Viva a vida nova em Cristo

Cristo morreu e ressuscitou para nos dar a vida nova e não para que continuássemos na vida de pecado, pois o velho homem foi crucificado com Cristo. Pelo Batismo fomos inseridos na vida nova em Cristo, portanto tudo o que era velho passou, mas tudo se faz novo. “E, se já morremos com Cristo, cremos que também viveremos com Ele” (Rm 6,8).

Muitas vezes, não temos assumido esta vida nova que Cristo adquiriu com Seu Sangue e Sua Cruz, também com Sua Ressurreição. E deixamos o nosso corpo ser dominado pelo homem velho, pelas práticas da vida passada que estão latentes em nós, pelos apetites carnais que nos levam ao pecado. Acabamos, portanto, nos acostumando com o pecado e somos levados por ele. Não podemos submeter nossos membros a serviço do pecado, mas a serviço de Deus, no amor, na justiça e santidade.

Muitos oferecem seus membros para destruir os outros e a si próprio. As nossas mãos não podem ser instrumentos para o roubo, para matar ou para a masturbação; porém para louvar o Senhor e tocar naquilo que é santo.

Os nossos olhos não podem ser instrumentos de cobiça e pecado, mas para serem fixados no Senhor e olhar os outros com pureza; nossas pernas não podem ser usadas para nos levar para longe de Deus e sim, para perto do Senhor; a nossa boca precisa ser usada para receber o corpo de Cristo, cantar e falar os louvores do Senhor, palavras puras e benção; mas não para falar coisas impuras, como palavrões, piadas, maldições, etc.

O mesmo deve acontecer com nossos ouvidos, eles não podem ser usados para ouvir músicas ou piadas impuras, mas devem ser purificados, a fim de ouvirmos a voz do Senhor, Sua palavra. E também nossa sexualidade e genitalidade, como dom de Deus, não podem ser instrumentos ou estar a serviço da impureza, depravação, porém para nos santificar.

“Que o pecado não reine mais em vosso corpo mortal, levando-vos a obedecer às suas paixões. Não ofereçais mais vossos membros ao pecado como armas de injustiça. Pelo contrário, oferecei-vos a Deus como pessoas que passaram da morte à vida, e ponde vossos membros a serviço de Deus como armas de justiça” (Rm 6,12-13).

Porém, estamos a serviço Daquele que reina para sempre, o Senhor. Fomos libertos do pecado por causa de Sua entrega total; por este motivo, não podemos nos submeter mais ao jugo do pecado, e sim, buscarmos a nossa liberdade.

O nosso corpo precisa estar inteiramente a serviço de Deus e não pela metade. Sei também que em nosso corpo há marcas do pecado que querem nos arrastar para o mal e o pecado, principalmente o da sexualidade, mas permaneçamos firmes na graça do Senhor e ofereçamos a Deus o nosso templo, o corpo.

“Devido a vossas limitações naturais, falo de maneira humana: assim como outrora oferecerdes vossos membros como escravos à impureza e à iniqüidade, para viverdes iniquamente, agora oferecei-vos como escravos à justiça, para a vossa santificação. Que fruto colhíeis, então, de ações das quais hoje vos envergonhais? Agora, porém, libertados do pecado e como servos de Deus, produzis frutos para a vossa santificação, tendo como meta a vida eterna” (Rm 6,19.21-22).

Pe. Reinaldo Cazumbá

A BELEZA DE VIVER O HOJE

 

A vida é mesmo engraçada. As vezes achamos que tudo vai dar certo, mas acontece tudo errado; outras vezes, estava tudo perdido, mas, inexplicavelmente, o impossível acontece.

Cada dia que passa percebo mais que não sou eu a determinadora do meu futuro. Só tenho o hoje, só o hoje.

“Tenho medo da graça que passa sem que eu perceba!” (Santo Agostinho).

Tenho medo de não aproveitar a graça, o tempo que me é dado: o hoje. Tenho medo de que as minhas falhas me impeçam de enxergar a beleza que está à minha volta e dentro de mim.

“Senhor, dê-me a graça de enxergar com Seus olhos, porque, na verdade, “Sou um misto de beleza e imperfeição que merece ser feliz” (Padre Fábio de Melo).

Tenho apenas o agora; o ontem já passou e nada posso fazer para mudá-lo e o amanhã ainda não chegou. Posso viver apenas o hoje, por isso escolho ver a beleza dos meus irmãos, das pessoas que trabalham comigo,que estão próximas e distantes – seja essa distância física ou de coração -, pessoas que eu preciso aprender a enxergar com outros olhos, transformando dificuldades em belezas.

CONSUMA-SE POR CRISTO

Ainda que o mundo queira afirmar somente a “feiura” nos erros, nas dificuldades e perdas, nos sofrimentos e desilusões, também nas pessoas, há sim beleza em cada situação, em cada pedra no caminho, em cada ‘não’ que recebo, em cada pessoa que se foi.

Não posso apenas me prender nas belezas do passado. Lugares, pessoas e situações foram maravilhosos, experiências incríveis; no entanto, belezas que seguiram seu rumo, e eu o meu.

“Tenho medo da graça que passa sem que eu perceba!” (Santo Agostinho).

Deus me permitiu viver tudo isso, mas meu olhar precisa estar fixo no hoje, na vontade d’Ele que se chama ‘hoje’.

É preciso um esforço consciente para não permitir que o sofrimento nos torne cegos à beleza da vida. Sempre é possível recuperar a alegria de viver. É por isso que, todos os dias ao acordar, gosto de imaginar como Jesus sorria e como Ele ainda ri de mim, das minhas inseguranças, dos erros que, muitas vezes, não consigo esquecer, mas que Ele há muito já apagou.

Senhor, dê-nos a graça de sorrir no hoje enquanto carregamos nossa cruz diária. Quero que meu sorriso brilhe para aqueles que não veem mais sentido em sorrir. No seu hoje, faça alguém sorrir !

“Se, portanto, existe algum conforto em Cristo, alguma consolação no amor, alguma comunhão no Espírito, alguma ternura e compaixão, completai a minha alegria, deixando-vos guiar pelos mesmos propósitos e pelo mesmo amor, em harmonia buscando a unidade” (FL 2,1).

(Canção Nova – DESTRAVE – http://destrave.cancaonova.com)

CAMINHAR NUM PROCESSO DE CURA INTERIOR

Num processo de cura interior é muito importante que observemos alguns aspectos importantes. O primeiro deles é o exercício de uma verdadeira, autêntica e profunda vida espiritual. Através da vida de intimidade com o Senhor somos introduzidos num processo de cura, pois esta intimidade nos leva ao conhecimento de Deus e conseqüentemente ao auto-conhecimento.

Neste momento com o Senhor, o Espírito Santo está em ação e ilumina nossa inteligência, esclarecendo-a sobre fatos, sobre realidades profundas, sobre sentimentos, sobre verdades religiosas, sobre o plano de Deus para determinados momentos, mesmo que estes sejam muito doloridos, ajudando-nos a tirar conclusões sábias.

O Espírito Santo também age na nossa vontade, inspirando-lhe decisões acertadas, firmes, perseverantes, corajosas e criativas. Ele concede à vontade motivações sobrenaturais claras, convincentes e gratificantes, que nos impulsiona a agir com muito vigor, a entender com amor as motivações das pessoas que provocaram algum constrangimento a nós ou foram causa de traumas profundos.

O Espírito Santo age ainda na nossa imaginação, na nossa memória e na nossa afetividade, concedendo-nos imagens esclarecedoras, sejam elas acontecimentos do passado, da vida cotidiana. Pode inspirar sentimentos como compaixão, alegria, piedade, vigor, de gratidão… que são capazes de transformar, de dar vida nova aos corações e de nos reconciliar com a nossa própria história.

A busca intensa de Deus e da Sua verdade é muito importante, porque temos imagens e impressões muito deformadas dos acontecimentos, das pessoas e de nós mesmos, e não ficarmos limitados na superficialidade na cura interior, mas descermos ao mais profundo do nosso ser à luz de Deus. Não basta deixarmos que Deus retire a casca grossa das nossas feridas, mas permitir que a Sua luz penetre nas raízes das nossas feridas mais profundas, que muitos de nós não têm o conhecimento e que são verdadeiros obstáculos para a vivência da salvação em nossas vidas. A salvação precisa atingir nossas vidas como um todo.

A obra de salvação de Deus em nossa vida passa pelo auto-conhecimento. Este acontece a medida que o Espírito Santo nos revela a nossa verdade interior. Quanto mais nos aproximamos de Deus em espírito e verdade, mais ele nos revela a nossa realidade interior. É interessante observarmos isto, porque existem dois motivos que nos impedem de sermos curados e assim livres, a ignorância e o medo de olharmos para dentro de nós mesmos, preferimos culpar os outros. Quanto mais profunda for a ferida, maior o amor de Deus para nos curar.

O Senhor possui o remédio eficaz para a nossa ferida mais profunda. Aliás, só ele tem o remédio. Só ele é o remédio. Ele tem amor suficiente para derramar sobre as nossas feridas que doem, que queimam como um fogo, que ardem, que incomodam, como um bálsamo que as acalma, que as alivia e que as cura. É muito importante que aceitemos a nossa vida, a nossa história, o nosso passado e presente que temos.

É fundamental que aceitemos a dor, a ferida que temos em nossa vida. Devemos crer que esta dor se constituirá na manifestação da glória de Deus. É preciso trocarmos a amargura e o medo da dor pela esperança de que em Jesus venceremos, seremos transformados. Há um futuro para nós, por maior que seja a nossa dor, a nossa ferida. As nossas feridas se transformarão em pérolas, serão as nossas riquezas, não só para nós, mas também para os outros. Se deixarmos Deus trabalhar em nossas vidas, se deixarmos Deus penetrar naquela ferida, em vez de ser amargura, se transformará em amor. Não nos assustemos com a dor inicial, pois para Deus curar as feridas precisa abri-las, rasga-las. Diz São João da Cruz: “A chaga produzida pelo Espírito Santo será profunda, porque é feita por Aquele que só sabe curar”.

A graça do Espírito Santo é Luz e pode iluminar todas as áreas da nossa vida até que elas se tornem muito mais resplandecentes do que a luz do sol, do que os seus raios do meio dia, isto é, alcançarem a plenitude do Espírito. Quando o Espírito Santo inunda a vida humana com seus dons, o homem passa a se sentir extraordinariamente bem, com a alma cheia de um silêncio, uma paz, um calor e uma alegria inexplicável.

Uma delícia extraordinária! Acontece exatamente o que São Paulo diz: “O que os olhos não viram, o que os ouvidos não ouviram e o coração do homem não percebeu, isso Deus preparou para aqueles que o amam” ( 1Cor 2,9). Todas estas graças que o homem passa a experimentar neste momento aqui na terra, nada é em comparação com o Bem Supremo que o Senhor tem preparado para ele na eternidade. É apenas uma antecipação da glória que desfrutará no céu.

A graça do Espírito Santo renova as forças humanas, formam-lhe asas como as águias, os impulsiona a correr e não se fatigar, a caminhar e não se cansar ( cf. Is 40,31). O Reino de Deus, que se entende pela graça do Espírito Santo, passa a habitar no mais profundo de nós, em nosso coração. E aí ele nos ilumina e aquece, alegra os nossos sentidos, enche o ar de perfumes suaves e sacia o nosso coração com seu amor, com alegria indizível. A nossa fé não é mais vacilante, frágil, nem de livros, nem de testemunho de outros, mas da manifestação do poderio do Espírito. Pequenos como somos, podemos, pela misericórdia de Deus sermos cheios da plenitude de Seu Espírito.

Precisamos decidirmo-nos em entregar verdadeiramente o nosso coração a Deus, passarmos a ser seus amigos de verdade. É isto que o Senhor procura um coração que o adore em espírito e verdade, um coração cheio de amor por Ele e pelo próximo, um coração cheio de fé Nele e em Seu Filho único, em resposta envia do alto a graça do Espírito Santo. Ele mesmo diz em Provérbios: “Meu filho, dá-me o teu coração, e o resto eu te darei por acréscimo” ( Pr 23,26). A saúde do nosso coração consiste no perfeito amor a Deus.

Nós não podemos nos desfazer do mal sozinhos, nem devemos deixar o tempo passar sem recebermos a cura dos nossos males porque não nos abrimos para a graça de Deus, precisamos da ajuda da graça divina. Quanto mais nos tornamos amigos de Deus mais experimentamos o seu amor por nós e mais o amamos e é essa relação de amor, de confiança, de abandono em suas mãos que vai nos configurando a ele e vamos nos sentindo extraordinariamente bem.

Para que o homem conheça a sua enfermidade, em primeiro lugar Deus o entrega a si próprio, para que ele compreenda que nada pode fazer por si, para compreender a sua impossibilidade e nunca julgar a graça divina como algo supérfluo. Chegando neste ponto em sua vida onde conheceu sua pequenez e sua enfermidade, o Senhor, convenientemente, lhe concedeu a sua graça pela qual se ilumina um cego e se cura um doente.

É importante o processo de cura interior porque na verdade as nossas feridas por serem frutos do nosso pecado e do pecado dos outros, estão ligadas diretamente a nossa vida com Deus. Pela ação da graça divina em nós somos iluminados para o conhecimento da verdade, somos esfriados para o desejo do mal, somos inflamados pelo amor as virtudes, somos comprometidos com a messe do Senhor, enfim amamos a Deus e aos irmãos com o perfeito amor.

Precisamos, portanto, ir além da teoria e praticarmos. Como? Nas orações pessoais ministre sobre você mesmo a cura interior, ore pela sua cura interior. Exponha a sua vida diante do Senhor. Dê espaço na sua oração pessoal para que a cura interior aconteça. Não tenha medo. Não resista. Você vai sentir mais bem-estar do que antes. Peça ao Senhor as manifestações dos Seus dons carismáticos.

Passos:

01. Coloque-se de maneira simples diante do Senhor;

02. Peça ao Espírito Santo que revele as feridas que Ele deseja curar.

03. Em nome de Jesus e diante de Jesus, ministre sobre si mesmo a aceitação deste fato do seu passado ou presente e num ato de fé creia que Jesus reverterá isto em um grande bem para você e para os outros.

04. Apresente a Jesus a área ferida, traumatizada, marcada .

05. Ore em línguas ministrando a cura do Senhor, o quanto a inspiração lhe mover. Neste instante abra-se ao Espírito pois pode o Senhor revelar palavras de ciência, sabedoria, profecia sobre esta situação.

06. Agradeça a Deus por esta área ferida, na certeza do grande bem (pérola) que está sendo gerado. Louve ao Senhor pelo bem que Ele lhe fez neste momento.

07. Não se esqueça que a cura interior é um processo que ocorre das mais variadas formas e que esta oração pode de acordo com a inspiração ser feita em repetidas oportunidades, entretanto, em cada uma delas, precisamos crer no poder de Jesus que se manifesta concretamente em nós.

(Comunidade Católica Shalom – http://www.comshalom.org)

ESPERAR EM DEUS NÃO É LOUCURA

Em todas as etapas da vida somos confrontados a falar de nossas conquistas, sejam elas materiais, pessoais e/ou intelectuais. O mundo nos cobra uma postura e posição de destaque em meio a tudo. Mas quando essas expectativas são frustradas por parte de quem as faz, há um julgamento cruel. Somos rotulados de inutilidade, excluídos do “grande grupo”. Somos diferentes.

Os filhos de Deus nasceram para dar certo, mas que certo é esse? Geralmente, a escala usada como medida hoje é aquela que a sociedade nos impôs como sinônimo de realização. É bem sucedido aquele que tem mais dinheiro, fama, popularidade, bens materiais, ou seja, os que vivem os “prazeres da vida”. A cada dia surgem novos indicadores de “sucesso”. A corrida desenfreada para conseguir tudo isso em curto prazo não resulta no objetivo que antes era primordial: a felicidade.

Vivemos nos projetando para os outros em palavras de autopromoção, acreditando em uma verdade que, muitas vezes, não é a nossa, que não nos faz bem. O pensamento imediatista faz da vida um anseio constante para o que nos é ofertado diariamente, uma busca sem fim por “coisas” que nunca nos contentam. Prazer imediato = “felicidade” passageira.

É natural haver crescimento e prosperidade em meio a tudo o que fazemos quando colocamos Deus no centro de nossa vida, porque nossos projetos não são nossos, mas é o plano do próprio Deus para nós. O “dar certo”, sob uma visão cristã, é bem diferente da visão deturpada da sociedade. Muitas vezes, nós cristãos temos de esperar em Deus para receber a resposta ou a bênção que tanto pedimos, pois Ele prepara o caminho para a que a graça chegue no momento certo. Quando somos agraciados, sabemos reconhecer a obra do Senhor e a desfrutamos em sua plenitude. Esperar em Deus não é loucura, mas agir na certeza de que acontecerá o melhor no tempo certo. Contudo, hoje muita gente prefere correr para o mundo do que esperar em Deus.

“Aliás, sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são os eleitos, segundo os seus desígnios.” (cf. Romanos 8, 28.)

Sabe aquele vazio que não preenchemos com dinheiro, coisas nem pessoas? Pois é, Deus preenche!

Essa cobrança desleal dos padrões de ostentação atual nos inferioriza e coloca nossa vida em segundo, terceiro…último plano. Deus está em que colocação em nossos anseios?

Não coisifiquemos nossa vida nem a do outro, pois somos filhos de Deus, capacitados, dotados de inteligência, dons e carismas com um potencial imenso para fazer a diferença no ambiente que estamos inseridos. Não somos iguais, temos natureza divina. Deus, mesmo sabendo o caminho que nos faria feliz, deu liberdade para nossas escolhas. Não deixe que alguém roube isso de você.

Tenha certeza de que o Senhor suprirá suas necessidades, pois nem tudo que pedimos é o que precisamos. Ele certamente vê e chega exatamente onde nos falta.

“Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a Sua justiça, e todas as coisas vos serão dadas por acréscimos” (Mateus 6, 33).

Muitos procuram a chave para felicidade em lugares errados, e, às vezes, tem-se a ilusão de tê-la encontrado. No entanto, logo damos conta de que algo ainda nos falta, e a procura continua. A felicidade é algo complexo, abrange uma plenitude que contempla todas as particularidades do nosso ser. Eis que há uma chave-mestra, responsável por unir todos os segredos e combinações em uma única solução: Deus. Eis o caminho: “Ser aquilo que Deus quer”! Ele sempre quer o melhor para nós e sabe, ao certo, a glória que está guardada para Seus filhos.

“Pois morrestes e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus” (Colossenses 3,3).

Tenhamos a certeza de que nossa vida está em Deus, e o melhor: na vida eterna!

(Comunidade Canção Nova – http://destrave.cancaonova.com)

Quaresma, tempo de descobrir que o amor é possível

Na Quarta-feira de Cinzas, começamos um período litúrgico importante da nossa fé católica: a Quaresma. O tempo quaresmal, eminentemente penitencial, em preparação para a Páscoa, é o propício momento em que todos nós, fiéis batizados, somos convidados a intensificar a vida de oração, penitência e caridade, com realce especial ao jejum e à abstinência. Contudo, só se compreende a Quaresma por intermédio do olhar de um Deus, que se encarna, morre e ressuscita por amor a cada um de nós. Isso mesmo, Deus mergulha na epopeia e tragédia da vida humana para nos resgatar das correntes do pecado e dar-nos a vida eterna.
A Quaresma está intimamente conectada com o desejo de felicidade e infinito, latentes em cada coração humano. Sem ela não se entende o ser cristão, sem ela não se entendem os mistérios da indigência e da grandeza humana. Constata-se por muitos espaços da vida humana um mar de tristezas e frustrações. A depressão, segundo dizem, é o mal de nosso século. Nunca sentimos tanta falta de infinito, e nunca estivemos tão presos ao efêmero, ao passageiro, ao transitório, àquilo que não gera relações humanas, valorizando demasiadamente o virtual e nos esquecendo do real, da dor, das misérias, da pobreza, da violência e das misérias morais que relativizam o belo e o sagrado e geram a cultura do descartável.
O que impede o coração humano de encontrar a felicidade? Muitas são as respostas, muitos estudos são apresentados diariamente nos meios de comunicação. Buscam-se explicações psicológicas, sociais, econômicas, políticas, entre outras. Mas são poucos os que chegam ao fundo do problema. A verdadeira e plena felicidade só será alcançada quando passarmos pela via quaresmal, caminho de purificação e penitência, que nos liberta, por meio da graça, dos grilhões do pecado.
O pecado é o maior obstáculo. Infelizmente, estamos imersos numa cultura que o comercializa. O mais triste é que, ao buscar a felicidade, a humanidade parece afundar-se cada vez mais no lodo e morre sufocada pelo veneno do pecado, que destrói almas e sonhos. E é a própria sociedade que promove esse tipo de vida, se questiona dos porquês dessas realidades que contaminam o orbe sem se importar com as condições econômicas ou sociais das pessoas.
A maior alienação é a incapacidade de perceber o quanto o ser humano se quebra quando se entrega ao pecado. Existe uma desintegração espiritual que se manifesta na sociedade e prolifera em estruturas. Ele nasce pessoal e, em proporção com a matéria, gravidade e circunstâncias, gera o mal social.
O reconhecimento de nossas misérias e fraquezas diárias é o primeiro passo para o encontro profundo consigo mesmo e com Deus. O pecado é a desintegração da nossa natureza e aliena nossa vida da realidade eterna a qual todos nós somos chamados. A penitência não é masoquismo, mas reconhecer de modo concreto e visível a nossa indigência e necessidade. Ela nos coloca no caminho do perdão, que é o resgate da unidade perdida pelo mal. O salmo penitencial 51(50) exclama, com beleza poética, o drama do pecado e a recuperação do Rei Davi. A primeira coisa que o pecado ataca é nossa consciência, ou seja, a capacidade de perceber e distinguir o mal e o bem. O Rei Davi possui a graça de ter um grande amigo, o profeta Natã. Este, sem medo das consequências e guiado pela força do Espirito Santo, o [Davi] acusa do seu pecado. A paz e a felicidade voltam ao rosto do rei de Israel apenas quando ele reconhece e deseja reparar o mal cometido.
O pecado nos coloca no sono mais profundo e nos impede de encontrar a paz que deve reinar em nossas vidas. Só por intermédio da paz, que nasce do encontro com Cristo misericordioso, ao nos arrependermos, poderemos encontrar a felicidade. Os verdadeiros amigos são aqueles que nos ajudam a despertar e a ver a realidade em toda sua complexidade, como fez Natã com Davi. Eles são capazes disso não porque sabem mais ou são mais capacitados, mas, sim, porque nos amam. Como está escrito em Eclesiástico: “O amigo fiel é poderoso refúgio, quem o descobriu, descobriu um tesouro” (Eclo 6,14).
A crise de felicidade está proporcionalmente relacionada com uma crise de amizade. Poucos encontram verdadeiros amigos. Muitas vezes, não sabemos ser bons amigos. Neste clima de preparação para a Jornada Mundial da Juventude, que será sediada na cidade do Rio de Janeiro, conclamo ao jovem: desperte com o encontro com Cristo, o dom da amizade. Não se pode ser cristão sozinho. Jovem evangeliza jovem. Com razão impacta, positivamente, milhões de pessoas a participação nas Jornadas Mundiais da Juventude, no encontro com Cristo juntamente com o Santo Padre o Papa. Nessas jornadas, os jovens descobrem que a amizade já existe entre eles, pois todos possuem em comum o grande Amigo Jesus Cristo, Aquele que nunca nos abandona.
Dizem que hoje as pessoas não querem se relacionar, desejam apenas se “conectar”, pois é mais fácil colocar o outro em “off”. O medo de criar laços sólidos brota, em muitos casos, da incerteza do amor. O pecado apaga de nossas vidas a certeza de que é possível amar. A fragmentação de nosso ser, oriunda do pecado, nos impede de confiar no outro.
Assim, neste importante tempo de Quaresma despertemos novamente o nosso desejo de felicidade. Purifiquemos nossas almas do pecado, que obstaculiza o encontro com Cristo, Amigo capaz de nos guiar com passos seguros. Como o Rei Davi, peçamos a Deus piedade por nossos pecados. Não tenhamos medo de reconhecer nossas transgressões.
Deus conhece nosso ser, ama a verdade e nos ensina a sabedoria. Ele nos dá a felicidade, o júbilo e nos purifica de todas as iniquidades, fazendo-nos “mais brancos do que a neve”. Sobretudo, Deus cria em cada um de nós um coração novo com a ajuda da penitência e do perdão sacramental. A via quaresmal, bem vivida, despertará em nós um espírito firme e devolverá o júbilo da salvação (cf. Sal 51).
Que nesta Quaresma tenhamos a coragem de fazer uma passagem profunda de purificação do pecado para a graça, no caminho bonito do itinerário do seguimento e discipulado do Redentor!

Dom Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro

(Comunidade Canção Nova – http://www.cancaonova.com)

Notícia:: O Papa ensina: Mistério do Natal está em confiar em Deus para acolher a vinda de Cristo!

Do ACI Digital com inserções do Blog Dominus Vobiscum

Já estamos na semana do Natal. Ao contrário do que a mídia consumista prega, precisamos preparar nosso coração para comemorar a Encarnação do Verbo. O mundo motiva o ser humano ao consumo: Presentes, comidas, festas e superficialidades. Nós do Blog Dominus Vobiscum, nos unimos a Igreja e queremos que você cuide melhor do seu interior. Lembre-se que é no seu coração que o Senhor vai nascer. Ele é a manjedoura do Menino Deus. Por isso quero postar aqui as palavras do Santo Padre ditas antes do Ângelus de ontem. Segundo o pontífice, o mistério do Natal está em confiar no amor de Deus para acolher a vida divina do Menino Jesus. Leia agora na íntegra!

“Neste quarto e último domingo do Advento, a liturgia apresenta-nos a narração do anúncio do Anjo a Maria. Contemplando o ícone estupendo da Virgem Santa, no momento em que recebe a mensagem divina e dá a sua resposta, somos interiormente iluminados pela luz de verdade que emana, sempre nova, daquele mistério. Em particular, gostaria de deter-me brevemente na importância da virgindade de Maria, no fato de que Ela concebeu Jesus permanecendo virgem.

No pano de fundo do acontecimento de Nazaré está a profecia de Isaías. “Uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco” (Is 7,14). Essa antiga promessa encontrou cumprimento superabundante na Encarnação do Filho de Deus. De fato, não somente a Virgem Maria concebeu, mas o fez por obra do Espírito Santo, isto é, de Deus mesmo. O ser humano que começa a viver no seu ventre partilha da carne de Maria, mas a sua existência deriva totalmente de Deus. É plenamente homem, feito de terra – para usar o símbolo bíblico –, mas vem do alto, do Céu. O fato de que Maria conceba permanecendo virgem é, portanto, essencial para o conhecimento de Jesus e para a nossa fé, porque testemunha que a iniciativa foi de Deus e, sobretudo, revela quem é o concebido. Como diz o Evangelho: “Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus” (Lc 1,35). Nesse sentido, a virgindade de Maria e a divindade de Jesus se garantem reciprocamente.

Eis porque é tão importante aquela única pergunta que Maria, “muito perturbada”, dirige ao Anjo: “Como se fará isso, pois não conheço homem?” (Lc 1,34). Na sua simplicidade, Maria é sapientíssima: não duvida do poder de Deus, mas quis compreender melhor a sua vontade, para configurar-se completamente a essa vontade. Maria é infinitamente superada pelo Mistério, mesmo que ocupe perfeitamente o lugar que, ao centro desse, lhe foi dado. O seu coração e a sua mente são plenamente humildes, e, exatamente pela sua singular humildade, Deus espera o “sim” dessa jovem para realizar o seu projeto. Respeita a sua dignidade e a sua liberdade. O “sim” de Maria implica o conjunto de maternidade e virgindade, e deseja que tudo n’Ela dirija-se para a glória de Deus, e para que o Filho que nascerá d’Ela possa ser todo dom de graça.

Queridos amigos, a virgindade de Maria é única e irrepetível; mas o seu significado espiritual diz respeito a cada cristão. Esse, substancialmente, está ligado à fé: de fato, quem confia profundamente no amor de Deus, acolhe em si a Jesus, a sua vida divina, pela ação do Espírito Santo. É esse o mistério do Natal! Desejo a todos vós que o vivam com íntima alegria”.

Para ajudar você a se preparar para este dia tão especial para nós cristãos, estou preparando um podcast muito especial para você amigo leitor e visitante do blog. Aguarde e confira!

Blog Dominus Vobiscum

(FONTE: http://domvob.wordpress.com/2011/12/19/noticia-o-papa-ensina-misterio-do-natal-esta-em-confiar-em-deus-para-acolher-a-vinda-de-cristo/ )