O Espírito Santo na vida do cristão

No Cenáculo, na última noite de sua vida terrena, Jesus promete cinco vezes o Dom do Espírito Santo (cf. Jo 14, 16-17; 14, 26; 15, 26-27; 16, 7-11; 16, 12-15). no mesmo lugar, na tarde de Páscoa, o Ressuscitado se apresenta aos apóstolos e infunde o Espírito prometido, com o gesto simbólico do hálito e com as palavras: “¡Recebei o Espírito Santo!” (Jo 20, 22). Cinqüenta dias depois, outra vez no Cenáculo, o Espírito Santo irrompe com sua potência transformando os corações e a vida dos primeiros testemunhas do Evangelho. 

Desde então, toda a história da Igreja, em suas dinâmicas mais profundas, está impregnada pela presença da ação do Espírito, “entregue sem medida” aos que crêem em Cristo (cf. Jo 3, 34). O encontro com Cristo comporta o dom do Espírito Santo que, como dizia o grande padre da igreja, Basílio, “se difunde em todos sem que experimente diminuição alguma, está presente em cada um dos que são capazes de recebê-lo como se fossem os únicos, e em todos difunde a graça suficiente e completa” (“De Spiritu Sancto”, IX, 22). Desde os primeiros instantes de vida cristã.

O apóstolo Paulo, na passagem da Carta aos Gálatas que acabamos de escutar (cf. 5, 16-18. 22-25), delineia “o fruto do Espírito” (5, 22) fazendo a lista de una gama de virtudes que faz florescer na existência do fiel. O Espírito Santo se encontra na raiz da experiência de fé. De fato, no Batismo, nos convertemos em filhos de Deus graças precisamente ao Espírito: “A proba de que sois filhos é que Deus enviou a nossos corações o Espírito de seu Filho que clama: ¡Abbá, Pai!” (Gl 4, 6).

No próprio manancial da existência cristã, quando nascemos como criaturas novas, encontra-se o sopro do Espírito, que nos faz filhos no Filho e nos faz “caminhar” pelos caminhos de justiça e salvação (cf. Gl 5, 16). O Espírito na prova

Toda a aventura do cristão terá que desenvolver-se, portanto, sob a influência do Espírito. Quando Ele nos volta a apresentar a Palavra de Cristo, resplandece em nosso interior a luz da verdade, como tinha prometido Jesus: “o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos disse” (João 14, 26; cf. 16,12-15).

O Espírito está junto de nós no momento da prova, convertendo-se em nosso defensor e apoio: “Quando vos entregares, não vos preocupeis de como ou o que deveis falar. O que tendes que falar vos será comunicado naquele momento. Porque não sereis vós que falareis, mas o Espírito de vosso Pai que falará em vós” (Mt 10, 19-20). O Espírito se encontra nas raízes da liberdade cristã, que liberta do jugo do pecado. O diz claramente o apóstolo Paulo: “A lei do espírito que dá a vida em Cristo Jesus te libertou a lei do pecado e da morte” (Romanos 8, 2). A vida moral

–como nos lembra São Paulo-pelo fato de ser irradiada pelo Espírito produz frutos de “amor, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio de si” (Gálatas 5, 22).

O Espírito e a comunidade 

O Espírito anima a toda a comunidade dos fiéis em Cristo. Esse mesmo apóstolo celebra através da imagem do corpo a multiplicidade e a riqueza, assim como a unidade da Igreja, como obra do Espírito Santo. Por um lado, Paulo faz uma lista da variedade de carismas, quer dizer, dos dons particulares oferecidos aos membros da Igreja (cf. 1Cor 12, 1-10); por outro, confirma que “todas estas coisas são obra de um mesmo e único Espírito, distribuindo-as a cada um em particular segundo sua vontade” (1Cor 12, 11). De fato, “em um só Espírito fomos todos batizados, para não formar mais que um corpo, judeus e gregos, escravos e livres. E todos bebemos de um só Espírito” (1Cor 12, 13). O Espírito e nosso destino Por último, devemos ao Espírito o poder alcançar nosso destino de glória. São Paulo utiliza neste sentido a imagem do “selo” e o “penhor”: “fostes selados com o Espírito Santo da Promessa, que é penhor de nossa herança, para redenção do Povo de sua possessão, para louvor de sua glória”

(Ef 1, 13-14; cf. 2Cor 1, 22; 5,5). Em síntese: toda a vida do cristão, desde as origens até sua última meta, está sob a bandeira e a obra do Espírito Santo. Mensagem do Jubileu

Gosto de lembrar, no transcurso deste ano jubilar, o que afirmava na encíclica dedicada ao Espírito Santo: “O grande Jubileu do ano dos mil contém, portanto, uma mensagem de libertação por obra do Espírito, que é o único que pode ajudar as pessoas e as comunidades a libertar-se dos velhos e novos determinismos, guiando-os com a “lei do espírito que dá a vida em Cristo Jesus”, descobrindo e realizando a plena dimensão da verdadeira liberdade do homem. Com efeito –como escreve São Paulo– “onde está o Espírito do Senhor, ali está a liberdade”” (Dominum et vivificantem, n. 60). Ponhamo-nos, portanto, nas mãos da ação libertadora do Espírito, fazendo nossa a surpresa de Simeão o Novo Teólogo, que se dirige à terceira pessoa divina nestes termos”: “Vejo a beleza de tua graça, contemplo seu fulgor e o reflexo de sua luz; me arrebata seu esplendor indescritível; sou empurrado fora de mim enquanto penso em mim mesmo; vejo como era e o que sou agora. Ó prodígio! Estou atento, cheio de respeito para mim mesmo, de reverência e de temor, como se estivesse diante de ti; não sei o que fazer porque a timidez me domina; não sei onde sentar-me, aonde aproximar-me, onde reclinar estes membros que são teus; em que obras ocupar estas surpreendentes maravilhas divinas” (Hinos II, 19-27; cf. Exortação apostólica pos-sinodal “Vita consecrata”, n. 20).

João Paulo II, Audiência geral, 13 setembro 2000

(Comunidade Católica Shalom – http://www.comshalom.org)

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Mergulhando na Doutrina da Santíssima Trindade

Mergulhando na Doutrina da Santíssima Trindade

A fé católica é trinitária: O mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã. Cremos e confessamos um único Deus, que é Pai, é Filho e é Espírito Santo. Todos nós cristãos somos batizados “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19. “Batizar em nome de” significa “consagrar a alguém” ou mesmo “colocar a serviço de”. Portanto, pelo Batismo, todos os homens são colocados a serviço ou são consagrados ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.

Doutrina da Santíssima Trindade: É o próprio mistério de Deus. Deus é três. São Três Pessoas iguais e distintas, mas subsistentes em uma só natureza.

Um só Deus: existe uma só essência ou uma só natureza ou substância divina, um só princípio: uma só divindade;

Três Pessoas: que significa dizer um único Deus que se dá a conhecer como Pai, como Filho e como Espírito Santo. Não são três deuses, mas um só Deus ou uma só natureza divina, que se afirma três vezes.

Entendendo a Verdade de Fé

Igualdade: A Trindade é Una
A igualdade das três Pessoas da Santíssima Trindade é uma verdade fundamental para a nossa fé. As três Pessoas divinas são iguais em tudo, idênticas em tudo. Todas três Pessoas divinas possuem a mesma santidade, a mesma glória, a mesma fortaleza, a mesma bondade, a mesma eternidade, onipotência, onisciência. Enfim, todas as grandezas e perfeições divinas são iguais nas três Pessoas divinas. Elas não dividem, nem retalham a única natureza divina. Pai, Filho e Espírito Santo são iguais em tudo: ” A Trindade é Una. Não professamos três deuses, mas um só Deus em três Pessoas: A Trindade é consubstancial. As Pessoas divinas não dividem entre si a única divindade, mas cada uma delas é Deus por inteiro: o Pai é aquilo que é o Filho, o Filho é aquilo que é o Pai, o Espírito Santo é aquilo que são o Pai e o Filho, isto é, a substância, a essência ou a natureza divina” (Cat 253).

Assim nos diz um testemunho da Igreja dos primeiros séculos:
“É esta a fé católica: veneramos um só Deus na Trindade, e a Trindade na unidade. Sem confundir as Pessoas e sem dividir a substância. Porque uma é a Pessoa do Pai, outra é a Pessoa do Filho, e outra, a do Espírito Santo. Mas o Pai, o Filho e o Espírito Santo tem a mesma divindade, igual glória, uma co-eterna majestade” (Int. Divina – Gabriel de Santa Maria Madalena, O. C. D. – Ed. Loyola, n°. 224,2).

Diferença: As Pessoas são distintas
As pessoas divinas são iguais em tudo, mas são distintas entre si: “Deus é único, mas não solitário. Pai, Filho Espírito Santo não são simplesmente nomes que designam modalidades do ser divino, pois são realmente distintos entre si. Aquele que é o Pai não é o Filho, e aquele que é o Filho não é o Pai, nem o Espírito Santo é aquele que é o Pai ou o Filho” (Cat. 254). O que torna as três Pessoas distintas sem dividir a unidade divina é unicamente o seu relacionamento entre si, ou seja, “a distinção real das três Pessoas entre si reside unicamente nas relações que as referem uma às outras” (Cat. 255): a primeira pessoa é o “Pai” em relação à segunda, o “Filho” único.

Deus Pai – É a origem dos outros dois, não no sentido de procedência, de ser a fonte dos outros dois. Ele é a natureza original, por isto os outros dois se chamam Deus Filho e Deus Espírito Santo.

Deus Filho – A segunda Pessoa só é “Filho” em relação à primeira que é seu Pai. É a segunda Pessoa divina, que procede (não no sentido de tempo nem de criação, porque as pessoas divinas são incriadas) do Pai, vive um relacionamento perfeito de amor com o Pai, e expressa em si o pensamento do Pai, sendo por isto mesmo também chamado Palavra, Verbo, ou Sabedoria divina. Jesus também é chamado na Bíblia de PRINCÍPIO (Gn 1,1), porque foi nele e por Ele que o Pai criou todas as coisas visíveis e invisíveis (Col 1,15-17). Jesus procede do Pai também porque é o enviado do Pai, como Ele mesmo diz em Jo 17,18. É o Filho quem revela o Pai (Mt 11, 27). Jesus ao revelar que Deus é “Pai”, quis dizer que Deus é origem primeira de tudo e ao mesmo tempo é bondade e amor para todos os seus filhos.

Deus Espírito Santo – Aquele que é gerado do Pai antes de todos os séculos (o Filho), anuncia o envio de um “outro Paráclito”, a terceira Pessoa que procede do Pai e do Filho, o Espírito Santo, que é assim revelado como uma outra pessoa divina em relação a Jesus e ao Pai. Este também tem origem eterna e revela-se na sua missão temporal: é enviado aos Apóstolos e à Igreja, pelo Pai e pelo Filho (Jo 14, 26; 16,14). O Espírito procede do Pai pelo Filho (Jo 15,26), pois o Filho tem comunhão consubstancial com o Pai do qual procede o Espírito.

O Concílio de Florença, 1438, assim nos ensina: “O Espírito Santo tem sua essência e seu ser subsistente ao mesmo tempo do Pai e do Filho e procede eternamente de Ambos como de um só Princípio e por uma única expiração” (Cat 246). Assim é este a terceira Pessoa divina, que procede do Pai (que é a fonte dele e do Filho) e também do Filho (porque é o Filho que o envia à nós – ver Jo 16,7). Sendo Onipresente, se reúne aos dois e vive com Eles, numa comunidade de vida e de amor, e representa com perfeição o amor divino que os une.

A relação íntima entre as três pessoas divinas é irreversível, mas não permutável. Cada Pessoa “tem o seu lugar” no mistério Trinitário. O Pai será sempre Pai, apesar de comunicar substancialmente tudo aquilo que Ele é. O Filho será sempre Filho, mesmo que tenha recebido do Pai a mesma natureza divina, e o Espírito Santo será sempre Espírito Santo, mesmo procedendo do Pai e do Filho.

Unidade: A Unidade divina é Trina
Vemos em Jo 17,21-23 que: Tudo procede do Pai e tudo volta para o Pai. Do Pai procede o Filho e o Espírito Santo. O Espírito Santo tem a missão de congregar tudo e todos em torno de Cristo para que Cristo entregue definitivamente tudo e todos ao Pai. Desta forma acontece a união, a comunhão total entre as três Pessoas divinas. “Por causa desta unidade, o Pai está todo inteiro no Filho, todo inteiro no Espírito Santo; o Espírito Santo, todo inteiro no Pai, todo inteiro no Filho” (Cat 255). Por esta unidade trinitária ao rendermos glória ao Pai, o fazemos pelo Filho no Espírito Santo: É o culto das pessoas, infinitamente distintas na Trindade.

Vemos em Jo 10,38: “O Pai está em mim e eu no Pai”
Estas palavras de Jesus revelam sua íntima união com o Pai. O Verbo de Deus está, por natureza, unido ao Pai de modo substancial, assim como Deus-homem vive intimamente unido ao Pai: toda as suas potências, forças, afeto, inteligência tendem sempre para o Pai; toda a Sua vontade está voltada intimamente para a vontade do Pai. Mesmo exercendo o seu ministério, percorrendo os caminhos da Palestina, pregando, instruindo, discutindo com os fariseus, curando os doentes, ocupando-se de todos, Jesus continua, no seu íntimo, a viver esta maravilhosa vida de união com as divinas Pessoas.

Vemos em Jo 16, 13-15, palavras de Jesus denunciam a unidade do Espírito Santo com o Pai e com Ele, o Espírito Santo não falará palavras suas, mas palavras que ouviu do Pai e conseqüentemente do Filho.

Mistério e dinâmica da Trindade

As três Pessoas divinas gozam no íntimo de sua essência de uma perfeita amizade: luz, amor, felicidade, num grau infinito. Portanto, Deus nunca está sozinho, nem em si mesmo e nem em nossas almas. Este mistério como já dissemos, não pode ser entendido e explicado pela lógica, porém pode ser abraçado e vivenciado pela oração e pela vida, na fé.

“A vida trinitária é uma mútua e incansável doação em perfeita comunhão: O Pai que se dá totalmente ao Filho, o Filho que se dá totalmente ao Pai e dessa mútua doação procede o Espírito Santo dom substancial que, por sua vez, reflui no Pai e no Filho (Intimidade Divina – Gabriel de Santa Maria Madalena, O. C. D. – Ed. Loyola – n°. 225,1).

Tome Col 1,15-17. O Pai serve o Filho ao criar todas as coisas para Ele e esvazia-se de si ao doar-se inteiramente ao Filho. Assim é que ensina o catecismo da Igreja Católica: “Tudo o que é do Pai, o Pai mesmo o deu ao Seu Filho Único ao gerá-lo, excetuando o seu ser de Pai” (Cat 246).
Tome Jo 4,34. O Filho, que por ser Filho faz do Pai, ama-o ao esvaziar-se de Si de tal forma que só se alimenta da vontade do Pai e do desejo de cumprir a Sua Vontade Salvífica para nós. Assim Jesus serve o Pai.

Retome Jo 16,13-15. Da mesma forma toda a alegria do Espírito Santo está em servir, amar, e abrir-se ao Pai e a Jesus sem reservas. O Pai que tudo criou no poder e no amor do Espírito Santo, também vê seu Filho fazer tudo no mesmo Espírito.

A ação trinitária de Deus

Cada Pessoa divina opera a obra comum segundo a Sua propriedade pessoal. É através das missões divinas que as três Pessoas manifestam o que Lhes é próprio na Trindade: Deus Pai, do qual são todas as coisas; Deus Filho, que se fez carne (Jo 1,14), assumindo a natureza humana para realizar nela a nossa salvação e Deus Espírito Santo, que une todos os homens a Cristo e fá-los viver nele (Cf. Cat. 258). Mas as três Pessoas divinas são inseparáveis naquilo que são e naquilo que fazem (Cf. Cat 267):A ação de Deus é uma obra comum das três Pessoas divinas.

Na ação própria de cada Pessoa da Santíssima Trindade, as outras Pessoas também estão presentes e ativas. Cada Pessoa da Trindade, só é ela mesma porque vive numa total entrega para as outras duas pessoas. Como o Pai seria Pai se não tivesse Jesus, o Filho, o revelador de forma perfeita e irrestrita? Como Jesus seria o Filho se o Espírito Santo não O tivesse gerado no seio da Virgem Maria, revelando-o como homem no mistério da Encarnação do Verbo, e a partir daí tê-lo acompanhado e ungido, fazendo dele o Cristo, o Ungido do Pai? Como o Espírito Santo seria o amor de Deus “derramado em nossos corações” (Rm 5,5) ou “o penhor”, a garantia da nossa salvação, se Jesus não tivesse obedecido ao Pai até o fim, morrendo e ressuscitando por nós? Percebemos, então, que nunca somente uma das pessoas da Trindade age. Em tudo o que Deus é e faz Ele é Uno e Trino, seja na Criação, na Encarnação, na vida pública de Jesus, na Crucificação, na Ressurreição ou em Pentecostes. Um não vive ou age sem o outro, mas só vive e age para o outro, na verdade e na transparência, na luz e no amor. Somente quando buscamos a Deus com esta mesma disposição de alma: amor, verdade, serviço, abertura e transparência poderemos encontrá-lo e conseqüentemente sabermos quem de fato nós somos.

Formação da Escola de Formação Shalom

(Comunidade Católica Shalom – http://www.comshalom.org)

CAMINHAR NUM PROCESSO DE CURA INTERIOR

Num processo de cura interior é muito importante que observemos alguns aspectos importantes. O primeiro deles é o exercício de uma verdadeira, autêntica e profunda vida espiritual. Através da vida de intimidade com o Senhor somos introduzidos num processo de cura, pois esta intimidade nos leva ao conhecimento de Deus e conseqüentemente ao auto-conhecimento.

Neste momento com o Senhor, o Espírito Santo está em ação e ilumina nossa inteligência, esclarecendo-a sobre fatos, sobre realidades profundas, sobre sentimentos, sobre verdades religiosas, sobre o plano de Deus para determinados momentos, mesmo que estes sejam muito doloridos, ajudando-nos a tirar conclusões sábias.

O Espírito Santo também age na nossa vontade, inspirando-lhe decisões acertadas, firmes, perseverantes, corajosas e criativas. Ele concede à vontade motivações sobrenaturais claras, convincentes e gratificantes, que nos impulsiona a agir com muito vigor, a entender com amor as motivações das pessoas que provocaram algum constrangimento a nós ou foram causa de traumas profundos.

O Espírito Santo age ainda na nossa imaginação, na nossa memória e na nossa afetividade, concedendo-nos imagens esclarecedoras, sejam elas acontecimentos do passado, da vida cotidiana. Pode inspirar sentimentos como compaixão, alegria, piedade, vigor, de gratidão… que são capazes de transformar, de dar vida nova aos corações e de nos reconciliar com a nossa própria história.

A busca intensa de Deus e da Sua verdade é muito importante, porque temos imagens e impressões muito deformadas dos acontecimentos, das pessoas e de nós mesmos, e não ficarmos limitados na superficialidade na cura interior, mas descermos ao mais profundo do nosso ser à luz de Deus. Não basta deixarmos que Deus retire a casca grossa das nossas feridas, mas permitir que a Sua luz penetre nas raízes das nossas feridas mais profundas, que muitos de nós não têm o conhecimento e que são verdadeiros obstáculos para a vivência da salvação em nossas vidas. A salvação precisa atingir nossas vidas como um todo.

A obra de salvação de Deus em nossa vida passa pelo auto-conhecimento. Este acontece a medida que o Espírito Santo nos revela a nossa verdade interior. Quanto mais nos aproximamos de Deus em espírito e verdade, mais ele nos revela a nossa realidade interior. É interessante observarmos isto, porque existem dois motivos que nos impedem de sermos curados e assim livres, a ignorância e o medo de olharmos para dentro de nós mesmos, preferimos culpar os outros. Quanto mais profunda for a ferida, maior o amor de Deus para nos curar.

O Senhor possui o remédio eficaz para a nossa ferida mais profunda. Aliás, só ele tem o remédio. Só ele é o remédio. Ele tem amor suficiente para derramar sobre as nossas feridas que doem, que queimam como um fogo, que ardem, que incomodam, como um bálsamo que as acalma, que as alivia e que as cura. É muito importante que aceitemos a nossa vida, a nossa história, o nosso passado e presente que temos.

É fundamental que aceitemos a dor, a ferida que temos em nossa vida. Devemos crer que esta dor se constituirá na manifestação da glória de Deus. É preciso trocarmos a amargura e o medo da dor pela esperança de que em Jesus venceremos, seremos transformados. Há um futuro para nós, por maior que seja a nossa dor, a nossa ferida. As nossas feridas se transformarão em pérolas, serão as nossas riquezas, não só para nós, mas também para os outros. Se deixarmos Deus trabalhar em nossas vidas, se deixarmos Deus penetrar naquela ferida, em vez de ser amargura, se transformará em amor. Não nos assustemos com a dor inicial, pois para Deus curar as feridas precisa abri-las, rasga-las. Diz São João da Cruz: “A chaga produzida pelo Espírito Santo será profunda, porque é feita por Aquele que só sabe curar”.

A graça do Espírito Santo é Luz e pode iluminar todas as áreas da nossa vida até que elas se tornem muito mais resplandecentes do que a luz do sol, do que os seus raios do meio dia, isto é, alcançarem a plenitude do Espírito. Quando o Espírito Santo inunda a vida humana com seus dons, o homem passa a se sentir extraordinariamente bem, com a alma cheia de um silêncio, uma paz, um calor e uma alegria inexplicável.

Uma delícia extraordinária! Acontece exatamente o que São Paulo diz: “O que os olhos não viram, o que os ouvidos não ouviram e o coração do homem não percebeu, isso Deus preparou para aqueles que o amam” ( 1Cor 2,9). Todas estas graças que o homem passa a experimentar neste momento aqui na terra, nada é em comparação com o Bem Supremo que o Senhor tem preparado para ele na eternidade. É apenas uma antecipação da glória que desfrutará no céu.

A graça do Espírito Santo renova as forças humanas, formam-lhe asas como as águias, os impulsiona a correr e não se fatigar, a caminhar e não se cansar ( cf. Is 40,31). O Reino de Deus, que se entende pela graça do Espírito Santo, passa a habitar no mais profundo de nós, em nosso coração. E aí ele nos ilumina e aquece, alegra os nossos sentidos, enche o ar de perfumes suaves e sacia o nosso coração com seu amor, com alegria indizível. A nossa fé não é mais vacilante, frágil, nem de livros, nem de testemunho de outros, mas da manifestação do poderio do Espírito. Pequenos como somos, podemos, pela misericórdia de Deus sermos cheios da plenitude de Seu Espírito.

Precisamos decidirmo-nos em entregar verdadeiramente o nosso coração a Deus, passarmos a ser seus amigos de verdade. É isto que o Senhor procura um coração que o adore em espírito e verdade, um coração cheio de amor por Ele e pelo próximo, um coração cheio de fé Nele e em Seu Filho único, em resposta envia do alto a graça do Espírito Santo. Ele mesmo diz em Provérbios: “Meu filho, dá-me o teu coração, e o resto eu te darei por acréscimo” ( Pr 23,26). A saúde do nosso coração consiste no perfeito amor a Deus.

Nós não podemos nos desfazer do mal sozinhos, nem devemos deixar o tempo passar sem recebermos a cura dos nossos males porque não nos abrimos para a graça de Deus, precisamos da ajuda da graça divina. Quanto mais nos tornamos amigos de Deus mais experimentamos o seu amor por nós e mais o amamos e é essa relação de amor, de confiança, de abandono em suas mãos que vai nos configurando a ele e vamos nos sentindo extraordinariamente bem.

Para que o homem conheça a sua enfermidade, em primeiro lugar Deus o entrega a si próprio, para que ele compreenda que nada pode fazer por si, para compreender a sua impossibilidade e nunca julgar a graça divina como algo supérfluo. Chegando neste ponto em sua vida onde conheceu sua pequenez e sua enfermidade, o Senhor, convenientemente, lhe concedeu a sua graça pela qual se ilumina um cego e se cura um doente.

É importante o processo de cura interior porque na verdade as nossas feridas por serem frutos do nosso pecado e do pecado dos outros, estão ligadas diretamente a nossa vida com Deus. Pela ação da graça divina em nós somos iluminados para o conhecimento da verdade, somos esfriados para o desejo do mal, somos inflamados pelo amor as virtudes, somos comprometidos com a messe do Senhor, enfim amamos a Deus e aos irmãos com o perfeito amor.

Precisamos, portanto, ir além da teoria e praticarmos. Como? Nas orações pessoais ministre sobre você mesmo a cura interior, ore pela sua cura interior. Exponha a sua vida diante do Senhor. Dê espaço na sua oração pessoal para que a cura interior aconteça. Não tenha medo. Não resista. Você vai sentir mais bem-estar do que antes. Peça ao Senhor as manifestações dos Seus dons carismáticos.

Passos:

01. Coloque-se de maneira simples diante do Senhor;

02. Peça ao Espírito Santo que revele as feridas que Ele deseja curar.

03. Em nome de Jesus e diante de Jesus, ministre sobre si mesmo a aceitação deste fato do seu passado ou presente e num ato de fé creia que Jesus reverterá isto em um grande bem para você e para os outros.

04. Apresente a Jesus a área ferida, traumatizada, marcada .

05. Ore em línguas ministrando a cura do Senhor, o quanto a inspiração lhe mover. Neste instante abra-se ao Espírito pois pode o Senhor revelar palavras de ciência, sabedoria, profecia sobre esta situação.

06. Agradeça a Deus por esta área ferida, na certeza do grande bem (pérola) que está sendo gerado. Louve ao Senhor pelo bem que Ele lhe fez neste momento.

07. Não se esqueça que a cura interior é um processo que ocorre das mais variadas formas e que esta oração pode de acordo com a inspiração ser feita em repetidas oportunidades, entretanto, em cada uma delas, precisamos crer no poder de Jesus que se manifesta concretamente em nós.

(Comunidade Católica Shalom – http://www.comshalom.org)

Homilia de Bento XVI – Solenidade de Pentecostes – 27/05/2012

Celebração de Pentecostes
Basílica Vaticana
Domingo, 27 de maio de 2012
Queridos irmãos e irmãs!Estou feliz por celebrar convosco esta Santa Missa, animada hoje pelo Coral da Academia de Santa Cecília e pela Orquestra Jovem – aos quais agradeço -, na Solenidade de Pentecostes.

Este mistério constitui o batismo da Igreja, é um evento que a deu, por assim dizer, a forma inicial e o impulso para sua missão. E esta “forma” e este “impulso” são sempre válidos, sempre atuais, e se renovam, de modo particular, mediantes as ações litúrgicas. Esta manhã gostaria de abordar um aspecto essencial do mistério de Pentecostes, que em nossos dias conserva toda sua importância.

O Pentecostes é a festa da união, da compreensão e da comunhão humana. Todos nós podemos constar como em nosso mundo, mesmo se estamos sempre mais próximos uns dos outros com o desenvolvimento dos meios de comunicação, e as distancias geográficas parecem desaparecer, a compreensão e a comunhão entre as pessoas são sempre superficiais e difíceis. 

Persistem desequilíbrios que muitas vezes levam a conflitos; o diálogo entre as gerações torna-se difícil e às vezes prevalece a oposição; assistimos a acontecimentos cotidianos onde parece que os homens estão se tornando mais agressivos e mais irritados; a compreensão parece que requer muito empenho e prefere-se permanecer no próprio eu, nos próprios interesses. Nesta situação, podemos encontrar realmente e viver aquela unidade que precisamos? 

A narração de Pentecostes, nos Atos dos Apóstolos, que escutamos na primeira leitura (cfr At 2,1-11), contém no fundo um dos últimos grandes afrescos que encontramos no início do Antigo Testamento: a antiga história da construção da Torre de Babel (cfr Gen 11,1-9).

Mas o que é Babel? É a descrição de um reino no qual os homens concentraram tanto poder ao pensar que não deveriam mais fazer referência a um Deus distante e serem assim fortes para poder construir sozinhos um caminho que os levasse ao céu para abrir as portas e colocarem-se no lugar de Deus. 

Mas justamente nesta situação se verifica algo estranho e singular. Enquanto os homens trabalhavam juntos para construir a torre, de repente, eles perceberam que construíam um contra o outro. Enquanto tentavam ser como Deus, corriam o perigo de não serem mais nem mesmo homens, porque perderam um elemento fundamental no serem pessoas humanas: a capacidade de concordarem, de compreenderem-se e de trabalharem juntos.

Esta narração bíblica contém uma verdade perene; podemos ver ao longo da história, mas também no nosso mundo. Com o progresso das ciências e das técnicas encontramos o poder de dominar as forças da natureza, de manipular os elementos, de fabricar seres vivos, chegando quase ao próprio ser humano.

Nesta situação, rezar a Deus parece algo ultrapassado, inútil, porque nós mesmos podemos construir e realizar tudo aquilo que queremos. Mas não nos notamos que estamos revivendo a mesma experiência de Babel. É verdade, multiplicamos as possibilidades de comunicação, do acesso a informações, de transmissão de noticias, mas podemos dizer que cresceu a capacidade de compreensão ou talvez, paradoxalmente, nos compreendemos sempre menos? Entre os homens não parecem serpentear talvez um sentimento de desconfiança, suspeita, medo recíproco, até o ponto de se tornar perigo um para o outro? Voltamos novamente para a pergunta inicial: pode haver realmente unidade, harmonia? E como?

A resposta, nós encontramos na Sagrada Escritura: a unidade pode existir somente com o dom do Espírito de Deus, que nos dá um coração novo e uma nova língua, uma capacidade nova de comunicação.
 E isso é aquilo que se verificou em Pentecostes. Naquela manhã, cinquenta dias depois da Páscoa, um vento forte soprou sobre Jerusalém e a chama do Espírito Santo desceu sobre os discípulos reunidos, pousou sobre cada um e acendeu neles aquele fogo divino, um fogo de amor capaz de transformar. O medo desapareceu, o coração sentiu uma nova força, as línguas se desfizeram e iniciaram a falar com franqueza, de modo que todos podiam compreender o anúncio de Jesus Cristo morto e ressuscitado. Em Pentecostes, onde existia divisão e estranhamento, nasceu unidade e compreensão.

Mas observemos para o Evangelho de hoje, no qual Jesus afirma: “Quando vier o Paráclito, o Espírito da verdade, ensinar-vos-á toda a verdade” (Jo 16,13). Aqui, Jesus, falando do Espírito Santo, nos explica o que é a Igreja e como essa deve viver para poder ser ela mesma, para ser o lugar da unidade e da comunhão da Verdade; diz-nos que agir como cristãos significa não ser fechados no próprio “eu”, mas orientar-se para todos; significa acolher em si mesmo toda a Igreja ou, ainda melhor, deixar interiormente que essa nos acolha.

Então, quanto falo, penso, ajo como cristão, não o faço fechando-me no meu eu, mas faço-o sempre no tudo e a partir de tudo: assim, o Espírito Santo, Espírito da unidade e da verdade, pode continuar a ressoar em nossos corações e nas mentes dos homens e impulsioná-los a se encontrarem e acolherem-se reciprocamente. O Espírito, justamente pelo falo que age assim, nos introduz em toda verdade, que é Jesus, nos guia para aprofundá-la, compreendê-la: nós não crescemos no conhecimento fechando-nos em nosso eu, mas somente tornando capazes de escutar e compartilhar, somente no “nós” da Igreja, com a atitude de profunda humildade interior.

E assim, torna mais claro porque Babel é Babel e Pentecostes é Pentecostes. Onde os homens querem fazer-se Deus, somente colocam-se uns contra os outros. Onde, em vez, colocam-se na verdade do Senhor, abrem-se para a ação do Espírito que os sustenta e os une.

A oposição entre Babel e Pentecostes também ecoou na segunda leitura, onde o Apóstolo diz: “Deixai-vos conduzir pelo Espírito, e não satisfareis os apetites da carne” (Gal 5,16). São Paulo nos explica que a nossa vida pessoal é marcada por conflitos interiores, por uma divisão, entre os impulsos que provêm da carne e aqueles que provêm do Espírito; e nós não podemos seguir a todos. Não podemos, de fato, sermos contemporaneamente egoístas e generosos, seguir a tendência de dominar os outros e provar a alegria do serviço desinteressado.

Devemos sempre escolher aquele impulso e podemos fazer de modo autêntico, somente com a ajuda do Espírito de Cristo. São Paulo elenca – como vimos – as obras da carne, são os pecados do egoísmo e da violência, como inimizade, discórdia, inveja e ciúme; são pensamentos e ações que não fazem viver de modo verdadeiramente humano e cristão, no amor. É uma direção que leva a perda da própria vida. Em vez, o Espírito Santo nos guia para as alturas de Deus, para que possamos viver já nesta terra a semente da vida divina que está em nós.

Afirma, de fato, São Paulo: “O fruto do Espírito é a caridade, a alegria, a paz” (Gal 5,22). E notamos que o Apóstolo usa o plural para descrever as obras da carne, que provocam a dispersão do ser humano, enquanto usa o singular para definir a ação do Espírito, fala do “fruto”, justamente como a dispersão de Babel se contrapõe a unidade de Pentecostes.

Queridos amigos, devemos ser segundo o Espírito de unidade e verdade, e para isso devemos rezar para que o Espírito nos ilumine e nos guie para vencer o fascínio de seguir nossa verdade, e para acolher a verdade de Cristo transmitida na Igreja. 

A narração de Lucas do Pentecostes nos diz que Jesus antes de subir ao Céu pede aos Apóstolos que permanecem juntos para prepararem-se para receber o dom do Espírito Santo. E assim se reuniram em oração com Maria, no Cenáculo, a espera do evento prometido (cfr Ato 1,14). Recolhida com Maria, como em seu nascimento, a Igreja também nesse dia reza: “Veni Sancte Spiritus! – Vem, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor!” Amém.

Espírito Santo – Alma da Igreja

Prezados irmãos e irmãs,

A Igreja espalhada pelo mundo inteiro revive a solenidade de Pentecostes, o mistério do seu nascimento, do próprio “baptismo” no Espírito Santo (cf. Act 1, 5), que teve lugar em Jerusalém cinquenta dias depois da Páscoa, precisamente na festividade judaica de Pentecostes. Jesus ressuscitado dissera aos discípulos: “Permanecei na cidade até serdes revestidos da força do Alto” (Lc 24, 49). Isto aconteceu de forma sensível no Cenáculo, enquanto todos estavam reunidos em oração com Maria, Virgem Mãe. Como lemos nos Actos dos Apóstolos, repentinamente aquele lugar foi invadido por um vento impetuoso, e umas línguas de fogo pairaram sobre cada um dos presentes. Então, os Apóstolos saíram e começaram a proclamar em diversas línguas, que Jesus é Cristo, o Filho de Deus, morto e ressuscitado (cf. Act 2, 1-4). O Espírito Santo, que com o Pai e o Filho criou o universo, que guiou a história do povo de Israel e falou por meio dos profetas, que na plenitude dos tempos cooperou na nossa redenção, no Pentecostes desceu sobre a Igreja nascente tornando-a missionária, enviando-a para anunciar a todos os povos a vitória do amor divino sobre o pecado e a morte.

O Espírito Santo é a alma da Igreja. Sem Ele, ao que se reduziria ela? Sem dúvida, seria um grande movimento histórico, uma instituição social complexa e sólida, talvez uma espécie de agência humanitária. E na verdade é assim que a julgam quantos a consideram fora de uma perspectiva de fé. Na realidade, porém, na sua verdadeira natureza e também na sua mais autêntica presença histórica, a Igreja é incessantemente plasmada e orientada pelo Espírito do seu Senhor. É um corpo vivo, cuja vitalidade é precisamente o fruto do invisível Espírito divino.

Estimados amigos, este ano a solenidade de Pentecostes coincide com o último dia do mês de Maio, em que habitualmente se celebra a festa mariana da Visitação. Este acontecimento convida-nos a deixar-nos inspirar e como que instruir pela Virgem Maria, que foi a protagonista de ambos os eventos. Em Nazaré Ela recebeu o anúncio da sua singular maternidade e, imediatamente depois de ter concebido Jesus por obra do Espírito Santo, pelo mesmo Espírito de amor foi levada a ir ao encontro da idosa parente Isabel, que tinha chegado ao sexto mês de uma gravidez também prodigiosa. A jovem Maria, que traz no seio Jesus e, esquecendo-se de si mesma, acorre em socorro do próximo, é ícone maravilhoso da Igreja na juventude perene do Espírito, da Igreja missionária do Verbo encarnado, chamada a trazê-lo ao mundo e a testemunhá-lo especialmente no serviço da caridade. Por conseguinte, invoquemos a intercessão de Maria Santíssima, para que a Igreja do nosso tempo seja poderosamente fortalecida pelo Espírito Santo. De modo particular, que sintam a presença confortadora do Paráclito as comunidades eclesiais que sofrem perseguição pelo nome de Cristo a fim de que, participando nos seus sofrimentos, recebam abundantemente o Espírito da glória (cf. 1 Pd 4, 13-14).

por Papa Bento XVI

(Comunidade Católica Shalom – http://www.comshalom.org)

O que é a Festa de Pentecostes?

Pentecostes, do grego, pentekosté, é o qüinquagésimo dia após a Páscoa. Comemora-se o envio do Espírito Santo à Igreja. A partir da Ascensão de Cristo, os discípulos e a comunidade não tinham mais a presença física do Mestre. Em cumprimento à promessa de Jesus, o Espírito foi enviado sobre os apóstolos. Dessa forma, Cristo continua presente na Igreja, que é continuadora da sua missão.

A origem do Pentecostes vem do Antigo Testamento, uma celebração da colheita (Êxodo 23, 14), dia de alegria e ação de graças, portanto, uma festa agrária. Nesta, o povo oferecia a Deus os primeiros frutos que a terra tinha produzido. Mais tarde, tornou-se também a festa da renovação da Aliança do Sinai (Ex 19, 1-16).

No Novo Testamento, o Pentecostes está relatado no livro dos Atos dos Apóstolos 2, 1-13. Como era costume, os discípulos, juntamente com Maria, mãe de Jesus, estavam reunidos para a celebração do Pentecostes judaico. De acordo com o relato, durante a celebração, ouviu-se um ruído, “como se soprasse um vento impetuoso”. “Línguas de fogo” pousaram sobre os apóstolos e todos ficaram repletos do Espírito Santo e começaram a falar em diversas línguas.

Pentecostes é a coroação da Páscoa de Cristo. Nele, acontece a plenificação da Páscoa, pois a vinda do Espírito sobre os discípulos manifesta a riqueza da vida nova do Ressuscitado no coração, na vida e na missão dos discípulos.

Podemos notar a importância de Pentecostes nas palavras do Patriarca Atenágoras (1948-1972): “Sem o Espírito Santo, Deus está distante, o Cristo permanece no passado, o evangelho uma letra morta, a Igreja uma simples organização, a autoridade um poder, a missão uma propaganda, o culto um arcaísmo, e a ação moral uma ação de escravos”. O Espírito traz presente o Ressuscitado à sua Igreja e lhe garante a vida e a eficácia da missão.

Dada sua importância, a celebração do Domingo de Pentecostes inicia-se com uma vigília, no sábado. É a preparação para a vinda do Espírito Santo, que comunica seus dons à Igreja nascente.

O Pentecostes é, portanto, a celebração da efusão do Espírito Santo. Os sinais externos, descritos no livro dos Atos dos Apóstolos, são uma confirmação da descida do Espírito: ruídos vindos do céu, vento forte e chamas de fogo. Para os cristãos, o Pentecostes marca o nascimento da Igreja e sua vocação para a missão universal.

(Comunidade Católica Shalom – http://www.comshalom.org)