Quem confia no amor de Deus, lança-se na esperança!

Nós necessitamos ser simples e humildes, para compreendermos a vontade do Pai a nosso respeito e conhecer as riquezas do coração de Jesus Cristo. O próprio Filho de Deus, cheio do Espírito Santo, exulta:

”Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado” (Lucas 10,21b).

Nós precisamos nos despojar de nós mesmos e estar disponíveis para o Reino dos céus, pois Cristo quer contar conosco. Não tenhamos medo de vivermos numa total dependência de Deus esperando tudo d’Ele, porque jamais seremos decepcionados. Quem confia no amor de Deus, lança-se na esperança!

Nesta vida, passamos e passaremos pelas mais diversas situações e em todas elas não podemos perder Deus de vista; precisamos permanecer unidos ao Senhor, principalmente, quando não entendemos o que está acontecendo conosco. Na situação em que você se encontra, hoje, una-se a Jesus e espere n’Ele sem jamais perder a confiança na Misericórdia de Deus.

”Este é o nosso Deus, esperamos n’Ele, até que nos salvou; este é o Senhor, n’Ele temos confiado: vamos alegrar-nos e exultar por nos ter salvado” (Isaías 25,9).

Jesus, eu confio em Vós!

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A Vocação de Maria e a Nossa Vocação

Uma única palavra resume as relações de Deus com a humanidade: Aliança. No centro do plano divino está a vontade de selar um pacto de amor com as criaturas. O deus absoluto e todo poderoso, o único, o Ser necessário e totalmente transcendente quer comunicar-se, deseja estabelecer um diálogo com o ser humano. Deus nos criou para nos transmitir seus bens. Não permanece longe, mas vem até nós para doar-se. A criação inteira é fruto dessa vontade de amor. Deus cria por amor e para amar. É o único motivo. Por isso cria o homem à sua imagem e semelhança, capaz de dialogar, de responder a seu convite para amar, para doar-se.

Toda a história da Bíblia é a história dessa aliança de amor. E essa história, para ser construída, requer sempre, a iniciativa de Deus e a resposta do homem. A Bíblia nos mostra a aliança de Deus com Adão e Eva, com Noé, com Abraão, com Moisés, com todo o povo de Israel. Deus chama o homem com um amor gratuito, mas convoca-o a experimentar este amor e ser instrumento dele para que outros o experimentem também. A história da Salvação é toda tecida desta cooperação constante entre Deus e os homens.

O que assombra o ser humano é o fato de, ao mesmo tempo que experimentam a grandeza infinita de Deus, percebem que o Deus infinito quis necessitar de sua cooperação para a realização de seus planos de amor. Quis ser um com ele, e realizar uma obra de amor com a sua cooperação. Foi assim que Moisés se assombrou. Veja êxodo 3,1-12. E Moisés teve medo. Veja êxodo 4,1-18. Deus quer que o homem capte as suas demonstrações de amor e que assuma um compromisso com Ele. À sua ação deve se seguir uma reação do homem. Ele quer ser ouvido e seguido.

Desde que Deus criou o homem, este é convidado a viver esta aliança de amor, e ser cooperador dele. Se voltarmos ao Gn 1,28 veremos este convite feito ao primeiro homem e à primeira mulher. Mas se formos ao Gn 3,1-19 veremos que desde o princípio a história da humanidade está marcada pela infidelidade à esta aliança de amor. Veremos também que há um ser pervertido e perversor, um anjo decaído, o demônio, que vive a tentar o homem para que este quebre sua aliança com Deus.

Nossa Senhora jamais quebrou esta aliança, ao contrário, foi fiel ao convite de deus desde o princípio. Ontem vimos que a sua resposta ao convite para ser a Mãe do filho de Deus foi: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra”(Lc 1,38). E este sim foi repetido durante toda a sua vida, nos momentos mais difíceis: quando teve de dar à luz num estábulo, quando teve que fugir para o Egito para que o menino não fosse morto pelo rei Herodes, e principalmente quando teve de vê-lo morrer numa Cruz, incompreendido por aqueles a quem amava, e por quem entregara toda a sua vida.

Um grande segredo de amor envolvia esta fidelidade de Maria na sua aliança com Deus, a sua cooperação incondicional com a Graça divina: Humildade e Confiança. Maria se fez sempre pequena serva. Não se arrogou de direitos, não desejou fazer valer uma pretensa justiça humana. Orgulhosos que somos, basta-nos muito pouco para nos julgarmos justos e merecedores de grandes favores de Deus e dos irmãos. Basta-nos um pouco de autoconfiança, muito pouco mesmo, para nos compararmos e considerarmos os que estão ao nosso lado como irresponsáveis, incompetentes e inféis. Basta-nos que Deus nos peça um pouco de sacrifício ou de sofrimento, para tantarmos o mais rápido possível do nosso fardo jogando-os nas costas dos outros. Basta-nos a nossa vida, os nossos problemas, as nossas feridas, para não enxergarmos os problemas nem as feridas dos irmãos, e nos tornarmos terríveis carrascos deles. Maria foi o anti-orgulho. Não se arvorou de muita coisa por que Deus lhe chamou para ser mãe do Seu Filho. Se tivesse sentido orgulho, provavelmente teria chamado Isabel para serví-la, e não teria atravessado o deserto para servir sua prima. Teria se achado o centro, a digna de ser ajudada, e nem teria percebido que neste exato momento era a sua prima que necessitava de sua ajuda. Maria não era centrada em si, mas em Deus e na sua vontade.

Maria não vivia em torno de si mesma, e dos seus pequenos sonhos e planos, mas em torno de Deus e da sua vontade. Maria não tentava misturar o que era sua vontade, com a vontade de Deus, mas abandonava inteiramente sua vontade em prol de fazer a vontade de Deus. Por isto era capaz de captar as necessidades dos irmãos, e ao contrário de colocar fardos nos ombros dos outros, os tirava. Maria não se fez Rainha, por isto Deus a fez Rainha.

Maria confiou em Deus. Não colocou sua confiança em pessoas, em coisas, em títulos, em elogios, em confirmações que viessem dos outros. Maria simplesmente deu o seu ser para que nela se cumprisse a vontade de Deus: ” Faça-se em mim”, ela disse. Maria buscava veeementemente a vontade de Deus para si, e sabia que esta vontade sempre exigiria dela abandonar seus próprios planos. Ela sabia que Deus tem a última palavra em tudo, e via em tudo a vontade de Deus, e não a dos homens. Tudo vinha de Deus. Nós somos idólatras de nós mesmos e dos nossos irmãos. Não confiamos suficientemente em deus, e por isso sempre esperamos nas criaturas. E nos decepcionamos, porque elas não são deuses. Nós fabricamos ídolos, para que estejam ao redor de nós, a fim de nos servir quando precisamos. E nos decepcionamos. Não vamos para Deus, porque no fundo sabemos que ele não fará a nossa vontade, não nos fará de crianças, mas quer formar pessoas maduras, que escolham unicamente ele e a sua vontade. Quer que estejamos sós diante dele para dizer o nosso sim sem contar que seja outro e não nós a levar o momento sacrificado do nosso sim. Por isso nos tira as pessoas. Por isso muitas vezes nos faltou, nos falta, e nos faltarão a compreensão dos pais, dos amigos, dos irmãos mais queridos. Tudo para que esperemos só em Deus, e nos dirjamos aos irmãos sem interesse próprio algum, mas unicamente para serví-los, para amá-los gratuitamente. Assim fez Maria visitando Isabel.

E foi porque se desprendeu das criaturas, e disse seu sim com total humildade e confiança, que Maria recebeu de Deus a confirmação que lhe veio pelos lábios de Isabel: “Bendita és Tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre”(Lc 1,42). Se escutássemos hoje de Deus estas palavras: “Bendito ou bendita és tu, benditas são os frutos das tuas obras, do teu sim a Deus”, seríamos curados num instante de toda auto-imagem negativa. Porém, para escutar estas palavras, é preciso antes escutar e dizer sim à vontade de Deus para nós. Somente no centro da vontade de Deus está a nossa cura, a nossa libertação. Somente clamando antes a Deus a graça de esquecermos de nós mesmos, das exigências e queixas que por tantos anos guardamos em relação aos nossos pais e irmãos, somente se estivermos dispostos a nos despojar da criança mimada e egoísta que há dentro de nós, é que poderemos experimentar a cura da nossa auto-imagem negativa, e enfim poderemos cantar como Maria: “Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu salvador, porque olhou para seu pobre servo, ou sua pobre serva (Maria representa todas as criaturas na sua fragilidade humana). Por isto desde agora me proclamarão bem aventurado ou bem aventurada, todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo. Sua misericórdia se estende, de geração em geração sobre os que o temem”(Lc 1,46-50).

Maria sempre experimentou, em todas as situações, a gratuidade do Seu amor por ela. E ela também era gratuita no seu amor a Deus. Fazera vontade de Deus, ser fiel a Deus nunca foi para ela motivo de exigir que Deus a recompensasse com mimos. Não demos a vida a nós mesmos. Nada temos por nós mesmos. Tudo na nossa vida é um presente de Deus. A nossa vida é um grande presente de Deus. As alegrias, as tristezas, são um presente de Deus, às vezes misteriosos, mas que um dia compreenderemos. não é necessário compreender, mas aceitar com humildade e confiança que tudo é um presente de amor de Deus. Deus está por trás de todos os acontecimentos de nossa vida. Há coisas que nos sucederam que ele não gostaria que fosse assim, mas permitiu. A nossa liberdade, ou a de nossos irmãos foi mal usada, mas Ele é Deus, capaz de transformar todas as coisas porque nos ama. Isto não é desculpa para permanecermos crianças mimadas e insistentes em nossos planos egoístas, porque quando nos afastamos da vontade de Deus, embora ele continue nos amando, não conseguimos perceber isto, e podemos jogar fora a nossa união definitiva com Ele. Isso é muito sério. Podemos optar pelo inferno, e isto Ele não vai impedir. Embora Ele esteja trabalhando sempre pela nossa salvação, esta é uma opção nossa, que Ele não vai impedir.

Precisamos pedir a Deus a cura para nossas feridas, mas precisamos pedir a Deus acima de tudo a Sua Graça, que é o maior presente. Foi pela Graça de Deus que Maria realizou a vontade de Deus para sua vida, e todos nós somos hoje beneficiados. Precisamos louvar a Deus porque Maria o amou antes de si mesma e antes de todas as criaturas. Ela sempre escolheu Deus e a sua vontade. Maria não se sentia uma pessoa nula, péssima, mal amada. Ela não sofria de auto imagem negativa. os olhos dela nunca estiveram nela mesma ou em seus traumas, mas estavam postos na grande bondade de Deus. estava sempre a recordar suas maravilhas, e aquilo que de doloroso lhe sucedia era recebido no silêncio e na humildade, mas especialmente na confiança de que Deus é sempre amor. Peçamos hoje a Maria a Graça de sermos tirados do centro de nós mesmos, e assim curados na nossa auto imagem. peçamos a Maria, que ela “arranque” do coração de Deus a Graça de termos unicamente Deus como centro de nossas vidas. Que todas as dores, as mágoas, as feridas, os sentimentos de incapacidade, de ser desprezado, não amado, tudo isto seja colocado no coração de Maria, que está sempre unido ao coração de Jesus e do Pai. E que hoje, o fogo do espírito santo possa queimar tudo isto e nos dar um auto imagem nova, límpida, resplandescente, e possamos dizer com ela: “Realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo” (Lc 1,49).

Texto da Escola de Formação Shalom
escoladeformacao@comshalom.org

Deus não nos deu um coração egoísta

“Derramarei sobre vós água pura e sereis purificados. Eu vos purificarei de todas as impurezas e de todos os ídolos. Eu vos darei um coração novo e porei em vós um espírito novo. Removerei de vosso corpo o coração de pedra e vos darei um coração de carne”. (Ez 36,25-26)

Deus quer nos dar um coração de carne, porque Jesus ressuscitado tem um coração de carne como o nosso. Após ressuscitar, Jesus se manifesta várias vezes aos discípulos. Eles se assustam, pensando que era um fantasma. Jesus, então, lhes mostra Suas chagas. Vendo ainda desconfiança nos corações deles, pede algo para comer (cf. Lc 24,40-43).

Todos nós gostaríamos de ter um coração diferente. A vida, com seus próprios acontecimentos, endureceu nosso coração. Mas saiba que Deus não nos deu um coração egoísta. Fomos feitos à imagem e semelhança d’Ele, que é a personificação do amor. O coração soberbo, orgulhoso, altivo, autossuficiente, não é o coração que Deus nos deu.

Seu coração é igual ao de Jesus. O pecado, a vida, o mundo ao seu redor é o que o fizeram duro, egoísta. Originalmente, ele não é e não deve ser assim. O que aconteceu foi uma usurpação, um roubo, uma intromissão indevida. Uma injustiça do inimigo, que entrou num território que não era dele. O seu coração é território de Deus, só Ele pode reinar.

(Canção Nova ;D Monsenhor Jonas Abib – Formação)

Quem ama confia!

Ela o segurava nos braços debaixo de um sol forte e em meio à agitação própria da cidade grande, ele dormia sereno e calmo, pois estava seguro de que nada poderia atingi-lo. Esta cena não faz parte de um filme, é real e apesar de a ter contemplado há algum tempo, ainda hoje me recordo claramente dela. No ponto de ônibus, uma mãe, com ar de preocupada, segurava seu filho nos braços enquanto mantinha os olhos fixos nos ônibus que chegavam e saíam sem parar. Um deles poderia ser o seu e ela não poderia nem sequer pensar em perdê-lo.Observei que, apesar da agitação própria do local e da preocupação aparente da mãe, a criança dormia tranquila e sossegada. Sem palavras parecia dizer: “Nada temo, pois os braços que me seguram são de alguém que me ama”.

Naquele dia, a cena, foi um pretexto para Deus falar comigo. Já observou que quando não paramos para ouvir a voz de Deus por meio da oração Ele nos fala pelos fatos? No meu caso, eu estava vivendo um tempo de muita correria no trabalho, já não conseguia rezar como antes e queria resolver todas as coisas com minhas forças. Quando ocupamos o lugar de Deus é isso que acontece. Com aquela situação, o Senhor foi me mostrando que eu precisava confiar mais no amor d’Ele. Precisava viver a atitude daquela criança, ou seja, abandonar-me. Na verdade, precisava amá-Lo mais e deixar-me amar por Ele, pois só confia quem verdadeiramente ama, e quem ama consequentemente confia.

E mais: Deus Pai abriu meus olhos para eu perceber que a raiz da minha agitação era também falta de amor-próprio e má interpretação do Seu amor por mim. Eu estava me comportando como serva de Deus e não como Sua filha. E isso faz uma grande diferença em nossa vida como cristãos. O próprio Senhor disse em Sua Palavra: “Já não vos chamo servos, mas amigos […]” (João 15, 15). Ou seja, o Senhor nos elegeu, nos amou, não quer apenas o nosso serviço, mas nosso amor. Isso é próprio de uma relação de amizade. Amamos e somos amados, e o amor vai além do fazer.

Hoje, por providência, contemplei uma cena semelhante e lembrei-me das lições de outrora. Já não estou tão agitada como antes, vivo uma fase diferente. Mas uma coisa é certa: preciso continuar na escola da confiança. Devo aprender mais de Deus na matéria do amor. “O amor lança fora todo temor, é paciente, tudo suporta, tudo crer, tudo espera […]” (I Coríntios 13,4-7). É por isso que quem ama confia!

Quanto mais amamos a Deus e nos deixamos envolver por Sua misericordia, tanto mais vamos encontrando a harmonia que tanto desejamos. E que muitas vezes buscamos nas pessoas, nos cargos, no poder, no ter ou de tantas outras formas aparentes de segurança neste mundo.

O abandono é, antes de tudo, uma atitude de confiança, fruto da maturidade, e a maturidade não se alcança de uma hora para outra, é preciso ter paciência com o tempo, dar passos e superar os obstáculos. É por isso que quem já teve sua fé provada, tem mais facilidade em confiar em Deus, tem forças para ir mais longe mesmo quando tudo parece perdido.

Aquela criança provavelmente se sentia amada, por essa razão as circunstâncias não a impediam de confiar e repousar tranquilamente no regaço acolhedor de sua mãe.

São Francisco de Sales faz uma interessante comparação, quando fala da alma recolhida em Deus. De fato, diz ele; “[…] os amantes humanos contentam-se, às vezes, em estar junto da pessoa a quem amam, sem lhe falarem nada e sem nem sequer pensar em outra coisa que não seja estar ali… Sentem-se amados e isso basta. É assim que acontece com a alma que se entrega aos cuidados do Criador. Repousa sossegada, mesmo em meio aos constantes desassossegos que vive no dia a dia”.

Compreendo, cada vez mais, que a experiência do abandono em Deus passa pela descoberta do Seu amor incondicional por nós.
Peço ao Senhor que hoje lhe permita viver esta experiência e o cure profundamente de toda falta de amor, devolvend-lhe a serenidade e a paz, fruto da confiança n’Ele.

Assim como a mãe segura em seus braços o filho amado, Deus hoje o segura, não tema. Nos braços do Pai nada poderá atingi-lo, e quem ama confia.

(Canção Nova ;D Dijanira Silva – Formação)

Viva numa confiança incondicional em Deus

Fomos marcados por um conceito de fé totalmente errado, como se fé fosse somente acreditar na existência de Deus, nos dogmas da Igreja, na virgindade da Santíssima Virgem Maria, na ressurreição da carne, na infalibilidade do Papa, com a inteligência. Sem dúvida, também é isso. Mas o primeiro passo de fé não é crer intelectualmente, mas confiar em Deus: naquilo que Ele é. Acreditar nas verdades que a Igreja ensina é uma consequência disso [fé].

Ao ler os Atos dos Apóstolos, vemos que Paulo ia de cidade em cidade pregando o Evangelho. Em todos os lugares, ele deparava com incompreensão, fofocas, perseguição e era sempre levado aos tribunais. Muitas vezes foi condenado; apanhou e foi apedrejado.

Quantas vezes o apóstolo saiu das sinagogas apanhando… Mas em quem Paulo confiava? Em Deus! E porque confiava em Deus, apesar de toda perseguição, ia em frente. Inspirado por Deus, ele foi para Jerusalém, pois queria expor a seus irmãos o que lhe havia acontecido. Queria contar-lhes sua conversão e pregar o Evangelho. E o que aconteceu? Os próprios irmãos, sacerdotes do Deus vivo, se opõem a ele e o levam à prisão. Assim relata o livro dos Atos dos Apóstolos:

“No dia seguinte, resolvido a saber com certeza de que os judeus acusavam Paulo, o tribuno mandou tirar-lhe as correntes; depois ordenou uma reunião dos sumos-sacerdotes com todo o Sinédrio, e mandou Paulo descer para que comparecesse perante eles. Com os olhos fitos no Sinédrio, Paulo declarou: ‘Irmãos, é com uma consciência livre de qualquer remorso que eu procedi para com Deus até este dia’. Mas o sumo-sacerdote Ananias ordenou aos seus assessores que lhe batessem na boca” (At 22,30.23,1-2).

O sumo-sacerdote estava ali para julgar. O réu tinha todo o direito de se defender. O apóstolo dos gentios começou dizendo: “Irmãos, é com uma consciência livre de qualquer remorso que eu procedi para com Deus até este dia”. Mas Ananias, sumo-sacerdote, mandou os que estavam a seu lado que lhe batessem na boca. Incrível: Paulo estava diante de quem? Diante do sumo-sacerdote: o representante de Deus no meio do povo na época.

“Paulo lhe disse então: ‘É a ti que Deus vai ferir, parede caiada! Tu te sentas para me julgar segundo a Lei e, sem consideração à Lei, ordenas que me batam?’ Os assessores o advertiram: ‘Tu insultas o Sumo Sacerdote de Deus!’” (At 23,3-4).

Na verdade, o apóstolo não sabia que se tratava do sumo-sacerdote (havia muito tempo estava fora de Jerusalém), por isso o chamou de hipócrita. Quando o soube, humilhou-se e disse:

“Eu não sabia, irmãos, respondeu Paulo, que ele era o sumo-sacerdote; de fato, está escrito: ‘Tu não insultarás o chefe do teu povo’” (At 23,5).

Até as últimas consequências, o apóstolo dos gentios confia unicamente em Deus. Sua fé o faz agir corajosamente.

Como Paulo, temos de confiar exclusivamente em Deus, fundamentados numa fé que nos garante que nossa segurança está n’Ele. Todos, neste mundo, falham: marido, esposa, pai, mãe, filho, sacerdote, bispo… As pessoas nas quais mais confiamos e que mais amamos são humanas e, por isso, falham. Não é que vamos deixar de acreditar nelas. O problema é que, se depositamos nossa confiança apenas em pessoas e, pior: se achamos que elas não erram e não decepcionam, vamos viver de frustração em frustração.

Em Deus está nossa confiança! Quantas esposas se apoiam totalmente em seus maridos. Esquecem que eles são de carne e osso e falham. Consequentemente, as esposas se decepcionam. O mesmo pode acontecer com os homens: se depositam sua confiança na esposa, no trabalho, nos negócios… logo vem a decepção!

Quantas pessoas confiaram unicamente no padre, na religiosa, esquecendo-se de que são pessoas e podem errar. É necessário que caminhemos com elas, porém, nosso apoio está em Deus.

Precisamos reavivar nossa fé. Não é simplesmente acreditar em algumas verdades: é confiar em Deus. Confiar naquilo que Ele é. Não posso confiar em Deus somente se Ele me curar, se resolver meus problemas… Devo confiar no Senhor incondicionalmente: se não obtive a cura desejada, devo continuar confiando n’Ele. Busco, amo e confio em Deus por causa d’Ele, e não pelos benefícios que isso possa me oferecer.

Muitas vezes o Altíssimo faz maravilhas em nossa vida. Ele melhora situações econômicas, reconstrói casamentos, cura doenças… Mas, infelizmente, muitos apoiam sua fé apenas nisto: creem somente se o Senhor fizer o que desejam. Não é assim! Temos o exemplo de Paulo que só teve decepções com seu povo e com o sumo-sacerdote, mas, ainda assim, continuou confiando no Senhor. O alicerce de sua fé não estava nas pessoas, mas unicamente em Deus. Por isso não se decepcionou.

Trecho extraído do livro “Divina Providência – Considerai como crescem os lírios”

(Canção Nova ;D Monsenhor Jonas Abib – Formação)

O Senhor nos deu um Carisma autêntico

Shalom Maná: Como aconteceu a sua primeira experiência com Jesus?
Maria Emmir: A fé foi sempre uma presença forte em minha família e em minha educação. Sou imensamente grata a meus pais, tios e avós pelo dom da fé vivida. A experiência com Jesus Ressuscitado, entretanto, deu-se em duas etapas: a primeira, no Cursilho de Cristandade, no segundo semestre de 1976 e a segunda, decisiva, no Seminário de Vida no Espírito Santo no primeiro semestre de 1977.

Shalom Maná: Em que aspectos a sua experiência familiar favoreceu o seu encontro com Deus?
Maria Emmir: Na família de meus pais, como disse, a fé e a prática da religião católica sempre foi um aspecto importantíssimo em minha educação. Além disso, sempre estudei em escolas e faculdade católicas, até vir para Fortaleza. Quanto à minha família, foi o Sérgio, meu marido, o primeiro a ir ao Cursilho e me “puxar” para fazer, também, meu encontro. Embora tenha sempre tido fé, quis a providência divina que eu viesse encontrar Jesus Vivo e a vocação em Fortaleza. Mistérios de Deus.

Shalom Maná: Como você descobriu a sua vocação Shalom?
Maria Emmir: Como você sabe, não se chamava de “vocação” o que vivemos no começo. Para mim, o encontro com o que hoje chamamos de “vocação” foi o encontro com o Moysés. Ao ouvi-lo conversar, pregar, evangelizar, eu encontrava algo que parecia sempre ter buscado. Hoje chamamos isso de “vocação Shalom”.

Shalom Maná: O que significa ser co-fundadora?
Maria Emmir: É muito difícil responder a esta pergunta, pois se trata de algo que se é e não de algo que se faz. Um carisma específico dado gratuita e livremente por Deus. Por um lado, a gente fica pasma diante da escolha inexplicável de Deus e sua “loucura” de nos confiar algo tão maior que nós. Por outro lado, esta perplexidade se torna ainda mais profunda porque não se sabe direito o que é, afinal, um co-fundador, pois cada fundador e cada co-fundador têm características individuais e únicas, uma vez que o carisma que lhe foi dado faz parte de sua identidade pessoal. Finalmente, diante da responsabilidade que se sabe ter, mas que não se conhece bem, vem o temor e tremor ao se olhar para a própria fraqueza e a grandeza do Carisma. Só nos resta confiar na infinita misericórdia de Deus. Para responder a sua pergunta, poderia dizer que ser co-fundador é viver em um estado de perplexidade, gratidão, responsabilidade, louvor, constrangimento e desejo de dar-se sempre mais a Deus, aos irmãos, à Igreja, ao Carisma.

Shalom Maná: Qual a diferença dos desafios do início da Comunidade com os atuais?
Maria Emmir: Como o Moysés diz na Carta à Comunidade, os desafios como que se repetem com nuances características da época. Hoje, com o Reconhecimento Pontifício, temos mais segurança interna e externa de que se trata de uma Obra de Deus e isso nos faz crescer em confiança, tranqüilidade e responsabilidade. Como afirma o Moysés, não há nada nem ninguém capaz de destruir uma autêntica Obra de Deus.

Shalom Maná: O Moysés sempre constatou que a Obra era maior do que nós. Qual a sua reação diante desta realidade?
Maria Emmir: Confirmo! Confirmo! Confirmo! É belo, muito belo mesmo, contemplar o que Deus faz apesar de nós. Faz muito bem constatar o quanto não somos nós os autores de nada que se refere à Obra e ao Carisma. Dá grande segurança saber que tudo é de Deus e tudo vem Dele.

Shalom Maná: Como mãe espiritual da Comunidade qual a sua maior alegria e a maior dor?
Maria Emmir: Maior alegria: ver a comunidade crescer em santidade e em número. Maior dor: ver um irmão querido partir.

Shalom Maná: Com o crescimento e a abertura das primeiras missões como foi sua experiência nesta questão?
Maria Emmir: A abertura da primeira missão foi, para mim, uma experiência única, pois em uma oração recente havíamos recebido de Deus, através de Maria, uma ordem: “Quebrem os muros. Saiam! É hora de sair!” Já na primeira missão internacional, tive um grande consolo ao ver o profetismo do Moysés que, já em 1983 afirmava: “A Vocação Shalom é universal. É para o mundo!”
A nível de formação, a primeira missão me trouxe um tempo de ansiedade quanto a manter a unidade da formação e, portanto, ao redor do Carisma, então com apenas 10 anos de expressão. Com o tempo, Deus nos foi dando graça, sabedoria, recursos técnicos e sobretudo a fidelidade dos irmãos missionários que nos garantiram esta unidade.

Shalom Maná: Qual a importância da formação na vocação Shalom? Qual a sua ação?
Maria Emmir: Como em toda vocação, a principal missão da formação é ajudar os irmãos a viver o Carisma o mais perfeitamente possível, mantendo a unidade e a fidelidade fundamentadas nele. Toda formação supõe, portanto, além do conteúdo o pastoreio adequado. A formação tem que agir sempre com dois braços: o do conteúdo e o do pastoreio pessoal de cada irmão e da vida comunitária como um todo, a fim de que o conteúdo se transforme em vivência. Conteúdo sem pastoreio não seria formação, seria informação. Pastoreio sem conteúdo correria o risco de ser arbitrariedade.

Shalom Maná: Ainda em relação à Formação, o que você espera de seus filhos e filhas?
Maria Emmir: Que a formação os ajude a ser mais santos e fiéis ao Carisma, lembrados de que sem sua cooperação ativa para a formação nem o Espírito nem nós podemos fazer nada.

Shalom Maná: Você poderia contar alguns detalhes de seus encontros com os Papas João Paulo II e Bento XVI?
Maria Emmir: Encontrei-me com ambos apenas em audiências públicas ou para um grupo particular. Com João Paulo II, estive em 1981, com um grupo da RCC de todo o Brasil, nos jardins do Vaticano, gruta de Nossa Senhora de Lourdes. Foi um momento muito especial onde, pela primeira vez, tivemos “a coragem” de orar em línguas diante de um papa. Outro dia recebi do Robério, coordenador da RCC do Ceará, um vídeo que mostrava a reação do Santo Padre diante de nossa oração. Dá gosto ver.
Depois desta ocasião, estivemos com ele em audiência privada para a Fraternidade Internacional de Comunidades, duas vezes na Aula Paulo VI, uma vez praticamente por acaso na Basílica de São Pedro e no inesquecível Pentecostes de 98, no qual Moysés e eu fomos convidados para o Sagrado, juntamente com outros fundadores presentes. Para surpresa nossa, foi lido, em italiano, um resumo da história da Comunidade Shalom. Quase caímos para trás quando nosso pobre italiano permitiu que tivéssemos certeza de que estavam realmente falando de nós. Pela primeira vez o Moysés participou da cerimônia como fundador, lendo uma das orações. Também pela primeira vez um papa utilizou as palavras “fundador” e “discípulos” com relação às novas comunidades, reconhecendo, desta forma, que elas traziam um carisma original.
Como João Paulo II é presente mesmo após sua páscoa, é preciso dizer que ter participado dos seus funerais e ter podido parar e rezar bem próximo ao seu esquife foram momentos de grande graça.
Com Bento XVI, já como papa, tive três experiências marcantes: sua eleição, absolutamente inesquecível, uma experiência de Igreja que imprime um fogo na alma. Antes de ele ser papa, já nos havíamos encontrado três vezes e ele sempre me havia marcado por sua memória extraordinária, por sua afabilidade e sua fidelidade à fé e à sã doutrina. Foi uma grande alegria vê-lo eleito.
Nosso segundo encontro foi em Pentecostes de 2006, quando também estávamos no Sagrado com outros fundadores e ele nos fez uma catequese extraordinária sobre o Espírito Santo. Nosso terceiro encontro, certamente o mais marcante, foi por ocasião do Reconhecimento Pontifício, durante o qual, enquanto o Moysés falava e o Pe. João Wilkes segurava o ícone, eu “agarrava” a sua mão e sorria para ele. O único sentimento que me vinha ao coração expressar pelo aperto de sua mão, naquela confusão de emoções, era: “Obrigada! Muito obrigada!” e algo como “Sei que não nos abandonará. Obrigada!” Ao ver as fotos, vi que era bem isso que meu rosto e minhas mãos expressavam. Sem que tivesse previsto, fiquei, sem dúvida, com a melhor parte e agradeço a Deus por isso.
Vejo que como pessoa e como comunidade precisamos nos aprofundar tanto na riqueza da imensa e vasta herança do magistério de João Paulo II quanto nas palavras precisas, lúcidas e realistas de Bento XVI. Aprofundar o magistério através de ambos é caminho seguro para viver a comunhão com a Igreja e a santidade no mundo de hoje.

Shalom Maná: O que você experimentou ao receber das mãos do Mons. Rylko o documento do Reconhecimento Canônico da Comunidade Shalom?
Maria Emmir: Naquele momento a história da comunidade passou como um filme de poucos segundos. O que experimentei? Gratidão. Perplexidade diante da misericórdia de Deus. Compromisso. Amor. Desejo de dar a vida toda, sempre mais. Amor à Igreja. Alegria. Vontade de que todos os irmãos da comunidade estivessem ali conosco.

Shalom Maná: Como você vê o futuro da Comunidade Shalom?
Maria Emmir: Isso é algo que Deus nunca me mostrou. O Carisma é tão rico e a vocação tão abrangente e maior que todos nós que, com a mais absoluta certeza, nem o “agora” se consegue enxergar, quanto mais o futuro. De vez em quando, porém, me vem à imaginação a comunidade no céu e, conosco, todos os que foram atingidos por nossa evangelização. Esse é, no fundo, o futuro que sonho.
Agora, se você quer saber que futuro “desejo” para a comunidade, não há outra coisa a desejar senão o que o próprio fundador expressou em entrevista à Shalom-Maná: fidelidade ao Carisma, fervor sempre renovado, um grande número de jovens, juventude espiritual por parte dos seus membros, amor à Igreja, colaboração na missão universal da Igreja.

Shalom Maná: Como você descobriu seu talento para escrever os artigos, livros, músicas peças teatrais, etc.?
Maria Emmir: Comecei a escrever a pedido do Moysés. Ele pediu que fizéssemos uma série de estudos bíblicos unificados para a comunidade. Estava preocupado com o fato de não termos uma orientação única para este aspecto tão importante de nossa vocação. Surgiu, então, o “Enchei-vos!”, até hoje o livro mais vendido da Comunidade. Algum tempo depois, pediu-me que escrevesse um seminário de vida “disfarçado” para ser feito individualmente por pessoas que não freqüentariam um seminário de vida convencional. Nasceu, então, o “A Promessa”.
Também as peças teatrais vieram através de um pedido do Moysés. A primeira, “O Coração do Homem” para os 10 anos do Shalom que, segundo sua orientação, deveria ser um mega-show kerigmático, com música, teatro e dança, uma verdadeira loucura para nossas possibilidades naquela época. Depois dela, veio uma pequena peça-surpresa para o aniversário dele, chamada “Amigos no Céu”, manuscrita, feita sentada na cama, a partir das dez e meia da noite, quando as crianças estavam, já, dormindo. Foi a origem das músicas “Obra Nova” e “Quem Enviarei”. A terceira, também a pedido dele, foi “O Pastor Ferido”. Eu passava por um período dificílimo em minha vida e me retirei a uma casa de praia por uns dias. Um belo dia, ele chegou com um computador tipo PC pedindo que eu traduzisse o livro do mesmo nome, do Pe. Daniel Ange e fizesse um musical baseado nele. Nem acreditei que ele tinha a coragem de me pedir aquilo no estado em que me encontrava, mas aquiesci. No fundo, sabia que ele queria me ajudar. Foi também a pedido dele que ajudamos o Wilde Fábio a fazer o roteiro do show “Resposta”, para o jubileu.
Quanto às músicas, elas sempre vieram ligadas às peças e shows ou encomendadas pelo Moysés e Nicodemos para as missas dos dez e quinze anos da comunidade.

Shalom Maná: Todo autor tem suas preferências. Você poderia revelar entre os de sua autoria, qual o livro, música e peça preferida?
Maria Emmir: Livro: “Filho de Deus, Menino Meu”. Música: “Colhi o Trigo da Vida”. Peça: uma que ainda vou escrever, se Deus me der a graça.

Shalom Maná: Das inúmeras graças recebidas, você poderia destacar alguma(s) do tempo do jubileu?
Maria Emmir: Sem dúvida, a garantia da Igreja de que o Senhor nos deu um Carisma autêntico, caminho seguro de santificação.

Shalom Maná: O que você diria a um filho (a)?
Maria Emmir: Pensaria, como o Pai: “Eis o meu filho muito amado, em quem encontro minha alegria.” Depois lhe diria em voz alta: “Coragem!” E lhe daria um tapinha no rosto, que diz mais que mil palavras.

por Revista Shalom Maná – Ed. Shalom

(Comunidade Católica Shalom – http://www.comshalom.org)

Simplesmente barro nas mãos do Oleiro

A Sagrada Escritura utiliza-se de inúmeras figuras e expressões para revelar Deus e o Seu modo peculiar de agir na história. Entre estas descrições quero destacar a imagem do oleiro, fortemente acentuada pelo profeta Jeremias (cf. Jer 18,1-6ss).
Nestes versículos apresentados pelo profeta, a manifestação divina é expressa com a figura de um oleiro, que molda como a argila aqueles que Lhe pertencem. Esta descrição é rica em expressão e em significado, pois desvela a ação e o amor do Eterno, possibilitando-nos compreender o “singelo jeito” com que Ele nos acompanha e faz crescer.

Este Oleiro sabe, melhor que nós mesmos, do que realmente precisamos e o que nos fará essencialmente felizes. Sua ternura nos convida ao abandono total aos Seus cuidados, os quais sempre nos proporcionarão o melhor, mesmo quando não formos capazes de compreender Seu distinto modo de agir. Por isso, para caminhar no território da fé, a confiança se estabelece como realidade mais necessária do que a compreensão… Uma confiança “filial” de alguém que se descobre amado e cuidado e que, por isso, crê que o Oleiro está sempre agindo e realizando o que é melhor para seus dias.

De fato, este Oleiro enxerga além. Ele contempla as surpresas que ao futuro pertencem e, na Sua Divina Providência, cuida de nós: ora retirando de nosso caminho o que nos é prejudicial, ora acrescentado algo àquilo que nos falta. Isso nos desautoriza a pretensão de querer condicionar a ação de Deus à nossa limitada maneira de enxergar e compreender as coisas, antes, nos confessa que é preciso confiar naquilo que Ele faz e em Seu modo particular de fazê-lo.

A confiança nos abre à percepção de que Deus sabe retirar excessos e acrescentar às ausências no momento certo. Sabe o que realmente nos fará crescer e amadurecer (e crescer às vezes dói). E maduro é quem sabe perder sem apegos, para que assim possa ser despojado do que não lhe é essencial e acrescentado no que realmente lhe falta.

Não existe arte sem amor, quadro sem pintor, vaso sem oleiro… Obra mais bela é a que se constrói pelas mãos do artista, do Oleiro. Só Ele traz em Seu coração os belos sonhos que poderão retirar um rude barro de sua “não existência”.

O barro não pode se moldar a si mesmo. Para vir a ser, ele precisa confiar-se aos sonhos e à sensibilidade do oleiro, pois as mãos dele comportam a medida certa, entre firmeza e delicadeza, para trabalhar esta substância abstrata transformando-a em uma linda obra de arte.

Da mesma forma, não existe parto sem dor, maturidade sem perdas, felicidade sem se ater ao essencial. É necessário confiar n’Aquele que nos molda, e mesmo quando a firmeza de Suas mãos parecer pesar demais sobre nós, confiemo-nos à Sua iniciativa e criatividade, que sempre realizará em nós o que é melhor.

A felicidade faz morada em nosso coração à medida que nos assumimos como aquilo que realmente somos: “Barro, apenas barro, nas mãos do Oleiro!”

(Canção Nova ;D Adriano Zandoná – Formação)