Permaneço com a Igreja Católica!

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Encontrei um artigo escrito pelo Pe. Joãozinho e publicado no site da Comunidade Canção Nova, logo no início do pontificado de Bento XVI. Durante a leitura deste, e de outros muitos artigos, pude perceber como, desde o princípio, Jesus Cristo nos ia revelando Bento XVI como este “pilar da fé”, da Igreja Católica.
Por vezes criticado pelo conservadorismo, o Santo Padre nos ensinou o zelo e a fidelidade à Igreja, à Sua moral e doutrina, e à vontade de Deus. Nos ensinou a, com firmeza e coragem, combater o relativismo, o fundamentalismo e as contrariedades.
Nos revelou a necessidade do conhecimento real da fé professada na Igreja de Jesus Cristo para nela, em verdade, nos firmarmos e defendermos.
Nos seus 8 anos de pontificado e na renúncia deste, nos ensinou a humildade e simplicidade de coração. “Como o Cristo que despojou-se de Si e de Sua realeza por amor de muitos, assim fez o Santo Padre” numa oferta total de vida, confiando na vontade de Deus e no sustento da Sua graça. Não buscou a glória nem os aplausos, mas apenas ser um Colaborador da Verdade.
Se renova em nosso coração uma certeza: “Pedro, tu és pedra e sobre esta pedra Eu edificarei a Minha Igreja! E as postas do inferno não prevalecerão contra Ela”.
Ao Santo Padre, Bento XVI, sempre a nossa gratidão e o nosso amor pela sua generosa oferta de vida no serviço à Igreja, à humanidade. Permaneço com Sua Santidade. Permaneço para sempre com a Igreja Católica.

Lara Vaz

Link do artigo: “Bento XVI – Seu “norte” é a verdade com a caridade

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Catequese de Bento XVI – Quaresma – 13/02/2013

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CATEQUESE
Sala Paulo VI – Vaticano
Quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Queridos irmãos e irmãs,

Hoje, Quarta-Feira de Cinzas, iniciamos o Tempo litúrgico da Quaresma, 40 dias que nos preparam para a celebração da Santa Páscoa; é um tempo de particular empenho no nosso caminho espiritual. O número 40 aparece várias vezes na Sagrada Escritura. Em particular, como sabemos, isso remete aos quarenta anos no qual o povo de Israel peregrinou no deserto: um longo período de formação para transformar o povo de Deus, mas também um longo período no qual a tentação  de ser infiel à aliança com o Senhor estava sempre presente. Quarenta foram também os dias de caminho do profeta Elias para chegar ao Monte de Deus, Horeb; como também o período que Jesus passou no deserto antes de iniciar a sua vida pública e onde foi tentado pelo diabo. Nesta catequese gostaria de concentrar-me propriamente sobre este momento da vida terrena do Filho de Deus, que leremos no Evangelho do próximo domingo.

Antes de tudo o deserto, onde Jesus se retira, é o lugar do silêncio, da pobreza, onde o homem é privado dos apoios materiais e se encontra diante da pergunta fundamental da existência, é convidado a ir ao essencial e por isto lhe é mais fácil encontrar Deus. Mas o deserto é também o lugar da morte, porque onde não tem água não tem vida, e é o lugar da solidão, em que o homem sente mais intensa a tentação. Jesus vai ao deserto, e lá é tentado a deixar a vida indicada por Deus Pai para seguir outras estradas mais fáceis e mundanas (cfr Lc 4,1-13). Assim Ele assume as nossas tentações, leva consigo a nossa miséria, para vencer o maligno e abrir-nos o caminho para Deus, o caminho da conversão.

Refletir sobre as tentações às quais Jesus é submetido no deserto é um convite para cada um de nós a responder a uma pergunta fundamental: o que conta verdadeiramente na nossa vida? Na primeira tentação, o diabo propõe a Jesus transformar uma pedra em pão para acabar com a fome. Jesus responde que o homem vive também de pão, mas não só de pão: sem uma resposta à fome de verdade, à fome de Deus, o homem não pode ser salvar (cfr vv. 3-4). Na segunda tentação, o diabo propõe a Jesus o caminho do poder: o conduz ao alto e lhe oferece o domínio do mundo; mas não é este o caminho de Deus: Jesus tem bem claro que não é o poder mundano que salva o mundo, mas o poder da cruz, da humildade, do amor (cfr vv. 5-8). Na terceira tentação, o diabo propõe a Jesus atirar-se do ponto mais alto do Templo de Jerusalém e fazer-se salvar por Deus mediante os seus anjos, de cumprir, isso é, algo de sensacional para colocar à prova o próprio Deus; mas a resposta é que Deus não é um objeto ao qual impor as nossas condições: é o Senhor de tudo (cfr vv. 9-12). Qual é o núcleo das três tentações que sofre Jesus? É a proposta de manipular Deus, de usá-Lo para os próprios interesses, para a própria glória e o próprio sucesso. E também, em sua essência, de colocar a si mesmo no lugar de Deus, removendo-O da própria existência e fazendo-O parecer supérfluo. Cada um deveria perguntar-se então: que lugar tem Deus na minha vida? É Ele o Senhor ou sou eu?

Superar a tentação de submeter Deus a si e aos próprios interesses ou de colocá-Lo em um canto e converter-se à justa ordem de prioridade, dar a Deus o primeiro lugar, é um caminho que cada cristão deve percorrer sempre de novo. “Converter-se”, um convite que escutamos muitas vezes na Quaresma, significa seguir Jesus de modo que o seu Evangelho seja guia concreta da vida; significa deixar que Deus nos transforme, parar de pensar que somos nós os únicos construtores da nossa existência; significa reconhecer que somos criaturas, que dependemos de Deus, do seu amor, e somente “perdendo” a nossa vida Nele podemos ganhá-la. Isto exige trabalhar as nossas escolhas à luz da Palavra de Deus. Hoje não se pode mais ser cristãos como simples consequência do fato de viver em uma sociedade que tem raízes cristãs: também quem nasce de uma família cristã e é educado religiosamente deve, a cada dia, renovar a escolha de ser cristão, dar a Deus o primeiro lugar, diante das tentações que uma cultura secularizada lhe propõe continuamente, diante ao juízo crítico de muitos contemporâneos.

As provas às quais a sociedade atual submete o cristão, na verdade, são tantas, e tocam a vida pessoal e social. Não é fácil ser fiel ao matrimônio cristão, praticar a misericórdia na vida cotidiana, dar espaço à oração e ao silêncio interior; não é fácil opor-se publicamente a escolhas que muitos adotam, como o aborto em caso de gravidez indesejada, a eutanásia em caso de doenças graves, ou a seleção de embriões para prevenir doenças hereditárias. A tentação de deixar de lado a própria fé está sempre presente e a conversão transforma-se uma resposta a Deus que deve ser confirmada muitas vezes na vida.

Temos como exemplo e estímulo as grandes conversões como aquela de São Paulo a caminho de Damasco, ou de Santo Agostinho, mas também na nossa época de eclipses do sentido do sagrado, a graça de Deus está a serviço e realiza maravilhas na vida de tantas pessoas. O Senhor não se cansa de bater à porta dos homens em contexto sociais e culturais que parecem ser engolidos pela secularização, como aconteceu para o russo ortodoxo Pavel Florenskij. Depois de uma educação completamente agnóstica, a ponto de demonstrar uma real hostilidade para com os ensinamentos religiosos aprendidos na escola, o cientista Florenskij encontra-se a exclamar: “Não, não se pode viver sem Deus!”, e a mudar completamente a sua vida, a ponto de tornar-se monge.

Penso também na figura de Etty Hillesum, uma jovem holandesa de origem judia que morreu em Auschwitz. Inicialmente distante de Deus, descobre-O olhando em profundidade dentro de si mesma e escreve: “Um poço muito profundo está dentro de mim. E Deus está naquele poço. Às vezes eu posso alcançá-lo, sempre mais a pedra e a areia o cobrem: então Deus está sepultado. É preciso de novo que o desenterrem” (Diario, 97). Na sua vida dispersa e inquieta, encontra Deus propriamente em meio à grande tragédia do século XX, o holocausto. Esta jovem frágil e insatisfeita, transfigurada pela fé, transforma-se em uma mulher cheia de amor e de paz interior, capaz de afirmar: “Vivo constantemente em intimidade com Deus”.

A capacidade de contrapor-se às atrações ideológicas do seu tempo para escolher a busca da verdade e abrir-se à descoberta da fé é testemunhada por outra mulher do nosso tempo, a estadunidense Dorothy Day. Em sua autobiografia, confessa abertamente ter caído na tentação de resolver tudo com a política, aderindo à proposta marxista: “Queria ir com os manifestantes, ir à prisão, escrever, influenciar os outros e deixar o meu sonho ao mundo. Quanta ambição e quanta busca de mim mesma havia nisso tudo!”. O caminho para a fé em um ambiente tão secularizado era particularmente difícil, mas a própria Graça agiu, como ela mesma destaca: “É certo que eu ouvi muitas vezes a necessidade de ir à igreja, de ajoelhar-se, dobrar a cabeça em oração. Um instinto cego, poderia-se dizer, porque eu não estava consciente da oração. Mas ia, inseria-me na atmosfera de oração…”. Deus a conduziu a uma consciente adesão à Igreja, em uma vida dedicada aos despossuídos.

Na nossa época não são poucas as conversões entendidas como o retorno de quem, depois de uma educação cristã talvez superficial, afastou-se por anos da fé e depois redescobre Cristo e o seu Evangelho. No Livro do Apocalipse, lemos: “Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei em sua casa e cearemos, eu com ele e ele comigo” (3, 20). O nosso homem interior deve preparar-se para ser visitado por Deus, e por isto não deve deixar-se invadir pelas ilusões, pelas aparências, pelas coisas materiais.

Neste Tempo de Quaresma, no Ano da Fé, renovemos o nosso empenho no caminho de conversão, para superar a tendência de fechar-nos em nós mesmos e para dar, em vez disso, espaço a Deus, olhando com os seus olhos a realidade cotidiana. A alternativa entre o fechamento no nosso egoísmo e a abertura ao amor de Deus e dos outros, podemos dizer que corresponde à alternativa das tentações de Jesus: alternativa, isso é, entre poder humano e amor da Cruz, entre uma redenção vista somente no bem-estar material e uma redenção como obra de Deus, a quem damos o primado da existência. Converter-se significa não fechar-se na busca do próprio sucesso, do próprio prestígio, da própria posição, mas assegurar que a cada dia, nas pequenas coisas, a verdade, a fé em Deus e o amor tornem-se a coisa mais importante.

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Bento XVI anuncia sua renúncia como Papa

O Papa Bento XVI anunciou nesta segunda-feira, 11, que vai renunciar à sua função como Papa no dia 28 de fevereiro. Veja abaixo o texto integral do anúncio:
Caríssimos Irmãos,

“Convoquei-vos para este Consistório não só por causa das três canonizações, mas também para vos comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idôneas para exercer adequadamente o ministério petrino. Estou bem consciente de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não só com as obras e com as palavras, mas também e igualmente sofrendo e rezando. Todavia, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado. Por isso, bem consciente da gravidade deste ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos Cardeais em 19 de Abril de 2005, pelo que, a partir de 28 de Fevereiro de 2013, às 20,00 horas, a sede de Roma, a sede de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por aqueles a quem tal compete, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice.

Caríssimos Irmãos, verdadeiramente de coração vos agradeço por todo o amor e a fadiga com que carregastes comigo o peso do meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos. Agora confiemos a Santa Igreja à solicitude do seu Pastor Supremo, Nosso Senhor Jesus Cristo, e peçamos a Maria, sua Mãe Santíssima, que assista, com a sua bondade materna, os Padres Cardeais na eleição do novo Sumo Pontífice. Pelo que me diz respeito, nomeadamente no futuro, quero servir de todo o coração, com uma vida consagrada à oração, a Santa Igreja de Deus”.

Vaticano, 10 de Fevereiro de 2013.

Bento XVI

(Canção Nova – http://www.cancaonova.com)

Em comunhão com a Santa Mãe de Deus

2673. Na oração, o Espírito Santo une-nos à pessoa do Filho Único, na sua humanidade glorificada. É por ela e nela que a nossa oração filial comunga, na Igreja, com a Mãe de Jesus (21).

2674. Desde o consentimento prestado na fé à Anunciação e mantido sem hesitação ao pé da cruz, a maternidade de Maria estende-se aos irmãos e irmãs do seu Filho ainda peregrinos e que caminham entre perigos e angústias (22). Jesus, o único mediador, é o caminho da nossa oração; Maria, sua Mãe e nossa Mãe, é pura transparência dele: Ela «mostra o caminho» («Hodêghêtria»), é «o sinal» do caminho, segundo a iconografia tradicional no Oriente e no Ocidente.

2675. Foi a partir desta singular cooperação de Maria com a acção do Espírito Santo que as Igrejas cultivaram a oração à santa Mãe de Deus, centrando-a na pessoa de Cristo manifestada nos seus mistérios. Nos inúmeros hinos e antífonas em que esta oração se exprime, alternam habitualmente dois movimentos: um «magnifica» o Senhor pelas «maravilhas» que fez pela sua humilde serva e, através d’Ela, por todos os seres humanos (23); o outro confia à Mãe de Jesus as súplicas e louvores dos filhos de Deus, pois Ela agora conhece a humanidade que n’Ela foi desposada pelo Filho de Deus.

2676. Este duplo movimento de oração a Maria encontrou uma expressão privilegiada na oração da «Ave-Maria»:

«Ave, Maria (alegrai-vos, Maria)». A saudação do anjo Gabriel abre esta oração. É o próprio Deus que, por intermédio do seu anjo, saúda Maria. A nossa oração ousa retomar a saudação a Maria com o olhar que Deus pôs na sua humilde serva (24), alegrando-nos com a alegria que Ele n’Ela encontra (25).

«Cheia de graça, o Senhor é convosco». As duas palavras da saudação do anjo esclarecem-se mutuamente. Maria é cheia de graça, porque o Senhor está com Ela. A graça de que Ela é cumulada é a presença d’Aquele que é a fonte de toda a graça. «Solta brados de alegria […] filha de Jerusalém […]; o Senhor teu Deus está no meio de ti» (Sf 3, 14. 17a). Maria, em quem o próprio Senhor vem habitar, é em pessoa a filha de Sião, a arca da aliança, o lugar onde reside a glória do Senhor: é «a morada de Deus com os homens» (Ap 21, 3). «Cheia de graça», Ela dá-se toda Aquele que n’Ela vem habitar e que Ela vai dar ao mundo.

«Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus». Depois da saudação do anjo, fazemos nossa a de Isabel. «Cheia […] do Espírito Santo» (Lc 1, 41), Isabel é a primeira, na longa sequência das gerações, a declarar Maria bem-aventurada (26): «Feliz d’Aquela que acreditou…» (Lc 1, 45); Maria é «bendita entre as mulheres», porque acreditou no cumprimento da Palavra do Senhor. Abraão, pela sua fé, tornou-se uma bênção «para todas as nações da terra» (Gn 12, 3). Pela sua fé, Maria tornou-se a mãe dos crentes, graças a quem todas as nações da terra recebem Aquele que é a própria bênção de Deus: Jesus, «fruto bendito do vosso ventre».

2677. «Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós…». Com Isabel, também nós ficamos maravilhados: «E de onde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?» (Lc 1, 43). Porque nos dá Jesus, seu Filho, Maria é Mãe de Deus e nossa Mãe; podemos confiar-lhe todas as nossas preocupações e pedidos: Ela ora por nós como orou por si própria: «Faça-se em Mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 38). Confiando-nos à sua oração, abandonamo-nos com Ela à vontade de Deus: «Seja feita a vossa vontade».

«Rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte». Pedindo a Maria que rogue por nós, reconhecemo-nos pobres pecadores e recorremos à «Mãe de misericórdia», à «Santíssima». Confiamo-nos a Ela «agora», no hoje das nossas vidas. E a nossa confiança alarga-se para lhe confiar, desde agora, «a hora da nossa morte». Que Ela esteja então presente como na morte do seu Filho na cruz e que, na hora do nosso passamento, Ela nos acolha como nossa Mãe (27), para nos levar ao seu Filho Jesus, no Paraíso.

2678. A piedade medieval do Ocidente propagou a oração do rosário como substituto popular da Liturgia das Horas. No Oriente, a forma litânica do akáthistos e da paráclêsis ficou mais próxima do ofício coral nas Igrejas bizantinas, ao passo que as tradições arménia, copta e siríaca preferiram os hinos e cânticos populares à Mãe de Deus. Mas, na Ave-Maria, nas theotokía, nos hinos de Santo Efrém ou de São Gregório de Narek, a tradição da oração é fundamentalmente a mesma.

2679. Maria é a orante perfeita, figura da Igreja. Quando Lhe oramos, aderimos com Ela ao desígnio do Pai, que envia o seu Filho para salvar todos os homens. Como o discípulo amado, nós acolhemos em nossa casa (28) a Mãe de Jesus que se tornou Mãe de todos os viventes. Podemos orar com Ela e orar-Lhe a Ela. A oração da Igreja é como que sustentada pela oração de Maria. Está-lhe unida na esperança (29).

Catecismo da Igreja Católica, Quarta parte, “A oração cristã”.

Nosso amor à Igreja

“A Igreja é a carícia do amor de Deus ao mundo.” Papa João Paulo II 

Vamos refletir sobre a Igreja, buscando afervorar o amor por ela. Começo por definir o que vem a ser a Igreja. Os Santos Padres, teólogos dos primeiros séculos, consideram-na Comunidade de fé e de caridade, dando a essa caridade o nome de ágape.

A Igreja é a Comunidade daqueles que seguem a mesma fé: “Há um só Senhor, uma só fé, um só Batismo. Há um só Deus e Pai de todos, que atua acima de todos, por todos e em todos”, diz São Paulo (Ef 4,5-6). Esta Comunidade caracteriza-se, externamente, pelo dinamismo e a criatividade do amor ao próximo: isto é o que chamamos de caridade. São João dedica grande parte de sua Primeira Carta ao conhecimento de Deus através da fé e da caridade, pelo nosso devotamento aos irmãos.

Esta Comunidade nasceu do sangue de Cristo, derramado na cruz. Foi lá que se deu, propriamente, o surgimento da Igreja e a consagração de nosso amor a ela. Do Corpo Físico do Senhor, pendente exangue do madeiro, surgiu o seu Corpo Místico, do qual Ele é a Cabeça e nós, os membros. Esta é a Igreja de Cristo, que chamamos Católica, por estar espalhada pelo mundo todo, cumprindo a missão que seu próprio fundador lhe confiou. Nela se encontra a plenitude da verdade e dos meios de salvação, embora esta verdade se esclareça dia após dia, pela atuação do Espírito Santo.

Tendo nascido do lado aberto de Cristo, como falam os Santos Padres, a Igreja é a dispensadora das torrentes da graça divina para o mundo, uma plenitude que nos cabe colher, na proporção de nossas capacidades, da própria fonte primordial, que é o Cristo crucificado: “Tirareis com alegria águas das fontes da salvação” (Is 12,3). As fontes da salvação são os atos salvíficos de Cristo: as chagas, as lágrimas de dor e o indescritível sofrimento vividos na Paixão, o grande Mistério de seu amor por nós, consubstanciado nos Sacramentos. Bebendo desta fonte, nasce e se fortalece nosso amor à Igreja.

Uma segunda visão sobre a Igreja de Cristo é a perspectiva de Assembléia, convocada pelo Espírito Santo, no dia de Pentecostes. Os discípulos, aproximadamente 120 pessoas, ficaram reunidos durante uma semana inteira, no aguardo da vinda do Prometido. Os Atos dos Apóstolos narram que o Espírito Santo desceu sobre cada um deles, como chama de fogo (cf. At 2,1-4). Invadiu-os o Dom divino, que ilumina com a verdade, pacifica com a fidelidade e aquece com o próprio Amor Pessoal do Pai e do Filho. Também nós fomos convocados, no Pentecostes de nosso Batismo e da Crisma, a espalhar a boa notícia do Cristo, convidando ao seu seguimento todos que pudermos atingir pelo testemunho.

A Igreja fundamenta-se sobre o Senhor, pedra angular, profetizada no Salmo: “A pedra que os construtores rejeitaram, tornou-se a pedra angular. Isso vem de Javé, e é maravilha aos nossos olhos” (Sl 117[118],22-23). Apoiados nesta Pedra erguem-se, como colunas, os Apóstolos, que sustentam a construção eclesial. O próprio Jesus deu ao seu Representante visível na terra o nome de pedra: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16,18). A Igreja já conta com 265 sucessores de Pedro, incluindo o atual Papa Bento XVI.

No grupo dos 12 Apóstolos, Matias foi eleito para substituir Judas Iscariotes. Mais tarde, a conversão de Paulo de Tarso enriqueceu a Igreja com o maior dos Apóstolos, grande Missionário dos Gentios e autor da maioria dos escritos da Nova Aliança. A estrutura eclesial vai-se firmando gradativamente, à medida em que incorpora as comunidades dos fiéis, unidos pela identidade de fé e de amor recíproco. E assim se ergue, maravilhosamente, o edifício da Igreja.

Este edifício abre suas portas a todos, através da caridade social, embasada na Doutrina Social da Igreja. Trata-se de um corpus doutrinário que nasceu, evidentemente, do ensinamento global e inspirado de Sagrada Escritura, e que se foi estruturando ao longo dos séculos. Sua grande expansão, em âmbito social, deu-se a partir do Papa Leão XIII (1878-1903) e chegou aos nossos dias, com diversos documentos fundamentais dos últimos Papas.

A prática da caridade social está consubstanciada em organizações assistenciais e de promoção humana, que persistem pelos mais de 2 mil anos de existência da Igreja. Conforme já citei em outras oportunidades, estas organizações, somente aqui na Arquidiocese do Rio de Janeiro, atendem em torno de 4 milhões de pessoas por ano.

A Igreja se caracteriza, também, pela vida sacramental. Este é um ponto distintivo, que é importante citar. A Igreja Católica é a única que possui os sete Sacramentos, instituídos por Cristo, e confirmados pelos Apóstolos. Não se pode negar a existência de “sementes da verdade” em outras Comunidades Eclesiais, mas na Igreja Católica encontra-se a plenitude da verdade, legada por seu Fundador. Reconhecêmo-lo presente em nós e entre nós, pela força do Espírito Santo, sobretudo nos Sacramentos.

Como devemos demonstrar nosso amor à Igreja? Em primeiro lugar, pelo respeito à sua organização e estrutura. Muitos não gostam desta palavra, mas não existe Comunidade sem estrutura. Assim, a Hierarquia é fundamental para a Igreja, embora sua atuação não precise ser exageradamente acentuada, como já ocorreu em épocas anteriores.

O respeito à organização da Igreja se manifesta no interesse pelo andamento de seu trabalho pastoral, administrativo e social. Tudo isso é amor, que brota da tomada de consciência de sermos seus membros, chamados a frutificar, através da participação ativa no culto e nas Pastorais.

Na Arquidiocese do Rio de Janeiro temos mais de 40 pastorais. Convido os caros leitores e amigos a se informarem, nas suas respectivas Paróquias, sobre as variadas formas de participação e auxílio que podem ser oferecidos às nossas Pastorais. Sua diversidade é uma grande riqueza, onde sempre se encontram aplicações para os talentos disponíveis, os ministérios “escondidos”.

Amor à Igreja é um sentimento que não se adquire, sem mais. É preciso desenvolvê-lo, a começar da freqüência aos Sacramentos, especialmente, da Santa Missa aos domingos e dias santos de guarda. A partir daí, todo o nosso trabalho estará consagrado ao Senhor. Antes de ser uma obrigação, é um privilégio. Jesus não precisa da nossa presença. Nós é que nos enriquecemos com a sua proximidade e atuação, graciosa e gratuita, em todas as circunstâncias em que o procuramos.

Cardeal D. Eusébio Oscar Scheid, Arcebispo da Arquidiocese do Rio de Janeiro
19 de Fevereiro de 2008

(Cléofas – http://www.cleofas.com.br/)

Santa Rita de Cássia

“A Santa das Causas Impossíveis”

CONTEXTO DA VIDA DE SANTA RITA

Santa Rita viveu na segunda metade do século XIV e na primeira metade do século XV, época em que a barca de Pedro era agitada por tempestades que a teriam feito afundar se não fosse Deus.
Em 1305, subiu ao trono de Pedro, Clemente V que não quis residir em Roma, fixando a sede do papado na cidade francesa de Avinhão.
Os papas que lhe sucederam até Gregório XI, durante 73 anos deixaram a sede romana até que este último Pontífice, movido pelas insistentes exortações de Santa Brígida da Suécia e Santa Catarina de Sena, decidiu retornar a Roma em 1377, encontrando a cidade na maior desolação.
Com a morte de Gregório XI no ano seguinte começou então o cisma do ocidente. Desencadeado em 1378, terminou em 1417 com a eleição de Martinho V, feita pelo Concílio de Constança.
Após 73 anos em Avinhão e 40 anos de cisma, chegara-se a tal confusão que não mais se sabia qual era o verdadeiro vigário de nosso Senhor Jesus Cristo. A disciplina do clero diminuíra e o povo se tornava cada vez mais sem referências.
Entretanto, é maravilhoso observar como, nesses tempos tempestuosos, Deus não abandonou sua Igreja e enviou pessoas que pela palavra e pelo exemplo mantiveram aceso o facho da fé. Assim foram os santos Bernardino de Sena, Thiago della Marca, Antoninho de Florença, Lourenço Justiniano de Veneza e aqueles que tiveram grande influência nos destinos da igreja, como Santa Brígida da Suécia, Santa Catarina de Sena, e outros, enfim, que no silêncio do claustro foram surgindo nesta época. E nossa querida Santa Rita de Cássia nasceu em meio a todas estas turbulências e alegrias.

O NASCIMENTO DE UMA SANTA

Nascida em 22 de maio de 1381, filha de Antônio11 e Amata, Marguerita – do latim Margarita – que significa pérola ou pedra preciosa, recebeu o apelido de Rita. Esta santa nasceu na Itália, na província da Úmbria, mais propriamente em Rocca Porena, que em sua época era próxima à Cássia, mais tarde, porém Rocca Porena passou a ser parte integrante de Cássia. Onde nossa santinha fez morada no Convento de Santa Maria Madalena na cidade de Cássia. Por isso a denominação Santa Rita de Cássia.
Em um pequeno grupo de casas com uma centena de habitantes: aí nasceu Santa Rita. Hoje podemos considerar que Rocca Porena é o equivalente à um bairro ou vila de Cássia.
É bom sabermos que, todos os que descrevem a vida de Santa Rita relembram as belas virtudes de seus pais, os felizes pais de Santa Rita, foram admiráveis por seus costumes e por sua piedade. Desempenhavam a função de juízes de paz, de pacificadores em um lugar que era conhecido pela violência de seu povo e pelos propósitos de vingança pessoal pelo mesmo estabelecido.

AS ABELHAS BRANCAS DA INFÂNCIA DE RITA

Segundo antiga tradição de seu convento, Rita foi batizada na Igreja Santa Maria dos Pobres. Poucos dias após o batismo ocorreu um maravilhoso acontecimento, representado numa bela pintura do século XVII e também numa fonte em Rocca Porena; uma delicada história envolvendo abelhas brancas.
O fato das abelhas é relatado por todos os biógrafos da Santa. Quando Antonio e Amata saiam para trabalhar colocavam Rita em um cestinho e abrigavam-na à sombra das árvores. Um dia, um enxame de abelhas brancas envolveu a criança, muitas delas estavam em sua boca depositando mel, sem a ferroar.

“ Na literatura espiritual, as abelhas e o seu mel significam ‘doce conversação’, diálogo com Deus. Em outras palavras, mais doce que o próprio mel. A mesma história se narra de Santo Ambrósio, Bispo de Milão.”(Besen, Pe. José Artulino. Coleção: Os grandes santos. Santa Rita de Cássia. Jornal Missão Jovem. 2002. pg 9).

OS CINCO ESTÁGIOS DA VIDA DE SANTA RITA CÁSSIA

1.FILHA.

Antônio e Amata podiam dizer-se um casal feliz, entretanto faltava-lhes uma descendência. Casaram-se em 1339 e passaram-se 53 anos até a chegada de sua filha. Neste caso não é inútil lembrar que as afirmações destes fatos se deram após escrupuloso e consciencioso exame pela autoridade suprema da igreja e por esta sancionados. E a pergunta é: seria possível relatar a vida dos santos sem acabar tropeçando no que é sobrenatural ou fora do comum?
Felizmente neles tudo foge à vida comum.
Sendo Santa Rita, a filha única de pais muito idosos, podemos imaginar, que devido à idade avançada dos mesmos, à qual Rita era o único amparo, a santa deveria trabalhar da manhã à noite desde seus mais tenros anos.

“Além do trabalho, aplicava-se à obediência, ao sacrifício da própria vontade, coisas tão difíceis para as crianças, […] veremos como Rita, quando conseguiu entrar no convento, era já uma religiosa perfeita” (Marchi, Mons. Luís de . Santa Rita de Cássia. 17ª ed. Editora Paulus. 1994. pg 21)

2.ESPOSA.

Rita, certamente, desde criança havia aspirado à vida religiosa, mas, não podendo deixar seus velhos pais desamparados, e ainda, por ser uma filha obediente que sacrificava à própria vontade para atender a um pedido de seus pais, acabou unindo-se em matrimônio com Paulo Ferdinando, para atender a vontade de seus pais.
A respeito de Ferdinando conta-se que ele era um homem feroz, vingativo e agressivo, um homem daqueles que não leva desaforo para casa.
A virtude, a paciência e muita oração durante 18 anos fizeram com que o cordeiro vencesse o lobo. Paulo Ferdinando começou a refletir e admirar a incomparável paciência de Rita e teve vergonha de si mesmo. Assim, a graça divina triunfava sobre a natureza selvagem. Paulo agora, estava convertido. Entretanto, muitos daqueles que foram ofendidos por ele tiveram a grandeza de perdoar-lhe, mas não todos.

3.MÃE.

Os historiadores informam com exatidão que Rita teve dois filhos. Alguns dizem gêmeos, outros não. Alguns dizem que um deles se chamava Tiago Antonio, outros João Tiago. Todavia, estão de acordo com relação ao nome do outro filho, que era Paulo Maria.
Enquanto Rita se ocupava da educação de seus filhos, morreram seus pais. Eles faleceram em 1402, ele no dia 19 de março ( dia de S. José ), e ela no dia da 25 de março ( dia da Anunciação). Não há dúvidas do sofrimento de Rita com este acontecimento.
A vida de Rita foi assim, breves sorrisos e novas lágrimas. Desde que Paulo deixou de ser dominado pela paixão de vinganças, poderia-se dizer que a família da Santa era feliz.

4.VIÚVA.

Quando tudo parecia calmo, o marido de Santa Rita é assassinado. Ferdinando, voltando uma noite para casa, ao passar pelo estreito caminho do rio Carno e não trazendo consigo arma alguma, foi atacado pelos seus inimigos que o mataram cruelmente. Segundo a tradição que foi recontada no processo de beatificação de Santa Rita, ela correu na frente com algumas pessoas, para esconder dos filhos a camisa ensangüentada de Paulo. Ela esconde as roupas manchadas de sangue porque temia que os filhos, à vista do sangue do pai, se sentissem chamados à vingança e mais tarde se tornassem criminosos.
Foi preciso muita oração daquela santa mãe para aplacar a sede de vingança dos corações de seus filhos, mas o ódio crescia em seus corações. Foi então que Rita ofereceu seus filhos à Deus porque preferia vê-los mortos que criminosos. Deus ouviu sua oração e dentro de um ano, os dois jovens foram atingidos por uma doença e faleceram. Foram sepultados junto a seu pai na Igreja de São Montano. Uma profunda dor atravessou o coração daquela viúva e mãe.

5.RELIGIOSA.

Pais mortos, esposo e filhos mortos. Rita, retoma assim o ideal da vida religiosa, o desejo de ingressar no Convento de Santa Maria Madalena, convento agostiniano de Cássia. Diversas vezes bateu às portas do convento, mas foi rejeitada. Recorreu à oração, às mortificações, às boas obras e, embora vivendo no mundo, levava uma vida onde observava fielmente os preceitos evangélicos.
“Reza uma piedosa tradição que os santos padroeiros de Santa Rita, São João Batista, Santo Agostinho e São Nicolau de Tolentino a tomaram nos braços no Rochedo de Rocca Porena e a transportaram para dentro do convento, para espanto e convencimento da abadessa e de todas as religiosas. Claramente a lenda quer significar que Rita atribuiu a seus santos patronos a obtenção da graça.”(Besen, Pe. José Artulino. Coleção: Os grandes santos. Santa Rita de Cássia. Jornal Missão Jovem. 2002. pg 14).
Quando as religiosas desceram para se reunir ao coro, ficaram estupefatas ao encontrar a santa mulher que tinha sido insistentemente rejeitada. E o detalhe é que o convento era fortemente fechado, não havia como arrombá-lo. Isso explica o motivo pelo qual ela foi aceita e vestiu o hábito de monja agostiniana em Cássia, aqui ela já estava com 36 anos.
Rita mantinha suas características de obediência, esta à sua Madre Superiora era total, e a Madre, para lhe pôr à prova, ordenou-lhe que regasse de manhã e de tarde um galho seco, uma cepa de videira já destinada ao fogo. E Rita assim o fez, toda manhã e toda tarde desempenhava esta tarefa. Muito tempo durou isso, coisa aparentemente inútil, mas que alcançava à boa noviça méritos no céu. Certo dia, entretanto, da haste seca, surgiram brotos e folhas, e assim se desenvolveu maravilhosamente uma videira, dando a seu tempo deliciosas uvas. Rita ali viveu 40 anos.

OS FIGOS E AS ROSAS

Os historiadores contam que em pleno inverno, quando no campo havia uma espessa camada de neve, esteve no convento uma amiga de Rita para visitá-la, e ao se despedir perguntou se desejaria alguma coisa de sua antiga casa.
E Rita respondeu que gostaria de receber uma rosa e dois figos. A essas palavras a visitante empalideceu, pensando que Rita delirasse, mas para não entristecê-la , prometeu trazê-los.
E ao chegar no antigo jardim de Rita, teve uma grande surpresa, viu uma linda rosa num arbusto contraído pela geada, e o mesmo ocorreu com os figos, que eram belos e maduros.
Por isso a tradição de abençoar rosas nas festas de Santa Rita.

UM ESTIGMA DE CRISTO:

Em 1442, na Sexta-feira Santa, Rita ouvia o sermão de São Thiago della Marca sobre a coroação de espinhos de nosso Senhor. Voltando ao convento, profundamente emocionada com o que ouvira, prostrou-se diante da imagem do crucifixo que se achava em uma capela interior, próxima do coro, e suplicou ardentemente a nosso Senhor que lhe concedesse participar de suas dores.
À dor, Jesus quis juntar humilhação e o isolamento. A chaga de Rita converteu-se numa ferida purulenta e fétida, e ela teve de ser recolhida a uma cela distante, onde uma religiosa levava-lhe o necessário para viver. Durante 15 anos este estigma esteve consigo, até sua morte.
Em 1450, o Papa Nicolau V promulgou um jubileu, um Ano Santo. Rita queria ir à Roma, entretanto sua ferida a impossibilitava. A Santa não perdeu a esperança e pôs-se a pedir que Jesus lhe desse a graça, humanamente impossível, de fazer desaparecer a ferida até a volta de Roma, conservando-lhe a dor.
Desapareceu a ferida e Rita partiu com várias irmãs, quando ocorreu este fato, Rita já tinha 60 anos. Esta foi a única vez que a ferida cicatrizou. Retornando de Roma, a ferida reabriu, e assim permaneceu até sua morte.
Entretanto, a verdadeira doença de Rita começou no fim de 1453 e durou 4 anos, quando, a 22 de maio de 1457, um sábado, sua bela alma deixava este mundo e voava para o céu.
Apenas a Santa exalara o último suspiro, Deus quis, por repetidos prodígios, manifestar no mundo o grau de perfeição a que chegara.
Sua ferida estava cicatrizada e o semblante de Rita bonito e com aparência feliz. Além disso, exalava um suave perfume.
Conta-se que o transporte do corpo para a igreja foi um verdadeiro triunfo.

“ E tiveram início os milagres que não mais cessaram. Os primeiros são documentados e nos trazem à lembrança os nomes e sofrimentos de pessoas humildes de meio milênio atrás.
Ângelo Batista era completamente cego. Confiante, tocou na urna da Santa e ,imediatamente, ficou curado. Lucrécia Paoli, sofrendo de hisia, chegou apoiada num bastão. Aproximou-se do sepulcro de Santa Rita, rezou, tocou-o e saiu completamente curada.
Salimene Antonio, de Poggio, tinha um dedo paralisado, com ele tocou a urna da Santa e foi curado.
Giacomúcia Leonardi, de Oscese, velha e totalmente inchada, foi carregada nos braços para ver o túmulo de Santa Rita. Para espanto e alegria de todos, num instante estava curada e saiu andando.
Deus operava maravilhas pela sua intercessão, e ainda hoje continua manifestando sua predileção por esta sua filha da Úmbria.” (Besen, Pe. José Artulino. Coleção: Os grandes santos. Santa Rita de Cássia. Jornal Missão Jovem. 2002. pg 23 e 24).

AS ABELHAS

Ao falar da glorificação de Santa Rita, temos que contar um fenômeno que apareceu após sua morte e dura até hoje. Apareceram abelhas brancas ao redor do berço quando Rita estava no campo com seus pais. E então, após sua morte, aparecem outras abelhas, sem ferrões e antenas que fizeram morada junto ao muro do antigo mosteiro.

CORPO INTACTO

“No reconhecimento do corpo, feito por ocasião de sua beatificação, isto é, cerca de 200 anos após sua morte, os delegados emitiram a declaração seguinte, que damos, traduzida do latim:

‘No ataúde está o corpo da supracitada serva do Senhor, vestida com o hábito monástico da Ordem de Santo Agostinho, o qual parece tão intacto como se a dita serva de Deus tivesse morrido recentemente.
Vemos perfeitamente a carne branca, em parte alguma corrompida, a fronte, os olhos com as pálpebras, o nariz, a boca, o queixo e toda a face tão bem disposta, inteira como a de uma pessoa morta no mesmo dia.
Vêem-se igualmente brancas e intactas as mãos da dita serva de Deus e se pode perfeitamente contar os dedos com as unhas, semelhantes aos dedos de pessoas que acabaram de morrer. Assim também os pés.’

[…]

Mas o fato mais maravilhoso que acontece com o corpo de Santa Rita e que, de vez em quando, ele se move de diversas maneiras. Os atos autênticos da sua beatificação e da canonização o atestam, segundo testemunhos repetidos e dignos de fé, desde 1629 até 1899, sem contar os mais recentes, coligidos para a sua canonização, feita por Leão XIII em 1900.

[..]

É de notar, entre outros fatos, que a Santa abriu os olhos em 16 de julho de 1628 para apaziguar um tumulto enquanto Cássia e Roma celebravam a festa de sua beatificação. O processo regular deste fato se conserva no arquivo do arcebispado de Spoleto.” (Marchi, Mons. Luís de . Santa Rita de Cássia. 17ª ed. Editora Paulus. 1994. pg 110 à 112)
Hoje, o corpo de Santa Rita, repousa em uma urna de cristal na Basílica da Cássia onde é visitado diariamente.

CANONIZAÇÃO

O processo de canonização se deu 453 anos após sua morte, 272 anos após sua beatificação. Três milagres aconteceram antes da canonização:
Cura instantânea de Elisabet Bergamini de 7 anos;
Cura de Cosme Pelegrini, com 70 anos ( viu em sonhos Santa Rita e curou-se);
Cura de uma religiosa Clara Isabel Garófalo, monja do mesmo convento de Santa Rita. Estava a religiosa acamada e ouviu a Santa dizendo-lhe: “levante-se!”
Estes três milagres foram aprovados e assim a canonização de Rita ocorreu no dia 24 de maio de 1900, sendo o Papa Leão XIII quem incluiu Santa Rita de Cássia na lista de todos os santos da Igreja.

(Fonte: http://www.santuariosantaritadecassia.net/)

Busque a maturidade espiritual

Nossos triunfos espirituais, muitas vezes, brotam com o sacrifício e a dor. Esse triunfo é estar na presença de Deus, independentemente da sua tristeza, da sua doença ou da sua depressão.

O pior fracasso espiritual que pode nos atingir é retirar Deus de nossa vida. E isso acontece quando idolatramos e adoramos falsos deuses. Na primeira leitura de hoje foi essa a experiência que o povo de Deus viveu, quando optou pelo imediatismo, buscando as respostas no Senhor só quando lhe era conveniente.

Talvez você, nesse tempo de Quaresma, também já tenha experimentado o imediatismo, abandonando Deus e buscando as respostas em outros lugares. Talvez você já tenha abandonado sua penitência e se desviado do propósito que é viver a fidelidade ao Senhor.

Mas esse fracasso só vem quando somos imaturos espiritualmente, porque ainda vivemos na dependência total d’Ele, esquecendo que Deus caminha à nossa frente nos guiando.

A vida espiritual passa por “noites escuras” e por “desertos”. Haverá dias em que você não terá vontade de sair de sua cama e ir à Santa Missa, mas, mesmo assim, você vai por uma decisão sua, por amor a Deus, porque compreende que na Celebração Eucarística você viverá um encontro com Ele. Essa pessoa, sim, pode dizer que atingiu a maturidade espiritual que o Senhor espera de Seus filhos.

Não podemos ficar presos ao passado, assim como o povo de Deus, que voltou a adorar um falso deus; pois ao agirmos assim, não seremos capazes de chegar à nossa “terra prometida”.

O imediatismo, a dependência espiritual [ao mal] e a prisão ao passado fazem de nós um povo fracassado. E quando nos deparamos com isso, estamos a um passo do sincretismo religioso, buscando aquilo que nos é cômodo só para ir ao encontro do que nos é conforável.

Não misture a sua fé com nada! Viva a sua fé pura, assim como a recebeu da Igreja! Defenda os seus valores, e isso precisa começar dentro do seu lar. Somos chamados a adorar a um só Deus, Aquele que é único e verdadeiro.

Moisés, no Evangelho de hoje, é a prefiguração do Cristo, que desce de Sua condição de intimidade com Deus para acolher o Seu povo corrompido pelo pecado. Assim Jesus fez, deixando Sua divindade, sendo obediente ao Pai e se entregando na cruz para nossa redenção.

Talvez o Altíssimo hoje esteja se queixando, assim como fez com Moisés, em relação a nós. Porque colocamos inúmeras coisas no centro de nossas vidas, mas nunca Aquele que deveria ser nossa prioridade. Nós assumimos a idolatria trocando Deus Pai, que foi capaz de dar o único Filho para nos salvar.

Mas, mesmo assim, Deus não nos abandona, Ele faz com que Sua misericórdia seja maior do que qualquer erro que podemos cometer.

Tudo parte do mistério da cruz. Deus Pai já se esqueceu de todos os erros que você cometeu, não importam mais. Mesmo as infidelidades que cometeu contra Ele, e em Jesus Cristo, redimiu todos seus pecados. Já não há mais “vales escuros”! Só dias claros. Creia nas promessas de Deus e permita que sua vida seja impulsionada pelo amor do Pai.

Padre Donizete Heleno

(Canção Nova – http://www.cancaonova.com)