Onde mora a felicidade?

O fim da vida cristã é nos conduzir à felicidade. Esta é a nossa vocação. Deus nos pede para deixá-lo nos fazer felizes.

É verdade que às vezes temos medo de ser felizes. E é justamente aí que somos atingidos pela infelicidade, por acharmos impossível ao homem ser feliz. Encontrar o Cristo é encontrar a alegria e a coragem para ser feliz. A aspiração à felicidade é nutrida no fundo do nosso coração, os obstáculos exteriores e interiores parecem nos impossibilitar o acesso. O primeiro dentre eles somos nós mesmos. Nehru (primeiro presidente da Índia) disse um dia: “Eu tenho três inimigos. Meu primeiro inimigo é a China, o segundo é a fome e o terceiro sou eu mesmo”. Geralmente fabricamos para nós uma imagem de felicidade perfeita: uma carreira profissional de sucesso, uma bela família, uma casa ideal, muito dinheiro… Esta imagem é reescrita a cada dia quando nos olhamos no espelho. Guardamo-la em segredo, como um retrato de nós mesmos, e lutamos, com todas as nossas forças, para coincidir com essa imagem. Na verdade, para alcançar a felicidade que tanto desejamos, é necessário ir além dos obstáculos, responder a diversas questões das quais a primeira é: “Onde está a felicidade?”.

Nosso coração, um tabernáculo
A felicidade está primeiramente inscrita no fundo de nós mesmos. Não a procuremos fora de nós! Santo Agostinho, que viveu um momento caótico na sua existência, diz em seu livro “Confissões”: “Tarde te amei, durante muito tempo te procurei fora de mim e Tu estavas dentro de mim, próximo de mim, no interior de mim mesmo”. É o que a Bíblia chama de coração: a felicidade reside no coração. Se o nosso coração não é o primeiro a ser agarrado pela felicidade, não poderemos jamais ser felizes em todas as dimensões do nosso ser.

Somos assim levados a nos perguntar em que consiste a felicidade. A felicidade consiste em se unir a Deus! A felicidade é Deus! “Tu és meu Deus, eu não tenho outra felicidade senão em Ti” (Sl 15,2). Deus, que é fonte de nós mesmos, quis nos encontrar no nosso coração. O profeta Isaías escreve: “Escreverei minha lei em vosso coração, mudarei vosso coração de pedra, eu vos darei um coração de carne”. É a vontade mais profunda de Deus encontrar nosso coração como um tabernáculo onde Ele possa morar. Não uma residência pontual, de passagem, mas uma presença intensa e permanente através da qual Ele nos dá sua alegria. Ele age com sua presença viva. Deus quer habitar nosso coração e estender sobre ele toda sua “atividade”, toda a sua vida.

A terceira questão que precisamos resolver em relação à felicidade é conhecer a sua natureza. A felicidade é amor. Nós somos feitos para amar e para sermos amados. Toda a obra de Jesus é mostrar que Deus é Amor. É a definição de Deus dada por São João. É um amor extraordinário. A maior tentação do cristão é duvidar do extraordinário amor de Deus, é dizer: “O Bom Deus nos ama de maneira simpática e bondosa”. O amor de Deus é um amor extraordinário, vai além de tudo que o homem pode conceber, imaginar ou mesmo desconfiar. É um amor excepcional que se deposita em nosso coração. É um amor pessoal. Deus nos ama como somos, com toda a nossa história.

Recentemente vi, dentro de um trem, um mulçumano estender seu tapete e se colocar em oração de joelhos. Que audácia poder orar assim a Deus, que senso de sua grandeza e majestade! Mas a missão específica do cristianismo é revelar que Deus ama cada homem. “Tu és precioso a meus olhos”. Não existe nenhuma concorrência entre Deus e o homem. Se o que damos ao homem não nos priva de Deus. O amor do homem participa do amor de Deus. Tudo que toca, atinge ou fere o coração do homem tem importância para Deus. Tudo que é feito para o homem participa do amor de Deus.

A terceira característica deste amor é a misericórdia; Deus nos ama como somos. Tive a alegria de encontrar Marta Robin no dia em que completei 20 anos. Eu lhe falei da minha dificuldade de seguir o Senhor. Ela me contou esta pequena história da vida de São Jerônimo (Século IV), que traduziu a Bíblia do grego para o latim: “Um dia, o Senhor se manifestou a ele, que trabalhava em uma gruta em Belém: ‘Jerônimo, o que tu me ofertas?’ Jerônimo reflete: ‘Senhor, eu te oferto todo o meu passado, tudo o que fiz depois da minha conversão…’ Mas o Senhor lhe repete: ‘Jerônimo, o que me tu ofertas?’. Jerônimo reflete: ‘Senhor, eu te oferto todo meu presente, todo este trabalho de exegese para melhor conhecer tua Palavra’. ‘Jerônimo, o que tu me ofertas?’ Jerônimo, todo constrangido: ‘Senhor, eu te oferto todo o meu futuro, todos os meus projetos’. ‘Jerônimo, o que tu me ofertas?’ (Silêncio de Jerônimo) Jesus o olha e diz: ‘Jerônimo, oferta-me teus pecados’.”

Quando nos aproximamos de Deus, chegamos com nossos méritos, nosso trabalho, tudo que vamos fazer, o melhor de nós mesmos. Todas essas coisas o Senhor conhece. O que Ele vem procurar, não são as nossas qualidades e méritos, mas nossos pecados e pobreza. A missa começa por “Senhor, tende piedade”. Jesus veio, como Ele mesmo disse, para curar os doentes. Deus é amor misericordioso. A misericórdia é o movimento do coração que se inclina em direção à miséria. Os grandes santos têm consciência desta misericórdia porque têm consciência da sua pobreza. Quanto mais crescemos na santidade, mais sabemos que não somos nada. O santo não é aquele que não comete mais pecado (ele se considera o maior dos pecadores), mas aquele que sabe que a misericórdia é maior do que qualquer pecado. A misericórdia de Deus é como uma torrente transbordante que leva tudo a passar – diz o Cura d’Ars.

Enfim, não se pode ser feliz sozinho. Logo, se estou feliz comunico minha felicidade. Pensemos na Bíblia, a alegria de Maria que canta seu Magnificat e faz sua alegria visitar Isabel, levar-lhe a boa nova. A alegria, por definição, é comunicativa. O homem é um ser social. Desde a criação o homem não é só. Ele é chamado à existência como homem e como mulher, na dimensão do casal. O homem e a mulher não podem se realizar sem a dimensão de comunhão, porque Deus é comunhão de pessoas (Pai, Filho e Espírito Santo) e o homem é imagem de Deus.

Como empregar a felicidade?
A felicidade está dentro de nós, é união a Deus, é amor, é comunhão. Mas como esperar essa felicidade? Em outros termos, qual é o modo de empregar a felicidade?

Se está inscrita em nós, nossa vida vai consistir em estender essa presença irresistível de Deus em nós. Por Ele vencemos todos os obstáculos: nossos medos, incertezas, ilusões, pecados, feridas. Um dia Celina, irmã de Santa Teresinha, lhe diz: “Quando te vejo, eu vejo tudo o que me resta adquirir”. Responde Teresinha: “Oh não, não diga adquirir, mas perder!”

O nosso desejo de encontrar a Deus é bom, mas não deve nos fazer esquecer que é primeiro Deus que nos encontra. A felicidade consiste em deixar Deus vir a nós. Isto implica uma atitude de despojamento. Estamos prontos para deixar Deus conduzir a nossa vida?

Se compararmos nossa maneira de conduzir nossa existência com a condução de um carro, estamos prontos para dar o volante ao Senhor, a fim que Ele tome a direção de nossa existência? Às vezes oramos o Pai-Nosso da seguinte maneira: “Pai-Nosso que estais no céu… seja feita a ‘nossa’ vontade…” e estamos prontos a fazer jejum e ascese para que esta oração se realize. E pedimos, de todo coração, ao Senhor que faça a nossa vontade, e nossa vontade é muito simples, é querer segui-lo conduzindo nós mesmos o nosso carro. Mas Jesus orou dizendo: “Que a tua vontade seja feita”. Isso implica em aceitar que o Senhor dirija nossa existência, que Ele nos conduza à felicidade. Isso implica abandonar nossas idéias sobre a maneira de chegar à felicidade e pedir ao Senhor que seja Ele que dirija, oriente e organize nossa vida.

Aceitar depender de Deus
Para viver esse abandono darei uns pequenos conselhos, simples e fundamentais.

Antes de tudo, uma conversão profunda de coração. No Salmo 1, que começa com “Feliz o homem”, a Bíblia confirma que o homem é feito para a felicidade e o salmista mostra duas vias: a dos ímpios – que procuram a felicidade nos seus desejos e paixões e a Bíblia os compara a folhas que são levadas pelo vento. Esta via não conduz à felicidade – e aquela que reclama precisamente uma conversão, a via do justo, que segue a lei do Senhor.

Nos convertemos quando descobrimos que a nossa felicidade consiste em aceitar depender de Deus. Não podemos ser felizes simplesmente aos pés de nossas idéias e paixões. É verdadeiramente uma conversão porque temos medo de depender de Deus, de perder nossa liberdade. A resposta ao Senhor é simples: “Quanto mais você depender de mim, mais você será livre”.

É preciso ainda se colocar na escuta da Palavra de Deus. Ela é ajuda preciosa para discernir e depois construir nossa vocação. Na oração, com efeito, nos abandonamos em Deus: a oração é, por definição, um abandono da nossa atividade, do nosso agir.

Para entrar na felicidade que Deus nos destina, é preciso crer que a felicidade é possível, que fomos criados para ela. Peçamos ao Senhor que nos conduza. Para isso, deixemos que Ele entre profundamente em nossa vida. Não desejando com palavras, mas, no silêncio do nosso coração, de uma maneira muito pessoal, dando nosso consentimento total em deixar o Senhor agir em nós e nos dirigir. Acolhamos esta dependência de Deus, ela nos levará à verdadeira felicidade.

Dom Dominique Rey – Bispo de Fréjus/Toulon – França

(Comunidade Católica Shalom – http://www.comshalom.org)

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ESPERAR EM DEUS NÃO É LOUCURA

Em todas as etapas da vida somos confrontados a falar de nossas conquistas, sejam elas materiais, pessoais e/ou intelectuais. O mundo nos cobra uma postura e posição de destaque em meio a tudo. Mas quando essas expectativas são frustradas por parte de quem as faz, há um julgamento cruel. Somos rotulados de inutilidade, excluídos do “grande grupo”. Somos diferentes.

Os filhos de Deus nasceram para dar certo, mas que certo é esse? Geralmente, a escala usada como medida hoje é aquela que a sociedade nos impôs como sinônimo de realização. É bem sucedido aquele que tem mais dinheiro, fama, popularidade, bens materiais, ou seja, os que vivem os “prazeres da vida”. A cada dia surgem novos indicadores de “sucesso”. A corrida desenfreada para conseguir tudo isso em curto prazo não resulta no objetivo que antes era primordial: a felicidade.

Vivemos nos projetando para os outros em palavras de autopromoção, acreditando em uma verdade que, muitas vezes, não é a nossa, que não nos faz bem. O pensamento imediatista faz da vida um anseio constante para o que nos é ofertado diariamente, uma busca sem fim por “coisas” que nunca nos contentam. Prazer imediato = “felicidade” passageira.

É natural haver crescimento e prosperidade em meio a tudo o que fazemos quando colocamos Deus no centro de nossa vida, porque nossos projetos não são nossos, mas é o plano do próprio Deus para nós. O “dar certo”, sob uma visão cristã, é bem diferente da visão deturpada da sociedade. Muitas vezes, nós cristãos temos de esperar em Deus para receber a resposta ou a bênção que tanto pedimos, pois Ele prepara o caminho para a que a graça chegue no momento certo. Quando somos agraciados, sabemos reconhecer a obra do Senhor e a desfrutamos em sua plenitude. Esperar em Deus não é loucura, mas agir na certeza de que acontecerá o melhor no tempo certo. Contudo, hoje muita gente prefere correr para o mundo do que esperar em Deus.

“Aliás, sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são os eleitos, segundo os seus desígnios.” (cf. Romanos 8, 28.)

Sabe aquele vazio que não preenchemos com dinheiro, coisas nem pessoas? Pois é, Deus preenche!

Essa cobrança desleal dos padrões de ostentação atual nos inferioriza e coloca nossa vida em segundo, terceiro…último plano. Deus está em que colocação em nossos anseios?

Não coisifiquemos nossa vida nem a do outro, pois somos filhos de Deus, capacitados, dotados de inteligência, dons e carismas com um potencial imenso para fazer a diferença no ambiente que estamos inseridos. Não somos iguais, temos natureza divina. Deus, mesmo sabendo o caminho que nos faria feliz, deu liberdade para nossas escolhas. Não deixe que alguém roube isso de você.

Tenha certeza de que o Senhor suprirá suas necessidades, pois nem tudo que pedimos é o que precisamos. Ele certamente vê e chega exatamente onde nos falta.

“Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a Sua justiça, e todas as coisas vos serão dadas por acréscimos” (Mateus 6, 33).

Muitos procuram a chave para felicidade em lugares errados, e, às vezes, tem-se a ilusão de tê-la encontrado. No entanto, logo damos conta de que algo ainda nos falta, e a procura continua. A felicidade é algo complexo, abrange uma plenitude que contempla todas as particularidades do nosso ser. Eis que há uma chave-mestra, responsável por unir todos os segredos e combinações em uma única solução: Deus. Eis o caminho: “Ser aquilo que Deus quer”! Ele sempre quer o melhor para nós e sabe, ao certo, a glória que está guardada para Seus filhos.

“Pois morrestes e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus” (Colossenses 3,3).

Tenhamos a certeza de que nossa vida está em Deus, e o melhor: na vida eterna!

(Comunidade Canção Nova – http://destrave.cancaonova.com)

Só Deus sacia por completo todos os desejos do coração humano

Dificilmente se encontrará alguém que não anseie e procure a felicidade. Esta demanda foi posta por Deus no coração de todos os homens que, à semelhança de Santo Agostinho, apenas descansam quando O encontram e n’Ele “repousam” (ConfissõesI, 1). O início do Catecismo da Igreja Católica começa exactamente com esta temática, lembrando que o homem é capaz de Deus. Entretanto, esta insaciabilidade leva não só ao desejo de uma realização pessoal, no âmbito da vocação específica de cada um, como também da sociedade doméstica à qual pertence, e mesmo da comunidade, na qual se insere e vive.

Ensina-nos o Compêndio de Doutrina Social da Igreja que “o bem comum da sociedade não é um fim isolado em si mesmo; ele tem valor somente em referência à obtenção dos fins últimos da pessoa e ao bem comum universal de toda a criação” (n. 170). Ou seja, a realização pessoal nunca se faz de um modo isolado, mas num contexto, numa sociedade, peregrinação nesta terra herdada para o Homem a dominar através do seu trabalho, e colher os frutos, obtendo o alimento com o suor do rosto (Gn 1, 28-29; 3, 19).
Assim, a felicidade terrena, imperfeita, não se torna “num mar de alegrias, de contínua beatitude, que, durará sempre” (Is 35, 10), pois falta-lhe a visão beatífica – totus sed non totaliter -, de Deus. Peregrinando pelo mundo, a felicidade será sempre relativa, mas essa busca incessante estará por trás de tudo aquilo que o homem opera.

É impossível que a criatura racional dê um só passo voluntário que não esteja encaminhado, de uma ou outra forma, para a sua própria felicidade, já que, […] todo agente racional obra por um fim, que coincide com um bem (aparente ou real) e, pelo mesmo, conduz à felicidade (ROYO MARÍN, Antonio. Teología Moral para Seglares. 7. ed. Madrid: BAC, 2007. Vol. I. p. 22).

Por isso, explica São Tomás de Aquino que todos desejam alcançar a beatitude, entretanto, diferem nos meios para obtê-la, procurando-a através de riquezas, prazeres, ou outras coisas. Porém, o fim, ainda que implicitamente, permanece o sumo bem para o qual tendem todos os homens (S. Th. I-II, q. 1. a. 7.). Ora, este é identificado pelo Pe. Royo Marín, OP como sendo o próprio Deus:

Não é nem pode ser outro que o próprio Deus, Bem infinito, que sacia por completo o apetite da criatura racional, sem que absolutamente nada possa desejar fora dele. É o Bem perfeito e absoluto, que exclui todo o mal e enche e satisfaz todos os desejos do coração humano (Op. cit. p. 23).

Padre José Victorino de Andrade, EP

(Comunidade Católica Shalom – http://www.comshalom.org)

Patronos e Intercessores da JMJ Rio 2013

Sob o manto da padroeira do Brasil, a guarda Soldado de Cristo, com o coraçõe jovem, em missão e cheio de paz. Assim está a JMJ Rio2013 com a proteção de seus patronos. São eles:

Nossa Senhora da Conceição Aparecida; São Sebastião; Santo Antônio de Santana Galvão; Santa Teresa de Lisieux; Beato João Paulo II

O lançamento aconteceu na tarde do dia 27 de Maio, no Santuário da Penha. Ao todo são cinco patronos e 13 intercessores.

Entenda melhor a diferença entre os dois e conheça as invocações de cada um:

Patronos – pais espirituais dos jovens

Os patronos são os pais espirituais dos jovens, lhe ensinam, como verdadeiros pais e mestres, os caminhos para santidade. Foram escolhidos por estarem intimamente ligados ao espírito da JMJ Rio 2013. Dentre estes estão também representantes da nação. O tema missionário inspira o pedido por proteção e entusiasmo para enfrentar os desafios da evangelização nos dias atuais. Oração e ação são dimensões inseparáveis dos discípulos-missionários de Jesus Cristo.

Nossa Senhora da Conceição Aparecida, protetora da Igreja e das famílias!
São Sebastião, Soldado e mártir da fé!
Santo Antônio de Santana Galvão, arauto da paz e da caridade!
Santa Teresa de Lisieux, padroeira das missões!
Beato João Paulo II, amigo dos jovens!

Intercessores – um modelo a ser imitado

Os jovens desejam encontrar-se com a verdade que dê sentido a sua existência. Dentre os intercessores escolhidos para a JMJ Rio 2013 estão homens e mulheres que mesmo na juventude souberam escolher a melhor parte em suas vidas: Jesus Cristo. A história de suas vidas inspira-nos a cultivar suas virtudes. O número 13 poderia apontar para o ano da Jornada, mas, além disso, atesta para todos que a santidade na vida concreta é possível. A geração JMJ é convidada a entregar sua vida àquele que concede felicidade e liberdade em abundância.

Santa Rosa de Lima, fiel à vontade de Deus!
Santa Teresa de Los Andes, contemplativa de Cristo!
Santa Laura Vicuña, mártir da pureza!
Beato José de Anchieta, apóstolo do Brasil!
Beata Albertina Berkenbrock, virtuosa nos valores evangélicos!
Beata Chiara Luce Badano, toda entregue a Jesus!
Beata Irmã Dulce, embaixadora da Caridade!
Beato Adílio Daronch, amigo de Cristo!
Beato Pier Giogio Frassati, amor ardente aos pobres e a Igreja!
Beato Isidoro Bakanja, mártir do escapulário!
Beato Ozanam, servidor dos mais pobres!
São Jorge, combatente do Mal!
Santos André Kim e companheiros, mártires da evangelização!

(http://www.rio2013.com)

A força do deserto

Na correria da vida, fonte de stress dos tempos modernos, é fundamental tirar momentos para outras experiências. Muitos vão para as chácaras, para sítios e lugares onde possam ter mais contato com a beleza e as riquezas contidas na natureza.

No tempo de Jesus, ir para o deserto era ficar na margem da sociedade, experimentar as condições dos leprosos que não podiam ter contato com os “puros” e com quem não tinha essa doença contagiante. Constituía um verdadeiro “tabu” para o povo.
Indo para o deserto, Cristo supera o preconceito e vai ao encontro dos leprosos, que eram intocáveis. Jesus acaba ocupando o lugar desses doentes, agindo com autoridade e compaixão. Conforme a Lei, Ele não podia tocar no leproso, mas não levou em conta isto.
A intenção de Jesus era a reintegração dos marginalizados numa atitude totalmente além da compaixão, de neutralização dos mecanismos que geram a exclusão. Ele age com verdadeira solidariedade, tendo como base o amor ao próximo.
Essa prática não tinha em vista sucesso pessoal, mas o bem das pessoas, contra as atitudes de exclusão casadas pela cultura do tempo. Era Deus, em Jesus Cristo, visitando seu povo, superando as forças do mal, vistas como obra de espírito mau.
No deserto Jesus cura um leproso. Toca nele e diz: “sê purificado”. Ele dá um sinal do Reino, da vida e da qualidade de vida. O curado não esconde sua felicidade, fazendo Jesus assumir seu lugar no deserto para ficar distante do assédio do povo.

A prática de compaixão de Jesus faz crescer a oposição das autoridades religiosas, porque Ele mostra que fazer o bem é mais importante do que seguir as exigências da Lei dos judeus. Enquanto a Lei marginaliza os “impuros”, Jesus os integra na convivência social.
Vivemos sob a lei do mercado, da competição e da exclusão. Perdemos a mística da fraternidade e partilha. Só a força do deserto, da espiritualidade será capaz de fragilizar essa lei. O mundo saudável é conforme o sonho de Deus, que deve ser conquistado por nós.

Dom Paulo Mendes Peixoto

(Comunidade Católica Shalom – http://www.comshalom.com)

Quaresma, tempo de descobrir que o amor é possível

Na Quarta-feira de Cinzas, começamos um período litúrgico importante da nossa fé católica: a Quaresma. O tempo quaresmal, eminentemente penitencial, em preparação para a Páscoa, é o propício momento em que todos nós, fiéis batizados, somos convidados a intensificar a vida de oração, penitência e caridade, com realce especial ao jejum e à abstinência. Contudo, só se compreende a Quaresma por intermédio do olhar de um Deus, que se encarna, morre e ressuscita por amor a cada um de nós. Isso mesmo, Deus mergulha na epopeia e tragédia da vida humana para nos resgatar das correntes do pecado e dar-nos a vida eterna.
A Quaresma está intimamente conectada com o desejo de felicidade e infinito, latentes em cada coração humano. Sem ela não se entende o ser cristão, sem ela não se entendem os mistérios da indigência e da grandeza humana. Constata-se por muitos espaços da vida humana um mar de tristezas e frustrações. A depressão, segundo dizem, é o mal de nosso século. Nunca sentimos tanta falta de infinito, e nunca estivemos tão presos ao efêmero, ao passageiro, ao transitório, àquilo que não gera relações humanas, valorizando demasiadamente o virtual e nos esquecendo do real, da dor, das misérias, da pobreza, da violência e das misérias morais que relativizam o belo e o sagrado e geram a cultura do descartável.
O que impede o coração humano de encontrar a felicidade? Muitas são as respostas, muitos estudos são apresentados diariamente nos meios de comunicação. Buscam-se explicações psicológicas, sociais, econômicas, políticas, entre outras. Mas são poucos os que chegam ao fundo do problema. A verdadeira e plena felicidade só será alcançada quando passarmos pela via quaresmal, caminho de purificação e penitência, que nos liberta, por meio da graça, dos grilhões do pecado.
O pecado é o maior obstáculo. Infelizmente, estamos imersos numa cultura que o comercializa. O mais triste é que, ao buscar a felicidade, a humanidade parece afundar-se cada vez mais no lodo e morre sufocada pelo veneno do pecado, que destrói almas e sonhos. E é a própria sociedade que promove esse tipo de vida, se questiona dos porquês dessas realidades que contaminam o orbe sem se importar com as condições econômicas ou sociais das pessoas.
A maior alienação é a incapacidade de perceber o quanto o ser humano se quebra quando se entrega ao pecado. Existe uma desintegração espiritual que se manifesta na sociedade e prolifera em estruturas. Ele nasce pessoal e, em proporção com a matéria, gravidade e circunstâncias, gera o mal social.
O reconhecimento de nossas misérias e fraquezas diárias é o primeiro passo para o encontro profundo consigo mesmo e com Deus. O pecado é a desintegração da nossa natureza e aliena nossa vida da realidade eterna a qual todos nós somos chamados. A penitência não é masoquismo, mas reconhecer de modo concreto e visível a nossa indigência e necessidade. Ela nos coloca no caminho do perdão, que é o resgate da unidade perdida pelo mal. O salmo penitencial 51(50) exclama, com beleza poética, o drama do pecado e a recuperação do Rei Davi. A primeira coisa que o pecado ataca é nossa consciência, ou seja, a capacidade de perceber e distinguir o mal e o bem. O Rei Davi possui a graça de ter um grande amigo, o profeta Natã. Este, sem medo das consequências e guiado pela força do Espirito Santo, o [Davi] acusa do seu pecado. A paz e a felicidade voltam ao rosto do rei de Israel apenas quando ele reconhece e deseja reparar o mal cometido.
O pecado nos coloca no sono mais profundo e nos impede de encontrar a paz que deve reinar em nossas vidas. Só por intermédio da paz, que nasce do encontro com Cristo misericordioso, ao nos arrependermos, poderemos encontrar a felicidade. Os verdadeiros amigos são aqueles que nos ajudam a despertar e a ver a realidade em toda sua complexidade, como fez Natã com Davi. Eles são capazes disso não porque sabem mais ou são mais capacitados, mas, sim, porque nos amam. Como está escrito em Eclesiástico: “O amigo fiel é poderoso refúgio, quem o descobriu, descobriu um tesouro” (Eclo 6,14).
A crise de felicidade está proporcionalmente relacionada com uma crise de amizade. Poucos encontram verdadeiros amigos. Muitas vezes, não sabemos ser bons amigos. Neste clima de preparação para a Jornada Mundial da Juventude, que será sediada na cidade do Rio de Janeiro, conclamo ao jovem: desperte com o encontro com Cristo, o dom da amizade. Não se pode ser cristão sozinho. Jovem evangeliza jovem. Com razão impacta, positivamente, milhões de pessoas a participação nas Jornadas Mundiais da Juventude, no encontro com Cristo juntamente com o Santo Padre o Papa. Nessas jornadas, os jovens descobrem que a amizade já existe entre eles, pois todos possuem em comum o grande Amigo Jesus Cristo, Aquele que nunca nos abandona.
Dizem que hoje as pessoas não querem se relacionar, desejam apenas se “conectar”, pois é mais fácil colocar o outro em “off”. O medo de criar laços sólidos brota, em muitos casos, da incerteza do amor. O pecado apaga de nossas vidas a certeza de que é possível amar. A fragmentação de nosso ser, oriunda do pecado, nos impede de confiar no outro.
Assim, neste importante tempo de Quaresma despertemos novamente o nosso desejo de felicidade. Purifiquemos nossas almas do pecado, que obstaculiza o encontro com Cristo, Amigo capaz de nos guiar com passos seguros. Como o Rei Davi, peçamos a Deus piedade por nossos pecados. Não tenhamos medo de reconhecer nossas transgressões.
Deus conhece nosso ser, ama a verdade e nos ensina a sabedoria. Ele nos dá a felicidade, o júbilo e nos purifica de todas as iniquidades, fazendo-nos “mais brancos do que a neve”. Sobretudo, Deus cria em cada um de nós um coração novo com a ajuda da penitência e do perdão sacramental. A via quaresmal, bem vivida, despertará em nós um espírito firme e devolverá o júbilo da salvação (cf. Sal 51).
Que nesta Quaresma tenhamos a coragem de fazer uma passagem profunda de purificação do pecado para a graça, no caminho bonito do itinerário do seguimento e discipulado do Redentor!

Dom Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro

(Comunidade Canção Nova – http://www.cancaonova.com)

Seguir Jesus significa vivenciar Seus ensinamentos

Nesta passagem do Evangelho, Jesus indica o caminho para nossa felicidade terrena e eterna: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga” (Mc 8,34). Com esse ensinamento podemos perceber que o sofrimento nem sempre causa a infelicidade. Sobretudo, quando é visto como um “completar na carne o que falta à Paixão de Cristo”, como nos ensina São Paulo.

Seguir Jesus significa vivenciar Seus ensinamentos, tornar prática a fé que temos na pessoa d’Ele. Porém, tudo isso feito conscientemente, não levado apenas pelas circunstâncias: “Já que não tenho outra saída, então que seja assim”.

É necessário termos plena consciência de que Jesus não veio para organizar o mundo pelo exercício do poder, mas para transformá-lo pela prática do amor humilde e solidário. Isto implica sacrifício, jejum, penitência, partilha e despojamento. Por isso, o Senhor retoma a instrução aos discípulos quanto ao despojamento de si mesmos e à disponibilidade a serem assumidos por eles.

“Perder a vida” por causa de Jesus é desprezar os sedutores projetos de sucesso, enriquecimento e consumismo oferecidos pelos poderosos deste mundo. “Perder sua vida” é estar a serviço dos mais necessitados e excluídos, assim como fez Jesus. É viver o amor, comprometendo-se com a luta em vista da restauração da vida e da conquista da paz.

“Senhor Jesus Cristo, muitas vezes, eu e minha família estamos bem agarrados à nossa vida. Não queremos abandoná-la, mas guardá-la totalmente para nós. Queremos possuí-la, não oferecê-la. No entanto, o Senhor nos precede e nos mostra que é apenas dando a vida que podemos tê-la em plenitude. Ensina-nos que o caminho para que isso aconteça é o da cruz.”

Jesus nos diz que a cruz é a oferta de nós mesmos, todavia, isto nos pesa bastante.

“Dê-me a graça de entender que, na Sua Via-sacra, o Senhor levou também a minha cruz. E não a levou apenas num momento qualquer do passado – uma vez que o Seu amor é contemporâneo à minha existência -, pois a carrega hoje, comigo e por mim. De maneira admirável, quer que também eu – como outrora Simão de Cirene – leve com o Senhor a Sua cruz e, acompanhando-O, ponha-me a serviço da redenção do mundo. Ajuda-me não só a acompanhá-Lo com nobres pensamentos, mas a caminhar pelo Seu caminho com o coração. Mais ainda, com os passos concretos da vida no meu dia a dia. Liberta-me, Senhor, da vergonha, do medo da cruz, do medo daquilo que as pessoas possam dizer de mim – até mesmo a minha família -, do medo de que a minha vida possa escapar-me se não aproveitar tudo o que ela me oferece.

Ajuda-me a desmascarar as tentações que me prometem a vida, mas cujas consequências me deixam, no fim, sem objetivo e desiludido. Auxilia-me, Jesus, a não me fazer “senhor” da minha vida nem da dos outros, pois ao Senhor ela pertence. Dê-me força e coragem para renunciar a mim mesmo e tomar a cruz todos os dias. E, assim, colocar-me em Seu seguimento.

Acompanhando o Senhor pelo caminho do “grão de trigo que cai na terra para dar muito fruto” (Jo 12,24), ajuda-me a encontrar o caminho do amor que me dá verdadeiramente a vida em abundância.

Padre Bantu Mendonça

(Comunidade Canção Nova – http://www.cancaonova.com)