Reconciliai-vos com Deus – Convite a experimentar a Misericórdia

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Estamos nos aproximando da Semana Santa. O tempo da Quaresma, como caminhada de conversão e penitência rumo à Páscoa, tem como um belo e importante sinal visível dessa caminhada de “metanóia” a celebração do sacramento da Penitência. Somos chamados a fazer a experiência da misericórdia de Deus em nossas vidas. Para isso, somos iluminados pela Palavra de Deus e a ação do Espírito Santo para que, aprofundando a nossa realidade de pecado, experimentemos ainda mais a graça que nos vem pelo amor derramado em nossos corações em Jesus Cristo, nosso Senhor.

O pecado é o ato voluntário de quem se afasta da comunicação com a graça divina. Mas o sacramento da Reconciliação, ou Confissão, como também se pode chamar, vem reatar os laços da pessoa com Deus. Quando Jesus inicia sua vida pública, anuncia um convite à penitência: “porque o Reino de Deus está próximo”. Isto já se dá no momento do seu batismo, e, convida o precursor, São João Batista, para que continue nesta pedagogia divina. Sabemos que as consequências do pecado vão longe, não só em nossas vidas, mas também na própria vida social.

A Penitência é a ação que nos conduz a uma vida nova e a viver em oração e fidelidade ao Evangelho e, por isso, somos chamados a uma vida de conversão para prevenir contra as faltas no futuro. Podemos ver nas cartas paulinas quão inúmeras vezes o Apóstolo Paulo exorta as comunidades à reconciliação. Vale lembrar das consequências do pecado na vida da pessoa humana, nos relacionamentos e no próprio tecido social.

A Igreja recomenda confessar-se pelo menos pela Páscoa da Ressurreição, mas este sacramento deve ser buscado sempre que houver alguma transgressão à Lei Divina. Ou seja, pelo exame de consciência, o ser humano saberá da necessidade de buscar a reconciliação. Quanto mais somos iluminados pela Palavra e quanto mais perto do Senhor, mais enxergamos nossos pecados. Deus não condena o pecador, mas repudia o pecado. Basta recordar o capítulo 15 de São Lucas e tantos outros trechos do Evangelho, que nos falam da alegria do pecador arrependido. Deus é sempre justo e misericordioso, e como Pai bondoso sempre espera o retorno de seu filho amado, obra de Sua vontade para você existir no mundo. Lembre-se: você é querido, amado e pensado por Deus! O retorno ao amor de Deus transforma os corações, os pensamentos e comportamentos daquele que caminha como uma nova pessoa, deixando para trás tudo o que fazia parte do velho homem.

Pela razão e pela fé, vemos no pecado o pior dos males; por isso há a necessidade de conversão e reconciliação, na busca do sacramento da Confissão, que religa a alma humana à graça divina. Na prática, após a confissão, o penitente deve ter a clara consciência de suas atitudes e/ou lugares que põem sua alma em risco. A nova vida o leva a ter novas atitudes.

Às vezes acontece que numa confissão regular, mensal, por exemplo, o “penitente” possa ficar preso em um impasse. Isso ocorre quando se nota que na confissão a rotina dos pecados é a mesma. Ele tem uma boa vontade, ele vê seus pecados, sempre se arrepende, e decide melhorar. E até agora nada. Cada vez é a mesma coisa. Esta situação pode causar frustração. Pois nada realmente mudou na minha vida espiritual? E o penitente se questiona: Eu sou moralmente tão corrupto? Ou talvez eu seja apenas um que não sirvo para nada?

Cada momento é uma nova oportunidade de caminhada, na direção à comunhão com Deus e com os irmãos e irmãs. Torna-se necessário rever nosso estilo de vida. Encontrar as raízes de nosso pecado. É importante rezar todos os dias e, para isso, é necessário intimidade, um lugar que é o meu espaço pessoal para o encontro com Deus e comigo mesmo. Tendo um lugar de oração é mais fácil manter a regularidade e o tempo de meditação e reflexão. São Bento sempre dizia “Ora et labora”, que quer dizer: “oração e trabalho!”

E quem pode se esquecer do momento em que Jesus, pregado na cruz, dialoga com um famoso ladrão também pregado ao lado dele? “Mestre, quando estiver no Reino de Deus, lembra-se de mim!” e Jesus responde: “Ainda hoje estarás no paraíso comigo!” Existe maior prova de amor e misericórdia que isso? Mesmo sangrando e perfurado pelos pregos, lá na cruz, Jesus estende seu gesto de misericórdia. Daí, podemos perceber como que, de fato, o amor de Deus se estende e sua misericórdia transcende. E o soldado, aos pés da cruz, que exclama: “Este Homem é, de fato, o Filho de Deus!”

Por isso, o rito da Confissão é um ato que leva à justiça para com Deus, nos reincorpora em Jesus, retomando a nossa veste batismal, pois somos unidos como ramos à videira pelo próprio sacramento do Batismo.

Caríssimos, estamos já bem próximos da Páscoa do Senhor. Em todo o mundo é um período privilegiado para a aproximação ao sacramento da confissão. Não deixe de visitar sua paróquia ou comunidade e verificar o calendário dos mutirões de confissão. Reconciliação com Deus, neste sacramento, é o abraço Dele de acolhida ao filho ou filha. Sinta, depois disso, o alívio em seu coração e comungue com leveza de coração!

Santa Páscoa a todos! Rezem pela nossa santa Igreja e pelo nosso Papa Francisco, neste novo período que iniciamos. Deus dê a todos uma santa continuação da Quaresma e os abençoe!

Dom Orani João Tempesta
Arcebispo Metropolitano do Rio de Janeiro

Fonte: Canção Nova – http://www.cancaonova.com

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Nosso amor à Igreja

“A Igreja é a carícia do amor de Deus ao mundo.” Papa João Paulo II 

Vamos refletir sobre a Igreja, buscando afervorar o amor por ela. Começo por definir o que vem a ser a Igreja. Os Santos Padres, teólogos dos primeiros séculos, consideram-na Comunidade de fé e de caridade, dando a essa caridade o nome de ágape.

A Igreja é a Comunidade daqueles que seguem a mesma fé: “Há um só Senhor, uma só fé, um só Batismo. Há um só Deus e Pai de todos, que atua acima de todos, por todos e em todos”, diz São Paulo (Ef 4,5-6). Esta Comunidade caracteriza-se, externamente, pelo dinamismo e a criatividade do amor ao próximo: isto é o que chamamos de caridade. São João dedica grande parte de sua Primeira Carta ao conhecimento de Deus através da fé e da caridade, pelo nosso devotamento aos irmãos.

Esta Comunidade nasceu do sangue de Cristo, derramado na cruz. Foi lá que se deu, propriamente, o surgimento da Igreja e a consagração de nosso amor a ela. Do Corpo Físico do Senhor, pendente exangue do madeiro, surgiu o seu Corpo Místico, do qual Ele é a Cabeça e nós, os membros. Esta é a Igreja de Cristo, que chamamos Católica, por estar espalhada pelo mundo todo, cumprindo a missão que seu próprio fundador lhe confiou. Nela se encontra a plenitude da verdade e dos meios de salvação, embora esta verdade se esclareça dia após dia, pela atuação do Espírito Santo.

Tendo nascido do lado aberto de Cristo, como falam os Santos Padres, a Igreja é a dispensadora das torrentes da graça divina para o mundo, uma plenitude que nos cabe colher, na proporção de nossas capacidades, da própria fonte primordial, que é o Cristo crucificado: “Tirareis com alegria águas das fontes da salvação” (Is 12,3). As fontes da salvação são os atos salvíficos de Cristo: as chagas, as lágrimas de dor e o indescritível sofrimento vividos na Paixão, o grande Mistério de seu amor por nós, consubstanciado nos Sacramentos. Bebendo desta fonte, nasce e se fortalece nosso amor à Igreja.

Uma segunda visão sobre a Igreja de Cristo é a perspectiva de Assembléia, convocada pelo Espírito Santo, no dia de Pentecostes. Os discípulos, aproximadamente 120 pessoas, ficaram reunidos durante uma semana inteira, no aguardo da vinda do Prometido. Os Atos dos Apóstolos narram que o Espírito Santo desceu sobre cada um deles, como chama de fogo (cf. At 2,1-4). Invadiu-os o Dom divino, que ilumina com a verdade, pacifica com a fidelidade e aquece com o próprio Amor Pessoal do Pai e do Filho. Também nós fomos convocados, no Pentecostes de nosso Batismo e da Crisma, a espalhar a boa notícia do Cristo, convidando ao seu seguimento todos que pudermos atingir pelo testemunho.

A Igreja fundamenta-se sobre o Senhor, pedra angular, profetizada no Salmo: “A pedra que os construtores rejeitaram, tornou-se a pedra angular. Isso vem de Javé, e é maravilha aos nossos olhos” (Sl 117[118],22-23). Apoiados nesta Pedra erguem-se, como colunas, os Apóstolos, que sustentam a construção eclesial. O próprio Jesus deu ao seu Representante visível na terra o nome de pedra: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16,18). A Igreja já conta com 265 sucessores de Pedro, incluindo o atual Papa Bento XVI.

No grupo dos 12 Apóstolos, Matias foi eleito para substituir Judas Iscariotes. Mais tarde, a conversão de Paulo de Tarso enriqueceu a Igreja com o maior dos Apóstolos, grande Missionário dos Gentios e autor da maioria dos escritos da Nova Aliança. A estrutura eclesial vai-se firmando gradativamente, à medida em que incorpora as comunidades dos fiéis, unidos pela identidade de fé e de amor recíproco. E assim se ergue, maravilhosamente, o edifício da Igreja.

Este edifício abre suas portas a todos, através da caridade social, embasada na Doutrina Social da Igreja. Trata-se de um corpus doutrinário que nasceu, evidentemente, do ensinamento global e inspirado de Sagrada Escritura, e que se foi estruturando ao longo dos séculos. Sua grande expansão, em âmbito social, deu-se a partir do Papa Leão XIII (1878-1903) e chegou aos nossos dias, com diversos documentos fundamentais dos últimos Papas.

A prática da caridade social está consubstanciada em organizações assistenciais e de promoção humana, que persistem pelos mais de 2 mil anos de existência da Igreja. Conforme já citei em outras oportunidades, estas organizações, somente aqui na Arquidiocese do Rio de Janeiro, atendem em torno de 4 milhões de pessoas por ano.

A Igreja se caracteriza, também, pela vida sacramental. Este é um ponto distintivo, que é importante citar. A Igreja Católica é a única que possui os sete Sacramentos, instituídos por Cristo, e confirmados pelos Apóstolos. Não se pode negar a existência de “sementes da verdade” em outras Comunidades Eclesiais, mas na Igreja Católica encontra-se a plenitude da verdade, legada por seu Fundador. Reconhecêmo-lo presente em nós e entre nós, pela força do Espírito Santo, sobretudo nos Sacramentos.

Como devemos demonstrar nosso amor à Igreja? Em primeiro lugar, pelo respeito à sua organização e estrutura. Muitos não gostam desta palavra, mas não existe Comunidade sem estrutura. Assim, a Hierarquia é fundamental para a Igreja, embora sua atuação não precise ser exageradamente acentuada, como já ocorreu em épocas anteriores.

O respeito à organização da Igreja se manifesta no interesse pelo andamento de seu trabalho pastoral, administrativo e social. Tudo isso é amor, que brota da tomada de consciência de sermos seus membros, chamados a frutificar, através da participação ativa no culto e nas Pastorais.

Na Arquidiocese do Rio de Janeiro temos mais de 40 pastorais. Convido os caros leitores e amigos a se informarem, nas suas respectivas Paróquias, sobre as variadas formas de participação e auxílio que podem ser oferecidos às nossas Pastorais. Sua diversidade é uma grande riqueza, onde sempre se encontram aplicações para os talentos disponíveis, os ministérios “escondidos”.

Amor à Igreja é um sentimento que não se adquire, sem mais. É preciso desenvolvê-lo, a começar da freqüência aos Sacramentos, especialmente, da Santa Missa aos domingos e dias santos de guarda. A partir daí, todo o nosso trabalho estará consagrado ao Senhor. Antes de ser uma obrigação, é um privilégio. Jesus não precisa da nossa presença. Nós é que nos enriquecemos com a sua proximidade e atuação, graciosa e gratuita, em todas as circunstâncias em que o procuramos.

Cardeal D. Eusébio Oscar Scheid, Arcebispo da Arquidiocese do Rio de Janeiro
19 de Fevereiro de 2008

(Cléofas – http://www.cleofas.com.br/)

Viva a vida nova em Cristo

Cristo morreu e ressuscitou para nos dar a vida nova e não para que continuássemos na vida de pecado, pois o velho homem foi crucificado com Cristo. Pelo Batismo fomos inseridos na vida nova em Cristo, portanto tudo o que era velho passou, mas tudo se faz novo. “E, se já morremos com Cristo, cremos que também viveremos com Ele” (Rm 6,8).

Muitas vezes, não temos assumido esta vida nova que Cristo adquiriu com Seu Sangue e Sua Cruz, também com Sua Ressurreição. E deixamos o nosso corpo ser dominado pelo homem velho, pelas práticas da vida passada que estão latentes em nós, pelos apetites carnais que nos levam ao pecado. Acabamos, portanto, nos acostumando com o pecado e somos levados por ele. Não podemos submeter nossos membros a serviço do pecado, mas a serviço de Deus, no amor, na justiça e santidade.

Muitos oferecem seus membros para destruir os outros e a si próprio. As nossas mãos não podem ser instrumentos para o roubo, para matar ou para a masturbação; porém para louvar o Senhor e tocar naquilo que é santo.

Os nossos olhos não podem ser instrumentos de cobiça e pecado, mas para serem fixados no Senhor e olhar os outros com pureza; nossas pernas não podem ser usadas para nos levar para longe de Deus e sim, para perto do Senhor; a nossa boca precisa ser usada para receber o corpo de Cristo, cantar e falar os louvores do Senhor, palavras puras e benção; mas não para falar coisas impuras, como palavrões, piadas, maldições, etc.

O mesmo deve acontecer com nossos ouvidos, eles não podem ser usados para ouvir músicas ou piadas impuras, mas devem ser purificados, a fim de ouvirmos a voz do Senhor, Sua palavra. E também nossa sexualidade e genitalidade, como dom de Deus, não podem ser instrumentos ou estar a serviço da impureza, depravação, porém para nos santificar.

“Que o pecado não reine mais em vosso corpo mortal, levando-vos a obedecer às suas paixões. Não ofereçais mais vossos membros ao pecado como armas de injustiça. Pelo contrário, oferecei-vos a Deus como pessoas que passaram da morte à vida, e ponde vossos membros a serviço de Deus como armas de justiça” (Rm 6,12-13).

Porém, estamos a serviço Daquele que reina para sempre, o Senhor. Fomos libertos do pecado por causa de Sua entrega total; por este motivo, não podemos nos submeter mais ao jugo do pecado, e sim, buscarmos a nossa liberdade.

O nosso corpo precisa estar inteiramente a serviço de Deus e não pela metade. Sei também que em nosso corpo há marcas do pecado que querem nos arrastar para o mal e o pecado, principalmente o da sexualidade, mas permaneçamos firmes na graça do Senhor e ofereçamos a Deus o nosso templo, o corpo.

“Devido a vossas limitações naturais, falo de maneira humana: assim como outrora oferecerdes vossos membros como escravos à impureza e à iniqüidade, para viverdes iniquamente, agora oferecei-vos como escravos à justiça, para a vossa santificação. Que fruto colhíeis, então, de ações das quais hoje vos envergonhais? Agora, porém, libertados do pecado e como servos de Deus, produzis frutos para a vossa santificação, tendo como meta a vida eterna” (Rm 6,19.21-22).

Pe. Reinaldo Cazumbá

Sua vocação primeira é a santidade!

Neste mês de agosto a Liturgia nos leva a cada Domingo a meditar sobre cada chamado especifico na Igreja. O Batismo é a chave de toda vocação, é a porta de entrada para o Reino dos céus: “Quem crê e for batizado será salvo”. A partir do Batismo nasce toda verdadeira vocação na Igreja, ele nos marca de maneira indelével, ou seja, ninguém pode tirar. Essa marca está no Sacrário de nossa alma e diz: Filho de Deus, destinado para o céu. É a vocação comum de todo Cristão, a SANTIDADE!

Jesus convida a todos para a mesa no seu Reino, sem distinção Ele veio para todos e quer ser conhecido e experimentado por todos, por isso, sua ternura abraça toda criatura. E o Batismo nos reveste de Cristo, somos com Ele co-herdeiros da vida divina que o Pai restaurou em Jesus, o SANTO por excelência. A porta do Reino é estreita, mas todos são convidados para a festa, que é o banquete do Cordeiro. Com sua ressurreição, Jesus foi o primeiro a entrar por ela e convida-nos a romper todos os obstáculos para também entrarmos, pois depois de Cristo a santidade é possível PARA TODOS.

“Aqui nasce para o céu um povo de alta linhagem, o Espírito Santo lhe dá nas águas fecundas do Batismo uma nova VIDA. Pecador desce até a fonte para lavar o teu pecado! Tu desces velho e sobes com uma nova juventude”. Nascemos no seio da mãe Igreja e para ela somos vocacionados todos a uma vocação de serviço e é neste sentido que a nossa fé ganha vida. Vida de Cristo que se revela aos outros no testemunho, em tudo, minha vocação é ser OUTRO CRISTO.

Hoje estamos refletindo a vocação leiga na Igreja, pois a matriz de toda atuação na revelação de Jesus é dar a vida, ou seja, o leigo da à vida na medida da SANTIDADE ordinária de sua vida, dizia o Papa João Paulo II: “A Santidade é a medida alta da vida cristã ordinária.” Num mundo tão longe dos ideais cristãos, onde tudo é relativo, passageiro e comercial, venho lhe dizer a SANTIDADE não é relativa, nem passageira e muito menos comercial. É difícil, a porta é estreita, mas é POSSIVEL SER SANTO EM QUALQUER VOCAÇÃO!

A Santidade não é coisa só para os místicos ou homens super heróis do passado, ela é uma característica de todo cristão. Você não conheceu ninguém que pudesse disser essa pessoa é ou era santa? Por exemplo, minha avó Almira na sua simplicidade, muita fé e calma na sua missão de mãe teve uma vida santa. O Padre Jessé, um sacerdote que gastou sua vida no ministério sacerdotal, celebrando, confessando e atendendo pessoas, homem de muita oração teve uma vida santa; Monsenhor Jonas, um profeta sensível aos sinais dos tempos e ao Espírito Santo, que atendeu um apelo da Igreja de evangelizar os batizados e fundou uma comunidade, vive o que prega, tem uma vida santa.

“Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação”. (1 Ts. 3,4). Quero te louvar Senhor, porque neste celeiro de muitas vocações na Igreja nos prova que é possível a santidade do dia a dia de nossa vida, pois ela é a medida alta para todos nós que queremos seguir Jesus de maneira fiel, no serviço, na minha família, na comunidade e formando uma nova sociedade, a civilização do amor. Esta realidade não é relativa, juntos todos nós, sacerdotes, religiosos, casados, solteiros, consagrados e leigos temos condições de alcançar a estatura de Cristo. O que eu e você temos feito, na família, no trabalho, na sociedade para dar um testemunho autêntico de santidade cristã?

(Canção Nova ;D Padre Luizinho – blog.cancaonova.com/padreluizinho)

Confissão e Penitência

O Sacramento da Confissão ou Penitência só se faz necessária para aqueles que, após o Batismo, tiverem contraído algum pecado mortal; não podendo escapar à eterna condenação, se não expiarem devidamente os pecados cometidos.

Se em todos os regenerados houvesse tal gratidão para com Deus que conservassem constantemente a justiça recebida no batismo por benefício e graça sua, não seria necessário outro sacramento instituído para remissão dos pecados, diferente deste [do batismo]. Mas como “Deus, rico em misericórdia” (cf. Ef 2,4) “conheceu a fragilidade de nossa origem” (Sl 103,14), quis também conceder um remédio vivificante aos que se entregassem de novo à escravidão do pecado e ao poder do demônio, a saber: o sacramento da penitência, pelo qual se aplica o benefício da morte de Cristo aos que caem depois do Batismo. (Concílio de Trento XIV, cap 1 sobre o sacramento dapenitência. Denzinger 1668).

Matéria e forma do Sacramento da Penitência

Conforme definido pelo Concílio de Trento, há uma quase-matéria constituída pelos atos do penitente, a saber: contrição, acusação, e satisfação. Estes atos chamam-se partes da Penitência, porque da parte do penitente são necessários por instituição divina, para que haja integridade do Sacramento, e perfeita remissão dos pecados. Chama-se a estes atos de quasematéria, não por que não tenham o caráter de verdadeira matéria, mas porque não são matéria de aplicação exterior, como a água no Batismo e o crisma na Confirmação.

Os atos do penitente são como que matéria deste sacramento, a saber: a contrição, a confissão e a satisfação. Estes mesmos atos são requeridos por instituição divina no penitente para a integridade do sacramento e para a remissão plena e perfeita dos pecados e, por este motivo, se chamam partes da penitência. (Conc. Trento XIV, cap 3. Denzinger 1673).

Se alguém negar que para a inteira e perfeita remissão dos pecados se requerem do penitente três atos como matéria do sacramento da penitência, a saber: contrição, confissão e satisfação, que são chamadas as três partes da penitência; ou se disser que são somente duas as partes da penitência, isto é: os terrores que padece a consciência ao reconhecer seus pecados e a fé no Evangelho ou na absolvição, pela qual crê que os pecados lhe são perdoados por Cristo: seja anátema. (Conc. Trento XIV, IV. Denzinger 1704).

Sobre a contrição observemos a catequese do Concílio de Trento (Sessão XIV, cap 4):

A contrição, que tem o primeiro lugar entre os mencionados atos do penitente, é uma dor da alma e detestação do pecado cometido, com o propósito de não tornar a pecar… Declara, pois o santo Sínodo que esta contrição encerra não só a cessação do pecado e o propósito e início de uma nova vida, mas também o ódio da vida passada, conforme as palavras: “Lançai longe de vós todas as vossas maldades em que prevaricastes e fazei-vos um coração novo e um espírito novo” [Ez 18,31] . (Denzinger 1676).

Ensina ainda que, embora algumas vezes suceda que esta contrição seja perfeita em virtude da caridade e reconcilie com Deus antes que seja realmente recebido este santo sacramento, contudo não se deve esta reconciliação à contrição somente, independente do desejo de receber o sacramento, que aliás está contido nela. (Denzinger 1677).

Sobre a confissão, catequese do Concílio de Trento (Sessão XIV, cap 5):

Em conseqüência da instituição do sacramento da penitência, que já foi explicada, a Igreja toda sempre entendeu que foi também instituída pelo Senhor a confissão integral dos pecados [cf. Tg 5,16; 1 Jo 1,9; Lc 5,14; 17,14]. Esta confissão é necessária por direito divino a todos os que, depois do batismo caem, porque nosso Senhor Jesus Cristo, antes de sua ascenção aos céus, deixou os sacerdotes como vigários seus [cf. Mt 16,19; 18,18], como presidentes e juízes a quem seriam confiados todos os pecados mortais em que os fiéis cristãos houverem caído, para que em virtude do poder das chaves de perdoar ou reter os pecados, pronunciem a sentença… Daí segue que os penitentes devem dizer e declarar na confissão todos os pecados mortais de que, depois de diligente exame de consciência, se sentirem culpados, ainda que sejam os mais ocultos. (Denzinger 1679-80).

Sobre a satisfação, catequese do Concílio de Trento (Sessão XIV, cap 8):

Enfim, quanto à satisfação, de um lado, como todas as demais partes da penitência, foi ela em todo tempo recomendada ao povo cristão pelos Santos Padres, por outro lado, nesta nossa idade, sob o pretexto de piedade, é fortemente impugnada por aqueles que têm aparência de piedade, mas lhe negaram a força [cf. 2Tm 3,5]. Por isso, o santo Sínodo declara ser totalmente falso e estranho à Palavra de Deus afirmar que o Senhor nunca perdoa a culpa, sem que também perdoe toda pena. Pois, para não falar da tradição divina, encontram-se na Sagrada Escritura claros e conhecidos exemplos [cf. Gn 3,16; Num 12,14; 20,11; 2Rs 12,13]. (Denzinger 1689).

Condiz também com a divina clemência que os pecados não nos sejam perdoados sem nenhuma satisfação, a fim de que, por julgar leves os pecados não caiamos em maiores culpas quando se apresenta a ocasião, mostrando-nos injuriosos e ultrajantes ao Espírito Santo [cf. Hb 10,29], entesourando assim ira para o dia da ira [cf. Rm 2,5; Tg 5,3]. (Denzinger 1690).

A forma do Sacramento é a seguinte: “Eu te absolvo… em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.

Ministro do Sacramento da Penitência

As leis da Igreja mostram que o ministro de per si do Sacramento é Bispo. Porém, o sacerdote também pode ministrá-lo, enquanto possui jurisdição ordinária ou delegada para absolver; pois quem deve desempenhar tal ministério deve ter não só poder de ordem, mas também o poder de jurisdição.

[…] O Bispo, chefe visível da Igreja Particular, é, portanto, considerado, com plena razão, desde os tempos primitivos, aquele que principalmente detém o poder e o ministério da reconciliação: ele é o moderador da disciplina penitencial. Os presbíteros seus colaboradores, o exercem na medida em que receberam o múnus, que de seu Bispo (ou de um superior religioso), que do Papa, por meio do direito da Igreja. (CIC 1462).

Alguns pecados particularmente graves são passíveis de excomunhão, a pena eclesiástica mais severa, que impede a recepção dos sacramentos e o exercício de certos atos eclesiais. Neste caso, a absolvição não pode ser dada, segundo o direito da Igreja, a não ser pelo Papa, pelo Bispo local ou por presbíteros autorizados por eles. Em caso de perigo de morte, qualquer sacerdote, mesmo privado da faculdade de ouvir confissões, pode absolver qualquer pecado e de qualquer excomunhão (CIC 1463).

(Comunidade Católica Shalom – http://www.comshalom.org)

Rezar, até quando?!

E ai galera, paz e bem!

“Com toda a sorte de preces e súplicas, orai constantemente no Espírito. Prestai vigilante atenção neste ponto, intercedendo por todos os santos” (Efésios 6,18)

Quero partilhar com vocês a experiência que tenho vivido desde o meu batismo no Espírito Santo, e que hoje, ao passar o olhar e ruminar este versículo, acima citado, senti o meu coração vibrar.

Ao fazermos a nossa Experiência de oração, vivermos a grande graça do batismo no Espírito Santo e trilharmos um caminho dentro do movimento da Renovação Carismática, recebemos uma grande graça, um lindo dom, o dom de orar em línguas, de deixar o Espírito Santo orar em nós.

São Paulo, nessa exortação, nos pede para, constantemente, orarmos no Espírito. Isso nos conduz a dois pontos: primeiro, orarmos guiados pelo Espírito Santo; segundo, deixarmos o Espírito Santo orar em nós. Gostaria de me deter nesse segundo ponto.

Será que você nunca se encontrou cansado de rezar? Quantas vezes não conseguimos ter palavras para expressar a nossa oração, nem mesmo vontade de nos relacionar com Deus? Porém sabemos que se deixarmos de rezar estaremos colocando em risco a nossa vida espiritual. O que fazer então? Vou até à capela, ou no meu quarto ou outro lugar qualquer e recorro à oração no Espírito.

Tenho aprendido que todos os momentos são propícios para que eu esteja em constante oração. Quando me acordo, quando estou no banho, quando estou no ônibus indo para o trabalho, quando tenho um problema para ser resolvido e que não encontro solução, enfim, nos mais diversos momentos do dia, sou convidado a estar orando no Espírito, ainda que seja baixinho.

Posso garantir, a graça de Deus age e naquele dia, naquela circunstância posso tocar na ação do Senhor.

Como ministro de música, quando estou na animação do grupo de oração, ou da Santa Missa, sempre me coloco diante do Senhor pedindo o discernimento, a música certa para aquele momento, para aquela palestra que está sendo ministrada. Enquanto o pregador está no seu momento de profecia eu me coloco em oração, orando no espírito para que o Senhor suscite a Sua vontade para aquele momento de ministração, e coloque em meu coração a canção propícia.

Ao mesmo tempo, aquela minha oração no Espírito é uma intercessão para que o ministro da palavra possa ser conduzido pelo próprio Senhor. De fato orar no Espírito é uma forma eficaz e concreta de intercessão.

Hoje, meu irmão, seja você ministro de música ou não, eu te convido a orar constantemente no Espírito. Quando você precisar de respostas de Deus, ore no Espírito; diante das mais difíceis situações do seu dia-a-dia, ore no Espírito; quando as palavras não vierem em sua boca, ore no Espírito; para interceder pelos seus e por todos os “santos”, ore no Espírito. A oração não pode parar.

Faça a experiência! E se eu não sei rezar assim? Se ainda não vivi o batismo no Espírito Santo? Peça o batismo hoje, e em nome de Jesus seja uma pessoa nova, conduzida pelo Espírito Santo de Deus.

Vem Espírito Santo! Veni Creator Spirit!

Deus abençoe,

Tamo junto!

(Canção Nova ;D Emanuel Stênio – blog.cancaonova.com/emanuel)

Minha alma está seca. E agora?

Se mergulharmos um lenço no azeite, ele ficará todo molhado durante um tempo, mas depois essa peça seca. Ela só permanece úmida se ficar em contato com o azeite. Conosco também é assim. No contato com a vida, com o mundo, até mesmo no exercício do ministério, no trabalho do Senhor, a unção do Espírito que está em nós vai como que se esgotando… E ficamos novamente secos.

Isso acontece com todos nós que recebemos o batismo no Espírito Santo, e pronto! Tivemos a experiência, mas não compreendemos que deveríamos permanecer cheios do Espírito Santo. Vivemos por conta daquilo que aconteceu cinco, oito, dez anos atrás. Resta-nos só aquela doce recordação do batismo no Espírito… Que um dia recebemos.

Não deve ser assim. Deus quer que sejamos batizados no Espírito, sem medidas, sem limites. Porque o Espírito Santo é plenitude de amor! É preciso ser batizado e, em seguida, permanecer cheio do Espírito Santo. Muitas vezes, retemos o Espírito que está em nós, e o povo está morrendo de sede. O próprio Jesus nos mostra essa necessidade: o Espírito Santo precisa jorrar em nós como uma fonte, porque há muita gente precisando dessa Água Viva:

“No último dia, que é o principal dia de festa (festa dos tabernáculos), estava Jesus de pé e clamava: ‘Se alguém tiver sede, venha a mim e beba’. Quem crê em mim, como diz a Escritura: ‘Do seu interior manarão rios de água viva’. Dizia isto referindo-se ao Espírito que haviam de receber os que cressem nele” (Jo 7,37-39)

Manar rios de água viva fala de uma ação contínua: hoje, amanhã, e depois… Como uma fonte de água que jorra sem cessar. A água vem do interior da terra. É isso que o Senhor quer de nós que recebemos esta graça do batismo no Espírito. Não é um mérito… É uma graça! O Espírito Santo nos foi dado por Jesus gratuitamente.

O Espírito Santo que está em nós não foi dado para ficar parado em nosso interior. Pelo contrário, Ele foi dado para manar, para jorrar, para fluir, como aquele córrego que começa com um simples filete de água, mas jorra sempre: hoje, amanhã e depois, de dia e de noite…

Se o lenço ficar fora do azeite, vai secar! O mesmo ocorre conosco se não estivermos sendo constantemente mergulhados no Espírito Santo de Deus. O próprio trabalho nas coisas de Deus vai nos secando. O Paráclito é uma necessidade. Antes de sair para o trabalho precisamos pedir: “Vem, Espírito Santo! Batiza-me no Teu Espírito Santo, Jesus!”.

Precisamos ser batizados na Terceira Pessoa da Santíssima Trindade todos os dias. Nossos grupos de oração e nossas comunidades precisam ser mananciais aos quais retornamos a cada semana, pois somos pessoas necessitadas do Espírito Santo. Nossos grupos de oração, nossas comunidades precisam ser como piscinas nas quais possamos mergulhar n’Ele [Espírito Santo]. Chegando ali, secos, possamos mergulhar na oração, cantar, louvar, adorar a Deus… E assim, nos encher de novo. Toda impureza e toda contaminação, contraídas durante a semana, irão embora… Voltamos à fonte, ao manancial. Novamente nos banhamos. Estamos prontos para recomeçar.

(Canção Nova ;D Monsenhor Jonas Abib – Formação)