Reconciliai-vos com Deus – Convite a experimentar a Misericórdia

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Estamos nos aproximando da Semana Santa. O tempo da Quaresma, como caminhada de conversão e penitência rumo à Páscoa, tem como um belo e importante sinal visível dessa caminhada de “metanóia” a celebração do sacramento da Penitência. Somos chamados a fazer a experiência da misericórdia de Deus em nossas vidas. Para isso, somos iluminados pela Palavra de Deus e a ação do Espírito Santo para que, aprofundando a nossa realidade de pecado, experimentemos ainda mais a graça que nos vem pelo amor derramado em nossos corações em Jesus Cristo, nosso Senhor.

O pecado é o ato voluntário de quem se afasta da comunicação com a graça divina. Mas o sacramento da Reconciliação, ou Confissão, como também se pode chamar, vem reatar os laços da pessoa com Deus. Quando Jesus inicia sua vida pública, anuncia um convite à penitência: “porque o Reino de Deus está próximo”. Isto já se dá no momento do seu batismo, e, convida o precursor, São João Batista, para que continue nesta pedagogia divina. Sabemos que as consequências do pecado vão longe, não só em nossas vidas, mas também na própria vida social.

A Penitência é a ação que nos conduz a uma vida nova e a viver em oração e fidelidade ao Evangelho e, por isso, somos chamados a uma vida de conversão para prevenir contra as faltas no futuro. Podemos ver nas cartas paulinas quão inúmeras vezes o Apóstolo Paulo exorta as comunidades à reconciliação. Vale lembrar das consequências do pecado na vida da pessoa humana, nos relacionamentos e no próprio tecido social.

A Igreja recomenda confessar-se pelo menos pela Páscoa da Ressurreição, mas este sacramento deve ser buscado sempre que houver alguma transgressão à Lei Divina. Ou seja, pelo exame de consciência, o ser humano saberá da necessidade de buscar a reconciliação. Quanto mais somos iluminados pela Palavra e quanto mais perto do Senhor, mais enxergamos nossos pecados. Deus não condena o pecador, mas repudia o pecado. Basta recordar o capítulo 15 de São Lucas e tantos outros trechos do Evangelho, que nos falam da alegria do pecador arrependido. Deus é sempre justo e misericordioso, e como Pai bondoso sempre espera o retorno de seu filho amado, obra de Sua vontade para você existir no mundo. Lembre-se: você é querido, amado e pensado por Deus! O retorno ao amor de Deus transforma os corações, os pensamentos e comportamentos daquele que caminha como uma nova pessoa, deixando para trás tudo o que fazia parte do velho homem.

Pela razão e pela fé, vemos no pecado o pior dos males; por isso há a necessidade de conversão e reconciliação, na busca do sacramento da Confissão, que religa a alma humana à graça divina. Na prática, após a confissão, o penitente deve ter a clara consciência de suas atitudes e/ou lugares que põem sua alma em risco. A nova vida o leva a ter novas atitudes.

Às vezes acontece que numa confissão regular, mensal, por exemplo, o “penitente” possa ficar preso em um impasse. Isso ocorre quando se nota que na confissão a rotina dos pecados é a mesma. Ele tem uma boa vontade, ele vê seus pecados, sempre se arrepende, e decide melhorar. E até agora nada. Cada vez é a mesma coisa. Esta situação pode causar frustração. Pois nada realmente mudou na minha vida espiritual? E o penitente se questiona: Eu sou moralmente tão corrupto? Ou talvez eu seja apenas um que não sirvo para nada?

Cada momento é uma nova oportunidade de caminhada, na direção à comunhão com Deus e com os irmãos e irmãs. Torna-se necessário rever nosso estilo de vida. Encontrar as raízes de nosso pecado. É importante rezar todos os dias e, para isso, é necessário intimidade, um lugar que é o meu espaço pessoal para o encontro com Deus e comigo mesmo. Tendo um lugar de oração é mais fácil manter a regularidade e o tempo de meditação e reflexão. São Bento sempre dizia “Ora et labora”, que quer dizer: “oração e trabalho!”

E quem pode se esquecer do momento em que Jesus, pregado na cruz, dialoga com um famoso ladrão também pregado ao lado dele? “Mestre, quando estiver no Reino de Deus, lembra-se de mim!” e Jesus responde: “Ainda hoje estarás no paraíso comigo!” Existe maior prova de amor e misericórdia que isso? Mesmo sangrando e perfurado pelos pregos, lá na cruz, Jesus estende seu gesto de misericórdia. Daí, podemos perceber como que, de fato, o amor de Deus se estende e sua misericórdia transcende. E o soldado, aos pés da cruz, que exclama: “Este Homem é, de fato, o Filho de Deus!”

Por isso, o rito da Confissão é um ato que leva à justiça para com Deus, nos reincorpora em Jesus, retomando a nossa veste batismal, pois somos unidos como ramos à videira pelo próprio sacramento do Batismo.

Caríssimos, estamos já bem próximos da Páscoa do Senhor. Em todo o mundo é um período privilegiado para a aproximação ao sacramento da confissão. Não deixe de visitar sua paróquia ou comunidade e verificar o calendário dos mutirões de confissão. Reconciliação com Deus, neste sacramento, é o abraço Dele de acolhida ao filho ou filha. Sinta, depois disso, o alívio em seu coração e comungue com leveza de coração!

Santa Páscoa a todos! Rezem pela nossa santa Igreja e pelo nosso Papa Francisco, neste novo período que iniciamos. Deus dê a todos uma santa continuação da Quaresma e os abençoe!

Dom Orani João Tempesta
Arcebispo Metropolitano do Rio de Janeiro

Fonte: Canção Nova – http://www.cancaonova.com

O olhar do amigo destrói o mal dentro de nós

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A palavra do amigo simplifica as coisas e descomplica as agitações dentro de nós…

Todo ser humano, em alguns determinados momentos de sua história, acaba se percebendo frágil e diante de notórias dificuldades. Isso é comum e próprio de qualquer experiência de existência. Contudo, é verdade que em momentos de ausência e fragilidade, algumas específicas presenças podem trazer um conforto único e todo especial para o coração.

O que acaba atenuando certas dores que experienciamos não é tanto a intensidade com que as mesmas acontecem, mas, a ausência de presenças que nos amparem e sustentem nesses específicos momentos. Não são tanto os problemas que realizam o ofício de nos destruir, mas sim a ausência de apoio e motivação diante deles, ou seja, a ausência de sadias e confortadoras presenças a nos encorajar diante dos obstáculos apresentados a nós pelas circunstâncias.

Quão bem faz ao coração o olhar e a presença de um amigo diante de um momento de dor. Mesmo que esse nada diga… apenas o olhar daqueles que nos amam já tem o poder comunicar a força de que necessitamos para a superação. Nesse encontro (amizade) as dores ganham um novo sentido, e o vazio é revestido por vida e presença.

Sem dúvida alguma, a experiência de interação e de uma sincera amizade é necessária e recomendável à saúde emocional de qualquer pessoa. O próprio Jesus fez questão de ter amigos e de cultivar intensamente Suas amizades, assim revelando a essencialidade de tal realidade.

Em Seus principais momentos, tanto de alegria como de tristeza, Ele teve amigos ao Seu lado com quais pode repartir o que vivenciava… pessoas que se tornaram os depositários de Seus silenciosos e profundos segredos de amor… segredos esses que foram posteriormente a nós revelados através desses fies depositários (os amigos de Jesus).

É preciso descobrir e cultivar a amizade, mesmo diante de desencontros e diferenças, pois essa bela experiência tem a força de nos libertar do egoísmo e de nos completar de forma extremamente realizadora e significativa.

A palavra do amigo descomplica nossas agitações, desmistificando nossos fantasmas e assim revelando a inverdade dos medos e ilusões que insistimos em fabricar. A presença dele (amigo) torna até o sofrimento suportável e uma fonte crescimento e maturação. O seu olhar tem o poder destruir o mal em nós, fazendo nascer no coração uma singela esperança.

Quando não temos amigos (pessoas) com os quais partilhar o que somos e experienciamos, tudo acaba se tornando mais confuso e pesado para nós. A verdadeira amizade nos dá possibilidade de termos fardos mais leves, pois partilhados com pessoas que nos conhecem e para os quais não precisamos constantemente nos justificar.

Precisamos viver sem receio essa rica e profunda experiência. Contudo, não poderemos eleger como “amigos” aqueles que, de fato, não o são e que não nos levam para o bem, pois ao contrário colheremos a decepção e a insatisfação como fruto dessa irrefletida escolha.

É preciso assumir na própria história os amigos que verdadeiramente são amigos estabelecendo com esses uma profunda interação, onde se dá e se recebe, onde falamos e também somos capazes de escutar. Assim nossa vida será mais completa e as dores mais possíveis de se enfrentar, pois, toda a ausência presente no ser poderá ser perenemente preenchida, acompanhada por olhares que nos compreendem e que escolheram em nós acreditar.

Vivamos sem medo essa linda experiência!

Pe Adriano Zandoná

Fonte: Canção Nova – blog.cancaonova.com/padreadrianozandona

Partilha

Ainda extasiada com a homilia do Santo Padre, no dia 24 de Dezembro. Me fez recordar as palavras do Jornalista Huckabee no noticiário da Fox, onde fala sobre o massacre na escola americana, no dia 14 deste mesmo mês.
Huckabee diz que “Uma cultura sem Deus, reflete na verdade o que ela se tornou” porque tem-se tentado sistematicamente remover Deus da nossa sociedade. Nessa mesma linha, Bento XVI em sua homilia nos coloca diante de diversas reflexões quanto ao espaço que damos a Deus em nossas vidas. Diz o Papa que “Mesmo quando – Cristo – parece bater à porta do nosso pensamento, temos que arranjar qualquer raciocínio para O afastar; o pensamento, para ser considerado, deve ser configurado de modo que a se torne supérflua (…) Estamos completamente cheios de nós mesmos, de tal modo que não resta qualquer espaço para Deus”.
Pude contemplar tudo isso em outro fato ocorrido durante esta semana em um vídeo onde retratavam a “decapitação do Papa”, realizado por alguns alunos em determinada instituição de ensino. Em meio à minha indignação por aquele tipo de “protesto” tão desrespeitoso e imaturo, fui tomada por um profundo sentimento de compaixão, porque o que vi ali, na verdade, foram jovens que ainda não tiveram uma experiência com o amor de Deus, porque O desconhecem. Tem culpa os que não creem se hoje “a metodologia do nosso pensamento está configurada de modo que, no fundo, Ele – Deus – não deva existir”? Aos poucos uma nova mentalidade, intencionalmente, nos está sendo imposta e nela Deus não existe.
E tudo isso se reflete em todos esses cenários que estamos contemplando com mais intensidade a cada dia… Se reflete nos valores éticos e morais que estão se perdendo, na referência de família e, consequentemente, na educação e base cristã ensinada aos filhos, às novas gerações, se reflete na desesperança e falta de amor que hoje o homem traz em si, se reflete no rosto daqueles jovens que com um sorriso sarcástico escondem o imenso vazio que sentem pela falta de Deus. Sim, Ele “Veio para o que era Seu, e os Seus não O acolheram” (Jo 1, 11).
Peço a Deus que minha indignação dê lugar ao desejo de, com coragem e ousadia, anunciar Jesus Cristo a todos os que O desconhecem e que não tiveram uma experiência com o Seu amor. Que eu não permaneça ociosa diante das mentiras, hipocrisias, heresias que surgem contra Ele e a Igreja, mas que com Sua presença em mim possa combater. E sempre: no Amor, com Amor e por Amor.

Santo e feliz 2013 para todos nós!
E pleno… pleno do Deus vivo!

“Ano novo, luta nova!” São Josemaría Escrivá

São João da Cruz e a Lectio Divina

São João da Cruz escreveu uma frase que exprime o conteúdo da Lectio Divina: “busca-te lendo e encontrarás meditando; invocai orando e a vós será aberta contemplando”. A prática da Lectio Divina por parte de João da Cruz se colega com a tradição precedente. Durante a prisão toledana não teve outro alimento espiritual . Da sua lectio são testemunhas as suas primeiras poesias. Os dois romances, A Fonte e o Cântico Espiritual. São todos cânticos de uma alma bíblica. Para João a Escritura é fonte de riqueza infinita, como infinitos são os tesouros escondidos em Cristo, Palavra única do Pai. As suas mesmas palavras, aquelas de um mística. são fruto maduro do encontro com a Escritura. Em João, a leitura orante da Bíblia é a fonte mesma de todas as riquezas, e princípio de radicalismo evangélico: “Se queres encontrar a paz e a consolação da alma e servir verdadeiramente a Deus, não te satisfaça com o que deixaste, porque talvez encontras um impedimento nas coisas das quais ocupes como ou mais que antes. Deixa, ao invés, todas as outras coisas que te restam, e concentra-te sobre a única coisa que traz tudo consigo, que é a santa solidão, acompanhada da oração e da santa, divina leitura”.
O testemunho de João da Cruz é a palavra e a experiência profundamente enraizada na Escritura, não por zelo bíblico, nem mesmo pela abundância das citações dos textos. Há uma luz divina e misteriosa que abunda nas suas palavras, resistentes a toda tentativa de enquadramento. Trata-se da palavra de um místico, de alguém que sabe por ciência e experiência. Ao calor da Escritura, que constitui a leitura quase exclusiva de João segundo o testemunho daqueles que o conheceram, nasce um João da Cruz novo, um homem que recria com as palavras quanto nasce de uma experiência inefável.
Lendo a Escritura à luz da nova experiência de Deus a partir da realidade que é também palavra de Deus, verdadeira graça que parte da fé, somos chamados como carmelitas a recriar a Palavra. A Lectio Divina é um implorar orante, conatural ao nosso carisma. A partir de João da Cruz, que com os seus escritos nos permite de entender a riqueza da Bíblia e da realidade, a lectio se converte em uma experiência espiritual profunda, plena de novidade, criativa. É uma leitura contemplativa, intimamente ligada à nossa vocação profética, aberta ao Deus da história.

(Ordem dos Carmelitas Descalços – http://www.carmelo.com.br)

Vocação: Deus inspira e pede o que já nos concedeu!

 

Quando se pensa na realização profissional e afetiva, muitos jovens não têm a oportunidade de também fazerem a si mesmos as perguntas fundamentais: qual o desígnio de Deus para a minha vida? Para que vim a este mundo? Como posso ser realmente feliz e colaborar eficazmente na construção do mundo e na felicidade dos outros? Infelizmente a obsessão materialista provinda de todos os segmentos da sociedade e a pressão desproporcional dos pais para que os filhos sejam “alguém na vida”, fazem com que muitos nem se quer tenham a oportunidade de se deixarem viver uma experiência religiosa. Já os que são alcançados por outros jovens na evangelização ou por influência da amizade, podem encontrar grandes dificuldades de se firmarem, principalmente quando contrariam a vontade dos pais, geralmente por não viverem uma experiência de fé aberta à possibilidade de um filho missionário, consagrado, padre ou celibatário, ou ainda um matrimônio dentro da perspectiva da vida consagrada. Quando somos marcados por uma vocação específica na Igreja, a nossa história de vida esconde e revela esse segredo, o coração inquieto dá sinais, a alma se comunica nas nossas entranhas, os fatos, os acontecimentos e as pessoas que cruzam o nosso caminho são indicadores que de que “algo diferente” portamos dentro de nós. O fato maravilhoso e profético é que a Providência de Deus, de alguma forma, cuida de nos alcançar onde quer que estejamos ou façamos, e passe o tempo que passar. No entanto, o plano de Deus nos chegará sempre dentro do mistério da conquista e do convite que pede docilidade e uma livre e generosa resposta. A resposta pede passos na fé, ainda que o medo inicial do desconhecido seja um desafio. A verdade sublime é que “a Palavra de Deus não volta sem ter produzido o seu efeito” (cf. Is 55,10-11). Quem se deixa alcançar por ela, especialmente através da oração e da escuta, passa a conhecer o sentido verdadeiro da sua vida, Jesus Cristo. E quando Jesus Cristo nos olha amorosamente e diz: “vem e segue-me”, é muito difícil resistirmos. Santa Teresinha afirma que “Deus inspira e pede a nós aquilo que já nos concedeu”. Uma vida visitada por Deus e que passa a enxergar a sua vocação, ainda que não de forma plena, quer corresponder com todas as forças e ninguém é capaz de deter esta resposta de amor. “Em qualquer realidade, especialmente vocacional, abandonamo-nos com amor a quem nos vem ao encontro com amor” (B. Mondin). “Não temais, não fostes vós que me escolheste, mas eu vos escolhi”, afirma Jesus. Apaixonadamente gritava João Paulo II aos jovens: “Não tenham medo de seguirem a Cristo, de darem vossas vidas a Ele. Cristo não roubará a vossa liberdade, não vos tirará nada, mas somente acrescentará, satisfazendo-lhes os mais profundos desejos de felicidade”. Um projeto vocacional rezado, discernido, vivido no seu tempo certo é o que há de mais feliz nas nossas vidas, porque encontrar e responder ao desígnio de Deus para nós é missão primeira de cada jovem, de cada homem, de cada mulher. Vale a pena perguntar: “Senhor, que queres de mim? Fala que teu servo escuta!” (cf. 1Sm 3,10).

Antonio Marcos

FONTE: http://antoniomarcosaquino.blogspot.com/2010/12/vocacao-deus-inspira-e-pede-o-que-ja.html

Blog Antonio Marcos – antoniomarcosaquino.blogspot.com

Amizade, dom de Deus

Um amigo é uma escolha de Deus para nós. Uma amizade não se dá por escolhas humanas, não somos nós quem escolhemos esse ou aquele para ser nosso amigo, mas sim, Deus. O nosso papel é apenas aprovar e acolher tal escolha e, dessa forma, abrir as portas do coração.

A amizade é como um sacramento. E o que é um sacramento?

É um sinal visível do amor de Deus por nós. Um amigo é também um sinal visível do amor de Deus e do infinito amor de Deus por nós. O amigo é aquele que nos conhece tal como somos, conhece o melhor de nós, mas também o pior, nos aceita e nos ama como somos.

Numa amizade experimentamos o amor puro, o amor que não espera nada em troca, o amor que não espera ser reconhecido, o amor que apenas ama. E o amor, só é amor porque é livre. É essa face do amor que experimentamos quando temos um amigo, é o amor livre é o que se vive numa amizade. O amor paciente, o que não busca seus próprios interesses, que tudo desculpa, que tudo suporta, e por quê? Porque é livre para amar e amar como ama a si mesmo.

Olhando para minha história, percebo a generosidade de Deus nas Suas escolhas. Deus, na Sua infinita bondade, me deu amigos, que são como a chuva caindo sobre a semente, que tem o poder de fazê-la germinar; são como anjos, mensageiros, enviados de Deus, são em minha vida a ajuda adequada e sempre, no tempo oportuno.

O próprio Jesus, no Evangelho, já nos diz: “Já não vos chamo servos, mas de amigos!” O amor que o amigo Jesus manifestou a nós foi o mais sublime, o amor mais puro, o amor livre, que em tamanha liberdade amou até o fim; o amor capaz de dar a vida.

É esse amor verdade que somos chamados a viver numa amizade. Assim como na Santíssima Trindade, o amor que transborda, o amor que gera vida. O amor que alimenta uma amizade, o amor que une os amigos precisa transbordar e gerar vida.

É essa experiência que nossas amizades precisam nos levar a fazer, amar a ponto de poder dizer: “Sou capaz de dar a vida por você!”

Amar a ponto de, a partir da nossas amizades, gerarmos vida. E isso só é possível – viver a verdadeira amizade só é possível – quando acolhemos a escolha de Deus, pois a amizade brota da íntima experiência com o maior e melhor amigo: Jesus.

Quando somos capazes de perceber tais escolhas, somos capazes de levar e ser levados a Deus por um amigo. Somos capazes de amar com amor verdadeiro, somos capazes de gerar vida. E a Palavra de Deus nos assegura: “O amigo é uma proteção poderosa!” Deixo para você o convite de viver a verdadeira amizade, aquela que é capaz de gerar vida!

(Canção Nova ;D Ana Paula Meneses – Formação)

Viver o processo da fé

Por quanto sofrimento é preciso passar para chegar à verdade desta frase: “Deus caminha comigo, Deus é meu grande amigo, Ele é mais forte um abrigo, Ele caminha comigo, n’Ele posso confiar”? Não tem nada por acaso nesta vida, não podemos chegar se não caminharmos. Se eu preciso andar 5 km, preciso ter a disposição do primeiro passo e acreditar que de passo em passo chegarei. Tudo é processo, tem começo, meio e fim. O processo da fé é pontuado. A fé cristã é audaciosa, o que Jesus nos propõe é uma verdade audaciosa.

Hoje a Igreja nos convida a termos fé, a vivermos o processo da fé e acreditarmos mesmo que não tenhamos razões para isso. A nossa fé passa pelo processo da inteligência, mas ela acontece quando precisamos passar por uma situação humana que nos parece insuportável. E Deus começa arrancar de você frutos que não semeou. É a fé como dom, que começa a ver a vida a partir de um olhar que antes ninguém tinha lhe ensinado.

A Igreja diz que a fé é dom. E temos a responsabilidade de administrá-lo. A salvação é dom, mas é tarefa. Eu preciso buscar a minha atitude para confirmar o que Cristo realizou na minha vida. A fé humana indica para uma fé maior. A fé primeira que experimentamos na vida é a fé natural do dia a dia. Entramos num restaurante e não pensamos que a comida pode estar envenenada, você confia que não tem nada naquele alimento. A fé é uma experiência humana, natural, que dá equilíbrio para a gente.

Para mim não há nada mais precioso que confiar em alguém. Como é importante para o padre a confiança em quem está perto de nós. E a partir dessa experiência humana, Deus nos convida a experimentar algo muito maior.

Pedro, homem que fez a experiência de Jesus e mostra aqui sua fragilidade no processo de fé. Acho que Jesus o chamou de Simão nessa hora em que não tinha feito a experiência de Jesus, em que não tinha feito a travessia que ele precisava. A fé vai ser vivida enquanto formos gente.

A Igreja nos pede a fé no Ressuscitado, pois só essa fé nos poderá direcionar para o homem e a mulher que Jesus idealizou para cada um de nós. Estamos em travessia, processos que nunca terminam, pois nunca estaremos prontos para Deus. Sempre estaremos inacabados. A arte é assim, sempre inacabada, porque se estiver acabada, não haverá mais a fazer. Nós sobrevivemos daquilo que em nós é inacabado.

O que Deus já fez na sua vida hoje não será o suficiente para o que você precisará amanhã. Não somos postes, postes ficam parados, somos estrelas em deslocamento. Deus vai visitá-lo a partir da sua particularidade. Não devemos medir o quanto de fé cada um tem. Precisamos ser cada dia mais homens de fé. Muitas vezes, o caminho que precisamos percorrer não é tão longo, mas por não termos dimensão da distância, ficamos parados. Muitas vezes, eu encontro ateus que estão muitos mais próximos de Deus que eu, porque, às vezes, eles estão mais honestos e se aproximaram mais das questões humanas. Precisamos nos aproximar das questões humanas, estamos inseridos numa sociedade e é preciso encarnar em nossa história tudo aquilo que dizemos crer.

Se você acredita no mesmo Deus que eu, tenho com você uma responsabilidade. Pois não tenho o direito de negligenciar o conteúdo dessa pregação, por isso eu sou um padre de travessia. O papel de padre hoje é ser o testemunho coerente de quem fez esse opção radical por ser Jesus de novo através da vida sacramental. Os sacramentos que celebramos são para santificar nossa alma e dar sentido às atitudes do corpo. É a totalidade da salvação acontecendo em nós e através de nós.

A Igreja quer cada dia mais que a fé que celebramos vire vida na comunidade, que você sinta em Jesus o motivo da sua atitude. Eu estou aqui configurado a Ele, quero ser como Ele. Quanto mais eu acredito em Deus, tanto maior é a minha capacidade de acreditar nos meus irmãos.

Que amor a Deus é esse que não o faz amar seus irmãos? A fé que eu tenho em Jesus muda o modo de como eu olho para aqueles que estão do meu lado. Se Jesus tivesse a oportunidade de passar aqui como eu estou Ele lhe diria: “Vamos lá, não fique parado! Vamos fazer o que será. Vamos visitar regiões do seu coração às quais você ainda não conseguiu ir.”

Muitas vezes na nossa miséria não acreditamos que Deus acredita em nós. Vamos acelerar o processo de nosso crescimento pessoal. Quanto mais acreditarmos em Deus, e tivermos a fé para suportar o sofrimento, tanto mais O testemunharemos.

Hoje precisamos tomar a decisão de deixar Deus acelerar em nós o crescimento, para isso você precisa dar passos, tratar melhor seu marido, seu funcionário, deixar de fumar, etc. Você precisa acreditar em você.

O que você precisa fazer concretamente para dar um passo na fé? Faça seu compromisso consigo mesmo, acredite que a partir de hoje você será uma pessoa diferente, uma pessoa melhor. Acredite em si mesmo para demonstrar que Deus crê em você. Eu creio em Deus e Ele crê em mim, e nós dois juntos ninguém segura.

(Canção Nova ;D Padre Fábio de Melo – Formação)