Vida no Espírito Santo


O Espírito Santo é o grande sopro de Deus. É o grande alento de Deus. É a grande partilha de Deus conosco. O Espírito Santo na Trindade é Aquele que procede do Pai e do Filho, é Aquele que tem o encargo de transbordar para nós a Pessoa do Pai e do Filho. O Espírito Santo é Aquele que na Trindade é testemunho e promotor do amor e do conhecimento entre o Pai e do Filho. Ele é o encarregado de prosseguir a missão de Jesus e fazer transbordar para nós, o próprio ser do Pai e do Filho.

Jesus diz: “eu vou enviar o meu Espírito Santo, ele testemunhará para vocês o que vocês agora não conseguem entender”. Então Jesus está dizendo que o Espírito Santo é Aquele que transborda do Pai e do Filho para nós homens. Muitas vezes nós limitamos o Espírito Santo a dons, virtudes, carismas, inspirações e revelações, no entanto, o Espírito Santo é Deus e vai muito além de tudo isto, porque ele é Deus, e quando o Espírito Santo transborda, Ele gera em nós a Pessoa do Pai e a Pessoa do Filho, e começa uma obra de divinização.

Quando Jesus diz: “Sede perfeitos como o pai Celestial é perfeito” está nos dando um mandato de divinização. Jesus está nos mandando ser dóceis a esse processo de divinização que Ele está realizando em nós. E isto é muito sério. No entanto, nós conhecemos esta obra tão profunda de uma maneira rápida e superficial. Divinização não significa que nós nos tornamos deuses, mas que o Senhor quer fazer em nós um processo de divinização, o Espírito Santo quer esculpir em nós a imagem de Jesus , revestir o nosso interior e exterior com a imagem de Jesus, que é ser um outro Cristo, ser um outro Jesus. O processo de divinização realizado pelo Espírito Santo, portanto, significa que a imagem e semelhança de Deus que foi corrompida pelo pecado é refeita, significa a realização da obra de redenção, de justificação, de santificação feita em nossa vida.

A Palavra de Deus nos ensina que quem não tiver em si o Espírito de Deus não pertence a Deus, não é dele: “Vós, porém, não viveis segundo a carne, mas segundo o Espírito, se realmente o Espírito de Deus habita em vós. Se alguém não possui o Espírito de Cristo, este não é dele” (Rm 8,9). Os verdadeiros filhos de Deus, diz São João, não “nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus”. Mais adiante quando Jesus conversa com Nicodemos, diz: “Necessário vos é nascer de novo” (Jo 3,7). Aquele que nasce da carne é carne, o que nasce do Espírito é espírito.

O Espírito Santo é Aquele que ordena a vida espiritual do homem para a caridade. É Aquele que ordena o homem para a perfeição, porque a perfeição acontece quando o homem ama com o amor divino. O Espírito Santo é Aquele que diviniza o homem a imagem de Jesus. E nós sabemos disso, mas nós não sabemos como isso funciona. Por isto, podemos viver dentro de uma comunidade cristã, que serve a Igreja, e vivermos segundo a carne, gostando do que é carnal. Mesmo vivendo dentro de uma comunidade cristã podemos não ter a abertura necessária para que o Espírito Santo realize em nós o processo de santificação.

Para que este processo aconteça em nossas vidas, requer de nós uma abertura profunda ao Espírito, requer uma coerência de vida que o próprio Espírito nos dá, mas que supõe a submissão da vontade do homem, do seu sim, do seu fiat. O que acontece muitas vezes com aqueles que dizem sim ao chamado de Jesus é que até começaram a viver no Espírito, mas terminam por viverem na carne.

Os cristãos comprometidos, que participam de uma comunidade cristã ou de grupos de oração, muitas vezes pensam que vivem no Espírito, porque oram, porque são fiéis as orações comunitárias ou porque possuem um ministério, e, no entanto, seus corações estão cheios de mentalidade, de sentimentos de quem vive uma vida na carne. É necessário que o homem dê espaço para a ação do Espírito em sua vida, se não, não crescerá na vida espiritual.

Para vivermos a vida no Espírito precisamos da ajuda deste mesmo Espírito pois precisamos deixar os frutos da carne. Em vez disto, muitas vezes continuamos satisfazendo os apetites da nossa carne. Precisamos pedir muito a Jesus que tire do nosso coração toda hipocrisia. São Paulo nos diz: “Deixai-vos conduzir pelo Espírito e não satisfazei aos apetites da carne”. Ë uma lei tão simples, sem nenhuma complicação. O cristão que não segue as inspirações de Deus, as inspirações do Espírito, está correndo o risco de pecar gravemente. Por que? Porque os desejos do Espírito se opõem aos desejos da carne. Se não segue as moções do Espírito, qual a moção que seguirá? A da carne, com certeza. E um cristão não é chamado a viver a vida na carne. Não é chamado a viver destruindo a si próprio e aos outros. Estará fechando o seu coração para a ação da graça de Deus em sua vida.

Quais são os apetites da carne? Os apetites da carne são frutos das três concupiscências: prazer, poder e possuir, que foram combatidos por Jesus através da pobreza, obediência e castidade. Então, se nós vivermos pelo Espírito não satisfaremos os apetites da carne. É necessário tomarmos uma decisão. E a partir daí, orientarmos a nossa vida segundo esta decisão. Deus nos convida a vivermos cheios do Espírito Santo.

Jesus disse a Nicodemos que tudo aquilo que não é da luz, não vem para a luz, porque tem medo de ser revelada a sua maldade. Porém, tudo o que é de Deus, tudo aquilo que é santo vem para luz, porque não tem nada para esconder. Há coisas em nós que preferimos não ver. Há coisas em nós que preferimos achar que está tudo bem, porque gostamos do pecado. Nós gostamos do pecado. Não é novidade, nós gostamos do pecado. O pecado é “bom”. Brincamos com o pecado porque ele é gostoso para nós, ele nos satisfaz na carne, apesar de matar a nossa alma, de destruir o que temos de muito precioso, porque a morte da alma leva a morte do nosso ser.

Os desejos da carne se opõem aos do Espírito, e estes, aos da carne. Então, para que o Senhor nos divinize com o Espírito do seu Jesus, é preciso vivermos no Espírito e tirarmos tudo o que é carnal de nossas vidas, porque vai fazer oposição ao Espírito, vai entristecer o Espírito, vai afastar o Espírito de nossas vidas, e vai nos fazer viver na carne. É o inferno.

O senhor não nos conhecerá quando dissermos para Ele: “Meu filho eu não conheço você. Você viveu na carne. Você cuidou de forma carnal de algo que é Espírito, uma graça espiritual, uma graça única, graça de pouquíssimos, de privilegiadíssimos. Você cuidou dessa graça, você cuidou da condução do Espírito nessa graça como homem natural e o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, pois para ele são loucuras” (cf. I Cor 2,14). “Quem semeia na carne, da carne colherá corrupção; quem semeia no Espírito, do Espírito colherá a vida eterna” (Gal 5,8).
Seremos fortes enquanto vivermos no Espírito. Nossa vida será coesa enquanto vivermos no Espírito. Ela será cheia de poder, enquanto vivermos no Espírito. E somente cheios do Espírito poderemos realizar as mesmas obras de Jesus ou até maiores do que elas (cf. Jo 14,12).

As obras da carne são, como nos ensina São Paulo: “Fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio…” (Gal 5,18-21). Precisamos refletir se estamos vivendo no Espírito ou na carne, porque aqueles que agem através dessas obras da carne, como querem ser cheios do Espírito? Como querem ter vida de oração? Deus vai derramar o Seu Espírito, a Sua graça sobre aqueles que estão de coração aberto e lutam contra estas obras da carne. Se nós vivemos na carne, a nossa vida de oração é uma mentira. É melhor não rezar. É melhor rezar o salmo mecanicamente, sem rezar nenhum minuto no Espírito, para ver se pela Palavra Deus realiza a nossa conversão.

As nossas centralizações, o lugar onde colocamos o nosso coração se não estiver em Deus, certamente nos levará a realizar as obras da carne. Não é aquela pessoa, aquele namorado, aquele desejo, aquele plano… que devem ser o centro da nossa vida, mas únicamente Deus. Deus é o centro de tudo, não podemos sair por aí colocando outros deuses na nossa vida. Desejar viver a vida no Espírito significa dizer que somos esposas de Jesus, que queremos ser d’Ele.

Nós muitas vezes mitigamos nossos conceitos morais, porque nós com nosso libertinagem que atinge níveis que não podemos imaginar, vamos mitigando a nossa vida cristã. Deus nos pede uma vida como a sua, de penitência, de renúncia, de abandono, de sacrifício, de compromisso, mas nem parece, porque estamos sempre nos justificando para fazermos exatamente o contrário. Dessa forma vamos mitigando a nossa vida cristã.

Outra situação não rara é em relação a oração pessoal, terço, estudo bíblico, a vida sacramental. Começamos até muito bem, mas depois vamos nos descuidando, nos contentamos com pouco: “afinal de contas já está tão tarde e hoje eu já fiz tantas coisas para Jesus”. Libertinagem não é só ir para festas carnavalescas, aderir ao sexo livre, é também irmos mitigando as coisas de Deus, as exigências do Evangelho, é nos entregarmos a vida na carne, é não termos uma amor a Deus concreto e indiviso, um amor total.

Tudo isto é fruto da mitigação, da vida mais ou menos, da entrega de vida com reservas, sem nos abandonarmos inteiramente. Parece que queremos que aconteça o impossível: colocar o Evangelho dentro da nossa medida e isto é deslealdade, é cometer uma grave injustiça contra Deus que é o Senhor de tudo. Isto é tentar a Deus, dissimular, mentir, enganar a si mesmo e o pior, enganar também a Deus. Isso acontece porque os apetites da nossa carne não estão submetidos à condução do Espírito Santo. Não cedemos aos apelos do Espírito que de forma profunda vencem os apelos carnais. “Não nos consideramos mortos ao pecado, porém vivos para Deus” ( Rm 6,11). Oferecemos os nossos membros ao pecado, em vez de oferecê-los como instrumento do bem a serviço de Deus (cf. Rm 6,13). E isto é libertinagem, lugar de desordem, cada um faz o que quer. Isto é destruir vocações cristãs e a vida espiritual.

Começa então a existir no meio cristão inimizades, brigas, fofocas, ciúmes, ódio, escândalos…Tudo isso é libertinagem! Tenhamos cuidado porque desta forma ficaremos cheios não do Espírito Santo e sua graça, mas das coisas mundanas. É preciso que aconteça a decisão se queremos Deus ou as coisas do mundo que satisfazem nossa carne manchada pelo pecado, como as orgias, invejas, bebedeiras, ciúmes, competições… “dessas coisas vos previno, como já vos preveni, os que as praticam não herdarão o Reino de Deus”, como nos exorta São Paulo. Acontece ao contrário com aquele que se lança nos braços do Espírito Santo, este é leal, é verdadeiro, porque deseja fazer a vontade de Deus, é aquele que se decidiu por Deus sem reservas, é um sábio, conheceu aonde se encontra o verdadeiro tesouro, nenhum brilho é capaz de ofuscar a sua decisão por Deus.

Além de tudo isto precisamos experimentar a alegria de pertencer ao Senhor, pois é a única fonte de alegria, é o único que pode saciar-nos. O amor de Deus é muito maior que discórdia, do que o ciúme, do que a inveja, do que a centralização em mim mesmo, do que a minha opinião. Estas coisas podem até me trazer uma satisfação, mas é satisfação como a do vinho, que trás aquela euforia, mas esta euforia é passageira e deixa uma tremenda dor na alma e no corpo.

A vida na carne pode nos trazer um prazer carnal, mas nos mata, por isso devemos buscar somente a alegria que vem de pertencermos a Deus, de desfrutarmos do seu amor que nos cura e salva. Tudo que existe no mundo não se compara ao amor de Deus por nós, não se compara a felicidade que desfrutamos pelo fato de pertencermos a Deus, dele ser o Senhor de nossa vida. As coisas do mundo podem até serem deliciosas, mas não são tão deliciosas como a vida com Deus, a vida no Espírito, por isso devemos nos decidir em entregarmos a nossa vida a Ele, em nos darmos inteiramente a Ele, à Sua vontade, à vida no Espírito que contraria os nossos desejos carnais. Preferimos nos consumir na penitência, na continência, no silêncio, para que desfrutemos plenamente do amor de Deus e não andemos enganados com outros amores.

(Comunidade Católica Shalom – http://www.comshalom.org)

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