Só Deus sacia por completo todos os desejos do coração humano

Dificilmente se encontrará alguém que não anseie e procure a felicidade. Esta demanda foi posta por Deus no coração de todos os homens que, à semelhança de Santo Agostinho, apenas descansam quando O encontram e n’Ele “repousam” (ConfissõesI, 1). O início do Catecismo da Igreja Católica começa exactamente com esta temática, lembrando que o homem é capaz de Deus. Entretanto, esta insaciabilidade leva não só ao desejo de uma realização pessoal, no âmbito da vocação específica de cada um, como também da sociedade doméstica à qual pertence, e mesmo da comunidade, na qual se insere e vive.

Ensina-nos o Compêndio de Doutrina Social da Igreja que “o bem comum da sociedade não é um fim isolado em si mesmo; ele tem valor somente em referência à obtenção dos fins últimos da pessoa e ao bem comum universal de toda a criação” (n. 170). Ou seja, a realização pessoal nunca se faz de um modo isolado, mas num contexto, numa sociedade, peregrinação nesta terra herdada para o Homem a dominar através do seu trabalho, e colher os frutos, obtendo o alimento com o suor do rosto (Gn 1, 28-29; 3, 19).
Assim, a felicidade terrena, imperfeita, não se torna “num mar de alegrias, de contínua beatitude, que, durará sempre” (Is 35, 10), pois falta-lhe a visão beatífica – totus sed non totaliter -, de Deus. Peregrinando pelo mundo, a felicidade será sempre relativa, mas essa busca incessante estará por trás de tudo aquilo que o homem opera.

É impossível que a criatura racional dê um só passo voluntário que não esteja encaminhado, de uma ou outra forma, para a sua própria felicidade, já que, […] todo agente racional obra por um fim, que coincide com um bem (aparente ou real) e, pelo mesmo, conduz à felicidade (ROYO MARÍN, Antonio. Teología Moral para Seglares. 7. ed. Madrid: BAC, 2007. Vol. I. p. 22).

Por isso, explica São Tomás de Aquino que todos desejam alcançar a beatitude, entretanto, diferem nos meios para obtê-la, procurando-a através de riquezas, prazeres, ou outras coisas. Porém, o fim, ainda que implicitamente, permanece o sumo bem para o qual tendem todos os homens (S. Th. I-II, q. 1. a. 7.). Ora, este é identificado pelo Pe. Royo Marín, OP como sendo o próprio Deus:

Não é nem pode ser outro que o próprio Deus, Bem infinito, que sacia por completo o apetite da criatura racional, sem que absolutamente nada possa desejar fora dele. É o Bem perfeito e absoluto, que exclui todo o mal e enche e satisfaz todos os desejos do coração humano (Op. cit. p. 23).

Padre José Victorino de Andrade, EP

(Comunidade Católica Shalom – http://www.comshalom.org)

Oração, intimidade com o céu

“Pelo Coração nos unimos a Deus”

“Para mim, a oração é um impulso do coração, é um simples olhar lançado ao céu, um grito de reconhecimento e amor no meio da provação ou no meio da alegria.”

(Santa Teresa do Menino Jesus)

Nosso coração é uma casa, onde existem cômodos, janelas, porta… e abrimos a quem queremos receber bem. É também o centro da nossa vida, centro escondido, sustenta toda vida em nós. É inatingível pela razão – se o cérebro parar de funcionar o coração continua a bater e não vice e versa. Apenas o próprio Senhor o conhece e pode sondá-lo. É o lugar da decisão, lugar da verdade, onde escolhemos a vida ou a morte. Nosso coração é o lugar do encontro com Deus, lugar da aliança. É o Espírito que impulsiona esse encontro íntimo, entre Criador e criatura. (CIC § 2563)

Quem ora em nós é o coração, impulsionado pelo Espírito Santo, pela sede da presença do Criador, do Amor. Se o coração está longe de Deus, toda expressão da oração é vã, pois ela passa a ser mecânica. Quando dirigida totalmente pela razão e não pela autenticidade do sentimento e do momento no qual estamos passando, a oração foge da sua essência que é buscar sem cessar, a presença de Deus.

“Ao vê-la chorar assim, como também todos os judeus que a acompanhavam, Jesus ficou intensamente comovido em espírito. E, sob o impulso de profunda emoção, perguntou: Onde o pusestes?. Responderam-lhe: Senhor, vinde ver. Jesus pôs-se a chorar.”(Jo 11,33-34)

Jesus expressa sua autenticidade, impulsionado de profunda emoção. Expressa todo seu amor por Lázaro e por aquelas pessoas que estavam feridas pela dor da perda de quem amavam. Ele chorou… é o impulso que o leva a dar os próximos passos para clamar a intervenção do Pai naquele momento.

“Tomado novamente de profunda emoção, Jesus foi ao sepulcro. Era uma gruta, coberta por uma pedra…” (Jo 11,38ss)

Se o nosso coração é o ponto de encontro com o próprio Senhor, é dele que deve brotar a oração. Dado este primeiro passo, tudo é conseqüência e conseguimos assim, expressar o sentimento de profundo amor ou busca diante Daquele que tudo pode realizar, por amor a nós.

Lançar os olhos para o céu, deve ser para nós uma busca da Face Sagrada do Senhor. É um simples impulso do corpo, que anseia ver aquilo que o coração já está gritando: a presença e intervenção do Amado Senhor, em quem nossa alma confia e suspira de saudades.

“Levantando Jesus os olhos para o alto, disse: Pai, rendo-te graças, porque me ouviste…”

(Jo 11,41ss)

Quando, a partir do coração, o sentimento tomou conta de todo nosso corpo, a expressão vai além de um olhar para o céu, mas quer ser ouvida, quer anunciar esse sentimento de busca de todo ser. É o momento onde reconhecemos o quanto precisamos de Deus e que toda maravilha se realiza por Ele em nossa vida.

Temos como prova desse grito de reconhecimento diante de Deus, a oração de Maria: “Minha alma glorifica o Senhor e meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador…” (Lc 1,46ss)

Maria, exulta em Deus… em seu grande momento de alegria, mas também em tempos de provação. E é pela provação que conseguimos mostrar o que realmente somos diante de Deus. Por menor que ela seja, os sentimentos do nosso coração, expressos nas nossas atitudes ou não, revelam quem realmente somos e assim, provamos para Deus – diante destes sentimentos e atitudes – todo amor que temos por Ele. Provamos também, até que ponto renunciamos a nossa vontade para que a Vontade de Deus aconteça, uma vez que Ele sabe (como Pai) o que é melhora a cada um de nós. E esta prova de amor dada por nós ao Pai é expressa através de nossa vida e de nossa oração autêntica. O Magnificat é a mais perfeita oração da alegria. Maria, cheia do Espírito Santo e cheia de Jesus em seu seio, exultou de alegria perante de Deus, reconhecendo-se pequena diante da grandiosidade de Deus. Seu coração estava cheio do mais puro sentimento e o Senhor se alegrou em Maria, no seu coração e na sua vida, fazendo dela sua morada, um Templo Santo, morada Do Salvador.

Que alegria é saber se colocar diante do Rei e preparar na morada do nosso coração, no nosso castelo interior uma habitação para Deus. Preparar o trono do Rei de nossas vidas e nos encontrar com esse Rei todos os dias para refletirmos diante de Sua sabedoria e para pedir aquilo que realmente nos é necessário, sem orgulho ou cobiça. Pedir somente aquilo que nos leva a amar mais. Quando pedimos algo a Deus das alturas de nosso orgulho e da nossa própria vontade, pedimos apenas o que nos convém e acabamos anulando a essência de Deus que é Amor e que só quer nosso bem. Não podemos continuar a colocar condições para amar a Deus. Ou seja, só amamos a Deus quando Ele nos dá o que queremos. Assim acabamos por nos tornar meros mercenários.

Quando nos dirigimos a Deus justificando nossos erros ou nos achando melhores ou maiores do que os outros, estamos mais nos distanciando de Deus do que criando vínculo de aliança eterna com O Amado. Seremos assim, eternos fariseus (cf.Lc 18,9-14). Ao contrário, irmãos amados e irmãs amadas, rasguemo-nos diante do Senhor, como quem somente quer receber amor e amar em plenitude, pois a oração é uma graça que só pode ser acolhida por Deus, diante de um coração humilde e pobre.

“É preciso se lembrar de Deus com mais freqüência do que se respira.”

(São Gregório Nazianzeno)

A verdade é que nunca sabemos o que realmente precisamos, sempre queremos mais e mais e mais… Sem Deus, o homem é oco e tenta ser preenchido por tantas outras coisas inúteis e vazias que fazem da nossa vida uma jornada de busca e procura de satisfação pessoal em bens materiais e apegos terrestres.

Que possamos buscar sempre a Deus e assim, viver na Sua presença, e tudo nos será dado de acordo com nossas necessidades. (cf. Mt 6,33)

Paz oracional para teu coração!

Fonte: Comunidade Beatitudes

(Comunidade Católica Shalom – http://www.comshalom.org)

O Senhor tem muitos frutos a partir da sua vocação

A Palavra meditada hoje está em Jeremias 1,4-12

A amendoeira é a primeira árvore que desperta para a primavera, assim está o Senhor: atento para ver nossos primeiros “brotos”. Deus hoje espera a nossa resposta para o Seu chamado a fim de ver os frutos que nascem por meio da Sua Palavra.

Na passagem bíblica meditada hoje encontramos o sentido para a nossa vocação, que inclui a escolha de Deus, a consagração e a nomeação. A escolha de Deus precede e fundamenta a nossa existência, pois antes de sermos concebidos no ventre materno, o Senhor já tinha nos escolhido.

Assim como um consagrado, todo cristão batizado é uma pessoa ungida do Senhor. Se a vocação fundamenta a existência, um dia essa missão pode consumir a nossa vida, tal como podemos ver as pessoas que assumiram sua missão antes de nós.

E qual a garantia que podemos ter ao assumirmos nossa missão? A mesma garantia que Moisés teve ao ir ao encontro do faraó, ou seja, de que nunca estaremos sozinhos, de que Deus permanece sempre ao nosso lado e nos capacita para desempenharmos a missão para a qual Ele nos escolheu. Vocação é um chamado de Deus, por isso, o Senhor também nos capacita ao nos chamar.

O medo não pode ser a base para tomarmos qualquer decisão, principalmente para respondermos ao chamado de Deus Pai. Se o Senhor nos chama, então devemos ir, pois certamente Ele nos vai compensar e nos capacitar com os dons necessários para a missão. Não fiquemos com medo, nem com dúvida de como vamos falar ou agir, pois seremos instrumentos para que as maravilhas do Senhor se realizem na vida das pessoas que vão cruzar o nosso caminho.

Quando vim para a Comunidade Canção Nova tinha uma grande paixão por uma jovem e a Luzia me disse que se fosse da vontade de Deus, certamente, iríamos nos encontrar novamente no futuro. Entretanto, deixei uma grande paixão para viver um grande amor. É na missão que encontramos tudo e tudo o mais vem.

A missão de Deus é como um onda que atinge a muitos. Assumamos como lema para a nossa vida a seguinte Palavra de Deus: “Antes que no seio fosses formado, Eu já te conhecia; antes de teu nascimento, Eu já te havia consagrado, e te havia designado profeta das nações” (Jer 1, 5).

O Senhor está à espera de uma resposta para que a Sua Palavra se realize em sua vida e dê muitos frutos com sua ajuda. Sigamos em frente, sem medo, com a graça de Deus e apoiados no Seu chamado.

Nelsinho Corrêa
Diácono e missionário da Comunidade Canção Nova

(Comunidade Canção Nova – http://www.cancaonova.com)

Jesus Nasce

”E ei-lo descido do céu a um estábulo; ei-lo criancinha, nascido por nós e feito todo nosso: Nasceu-nos um Menino, foi-nos dado um Filho. É precisamente isso que o anjo quis dar a entender quando disse aos pastores: Nasceu-vos hoje um Salvador; — como se dissesse: Ó homens, ide à gruta de Belém, e adorai o Menino que lá achareis deitado sobre palha, num presépio, tremendo de frio e chorando; sabei que é o vosso Deus; não quis mandar um outro para salvar-vos, mas quis vir em pessoa a fim de obter assim todo o vosso amor. Sim, nessa gruta achamos primeiro o que admirar. Que vejo? Um Deus num estábulo! Um Deus sobre a palha! Ó prodígio! Esse Deus onipotente que Isaías viu sentado num trono de glória e majestade no mais alto os céus; onde o vemos agora repousar? Num presépio! E desconhecido, abandonado, sem outros cortesãos que dois animais e alguns pobres pastores!
Lá encontramos também um objeto digno de nossos afetos: um Deus, o Bem infinito que quis aviltar-se ao ponto de mostrar-se ao mundo como pobre criança, e isso a fim de se fazer mais amável, mais caro aos nossos corações: “Quanto mais Ele se humilha por mim, diz ainda S. Bernardo, tanto mais eu o amo”. Lá encontramos enfim um modelo a seguir. O Altíssimo, o Rei do céu reduzido ao estado mais humilde! Uma criancinha em extrema indigência; nessa gruta em que acaba de nascer quer começar a ensinar-nos com seu exemplo, continua o mesmo Santo, aquilo que mais tarde nos ensinará dizendo: Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração. Peçamos a Jesus e Maria nos iluminem.
Vai, pois, pecador, ao estábulo de Belém, e agradece a Jesus Menino que treme de frio por ti naquela gruta, que geme e chora por ti sobre a palha. Agradece a teu divino Redentor que veio do céu para te chamar e salvar. Se desejas o perdão, Ele te espera no presépio para te conhecer. Apressa-te, pois, pede-lhe perdão e depois não percas a lembrança do amor que Jesus te testemunhou. Não te esqueças, diz o profeta, da imensa graça que te fez tornando-se fiador por ti junto de Deus e tomando sobre si o castigo que havias merecido. Não o esqueças e dá-lhe o teu coração.”

Santo Afonso Maria de Ligório – Encarnação, Nascimento e Infância de Jesus Cristo

A Virgem Maria confiou nos planos de Deus! E nós?

O Evangelho deste domingo narra as circunstâncias em que Jesus foi concebido por Sua Mãe, Maria. O anjo Gabriel foi o mensageiro que teve a missão de anunciar que ela receberia a maior graça que uma mulher poderia receber: ser a Mãe do Filho de Deus. É claro que isso também traria uma série de dificuldades que ela teria de superar. Mas a Virgem Maria resolveu assumir de corpo e alma o projeto de Deus para a sua vida. Esta é a grande mensagem que o Evangelho quer nos trazer neste dia: Maria confiou no plano de Deus. E nós?

Muitas polêmicas já foram criadas em torno da Santíssima Virgem Maria, mas alguns aspectos são incontestáveis, como, por exemplo: ela foi bastante corajosa ao aceitar ser a Mãe de Jesus, sem nem ao menos pedir a opinião de pessoas importantes na sua vida, como seus pais ou seu noivo, José.

Vendo a situação em que Nossa Senhora estava e da qual ela participou – como na passagem de hoje – concluímos que ela é uma mulher de atitude, decidida, que sabe o que quer. Quando percebeu a seriedade da situação, deu um “sim” que mudou para sempre a história da humanidade. E criou o seu Filho, desde antes do seu nascimento, como se cria o próprio Filho de Deus. Ela entendeu e acreditou que este foi o plano que Deus pensou para a sua vida.

Aí você poderia pensar: “Ah! Mas no caso dela foi fácil! Veio um anjo do céu e disse qual era o plano de Deus para ela. Se viesse um anjo e me dissesse o plano de Deus para minha vida, eu também seguiria!” Se você voltar ao texto do Evangelho, verá que o anjo não tinha um “crachá” que o identificasse como “Anjo Gabriel – Enviado de Deus”. Mas Maria acreditou!

Quantos “anjos” já passaram pela nossa vida nos dando as pistas do plano de Deus? Com certeza, já passaram muitos na minha e na sua vida. Pode ser até que você já tenha sido esse anjo para mim ao ler esta homilia e fazer o seu comentário, e eu esse anjo para você ao escrevê-la, sabia?

O nosso problema é que nós somos lentos para entender! Não acreditamos logo de primeira. Precisamos ter vários sinais para poder começar a acreditar que Deus está tentando nos mostrar o Seu plano na nossa vida. Imagine se Maria fosse assim!

Ela fez diferente. Ao aceitar o desafio do Senhor, também aceitou o perigo da sociedade em apedrejá-la sob a acusação de adultério, por estar comprometida com José. Outro risco que tinha de enfrentar era a ruptura do seu casamento – que já estava tão próximo! – quando José soubesse de sua gravidez.

Mas a Virgem Maria preferiu fazer a vontade de Deus a agradar os homens, ainda que lhe custasse tudo. Um grande exemplo para nós! Também lhe é anunciado que sua parenta Isabel havia concebido em sua velhice, e que era o sexto mês para aquela que era considerada estéril, porque nada é impossível para Deus!

Isto nos deve chamar também a atenção: Lucas conta a história do nascimento de Jesus principalmente desde a perspectiva de Maria em quem Deus cumpre as promessas feitas a Abraão.

O nascimento virginal é uma doutrina cristã fundamental, que aparece no credo dos cristãos desde muitos séculos atrás. Pelo nascimento virginal por obra do Espírito Santo, Jesus Cristo não teve pecado original e, por isso, foi capaz de oferecer um sacrifício perfeito para salvar a humanidade. Porque só os homens livres podem salvar os condenados. Só o Homem celeste pode santificar o homem da terra. Se tivesse nascido de um pai humano, teria sido um homem comum, incapaz de salvar-nos.

Maria compreendeu, na sua pureza, que o plano de Deus não é aquele que vai nos fazer “nunca mais ter problemas na vida”. Muito pelo contrário! A Santíssima Virgem teve inúmeras dores. Ela enterrou o próprio Filho! A certeza que nós temos, ao aceitar o plano de Deus, é que nós já somos vitoriosos mesmo antes de começar o Seu plano, pois já estaremos com o nome inscrito no Reino dos Céus.

Que com Maria Santíssima, a Mãe de Deus, e sobretudo com o seu “sim”, saibamos aceitar o desafio do projeto de Deus em nós. Que Cristo continue sendo “gerado” em nós para os nossos irmãos e irmãs, e com Ele percorramos a trajetória de Sua vida: Seu Nascimento, Ministério, Paixão e Ressurreição.

Padre Bantu Mendonça

(Canção Nova – http://www.cancaonova.com)

Por que não adoro Maria

Padre José Fernandes de Oliveira, SCJ

Vou dizer por que não adoro Maria, a mãe de Jesus; porque ela não é deusa! E…ponto final! Mas vou dizer por que a amo, respeito, louvo e venero. É porque não é todo dia que uma mulher dá à luz um filho como Jesus… Jesus é incomum e sua mãe também é.

E vou dizer por que, além de falar com Jesus, eu também falo com Maria; é que eu creio que Maria não está dormindo o sono da espera pelo último dia da humanidade; ela está no céu, santificada e elevada pelo seu Filho. Falo a cristãos porque ateus não admitem nem Deus nem estes dogmas. Budistas, judeus e muçulmanos também não. Eles têm outros dogmas de fé.

Como creio que o sangue de Jesus tem poder e que Jesus Cristo salva o céu está repleto de santos alguns dos quais nós, católicos, retratamos e lembramos em imagens para não esquecer deles. Como não há humanos perfeitos tiveram seus limites, mas assim mesmo eram crentes e pregadores melhores do que nós.

Se Jesus salva a quem o segue, então é claro que a mãe dele está no céu porque Maria foi quem melhor o seguiu. Raciocinem comigo. Se Jesus ainda não levou nem a mãe dele para o céu, então Mateus exagerou; todo o poder não foi dado a ele… Se até agora ninguém entrou no céu, então a estação de baldeação onde ficam as almas à espera do último dia do planeta deve estar superlotado.

Intercessão

É por crer que o céu está repleto de humanos que Jesus salvou que peço intercessão dos salvos no céu e aceito também a dos que se proclamam salvos já nesta vida porque aceitaram Jesus. Se eles estão salvos a mãe de Jesus esta super-hiper-salva… É a razão pela qual peço a Maria que, lá no céu, ore por mim e comigo. Se padre e pastor podem interceder a Jesus por mim então a mãe de Jesus pode mais. Ela é mais de Jesus que todos nós juntos. Se aceito os intercessores da terra, que diante das câmeras, de manhã e de noite, em emocionados programas de rádio e televisão, dizem de boca cheia que vão orar e oram pelos seus fiéis, então eu posso acreditar nos santos do céu que Jesus já salvou. Entre os salvos escolhi Maria a mãe de Jesus para orar comigo e por mim e pelos que me pedem orações. Eu creio que ela está viva no céu. De Jesus ela foi quem mais entendeu neste mundo, e imagino que continue a ser no céu a que mais sintoniza com Ele.

Como creio que Jesus não era um simples homem e que ele de fato era o Filho eterno que se encarnou não tenho como explicar isso a um judeu, um muçulmano ou um ateu. Mas para cristãos parece-me lógico explicar por que razão não adoro Maria e por que razão eu escolhi a intercessão desta humana acima de qualquer outro cristão.

Não acho que Deus espera pelo toque da última trombeta para levar seus filhos para perto dele. Não esperaremos 10 ou 100 mil anos para entrar no céu. Jesus já disse que iria preparar-nos um lugar e que viria e levaria com ele os que ele resgatou. E penso que Maria foi o primeiro grande fruto da santidade de Jesus: santificou primeiro a mãe dele.

Se eu disser que Jesus foi um simples profeta e que ele não é o Cristo, nem tem poder algum, e que tudo foi empulhação dos primeiros cristãos, então terei que descartar Maria e situá-la no mesmo nível de qualquer mulher mãe. Mas, se eu aceitar que ele é do céu e que houve um tremendo momento da humanidade no qual Deus se manifestou assumindo a natureza humana, então, seja eu católico ortodoxo, ou evangélico, ou pentecostal, terei que louvar e enaltecer a mãe dele. Nunca houve mulher mais privilegiada do que ela. Pagou, com o filho o alto preço da redenção, porque mesmo sendo humana esteve lá de Belém até à cruz assumindo tudo com ele, da mesma forma que hoje nós nos associamos às dores dos outros em nome dele.

Vou dizer outra vez por que não adoro Maria. Eu só adoro a Deus e Maria não foi, não é, nem nunca será deusa. Mas vou dizer outra vez porque a coloco acima de todos os papas, bispos, padres e pastores do mundo. É que nenhum de nós conhece Jesus como Maria conheceu e conhece. A mãe dele foi o primeiro fruto de sua ação no mundo.

Se você me vir falando com Maria, não com a imagem dela, é claro, porque sei a diferença, pode apostar que é porque acredito no poder de Jesus Cristo e na sua promessa e porque também acredito em intercessão. Tenho um trato com o céu. Eu falo direto com o Pai, usando o nome do Filho que aqui se chamou Jesus, ou falo com Jesus que está no seio da Trindade, ou falo com os santos que ele salvou. E entre eles prefiro Maria a quem todos os dias peço que ore comigo e por mim agora e na hora de nossa morte.

Se você é cristão então não terá dificuldade de entender esse assunto de orar uns pelos outros. Se não for e achar essa doutrina estapafúrdia, continue achando. Ateus e outras religiões também têm seus credos estranhos ou estapafúrdios. Em nome do nazismo e do comunismo ou da ditadura do proletariado ou de uma raça, não defenderam no século passado Marx, Lenin, Stalin, Che Guevara e Fidel e, os da direita, Hitler, apesar das mortes que causaram? Cada qual aceita seus dogmas e faz suas faz a suas escolhas. Não mataram em nome de Jesus e de Maomé? Eu proclamo que os que deram a vida e não mataram estão no céu… Meus dogmas aceitos são muito mais suaves.

Escolhi crer que Deus existe e esteve entre nós e ainda se manifesta. Respeito quem não crê em Deus ou crê, mas não crê como eu. Espero o mesmo respeito. Não sou tão tolo quanto pareço, nem os que duvidam são tão espertos e humanitários quanto parecem. Vivemos de apalpar o tempo e a eternidade, sem saber o que fazer com ambos. Então, cada um defina sua vida a partir o que acha que entendeu. E ponto final!

(FONTE: Site Padre Zezinho,SCJ)