Bento XVI volta a explicar o motivo de sua renúncia

No início da audiência geral desta quarta-feira, 13, o Papa Bento XVI reiterou o motivo pelo qual renunciou ao ministério petrino. Acolhido por um longo aplauso dos fiéis presentes para a catequese, o Santo Padre voltou a explicar que examinou sua consiência diante de Deus e está consciente de que não está mais em condições de prosseguir como Bispo de Roma, ministério a ele confiado em 19 de abril de 2005. Veja abaixo o que disse o Papa:

“Caros irmãos e irmãs,

Como sabeis, decidi renunciar ao ministério que o Senhor me confiou a 19 de abril de 2005. Fi-lo em plena liberdade, para o bem da Igreja, depois de ter rezado longamente e de ter examinado diante de Deus a minha consciência, bem consciente da gravidade desse ato, mas também consciente de já não estar em condições de prosseguir o ministério petrino com aquela força que ele exige. Sustenta-me e ilumina-me a certeza de que a Igreja é de Cristo, O qual nunca fará faltar a sua guia e o seu cuidado. Agradeço a todos pelo amor e pela oração com que me tendes acompanhado. (aplausos). Obrigado, senti quase fisicamente nestes dias nada fáceis para mim, a força da oração que o amor da Igreja, a vossa oração, me traz. Continuai a rezar por mim, pela Igreja, pelo futuro Papa. O Senhor o guiará”.

Ainda nesta quarta-feira, à tarde, Bento XVI preside a Celebração das Cinzas, na Basílica Vaticana.

(Canção Nova – http://www.cancaonova.com)

Porque não chamá-lo de Magno?



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Porque não chamá-lo de Magno ?
(Pe. Marcelo Tenorio)

“Nesta manhã nublada de uma Roma enternecida
Por que não ficas conosco, mais um pouco, a nos guiar à Verdade sem ocaso da Fé?

No ano da Fé, deixa-nos, então?
Não celebrarás conosco o amanhecer de uma Igreja restaurada por tua palavra e banhada com o sangue de teu silencioso martírio?

O Trono, a glória, os suíços – todo o teu temporal não são capazes de te prender por entre os mármores de Pedro?

Sobre ti estão os olhares da humanidade, e tu recusas o poder?

Como novo Celestino entendes a hora de descer e,
Livremente desces.

Como Bento, no nome e na graça, preferes o recolhimento na oração às glórias deste mundo, até á partida definitiva.

É próprio de quem é Grande, a descida.
Só os Grandes descem.

Com nobreza queres entregar o leme da Igreja a outro.

Reconhecendo tua fraqueza, renuncias.
Reconhecemos tua força e bradamos:
“Viva o Papa”!
O Papa que desce!

Que desce com tanta dignidade que é mais uma subida,
Que descida.
Mais demonstração de Força,
Que fraqueza.

Ó vós que sentis com a Igreja,
Olhai o papa que desce!
Que desce para o Alto!

E hoje mais do que nunca,
Em honra do Grande, do Forte e do Magno
Brademos juntos,
Mais uma vez:
Viva o Papa que desce para o Alto!
Viva Bento XVI.”

Quem ama confia!

Ela o segurava nos braços debaixo de um sol forte e em meio à agitação própria da cidade grande, ele dormia sereno e calmo, pois estava seguro de que nada poderia atingi-lo. Esta cena não faz parte de um filme, é real e apesar de a ter contemplado há algum tempo, ainda hoje me recordo claramente dela. No ponto de ônibus, uma mãe, com ar de preocupada, segurava seu filho nos braços enquanto mantinha os olhos fixos nos ônibus que chegavam e saíam sem parar. Um deles poderia ser o seu e ela não poderia nem sequer pensar em perdê-lo.Observei que, apesar da agitação própria do local e da preocupação aparente da mãe, a criança dormia tranquila e sossegada. Sem palavras parecia dizer: “Nada temo, pois os braços que me seguram são de alguém que me ama”.

Naquele dia, a cena, foi um pretexto para Deus falar comigo. Já observou que quando não paramos para ouvir a voz de Deus por meio da oração Ele nos fala pelos fatos? No meu caso, eu estava vivendo um tempo de muita correria no trabalho, já não conseguia rezar como antes e queria resolver todas as coisas com minhas forças. Quando ocupamos o lugar de Deus é isso que acontece. Com aquela situação, o Senhor foi me mostrando que eu precisava confiar mais no amor d’Ele. Precisava viver a atitude daquela criança, ou seja, abandonar-me. Na verdade, precisava amá-Lo mais e deixar-me amar por Ele, pois só confia quem verdadeiramente ama, e quem ama consequentemente confia.

E mais: Deus Pai abriu meus olhos para eu perceber que a raiz da minha agitação era também falta de amor-próprio e má interpretação do Seu amor por mim. Eu estava me comportando como serva de Deus e não como Sua filha. E isso faz uma grande diferença em nossa vida como cristãos. O próprio Senhor disse em Sua Palavra: “Já não vos chamo servos, mas amigos […]” (João 15, 15). Ou seja, o Senhor nos elegeu, nos amou, não quer apenas o nosso serviço, mas nosso amor. Isso é próprio de uma relação de amizade. Amamos e somos amados, e o amor vai além do fazer.

Hoje, por providência, contemplei uma cena semelhante e lembrei-me das lições de outrora. Já não estou tão agitada como antes, vivo uma fase diferente. Mas uma coisa é certa: preciso continuar na escola da confiança. Devo aprender mais de Deus na matéria do amor. “O amor lança fora todo temor, é paciente, tudo suporta, tudo crer, tudo espera […]” (I Coríntios 13,4-7). É por isso que quem ama confia!

Quanto mais amamos a Deus e nos deixamos envolver por Sua misericordia, tanto mais vamos encontrando a harmonia que tanto desejamos. E que muitas vezes buscamos nas pessoas, nos cargos, no poder, no ter ou de tantas outras formas aparentes de segurança neste mundo.

O abandono é, antes de tudo, uma atitude de confiança, fruto da maturidade, e a maturidade não se alcança de uma hora para outra, é preciso ter paciência com o tempo, dar passos e superar os obstáculos. É por isso que quem já teve sua fé provada, tem mais facilidade em confiar em Deus, tem forças para ir mais longe mesmo quando tudo parece perdido.

Aquela criança provavelmente se sentia amada, por essa razão as circunstâncias não a impediam de confiar e repousar tranquilamente no regaço acolhedor de sua mãe.

São Francisco de Sales faz uma interessante comparação, quando fala da alma recolhida em Deus. De fato, diz ele; “[…] os amantes humanos contentam-se, às vezes, em estar junto da pessoa a quem amam, sem lhe falarem nada e sem nem sequer pensar em outra coisa que não seja estar ali… Sentem-se amados e isso basta. É assim que acontece com a alma que se entrega aos cuidados do Criador. Repousa sossegada, mesmo em meio aos constantes desassossegos que vive no dia a dia”.

Compreendo, cada vez mais, que a experiência do abandono em Deus passa pela descoberta do Seu amor incondicional por nós.
Peço ao Senhor que hoje lhe permita viver esta experiência e o cure profundamente de toda falta de amor, devolvend-lhe a serenidade e a paz, fruto da confiança n’Ele.

Assim como a mãe segura em seus braços o filho amado, Deus hoje o segura, não tema. Nos braços do Pai nada poderá atingi-lo, e quem ama confia.

(Canção Nova ;D Dijanira Silva – Formação)

Ponha-se de prontidão, fique de pé e não tenha medo!

Palavra meditada hoje está em Jeremias 1, 4 – 8:

4. Veio a mim a palavra do SENHOR:
5. “Antes de formar-te no seio de tua mãe, eu já te conhecia, antes de saíres do ventre, eu te consagrei e te fiz profeta para as nações”.
6. Eu respondi: “Ah! Senhor DEUS, não sei falar, sou uma criança”.
7. O SENHOR me respondeu: “Não digas: ‘Sou uma criança’, pois a quantos eu te enviar irás, e tudo o que eu te mandar dizer, dirás.
8. Não tenhas medo deles, pois estou contigo para defender-te” — oráculo do Senhor.

A Palavra de Deus tem a força de cumprir em nós aquilo que ela anuncia, ela vem acompanhada de graças, bênçãos, unção e tem o poder de nos transformar quando a ouvimos com reverência.

Por vezes, quando seguimos os mandamentos de Deus ou quando nos colocamos no caminho de Jesus ou ainda quando começamos a ser fiéis a Deus, temos o mau costume de pensar que não seremos perseguidos, que não encontraremos tribulação e provações. Entretanto, podemos passar pelas tribulações e sair vitoriosos delas se fizermos a vontade de Deus e permanecermos fiéis a Ele. Deus é fiel a nós, mas nem sempre o somos a Ele..

Muitas bênçãos serão derramadas sobre você, mas as tribulações também vão fazer parte da sua vida. Muitas coisas poderão tentar fazê-lo desistir da caminhada, muitas coisas lhe serão tiradas, mas o Senhor lhe restituirá com cem vezes mais, Ele não o abandonará.

A vitória vem em meio às lutas que acontecem no dia a dia. Se você estiver passando por aflições ou por um vale de tribulações, acredite: você passará por tudo isso, basta continuar caminhando, pois Deus segura firme em suas mãos e caminha junto de você.

Haverá na sua vida quem opere maldades a fim de desviá-lo do caminho certo, mas nada o vencerá, não porque você seja forte ou invencível, mas porque a sua vitória provém de Deus, porque Ele está ao seu lado e é o motivo da sua vitória!

Ponha-se de prontidão, fique de pé e não tenha medo para que não trema diante do mal. Ainda que combatam contra você, não o vencerão, o Senhor está junto de você para defendê-lo. Deus o ama, muito antes de você existir no ventre de sua mãe, Ele já o conhecia e já o amava. O Senhor desejou que você viesse a este mundo e para isso o consagrou, você é uma obra sagrada de Deus.

A Palavra de Deus hoje é uma mensagem d’Ele para você. A mensagem do Senhor é direta, Ele o ama e o consagrou, você é uma obra do Altíssimo, você é sagrado para Ele e, quem atentar contra você estará atentando contra Ele.

E por ser uma obra sagrada, o templo do Espírito Santo, você deve se cuidar e ter zelo consigo. Nossa consagração aconteceu no batismo e a nossa força para lutar contra o mal se manifesta quando ouvimos, obedecemos e colocamos em prática a Palavra de Deus.

É nosso dever servir a Deus, e quando escolhemos servi-Lo, não podemos olhar para trás, a fim de não cairmos na tentação de desistir ou nos arrepender.

Peça a Deus a graça de servi-Lo sem olhar para trás, pois o sentido da vida é servir ao Senhor com gratidão, com amor e confiança.

(Canção Nova ;D Márcio Mendes – Formação)

Jejuar do mundo

A Quaresma é um tempo no qual vivemos a tensão para encontrarmos o equilíbrio certo, o momento exato, a fórmula ‘mágica’ para vivermos a tríplice ordem – jejum, esmola e oração. Sabemos que a Igreja nos ensina várias modalidades para mergulharmos nesta intimidade com Jesus por meio desses atos. Porém, ela não fecha em uma forma exata, dogmatizada, sobre como devemos praticar o jejum, a esmola e a oração.

Assim, para encontramos a medida certa precisamos ser criativos, sobretudo no que diz respeito ao jejum. Clemente de Alexandria, em sua criatividade, nos ensinou a “Jejuar do Mundo”, ou seja, a nos afastarmos das situações rotineiras que não nos colocam em comunhão com Jesus. Essas modalidades são chamadas extracanônicas (cf., Estromatas, II, 15: GCS 15,242).

Para explicarmos isso melhor recorremos à proposta de “Jejum do Mundo” ensinada pelo Frei Ranieiro Cantalamessa – pregador da Casa Pontifícia, no livro “Preparai os Caminhos do Senhor”.

Segundo ele existe um tipo de mortificação possível a todos e, acima de tudo, benéfica, que é o jejum das notícias inúteis e das imagens do mundo. O religioso afirma que vivemos em um mundo no qual a comunicação em massa nos bombardeia com notícias, informações, propagandas, imagens que corroem a nossa vida espiritual.

Essas informações e imagens, presentes na televisão, na publicidade, nos espetáculos, nos jornais, nas revistas, na internet tornaram-se o veículo privilegiado para a expansão da ideologia mundana, consequentemente nos afastam da união com o Senhor. Podemos constatar isso na nossa vida, sabemos o quão difícil é nos recolhermos para rezar em meio a tanto “barulho”. Um exemplo claro disso é quando acabamos de nos “encher” de algumas informações e vamos rezar, parece que não “desligamos”, ficamos pensando no celular que poderá tocar, na notícia que acabamos de receber, na fofoca que ouvimos ou falamos, daquela bendita música – secular, que não sai da nossa cabeça –, enfim, levamos em nosso coração todos aqueles emaranhados de notícias que acabamos de ouvir e ver.

Portanto, não é possível encher os olhos, a mente e o coração com essas imagens e informações e depois querer rezar.

Frei Raniero afirma ainda que “o Reino de Deus tem as suas notícias eternas, sempre novas, a serem ouvidas, e, pelo fato de estarmos tomados pela paixão das notícias do mundo, não mais as compreendemos. Parecem-nos apenas coisas velhas superadas, não a proclamaremos com força, pois elas não vivem com força dentro de nós”.

Podemos, dessa forma, em meio à rapidez das informações, dedicar nosso tempo gasto com a procura destas informações inúteis à oração, por intermédio do Jejum do Mundo, pois todo pequeno esforço pode se transformar em uma ocasião de encontro com Deus. Assim, desviando o nosso olhar da ilusão (cf. Sl 119,37), teremos acesso às notícias eternas, as quais somente os corações íntimos do Senhor podem ver.

(Canção Nova ;D Ricardo Gaiotti Silva – Formação)

O Segredo de João Paulo II

Há uma quase unanimidade sobre João Paulo II: ele trazia em si um segredo. Uma forma rara e ao mesmo tempo familiar de Deus falar ao mais profundo do coração do homem. Qual seria esse segredo? Isso é lá entre ele e Deus. Mas encontrei como uma réstia de luz a revelar seu segredo em poesia de sua autoria: Minha Vida por Cristo.

Quando penso no mundo,

que se desvanece e morre

pela falta de Cristo;

quando penso no caos profundo

em que se despenca

a inquieta e cega humanidade

pela falta de Cristo;

quando me encontro

com a força da juventude

apática e destroçada

na própria primavera da vida

pela falta de Cristo,

não posso sufocar as queixas

de meu coração.

Quisera multiplicar-me, dividir-me,

para escrever, pregar,

ensinar Cristo.

E do espírito mesmo do meu espírito

brota contundente e único grito:

Minha vida por Cristo!

Do “espírito do espírito” de João Paulo II, brota um grito contundente. O que provoca esse grito, o que lhe dá o combustível explosivo que forjou a “geração João Paulo II”? Veja: a causa da morte no mundo, é a falta de Cristo. O caos em que se despenca a humanidade inquieta e cega é a falta de Cristo. Não são as drogas ou a mentalidade hedonista e descompromissada da “geração y” que a faz apática e destroçada, é a falta de Cristo.

Tudo o que destrói o homem tem uma causa comum, que passa longe das análises de qualquer ciência: a falta de Cristo. João Paulo II, como outros, o encontraram e cultivam com ele amizade contínua e felicíssima. São com ele uma só alma, um só coração. Participam dos sentimentos e desejos do “espírito mesmo do Espírito de Deus”. A consequência desse amor mútuo é a mesma que levou o Pai a enviar Jesus, sua Palavra, seu Verbo, seu Grito: Minha vida pelos homens!

A esse grito lancinante, o homem que vê o profundo dos corações de Deus e dos homens responde, feliz: Minha vida por Cristo! A partir daí, tudo se resume no segredo de João Paulo II: ao procurá-lo, você não o encontrará, pois não é ele quem vive. É Cristo que vive nele.

(Comunidade Católica Shalom – http://www.comshalom.org)