Maria aos pés da Cruz

Jorge de Nicomedia – (séc. IX)

 

Beijo a tua paixão, 
com a qual fui libertado das minhas más paixões.

Beijo a tua Cruz, 
com a qual condenaste o meu pecado 
e me libertaste da condenação à morte.

Beijo aqueles cravos, 
com que removeste o castigo da maldição.

Beijo as feridas dos teus membros, 
com que foram curadas as feridas da minha rebelião.

Beijo a cana com que assinaste o atestado da minha libertação 
e com que feriste a cabeça arrogante do dragão. 
Beijo a esponja encostada aos teus lábios incontaminados, 
com que a amargura da transgressão 
me foi transformada em doçura.

Tivesse podido eu degustar aquele fel, 
que dulcíssimo alimento não teria sido!

Tivesse podido eu tomar o vinagre, 
que bebida agradável!

Aquela coroa de espinhos 
teria sido para mim um diadema régio.

Aquelas cusparadas 
me teriam ornado como esplêndidas pérolas.

Aquelas zombarias 
me teriam ornado como sinal de profundo obséquio.

Aquelas bofetadas 
me teriam glorificado como o prestígio mais alto.

Eu te beijo, Senhor, 
e a tua paixão é o meu orgulho.

Beijo a lança que dilacerou o documento da minha dívida 
e abriu a fonte da imortalidade.

Beijo o teu lado do qual jorraram os rios da vida 
e brotou para mim o rio perene da imortalidade.

Beijo a tua mortalha com que me adornaste 
tirando-me minhas vestes vergonhosas.

Beijo o preciosíssimo sudário de que te revestiste 
para envolver-me na veste dos teus filhos adotivos.

Beijo o túmulo 
no qual inauguraste o mistério da minha ressurreição 
e me precedeste pela estrada que sai do Hades.

Beijo aquela pedra 
com a qual me tiraste o peso do medo da morte.

 
Texto grego in PG 100, 1488-1489. Trad. ir. in W. AA., Testi mariani demillennio,
vol. lI, Città Nuova, Roma, 1989, p. 763.
Fonte: GHARIB, Georges. Os Ícones de Cristo. Ed. Paulus 1997

Ais do Desterro

Ais do Desterro

Sem Ti como é triste,
Meu Deus, o viver!
Com ânsias de ver-te,
Desejo morrer!
Ai! como na terra
Longa é a nossa estrada!
É duro desterro,
Penosa morada;
Leva-me daqui,
Senhor de meu ser!
Com ânsias de ver-te,
Desejo morrer!
Ai! mundo tão triste
Em que me perdi!
Pois a alma não vive
Se longe de ti.
Meu doce Tesouro,
Que amargo sofrer!
Com ânsias de ver-te,
Desejo morrer!
Ó morte benigna
Põe termo a meus males!
Só tu, com teus golpes
Tão doces, nos vales.
Que ventura, ó Amado,
Contigo viver!
Com ânsias de ver-te,
Desejo morrer!
O amor que é mundano
Se apega a esta vida;
Mas o amor divino
À outra nos convida.
Sem Ti, Deus eterno,
Quem pode viver?
Com ânsias de ver-te,
Desejo morrer!
A vida terrena
É engano bem triste;
Vida verdadeira
Só no Céu existe.
Deus meu, lá, contigo,
Oh! dá-me viver!
Com ânsias de ver-te,
Desejo morrer!
Quem é que ante a morte,
Deus meu, teme, aflito,
Se alcança por ela
Um gozo infinito?
Oh! sim o de amar-te
Sem mais te perder!
Com ânsias de ver-te,
Desejo morrer!
Ai! minha alma geme
Tristissimamente…
Quem de seu Amado
Pode estar ausente?
Acabe depressa
Tão duro sofrer!
Com ânsias de ver-te,
Desejo morrer!
O peixe colhido
No anzol fraudulento
Encontra na morte
O fim do tormento.
Ai! gemo e definho,
Bem meu, sem te ver,
Com ânsias de ver-te,
Desejo morrer!
Em vão te procuro,
Pois nunca te vejo;
Jamais alivias,
Senhor, meu desejo.
Ah! isto me inflama
E obriga a gemer:
Com ânsias de ver-te,
Desejo morrer!
Ai! quando a meu peito
Vens na Eucaristia,
Deus meu, logo temo
Perder-te algum dia;
Tal pena me aflige
E impele a dizer:
Com ânsias de ver-te,
Desejo morrer!
Põe termo a estas penas,
Senhor, e retira
Do exílio esta serva
Que por Ti suspira.
Quebrados meus ferros,
Feliz irei ser.
Com ânsias de ver-te,
Desejo morrer!

Mas justo é que eu sofra
Por tantas ofensas,
E expie meus erros
E culpas imensas.
Ai! logre meu pranto
Fazer-te entender
Que em ânsias te ver-te,
Desejo morrer!

Sta. Teresa D’Ávila

Alma de Cristo

Alma de Cristo, santificai-me.
Corpo de Cristo, salvai-me.
Sangue de Cristo inebriai-me.
Água do lado de Cristo, purificai-me.
Paixão de Cristo, confortai-me.
Ó bom Jesus, ouvi-me.
Dentro de Vossas chagas, escondei-me.
Não permitais que me separe de Vós.
Do espírito maligno, defendei-me.
Na hora da minha morte chamai-me e mandai-me ir para Vós, para que,
com Vossos Santos e Anjos, a Santíssima Virgem Maria e São José,
Vos louve por todos os séculos dos séculos.
Amém.

Oração ao Santo Anjo da Guarda

Anjo santo, meu conselheiro, inspirai-me; Anjo santo, meu defensor, protegei-me; Anjo santo, meu fiel amigo, pedi por mim; Anjo santo, meu consolador, fortificai-me; Anjo santo, meu irmão, defendei-me; Anjo santo, meu mestre, ensinai-me; Anjo santo, testemunha de todas as minhas ações, purificai-me; Anjo santo, meu auxiliar, amparai-me; Anjo santo, meu intercessor, falai por mim; Anjo santo, meu guia, dirigiu-me; Anjo santo, minha luz, iluminai-me; Anjo santo, a quem Deus encarregou de conduzir-me, governai-me.

Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, já que a ti me confiou a piedade divina, sempre me rege, me guarde, me governo e me ilumine. Amém.

Súplica ao anjo da guarda

Ó meu anjo da guarda, príncipe celestial e meu amoroso tutor, alcançai-me o perdão dos desgostos que a Deus e a vós tenho dado, e imprimi na minha alma tão profundo respeito para convosco que nunca me atreva a fazer coisa que vos desagrade. Pai Nosso. Ave Maria. Glória ao Pai.

Exaltação da Santa Cruz

Oração

Salva, Senhor, teu povo e abençoa a tua herança;
concede à Tua Igreja vitória sobre os inimigos
e protege, pela tua Cruz, este povo que é teu.

Cristo Deus, que voluntariamente foste levantado na Cruz,
tem compaixão do teu povo que traz o teu nome.
Alegra, pelo teu poder, os nossos fiéis governantes,
dando-lhes a vitória sobre os inimigos:
encontrem na tua aliança
uma arma de paz, um troféu invencível.”

A Cruz exaltada convida toda a criação
a cantar hinos à paixão imaculada
daquele que sobre ela foi erguido:
sobre a Cruz ele levou à morte
quem nos tinha dado a morte,
ressuscitou os mortos
e, tendo-os purificado,
em sua compaixão e infinita bondade
os fez dignos de viver nos céus;
alegremo-nos, pois, exaltemos seu nome
e magnifiquemos a sua extrema condescendência.

Erguendo os braços para o alto
e pondo em fuga o tirano Amalek,
Moisés te prefigurou, ó Cruz veneranda,
glória dos fiéis, sustentáculo dos mártires,
ornamento dos apóstolos, defesa dos justos,
salvação de todos os santos.
Por isso à vista da tua exaltação,
a criação se alegra e exulta glorificando a Cristo,

cuja extrema bondade reuniu, por teu meio,
o que estava disperso.

Oração para ser rezada no dia da exaltação da Santa Cruz

14 de setembro
“Mil vezes o Nome de Jesus”

Serão rezados 20 terços, assim:
· Início: Creio, 1 Pai-Nosso e 3 Ave-Marias

· Nos Pai-Nossos: Se na hora da minha morte, o demônio me tentar, de nada vai adiantar, pois no dia da exaltação da Santa Cruz, mil vezes eu clamei o Nome de Jesus!

· Nas Ave-Marias (dezena): Jesus!
Observação: Esta oração poderá ser rezada para outra pessoa que precisa de conversão, dizendo: Se na hora da morte de (dizer o nome), o demônio o tentar…

Tarde Te amei

“Ó eterna verdade e verdadeira caridade e cara eternidade!
Instigado a voltar a mim mesmo, entrei em meu íntimo, sob tua guia e o consegui,
porque tu tefizeste meu auxílio (cf. Sl 29,11).
Entrei e com certo olhar da alma, acima do olhar comum da
alma, acima de minha mente, vi a luz imutável.
Não era como a luz terena e evidente para todoser humano.
Diria muito pouco se afirmasse que era apenas uma luz muito,
muito maisbrilhante do que a comum, ou tão intensa que penetrava todas as coisas.
Não era assim, masoutra coisa, inteiramente diferente de tudo isto.
Também não estava acima de minha mentecomo óleo sobre a água
nem como o céu sobre a terra, mas mais alta, porque ela me fez,
e eu, mais baixo, porque feito por ela. Quem conhece a verdade, conhece esta luz.
Ó eterna verdade e verdadeira caridade e cara eternidade!
Tu és o meu Deus, por ti suspiro dia enoite.
Desde que te conheci, tu me elevaste para ver que quem eu via, era, e eu, que via, ainda não era.
E reverberaste sobre a mesquinhez de minha pessoa, irradiando sobre mim com toda aforça. E eu tremia de amor e de horror.
Vi-me longe de ti, no país da dessemelhança,
como que ouvindo tua voz lá do alto: “Eu sou o alimento dos grandes. Cresce e me comerás. Não memudarás em ti como o alimento de teu corpo, mas tu te mudarás em mim”.
E eu procurava o meio de obter forças, para tornar-me idôneo a te degustar
e não o encontrava até que abracei o mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus (1Tm 2,5), que éDeus acima de tudo, bendito pelos séculos (Rm 9,5).
Ele me chamava e dizia: Eu sou ocaminho, a verdade e a vida (Jo 14,6).
E o alimento que eu não era capaz de tomar se uniu à
minha carne, pois o Verbo se fez carne (Jo 1,14), para dar à nossa infância o leite de tuasabedoria, pela qual tudo criaste.
Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei!
Eis que estavas dentro e eu, fora.
E aí te procurava e lançava-me nada belo ante a beleza que tu criaste.
Estavas comigo e eu não contigo.
Seguravam-me longe de ti as coisas que não existiriam, se não existissem em ti.
Chamaste, clamaste e rompeste minha surdez, brilhaste,
resplandeceste e afugentaste minha cegueira.
Exalaste perfume e respirei. Agora anelo por ti.
Provei-te, e tenho fome e sede. Tocaste-me e ardi por tua paz.”

Do livro das Confissões de Santo Agostinho, bispo e doutor da Igreja

Nossa Senhora é Rainha!

“Só Maria encontrou graça diante de Deus sem o auxílio de qualquer outra criatura (Lc 1, 30). Todos os que acharam graça diante de Deus desde então, só por seu intermédio a acharam, e também só por Ela a encontrarão todos os que ainda hão de vir. Maria estava cheia de graça ao ser saudada pelo arcanjo São Gabriel (Lc 1, 28), e recebeu uma plenitude superabundante de graça quando o Espírito Santo a cobriu com a sua sombra inefável (Lc 1, 35). De tal modo essa dupla plenitude foi aumentando dia a dia, momento a momento, que a sua alma atingiu um grau imenso e inconcebível de graça. Por isso o Altíssimo a fez única tesoureira dos Seus tesouros e única dispensadora das suas graças, para para que Ela enobrecer, elevar e enriquecer a quem lhe aprouver, possa fazer entrar no caminho estreito do Céu quem Ela quiser, para fazer passar, apesar de tudo, quem Ela quiser pela porta estreita da vida, e para dar a quem Ela entender o trono, o cetro e a coroa de rei. Jesus é, em toda a parte e sempre, o fruto e o filho de Maria; e Maria é, por toda a parte, a verdadeira árvore que dá o fruto da vida, e a verdadeira mãe que o produz.

Só a Maria confiou Deus as chaves dos celeiros do Divino Amor (Ct 1, 3) e o poder de entrar nos caminhos mais sublimes e mais secretos da perfeição, bem como de neles fazer entrar os outros.

Só Maria dá aos miseráveis filhos da infiel Eva a entrada no Paraíso Terrestre para aí passearem aprazivelmente com Deus (Gn 3, 8), para aí se esconderem dos seus inimigos, para aí comerem o alimento delicioso – já sem temer a morte – do fruto das árvores da vida e da ciência do bem e do mal, e beberem a grandes tragos as celestes águas da bela fonte que aí jorra abundantemente. Ou melhor, visto ser Ela própria esse Paraíso Terrestre, essa Terra virgem e abençoada de onde Adão e Eva culpados foram expulsos, só acolhe em si aqueles e aquelas que lhe apraz, para os tornar santos.”

Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria
São Luis Maria Montfort