conclusão da Oração da Quaresma na qual pedimos “…conhecer minhas faltas e não julgar a meus irmãos”. Porque, em último caso, só há um perigo: o orgulho. O orgulho é a fonte do mal, e todo mal é orgulho.

Os escritos espirituais estão cheios de advertências contra as sutis formas de pseudo-piedade, as quais, na realidade, sob a aparência de humildade e auto-acusação, podem levar a um orgulho verdadeiramente demoníaco. Porém, quando nós “conhecemos nossos próprios erros” e “não julgamos os nossos irmãos”, quando, noutros termos, a castidade, a humildade, a paciência e o amor são um só em nós, então, e só então, o último inimigo – o orgulho – terá sido vencido.

Logo após cada petição da oração realizamos uma prostração.

A prostração não se restringe à Oração de Santo Efrén, mas é apenas uma das características distintivas da vida litúrgica da Quaresma. Aqui, no entanto, seu significado é dado a conhecer melhor.

No longo e difícil esforço da recuperação espiritual, a Igreja não separa a alma do corpo. O homem completo caiu e se afastou de Deus; o homem completo foi restaurado, ele, o homem inteiro é que deve regressar a Deus. A catástrofe do pecado acha-se precisamente na vitória da carne – o animal, o irracional, a luxúria em nós – sobre o espiritual e o divino. Porém, o corpo é glorioso, o corpo é sagrado, tão sagrado que Deus mesmo “fez-se carne” Jo 1,1.

A salvação e o arrependimento não são desprezo do corpo ou sua negação, mas a restauração da sua verdadeira função como a expressão e a vida do espírito, como o templo da alma humana que não tem preço.

O ascetismo cristão é uma luta, não contra, mas em favor do corpo. Por esta razão, o homem completo – alma e corpo – se arrependem. O corpo participa na oração da alma assim como a alma ora através e no interior do corpo.

A prostrações: signo “psicossomático” do arrependimento e da humildade, da adoração e da obediência são, desta forma, o rito de Quaresma por excelência.

Deus nos permita viver esta Quaresma de modo adequado. Que Ele nos fortaleça para que cheguemos a ter em nós a humildade, a castidade, a paciência e o amor.

Este é o convite! Em ti está a decisão de segui-lo!

Fonte: http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/espiritualidade/a_oracao_de_santo_efren.html

1ª Semana do Advento

Advento, tempo de humildade e pequenez

“Naquela mesma hora, Jesus exultou de alegria no Espírito Santo e disse: Pai, Senhor do céu e da terra, eu te dou graças porque escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos.
Sim, Pai, bendigo-te porque assim foi do teu agrado.
Todas as coisas me foram entregues por meu Pai. Ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar.
E voltou-se para os seus discípulos, e disse: Ditosos os olhos que vêem o que vós vedes, pois vos digo que muitos profetas e reis desejaram ver o que vós vedes, e não o viram; e ouvir o que vós ouvis, e não o ouviram. – Palavra da salvação.
(Lc 10,21-24)

“Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, por teres ocultado isto aos sábios e aos inteligentes e por tê-lo revelado aos pequeninos” (Lc 10, 21). O tempo do Advento é próprio para experimentarmos da humildade e pequenez, por conta do mistério da encarnação do Verbo, onde o Messias nasce numa manjedoura, uma criança frágil que precisa da ajuda do homem para se alimentado, protegido do frio e do lar amoroso que a ele é preciso para caminhar na sua missão salvífica. É só com um coração humilde que poderemos caminhar com o coração aberto para as graças próprias do Advento.

“Júbilo e alegria virão ao encontro deles, tristeza e lamentação fulgirão” (Is 35, 10). O grande fruto do advento é que por meio da espera do Messias, Deus deseja realizar em nós uma profunda renovação na nossa alegria, que é contemplar a vinda do Salvador! Não há mais engano do que venha a ser a nossa felicidade, pois no Advento somos chamados a renovar a nossa confiança na salvação dada por Jesus.

por Marcio André Teixeira Barradas, Seminarista Shalom – Assessoria Litúrgico Sacramental
(Comunidade Católica Shalom – www.comshalom.org)

NÃO TEMAS!

O amor de Deus encontra grandes dificuldades em atingir o nosso coração porque não há nele abertura satisfatória para que a Graça nos penetre. As dificuldades, as dores e os traumas que nos afligem nos cegam à Luz redentora de Deus, e nos perdemos, então, na escuridão da fé que é presente no nosso dia-a-dia. Parece-nos que Deus se doa em doses homeopáticas, na ocasião de uma grande Ação de Graças, uma Missa ou uma Oração de Cura, e se esconde de nós quando do nosso ofício cotidiano de carregar a Cruz. Para nós, a singeleza da oração pessoal diária, propositadamente (da parte de Deus, frise-se) desacompanhada, no mais das vezes, dos sinais maravilhosos e extraordinários da Sua Presença, não nos revela os grandes deleites do Céu da maneira como queríamos. Mas é justamente o contrário o que ocorre e, pela nossa cegueira, não nos é descoberto esse Senhor que age no conforto dos pequenos milagres. Quando os problemas habituais parecem nos sufocar, esquecemos de rogar Àquele que está bem perto de nós, e ganharmos a graça da intimidade Dele, para esperar grandiosos feitos que contradizem com a simplicidade do Amor Puro.

Dia desses, disseram-me que a expressão “não temas” (e seus correlatos) aparece nada menos que 365 vezes no texto bíblico. Quase caí da cadeira: veio-me de estalo na mente a idéia do carinho de Deus a nos envolver no raiar do sol, sempre a dizer: “Não temas!”. Não temas as dificuldades a aparecerem no decorrer desse dia, não temas as palavras ásperas que hás de ouvir no trabalho, não temas a dor da perda de uma pessoa querida, não temas compartilhar a tua vida sob pena de vir a ser desprezado… Como teríamos, então, experimentado o Amor de Deus de forma tão próxima e amiga! Sim, porque para nós Deus é algo tão grande e complexo que nos perdemos e nos amofinamos em apresentar os nossos problemas a Ele, como se lhe faltasse tempo e disponibilidade para nós.

Muito se comenta a respeito da Misericórdia de Deus nas nossas vidas, da boca de teólogos, sacerdotes e santos. Aquilo é guardado em nós mas não produz muito fruto no andamento de nossa vida prática, como se nossa vida espiritual fosse assim uma espécie de hobby. Falamos de confiança em Deus, de entrega das nossas vidas a Ele, mas nos mantemos sempre de pé atrás, desconfiados sob o peso da nossa Cruz que, para nós é castigo e não aprendizado. Olhamos para o lado trespassado de Jesus, e para a fonte de Misericórdia que enlouquece os soberbos e eleva os humildes, sem, entretanto, deixar calar nos nossos pensamentos materialistas e egoístas a mensagem e o alento que há por trás daquela riqueza. É talvez mais cômodo gozar de nossas dúvidas do que nos aprofundarmos na mensagem desse Deus que se doa…

Chagado, humilhado, completamente entregue, e, ainda assim, amante. Ninguém ousaria olhar para Jesus sofredor no lenho da Cruz e imaginar que, num brado de profundo amor, ele diz: “Não temas!”. Mas é essa a mensagem estampada nas entrelinhas do Evangelho, e que hoje ainda nos toca no momento da Eucaristia, quando Deus ama o homem na intensidade da união total. Quando tudo na vida parece insustentável, pesado demais, Jesus se oferece novamente em sacrifício no altar, derramando o seu sangue e entregando o próprio corpo em oblação para nós. Isso, ao invés de nos confortar, confunde a ponto de negarmos a Deus e a nós mesmos, filhos e herdeiros de Seu Amor.

Como Pai atenciosíssimo que é, Deus não se cansa: “Não temas!”. E nos repete isso até à conquista de nossos corações. É Sua intenção fazer de nós almas esposas, nas palavras de Santa Teresa D’ávila. Unidos a ele pelo vínculo santo da filiação, somos chamados a corresponder a este Amor verdadeiro, depositando Nele toda a nossa confiança e complacência, deixando-nos envolver pelo gozo irresistível da Misericórdia. Quando amamos Deus até o limite dos nossos corações, a se expandir pela prática dos sacramentos e pela via maravilhosa da oração, sentimos cada vez mais fome de Amor, e retornamos a Ele, num círculo virtuoso que sela a nossa Salvação. É Ele, sempre em expansão no Seu Coração que abarca o Universo e o que nele habita, quem inspira em nós a firmeza dos passos e a decisão pela santidade, a dizer: “Não temas!”.

Amar e confiar. Descobrir a potencialidade dessa verdade é possível pela escuta de Deus no momento de oração e pela leitura da Palavra, fazendo-nos seguros na nossa caminhada rumo ao Céu. Nossa Senhora nos serve de grandioso exemplo, quando guarda em seu coração o suave sabor do cuidado do Senhor pela boca do Anjo Gabriel, a lhe dizer: “Não temas!” (Lc 1,30). Esse foi o primeiro passo de sua firme adesão à vontade de Deus, que lhe fez enfrentar os medos e os sofrimentos de seu Filho, para, ao final, na Glória Celeste, contemplar em si o cumprimento da promessa do Pai, que “olhou para a humildade de sua serva” (Lc 1, 48).

É preciso humildade para aniquilar-se a si mesmo diante da Verdade incontestável que é Deus e sabedoria para efetivar os passos rumo à Sua Presença, apesar da crueza do desamor que nos rodeia e do peso constante da Cruz. Quando isso acontecer, a cada novo dia, efetivamente, nós ouviremos o Amor de Deus soprar dentro de nós a sua exortação de Paz: “Não temas!”.

Breno Gomes Furtado Alves

(Comunidade Católica Shalom – http://www.comshalom.org)

A Vocação de Maria e a Nossa Vocação

Uma única palavra resume as relações de Deus com a humanidade: Aliança. No centro do plano divino está a vontade de selar um pacto de amor com as criaturas. O deus absoluto e todo poderoso, o único, o Ser necessário e totalmente transcendente quer comunicar-se, deseja estabelecer um diálogo com o ser humano. Deus nos criou para nos transmitir seus bens. Não permanece longe, mas vem até nós para doar-se. A criação inteira é fruto dessa vontade de amor. Deus cria por amor e para amar. É o único motivo. Por isso cria o homem à sua imagem e semelhança, capaz de dialogar, de responder a seu convite para amar, para doar-se.

Toda a história da Bíblia é a história dessa aliança de amor. E essa história, para ser construída, requer sempre, a iniciativa de Deus e a resposta do homem. A Bíblia nos mostra a aliança de Deus com Adão e Eva, com Noé, com Abraão, com Moisés, com todo o povo de Israel. Deus chama o homem com um amor gratuito, mas convoca-o a experimentar este amor e ser instrumento dele para que outros o experimentem também. A história da Salvação é toda tecida desta cooperação constante entre Deus e os homens.

O que assombra o ser humano é o fato de, ao mesmo tempo que experimentam a grandeza infinita de Deus, percebem que o Deus infinito quis necessitar de sua cooperação para a realização de seus planos de amor. Quis ser um com ele, e realizar uma obra de amor com a sua cooperação. Foi assim que Moisés se assombrou. Veja êxodo 3,1-12. E Moisés teve medo. Veja êxodo 4,1-18. Deus quer que o homem capte as suas demonstrações de amor e que assuma um compromisso com Ele. À sua ação deve se seguir uma reação do homem. Ele quer ser ouvido e seguido.

Desde que Deus criou o homem, este é convidado a viver esta aliança de amor, e ser cooperador dele. Se voltarmos ao Gn 1,28 veremos este convite feito ao primeiro homem e à primeira mulher. Mas se formos ao Gn 3,1-19 veremos que desde o princípio a história da humanidade está marcada pela infidelidade à esta aliança de amor. Veremos também que há um ser pervertido e perversor, um anjo decaído, o demônio, que vive a tentar o homem para que este quebre sua aliança com Deus.

Nossa Senhora jamais quebrou esta aliança, ao contrário, foi fiel ao convite de deus desde o princípio. Ontem vimos que a sua resposta ao convite para ser a Mãe do filho de Deus foi: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra”(Lc 1,38). E este sim foi repetido durante toda a sua vida, nos momentos mais difíceis: quando teve de dar à luz num estábulo, quando teve que fugir para o Egito para que o menino não fosse morto pelo rei Herodes, e principalmente quando teve de vê-lo morrer numa Cruz, incompreendido por aqueles a quem amava, e por quem entregara toda a sua vida.

Um grande segredo de amor envolvia esta fidelidade de Maria na sua aliança com Deus, a sua cooperação incondicional com a Graça divina: Humildade e Confiança. Maria se fez sempre pequena serva. Não se arrogou de direitos, não desejou fazer valer uma pretensa justiça humana. Orgulhosos que somos, basta-nos muito pouco para nos julgarmos justos e merecedores de grandes favores de Deus e dos irmãos. Basta-nos um pouco de autoconfiança, muito pouco mesmo, para nos compararmos e considerarmos os que estão ao nosso lado como irresponsáveis, incompetentes e inféis. Basta-nos que Deus nos peça um pouco de sacrifício ou de sofrimento, para tantarmos o mais rápido possível do nosso fardo jogando-os nas costas dos outros. Basta-nos a nossa vida, os nossos problemas, as nossas feridas, para não enxergarmos os problemas nem as feridas dos irmãos, e nos tornarmos terríveis carrascos deles. Maria foi o anti-orgulho. Não se arvorou de muita coisa por que Deus lhe chamou para ser mãe do Seu Filho. Se tivesse sentido orgulho, provavelmente teria chamado Isabel para serví-la, e não teria atravessado o deserto para servir sua prima. Teria se achado o centro, a digna de ser ajudada, e nem teria percebido que neste exato momento era a sua prima que necessitava de sua ajuda. Maria não era centrada em si, mas em Deus e na sua vontade.

Maria não vivia em torno de si mesma, e dos seus pequenos sonhos e planos, mas em torno de Deus e da sua vontade. Maria não tentava misturar o que era sua vontade, com a vontade de Deus, mas abandonava inteiramente sua vontade em prol de fazer a vontade de Deus. Por isto era capaz de captar as necessidades dos irmãos, e ao contrário de colocar fardos nos ombros dos outros, os tirava. Maria não se fez Rainha, por isto Deus a fez Rainha.

Maria confiou em Deus. Não colocou sua confiança em pessoas, em coisas, em títulos, em elogios, em confirmações que viessem dos outros. Maria simplesmente deu o seu ser para que nela se cumprisse a vontade de Deus: ” Faça-se em mim”, ela disse. Maria buscava veeementemente a vontade de Deus para si, e sabia que esta vontade sempre exigiria dela abandonar seus próprios planos. Ela sabia que Deus tem a última palavra em tudo, e via em tudo a vontade de Deus, e não a dos homens. Tudo vinha de Deus. Nós somos idólatras de nós mesmos e dos nossos irmãos. Não confiamos suficientemente em deus, e por isso sempre esperamos nas criaturas. E nos decepcionamos, porque elas não são deuses. Nós fabricamos ídolos, para que estejam ao redor de nós, a fim de nos servir quando precisamos. E nos decepcionamos. Não vamos para Deus, porque no fundo sabemos que ele não fará a nossa vontade, não nos fará de crianças, mas quer formar pessoas maduras, que escolham unicamente ele e a sua vontade. Quer que estejamos sós diante dele para dizer o nosso sim sem contar que seja outro e não nós a levar o momento sacrificado do nosso sim. Por isso nos tira as pessoas. Por isso muitas vezes nos faltou, nos falta, e nos faltarão a compreensão dos pais, dos amigos, dos irmãos mais queridos. Tudo para que esperemos só em Deus, e nos dirjamos aos irmãos sem interesse próprio algum, mas unicamente para serví-los, para amá-los gratuitamente. Assim fez Maria visitando Isabel.

E foi porque se desprendeu das criaturas, e disse seu sim com total humildade e confiança, que Maria recebeu de Deus a confirmação que lhe veio pelos lábios de Isabel: “Bendita és Tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre”(Lc 1,42). Se escutássemos hoje de Deus estas palavras: “Bendito ou bendita és tu, benditas são os frutos das tuas obras, do teu sim a Deus”, seríamos curados num instante de toda auto-imagem negativa. Porém, para escutar estas palavras, é preciso antes escutar e dizer sim à vontade de Deus para nós. Somente no centro da vontade de Deus está a nossa cura, a nossa libertação. Somente clamando antes a Deus a graça de esquecermos de nós mesmos, das exigências e queixas que por tantos anos guardamos em relação aos nossos pais e irmãos, somente se estivermos dispostos a nos despojar da criança mimada e egoísta que há dentro de nós, é que poderemos experimentar a cura da nossa auto-imagem negativa, e enfim poderemos cantar como Maria: “Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu salvador, porque olhou para seu pobre servo, ou sua pobre serva (Maria representa todas as criaturas na sua fragilidade humana). Por isto desde agora me proclamarão bem aventurado ou bem aventurada, todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo. Sua misericórdia se estende, de geração em geração sobre os que o temem”(Lc 1,46-50).

Maria sempre experimentou, em todas as situações, a gratuidade do Seu amor por ela. E ela também era gratuita no seu amor a Deus. Fazera vontade de Deus, ser fiel a Deus nunca foi para ela motivo de exigir que Deus a recompensasse com mimos. Não demos a vida a nós mesmos. Nada temos por nós mesmos. Tudo na nossa vida é um presente de Deus. A nossa vida é um grande presente de Deus. As alegrias, as tristezas, são um presente de Deus, às vezes misteriosos, mas que um dia compreenderemos. não é necessário compreender, mas aceitar com humildade e confiança que tudo é um presente de amor de Deus. Deus está por trás de todos os acontecimentos de nossa vida. Há coisas que nos sucederam que ele não gostaria que fosse assim, mas permitiu. A nossa liberdade, ou a de nossos irmãos foi mal usada, mas Ele é Deus, capaz de transformar todas as coisas porque nos ama. Isto não é desculpa para permanecermos crianças mimadas e insistentes em nossos planos egoístas, porque quando nos afastamos da vontade de Deus, embora ele continue nos amando, não conseguimos perceber isto, e podemos jogar fora a nossa união definitiva com Ele. Isso é muito sério. Podemos optar pelo inferno, e isto Ele não vai impedir. Embora Ele esteja trabalhando sempre pela nossa salvação, esta é uma opção nossa, que Ele não vai impedir.

Precisamos pedir a Deus a cura para nossas feridas, mas precisamos pedir a Deus acima de tudo a Sua Graça, que é o maior presente. Foi pela Graça de Deus que Maria realizou a vontade de Deus para sua vida, e todos nós somos hoje beneficiados. Precisamos louvar a Deus porque Maria o amou antes de si mesma e antes de todas as criaturas. Ela sempre escolheu Deus e a sua vontade. Maria não se sentia uma pessoa nula, péssima, mal amada. Ela não sofria de auto imagem negativa. os olhos dela nunca estiveram nela mesma ou em seus traumas, mas estavam postos na grande bondade de Deus. estava sempre a recordar suas maravilhas, e aquilo que de doloroso lhe sucedia era recebido no silêncio e na humildade, mas especialmente na confiança de que Deus é sempre amor. Peçamos hoje a Maria a Graça de sermos tirados do centro de nós mesmos, e assim curados na nossa auto imagem. peçamos a Maria, que ela “arranque” do coração de Deus a Graça de termos unicamente Deus como centro de nossas vidas. Que todas as dores, as mágoas, as feridas, os sentimentos de incapacidade, de ser desprezado, não amado, tudo isto seja colocado no coração de Maria, que está sempre unido ao coração de Jesus e do Pai. E que hoje, o fogo do espírito santo possa queimar tudo isto e nos dar um auto imagem nova, límpida, resplandescente, e possamos dizer com ela: “Realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo” (Lc 1,49).

Texto da Escola de Formação Shalom
escoladeformacao@comshalom.org

Como conservar o Carisma da Vocação

Como conservar e garantir a autenticidade do carisma? É fundamental, a respeito disso, que cada movimento se submeta ao discernimento da Autoridade eclesiástica competente. Por esta razão, nenhum carisma dispensa da referência e da submissão aos Pastores da Igreja. Com palavras claras o Concílio escreve: «O juízo acerca da sua autenticidade e recto uso pertence àqueles que presidem na Igreja e aos quais compete de modo especial não extinguir o Espírito mas julgar tudo e conservar o que é bom (cf. 1 Ts 5, 12.19-21)» (Lumen gentium, 12). Esta é a necessária garantia de que a estrada que percorreis é justa!

Assim, na confusão que reina no mundo de hoje é fácil errar, ceder às ilusões. Na formação cristã cuidada pelos movimentos jamais falte o elemento desta confiante obediência aos Bispos, sucessores dos Apóstolos, em comunhão com o Sucessor de Pedro! Conheceis os critérios de eclesialidade das agregações laicais, presentes na Exortação Apostólica Christifideles laici (cf. n. 30). Peço-vos que lhes deis adesão sempre com generosidade e humildade, inserindo as vossas experiências nas Igrejas locais e nas paróquias, sempre permanecendo em comunhão com os Pastores e atentos às suas indicações.

Jesus disse: «Vim lançar fogo sobre a terra; e que quero Eu senão que ele já se tenha ateado?» (Lc 12, 49); enquanto a Igreja se prepara para cruzar o limiar do terceiro milénio, acolhamos o convite do Senhor, para que o Seu fogo se propague no nosso coração e no dos irmãos.

Hoje, deste cenáculo da Praça de São Pedro, eleva-se uma grande oração: Vinde Espírito Santo, vinde e renovai a face da terra! Vinde com os vossos sete dons! Vinde Espírito de vida, Espírito de verdade, Espírito de comunhão e de amor! A Igreja e o mundo têm necessidade de Vós. Vinde Espírito Santo e tornai sempre mais fecundos os carismas que concedeis. Dai nova força e impulso missionário a estes vossos filhos e filhas aqui reunidos. Dilatai o coração deles, reavivai o seu empenho cristão no mundo. Tornai-os corajosos mensageiros do Evangelho, testemunhas de Jesus Cristo ressuscitado, Redentor e Salvador do homem. Fortalecei o seu amor e a sua fidelidade à Igreja.

A Maria, primeira discípula de Cristo, Esposa do Espírito Santo e Mãe da Igreja, que acompanhou os Apóstolos no primeiro Pentecostes, dirigimos o nosso olhar para que nos ajude a aprender do seu Fiat a docilidade à voz do Espírito.

Hoje, desta Praça, Cristo repete a cada um de vós: «Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a todas as criaturas» (Mc 16, 15). Ele conta com cada um de vós, a Igreja conta convosco. «Eis — assegura o Senhor — Eu estarei sempre convosco, até ao fim do mundo» (Mt 28, 20).

Estou convosco!
Amém!

Catequese do Papa João Paulo II
Vaticano.vc

(Comunidade Católica Shalom – http://www.comshalom..org)