O olhar do amigo destrói o mal dentro de nós

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A palavra do amigo simplifica as coisas e descomplica as agitações dentro de nós…

Todo ser humano, em alguns determinados momentos de sua história, acaba se percebendo frágil e diante de notórias dificuldades. Isso é comum e próprio de qualquer experiência de existência. Contudo, é verdade que em momentos de ausência e fragilidade, algumas específicas presenças podem trazer um conforto único e todo especial para o coração.

O que acaba atenuando certas dores que experienciamos não é tanto a intensidade com que as mesmas acontecem, mas, a ausência de presenças que nos amparem e sustentem nesses específicos momentos. Não são tanto os problemas que realizam o ofício de nos destruir, mas sim a ausência de apoio e motivação diante deles, ou seja, a ausência de sadias e confortadoras presenças a nos encorajar diante dos obstáculos apresentados a nós pelas circunstâncias.

Quão bem faz ao coração o olhar e a presença de um amigo diante de um momento de dor. Mesmo que esse nada diga… apenas o olhar daqueles que nos amam já tem o poder comunicar a força de que necessitamos para a superação. Nesse encontro (amizade) as dores ganham um novo sentido, e o vazio é revestido por vida e presença.

Sem dúvida alguma, a experiência de interação e de uma sincera amizade é necessária e recomendável à saúde emocional de qualquer pessoa. O próprio Jesus fez questão de ter amigos e de cultivar intensamente Suas amizades, assim revelando a essencialidade de tal realidade.

Em Seus principais momentos, tanto de alegria como de tristeza, Ele teve amigos ao Seu lado com quais pode repartir o que vivenciava… pessoas que se tornaram os depositários de Seus silenciosos e profundos segredos de amor… segredos esses que foram posteriormente a nós revelados através desses fies depositários (os amigos de Jesus).

É preciso descobrir e cultivar a amizade, mesmo diante de desencontros e diferenças, pois essa bela experiência tem a força de nos libertar do egoísmo e de nos completar de forma extremamente realizadora e significativa.

A palavra do amigo descomplica nossas agitações, desmistificando nossos fantasmas e assim revelando a inverdade dos medos e ilusões que insistimos em fabricar. A presença dele (amigo) torna até o sofrimento suportável e uma fonte crescimento e maturação. O seu olhar tem o poder destruir o mal em nós, fazendo nascer no coração uma singela esperança.

Quando não temos amigos (pessoas) com os quais partilhar o que somos e experienciamos, tudo acaba se tornando mais confuso e pesado para nós. A verdadeira amizade nos dá possibilidade de termos fardos mais leves, pois partilhados com pessoas que nos conhecem e para os quais não precisamos constantemente nos justificar.

Precisamos viver sem receio essa rica e profunda experiência. Contudo, não poderemos eleger como “amigos” aqueles que, de fato, não o são e que não nos levam para o bem, pois ao contrário colheremos a decepção e a insatisfação como fruto dessa irrefletida escolha.

É preciso assumir na própria história os amigos que verdadeiramente são amigos estabelecendo com esses uma profunda interação, onde se dá e se recebe, onde falamos e também somos capazes de escutar. Assim nossa vida será mais completa e as dores mais possíveis de se enfrentar, pois, toda a ausência presente no ser poderá ser perenemente preenchida, acompanhada por olhares que nos compreendem e que escolheram em nós acreditar.

Vivamos sem medo essa linda experiência!

Pe Adriano Zandoná

Fonte: Canção Nova – blog.cancaonova.com/padreadrianozandona

Pérola do dia

“É simples e é maravilhoso saber que eu tenho amigos que fazem comigo uma caminhada, que nos levará para o céu… As pessoas que estreitaram entre si os laços são trazidas por Deus de maneira simples e reveladas ao coração, não porque elas merecem, mas porque elas precisam, por isso, são pessoas escolhidas, vocacionadas a amizade.”

Pe. Luizinho, Com. Canção Nova

A amizade exige tempo, purificação e fidelidade à verdade!

Mesmo com as impossibilidades e com todos os desafios que comporta o dom da amizade, Deus vai nos dando a graça da escolha gratuita e a criatividade de darmos provas de amor um ao outro, simplesmente sendo nós mesmos. Aprende-se muito com o amigo, através do amor a Deus que se concretiza na discrição, na alegria, na transparência em sermos quem somos, sem máscaras e sem mesquinhez no coração. A amizade requer o cultivo do relacionamento e a arte de ter aprendido que na relação não nos serve escondermos o que constitui o nosso potencial interior e a nossa verdade, aquilo que Deus mesmo realizou nas nossas vidas ou aquilo pelo qual lutamos pra vencer e superarmos.

Somos um mistério fascinante, mesmo que tenhamos de admitir que a limitação e a fragilidade nos marquem. A amizade acontece mesmo quando é preciso tocar naquele mistério de graças como de misérias presentes no coração de cada um de nós. “Característica da amizade é a certeza de encontrar o imutável no mutável”, afirma o escritor Giuseppe. Recordo-me de uma expressão que tomei conhecimento já a alguns anos atrás, que diz: “Quero um amigo com o qual eu tenha, na sua presença, a liberdade de sentir-me fraco, ser diante dele aquilo que realmente eu sou.”

Quando nos deparamos com as fragilidades dos nossos amigos, costumamos considerar como um desafio, mas nunca deveria chegar ao ponto de nos desestimular. Acho que não é possível explicar o “por que” que aquela pessoa nos escolheu como amigo, pois é Deus mesmo cuidando, protegendo, nos dando a sua misericórdia e nos convidando à santidade. Quando procuramos a amizade não a encontramos, porque a amizade verdadeira não é objeto de procura. Acredito que é Deus mesmo que cuida de despertar em nós todo o potencial humano e sua graça utiliza-se das nossas capacidades humanas, tais como: a percepção, a intuição, o esvaziamento, humildade e a disposição para sairmos de nós mesmos e acolhermos o dom da vida de quem deseja estreitar a relação conosco. Quando caçamos a amizade ela nos escorre pelos dedos, não a alcançamos porque ela se encontra primeiramente dentro de nós. Reconhecemos essencialmente no mais profundo do nosso coração, aquela identidade que comunga com quem começa a viver conosco o período de conquista da amizade.

Não é possível que a amizade seja autêntica e transparente quando não deixamos que o próprio coração tenha sentido a necessidade de reconhecer o outro como alguém que parece trazer consigo aquelas disposições necessárias para conosco construir uma amizade. É pobreza de coração e de personalidade chamar alguém de amigo quando ainda de fato não o é. Quem se apressa a chamar o outro de amigo quando não houve tempo ainda para o amadurecimento da escolha, da confiança e da prova do amor, não compreende de fato a amizade como um exercício que exige tempo, purificação e fidelidade à verdade, portanto, não está mesmo preparado para viver a amizade que atinge a profundidade e a maturidade, mas a vive na superficialidade.

Muitas vezes temos necessidade de evidenciar a amizade, não para celebrá-la por gratuidade, mas para fugir da sensação de angústia e dor de não termos amigos de verdade, amigos que foram conquistados, cultivados e inseridos no nosso ser mais profundo pelo próprio amor de Deus. Quem não trilha esse caminho acaba construindo amizades vulgares e medíocres, interesseiras e incapazes de permanecerem quando chega o tempo da adversidade. Nessa condição o amigo é amigo enquanto dele sempre consigo extrair algo, talvez usufruir daquilo que satisfaz as minhas próprias carências.

Temos necessidade de amizades verdadeiras que promovam a felicidade e a liberdade de ser quem somos na esperança de que Deus seja o centro e nos ajude a viver a partilha e a comunicação, e então essa amizade em Deus pode amenizar a adversidade, a dor e a solidão que tantas vezes nos pesa na alma, próprios do caminho da purificação e do amadurecimento da liberdade interior. Que o Senhor Jesus seja “o amigo de nossas almas” e nos ajude a vivermos o dom da amizade, e a vivê-la de forma autêntica, humana, divina, profética e escatológica. Que a Virgem Maria interceda por todos nós, chamados à amizade com Deus, o autor dos encontros felizes.

Antonio Marcos

(Blog Antonio Marocs – http://antoniomarcosaquino.blogspot.com.br/search/?q=amizade)

Amizade, dom de Deus

Um amigo é uma escolha de Deus para nós. Uma amizade não se dá por escolhas humanas, não somos nós quem escolhemos esse ou aquele para ser nosso amigo, mas sim, Deus. O nosso papel é apenas aprovar e acolher tal escolha e, dessa forma, abrir as portas do coração.

A amizade é como um sacramento. E o que é um sacramento?

É um sinal visível do amor de Deus por nós. Um amigo é também um sinal visível do amor de Deus e do infinito amor de Deus por nós. O amigo é aquele que nos conhece tal como somos, conhece o melhor de nós, mas também o pior, nos aceita e nos ama como somos.

Numa amizade experimentamos o amor puro, o amor que não espera nada em troca, o amor que não espera ser reconhecido, o amor que apenas ama. E o amor, só é amor porque é livre. É essa face do amor que experimentamos quando temos um amigo, é o amor livre é o que se vive numa amizade. O amor paciente, o que não busca seus próprios interesses, que tudo desculpa, que tudo suporta, e por quê? Porque é livre para amar e amar como ama a si mesmo.

Olhando para minha história, percebo a generosidade de Deus nas Suas escolhas. Deus, na Sua infinita bondade, me deu amigos, que são como a chuva caindo sobre a semente, que tem o poder de fazê-la germinar; são como anjos, mensageiros, enviados de Deus, são em minha vida a ajuda adequada e sempre, no tempo oportuno.

O próprio Jesus, no Evangelho, já nos diz: “Já não vos chamo servos, mas de amigos!” O amor que o amigo Jesus manifestou a nós foi o mais sublime, o amor mais puro, o amor livre, que em tamanha liberdade amou até o fim; o amor capaz de dar a vida.

É esse amor verdade que somos chamados a viver numa amizade. Assim como na Santíssima Trindade, o amor que transborda, o amor que gera vida. O amor que alimenta uma amizade, o amor que une os amigos precisa transbordar e gerar vida.

É essa experiência que nossas amizades precisam nos levar a fazer, amar a ponto de poder dizer: “Sou capaz de dar a vida por você!”

Amar a ponto de, a partir da nossas amizades, gerarmos vida. E isso só é possível – viver a verdadeira amizade só é possível – quando acolhemos a escolha de Deus, pois a amizade brota da íntima experiência com o maior e melhor amigo: Jesus.

Quando somos capazes de perceber tais escolhas, somos capazes de levar e ser levados a Deus por um amigo. Somos capazes de amar com amor verdadeiro, somos capazes de gerar vida. E a Palavra de Deus nos assegura: “O amigo é uma proteção poderosa!” Deixo para você o convite de viver a verdadeira amizade, aquela que é capaz de gerar vida!

(Canção Nova ;D Ana Paula Meneses – Formação)

Amigos são tesouros! (Breve partilha sobre amizade!)

As amizades feitas em Deus são livres de toda a maldade,
são puras e castas apesar de nossas fraquezas.

Um verdadeiro amigo sempre busca levar o outro mais pra perto de Deus!
Com seu olhar, com seu falar, com seus gestos, com seu jeito de ser trazem o Céu pra perto de nós!

O verdadeiro amigo respeita a condição do outro
– seja ele solteiro, casado, consagrado a uma vocação específica, … –
e os que fazem parte da vida do outro.

As vezes uma amizade desordenada, desequilibrada,
machucam os que estão mais próximos, como por exemplo a família!

Um verdadeiro amigo tem amor e zelo pelo outro!
Por isso o trata como se ao próprio Jesus que nele habita!

Tem cuidado com as palavras, com aquilo que tecla
com o/a “amigo/a virtual” para não ferir a amizade,
para não ferir ao próprio Jesus!

É preciso pedir a Deus que purifique as nossas amizades,
que purifique nosso ser amigo para o outro,
para que não firamos ao amigo, a nós e nem a Deus com nossas palavras,
com nossos maus pensamentos, com o nosso jeito de olhar e de falar,
com aquilo que digitamos ao amigo que está longe e ao amigo que está perto…

Pedir que Jesus seja o centro das nossas amizades,
ainda que apenas uma das partes NEle acredite…
pois ele também é um filho amado de Deus!

Devemos parar e repensar em nossas amizades!
Tenho sido realmente amigo?
O meu jeito de me relacionar com o outro é de um bom amigo?
Será que tenho dito palavras indevidas?
Tenho deixado a mente livre a correr com pensamentos que são impuros?

E também devemos nos questionar quanto ao que certas amizades nos oferecem!
Será mesmo amizade? Será que por trás de algumas palavras
não escondem certo interesse? Que me levam a pecar…?

Amizades só permanecem quando enraizadas e
edificadas em Jesus Cristo! Estas… são eternas desde que começam!

Se existem amizades desordenadas e desequilibradas,
“amizades perigosas”, como diria Pe. Zezinho,
é porque infelizmente Deus não é o centro…

Se Deus é o meu Primeiro e grande amigo, por quê não falar DEle…?

Que tal fazer a experiência de apresentar esse Amigo
tão especial aos nossos outros amigos e deixá-los
experimentar da alegria de uma verdadeira amizade?

Deus nos abençoe e nos santifique!

Lara Vaz

Meu amigo é santo!

Nós que temos mais de vinte anos podemos bater no peito e afirmar que somos de uma geração capaz de gerar santos. Isso não é uma teoria “desencarnada”, alienada ou “espiritualóide”. É fato! Contra fatos não há argumentos! Nós poderemos dizer às gerações futuras que vimos um santo caminhar em nosso meio e muitos de nós poderão até mesmo afirmar que estiveram com ele, tocaram suas mãos ou chegaram bem perto dele. Mesmo que quiséssemos não vamos poder nos enganar e continuar afirmando que santidade é coisa do passado ou fora do alcance dos que nasceram depois da virada do século XX. João Paulo II é um exemplo de que santidade é possível mesmo nos dias de hoje.

Alguns mais “do contra” poderiam afirmar que esse grande Papa vai se tornar santo porque convém aos interesses da Igreja. Será que é isso mesmo? Até onde podemos lembrar, não foi nenhum cardeal que o aclamou santo pela primeira vez, mas sim uma multidão formada de milhares de jovens – presentes na Praça de São Pedro durante o seu velório e sepultamento – os quais gritavam a todo o momento: “Santo já!”. Bem, você “do contra” poderia até formular qualquer ideia conspiratória para explicar tal fato, mas nós preferimos àquela explicação mais antiga que afirma: “A voz do povo é a voz de Deus”.

Modéstia à parte, não há como negar que não existem pessoas melhores para testemunhar a santidade de João Paulo II do que nós jovens. Entre o Pontífice e cada um de nossa geração não havia uma relação de autoridade somente, mas uma verdadeira amizade expressa com a vida, com o zelo, carinho, cuidado e amor, manifestada pelos dois lados. João Paulo II nos dizia da Verdade e nós buscávamos responder a ele lotando estádios, campos, nos reunindo aos milhões, somente porque queríamos escutá-lo. Não queríamos escutar somente um homem vestido de branco, mas um amigo, que, antes de tudo, era amigo da Verdade, amigo de Deus.

Foi a certeza de que a primeira amizade dele era com Deus que nos atraiu a ele. Nós jovens buscamos a Verdade, um para que viver, uma vida coerente com o chamado feito por Deus a cada um de nós e João Paulo II sempre nos ofereceu isso. Não somente nos ofereceu, mas insistiu, correu atrás, deu o primeiro passo, foi ao nosso encontro, mesmo quando buscávamos outros ideais mais humanos, mais materiais, mais violentos. Éramos somente jovens em busca da verdade, mesmo que a buscássemos em lugares errados, e ele sabia disso, por isso, se lançou até nós. Como um amigo ele lutou e não desistiu de nós.

Isso nos conquistou, nos fez parar para vê-lo passar, para escutar suas palavras, mesmo que elas denunciassem tantas mentiras em nossas vidas que se estabeleciam como falsas verdades. Enquanto o mundo nos convidava a ser livres, a ser donos de nossos corpos, a lutar pelo prazer, pela realização pessoal a qualquer custo, João Paulo II nos convidava a nadar contra a correnteza, a ir para águas mais profundas, a dar uma resposta diferente, a ser santos.

Santidade que era coisa do passado, coisa ultrapassada, no entanto, nas palavras do saudoso Pontífice e com sua vida, esta se tornou realidade atual, capaz de ser vivida por nós jovens que tomamos refrigerante, comemos hambúrguer e vestimos calças jeans. Aquilo que antes era distante, para poucos, foi se tornando cada vez mais próximo. Pelas palavras do “Papa dos jovens” a santidade se tornou meta de nossas vidas.

Como amigo de verdade, ele nos apresentou Jesus Cristo, a verdadeira Verdade, pela qual nós devemos gastar as nossas vidas, e fonte da verdadeira felicidade. Ao se tornar próximo de cada jovem como um amigo, João Paulo II nos tornou próximos de Deus, de Sua Mãe, dos santos, do céu. Sua amizade com Deus foi transmitida a nós como herança, e nós continuamos lutando para honrá-la com as nossas vidas.

Mas você que é “do contra”, o questionador, ao ler este texto, pode dizer que nós já declaramos santo alguém a quem a Igreja acaba de proclamar beato. É, dessa vez você tem razão! Mas não temos medo nenhum de chamar de santo um amigo, alguém que verdadeiramente conhecemos.

Nós jovens só continuamos afirmando aquilo que gritávamos diante de todo o mundo há alguns anos. Afinal, é só uma questão de tempo!

Ao declarar João Paulo II beato e futuramente santo, a Igreja só vai constatar e reafirmar aquilo que o povo de Deus já havia experimentado no coração. Modéstia, mais uma vez à parte, só um amigo de verdade pode falar do outro com propriedade. No caso de João Paulo II, em vez de falar, nós jovens preferimos gritar para o mundo ouvir: meu amigo é santo!

(Canção Nova ;D Renan Félix – Formação)

A amizade amadurecida

Uma das características da infância é a incapacidade de dividir coisas. Uma criança não pode dividir porque não se possui, porque ainda não sabe o que ela é. Você começa a identificar a maturidade a partir do momento em que uma criança consegue perceber as regras de um joguinho.

A maturidade faz parte de um processo. Em um processo não podemos queimar etapas. Ele é lento, chato e demorado.

Uma criança passa por um momento de amadurecimento a partir do momento em que começa a brincar. A maturidade acontece quando tomamos posse do que nós somos, para aí então podermos nos dividir com os outros. Isso faz parte desse processo de amadurecimento.

Não nascemos amando, pelo contrário, queremos ter a posse dos outros. Essa é a forma de amar da criança, pois ela não consegue pensar de maneira diferente. Ela não consegue entender que o outro não é ela. Quantas pessoas, já adultas, ainda pensam assim, trata-se da incapacidade de amar devido à falta de maturidade.

Todos os encontros de Jesus Cristo levam à implantação do Reino de Deus. Mas só pode implantá-lo quem é adulto e já entende que só se começa a amar a partir do momento em que eu não quero mudar quem eu amo.

Geralmente quando tememos alguém ruim ao nosso lado é porque nos reconhecemos naquela pessoa. Jesus não tinha o que temer porque era puramente bom, por isso contagiava os que estavam ao lado d’Ele.

Na maturidade de Jesus você encontra a capacidade imensa de amar o outro como ele é. Amar significa amar o outro como ele é. Por isso quando falamos em amar os outros podemos perceber o quanto deixamos de ser crianças. Devemos nos questionar a todo o momento com relação à nossa maturidade.

A santidade começa na autenticidade, por essa razão Cristo nos pede que sejamos como as crianças, que são verdadeiras e simples. É nisso que devemos manter da nossa infância e não a forma de possuir as coisas para nós mesmos.

Você tem condições para perceber a sua maturidade. É só observar se você é obediente mesmo quando não há pessoas ao seu redor. Você não precisa que ninguém o observe, pois você já viu aquilo como um valor.

Pessoas imaturas sofrem dobrado. Pessoas imaturas querem modificar os fatos; ao passo que pessoas maduras deixam que os fatos as modifiquem. A maturidade nos faz perceber que não podemos mudar os fatos. Um imaturo ganha um limão e o chupa fazendo careta. O maduro faz uma limonada com o limão que ganhou.

Muitas vezes, os nossos relacionamentos de amizade são uns fracassos porque somos imaturos. Amigos não são o que imaginamos, mas o que eles são e com todos os defeitos. Amizade é processo de maturidade que nos leva ao verdadeiro encontro com as pessoas que estão ao nosso lado. Elas têm todos os defeitos, mas fazem parte da nossa vida e não as trocamos por nada deste mundo. Isso porque temos alma de cristão e aquele que tem alma de cristão não tem medo dos defeitos dos outros, porque sabemos que esses defeitos não serão espelhos para nós; mas seremos instrumentos de Deus para que os superem.

Padre só pode ser padre a partir do momento em que é apaixonado pelos calvários da humanidade. Se você não consegue lidar com os limites dos outros, é porque você não consegue lidar com os seus limites. A rejeição é um processo de ver-se.

Toda vez que eu quero buscar no outro o que me falta, eu o torno um objeto. Eu posso até admirar no outro o que eu não tenho em mim, mas eu não tenho o direito de fazer dele uma representação daquilo que me falta. Isso não é amor, isso é coisa de criança!

O anonimato é um perigo para nós. É sempre bom que estejamos com pessoas que saibam quem somos nós e que decisões nós tomamos na vida. É sempre bom estarmos em um lugar que nos proteja.

Amar alguém é viver o exercício constante de não querer fazer do outro o que nós gostaríamos que ele fosse. A experiência de amar e ser amado é, acima de tudo, a experiência do respeito.

Como está a nossa capacidade de amar? Uma coisa é amar por necessidade e outra é amar por valor. Amar por necessidade é querer sempre que o outro seja o que você quer. Amar por valor é amar o outro como ele é quando ele não tem mais nada a oferecer, quando ele é um inútil e, por isso, você o ama tanto. Na hora em que forem embora as suas utilidades você saberá o quanto é amado.

Tudo vai ser perdido, só espero que você não se perca. Enquanto você não se perder de si mesmo você será amado, pois o que você é significa muito mais do que você faz.

O convite da vida cristã é este: que você possa ser mais do que você faz!

(Canção Nova ;D Padre Fábio de Melo – Formação)