A Eucaristia derruba as fronteiras entre o céu e a terra


Pe. Daniel-Ange

Entraremos no coração do Jubileu da Encarnação de Deus, sabendo que esse mistério sempre se realiza no meio de nós através da Eucaristia. Peço à Virgem Maria que venha nos ajudar muito, pois sempre tenho medo de entrar nesse Mistério, tenho receio de diminuí-lo, falando dele.
Toda Eucaristia começa no dia da Anunciação, quando o Senhor envia o Anjo, seu mensageiro, para pedir a Maria que ela diga “Sim” ao plano divino: um corpo humano dado por Maria a Deus; porque Deus quer tomar o meu corpo para me salvar.

Então, o Pai pergunta a Maria: “Você quer dar ao meu Filho mãos, para que Ele possa curar os doentes; dar-lhe braços, para que Ele possa tomar as criancinhas pequenas, e estendê-los mais tarde na cruz? Você quer dar a Ele pés, para que Ele possa correr na nossa terra em busca da ovelha perdida; você quer dar a Ele olhos, para que toda a luz do céu possa espalhar-se pela Terra, e ouvidos, para que Ele possa escutar o grito dos pobres; lábios, para que Ele possa proclamar a verdade; um rosto completo, para que os homens possam neste rosto me ver? Você quer dar a esse Deus, a esse meu Filho um coração humano, para que todo o amor que transborda da Trindade possa existir, possa amar com o coração humano, com a ternura da humanidade? Você quer dar a Ele a sua carne, para que Ele possa dá-la em alimento? Quer dar a Ele o seu sangue, para que Ele possa um dia derramá-lo inteiramente e assim lavar os pecados do mundo?”

Nesse momento, todos os santos do Antigo Testamento que estavam à espera de entrar no céu, Adão e Eva, todos eles, estão como em suspense, olhando os lábios de Maria; que será que ela vai responder? E claro, o demônio está do outro lado dizendo: “Diga não! Não!” E o seu anjo da guarda dizendo: “Sim, sim, diga sim!” Mas o demônio não tem poder algum, não tem nada a ver com Maria, porque na sua concepção ela teve como essa diálise espiritual, em que o sangue infectado pelo pecado foi inteiramente lavado pelo sangue de Jesus. Então, o Espírito Santo pega o “Sim” que o Filho constantemente diz ao Pai, este “Sim, Pai, eis-me aqui”, e o coloca no coração e nos lábios de Maria.

E quando Maria diz: “Eis-me aqui!” Quer dizer: “Eis a minha carne, que é entregue a ti. O meu sangue dou a ti”. Exatamente nesse momento, a missa começou. Porque Jesus não poderia nos dar o seu Corpo, o seu Sangue, se antes Ele não tivesse recebido de Maria. Ele recebe de Maria o Corpo no qual sofrerá, morrerá, pelo qual nós dará a Eucaristia. E aí se dá a primeira invocação ao Espírito Santo e o Pentecostes sobre Maria. A partir desse momento, Deus verdadeiramente está em Maria, e o mundo já está salvo, tudo que acontecerá depois será apenas uma conseqüência desse instante em que o Eterno tinha menos que um milímetro de medida no seio de Maria.

E é por isso que em cada missa existe essa pequena epíclese, esse pequeno Pentecostes sobre o vinho e o pão, porque sem o Espírito Santo seria impossível Deus tornar-se Filho de Maria. Então, é o mesmo Espírito Santo na Anunciação e em cada missa. É um Mistério que Francisco de Assis adorava com tanto amor! Ele dizia que cada missa é verdadeiramente Natal! É novamente o Filho, a criança de Belém que nos é dada. E é assim que, na Eucaristia, Jesus se faz o coração de toda a criação. A partir do momento em que Deus assume a minha matéria, minha carne humana, eu sei que toda a criação um dia será transfigurada na Glória.

Quero retomar por um momento aquilo que falei sobre a Adão e Eva aguardarem em suspense o “Sim” de Maria; para que compreendamos melhor isso, vou contar uma pequena história de Natal. Na gruta de Belém, José percebe que se aproxima uma senhora muitíssimo idosa, que mal consegue caminhar e pouco a pouco ela vai até a manjedoura. Leva tanto tempo para a velhinha chegar à manjedoura, que se tem a impressão de que ela leva séculos e séculos para chegar lá. E Nossa Senhora não consegue ver bem o que está acontecendo, vê somente que a velhinha coloca alguma coisa nas mãozinhas de Jesus; e nesse momento, de repente, aquela velha que tinha mais de 80 anos rejuvenesce e torna-se uma moça de 13 ou 14 anos, e começa a cantar, a dançar. Então, José vai dar uma olhada naquilo que a velhinha tinha dado para o menino Jesus e vê uma “maçã” – a maçã, a fruta, é uma alegoria do Paraíso –. Essa história ajuda-nos a compreender como Jesus veio renovar, rejuvenescer toda a criação, toda a humanidade.

Então, Jesus na Eucaristia vai fazer a unidade, vai ser o coração de toda a humanidade e de toda a nossa história, de toda a criação. E eu fico estonteado de pensar que todos os santos que vieram antes de nós, todos aqueles meus parentes que receberam a Eucaristia, os primeiros cristãos do Brasil, há 500 anos, e todos os que antes de nós, durante esses 2 mil anos, receberam a Eucaristia, receberam hóstias diferentes, mas receberam exatamente o mesmo Corpo e o mesmo Sangue de Jesus.

Impressiona-me também pensar que, desde a minha primeira comunhão, quando eu era criança, até a última comunhão da minha vida, em todas as ocasiões que eu recebi e receberei a comunhão, eu recebo hóstias diferentes, mas é sempre o mesmo Senhor Jesus! E tanta coisa pode acontecer na minha vida; poso mudar de cidade, de país, tantas coisas podem mudar, mas será sempre o mesmo Jesus, o mesmo Senhor que eu receberei na Eucaristia. É a unidade através dos anos, através dos séculos. A Eucaristia também gera unidade através do espaço, porque todos aqueles que comungam hoje, no mundo inteiro, receberão hóstias diferentes, mas receberão o mesmo Jesus! Sempre o mesmo, no tempo e em todos os lugares. Isso é extraordinário!

E vocês sabem que na Igreja há várias maneiras de celebrar a missa, o que se chama de vários Ritos Litúrgicos. A maior parte de nós brasileiros somos acostumados a usar o rito latino, o rito romano, mas há 12 ritos católicos diferentes, e durante todo este Ano Jubilar vai haver celebrações belas e solenes pelo Papa nestes 12 ritos diferentes: Etíope, Melquita, Bizantino, Copta etc…etc. Mas, mesmo que todas as formas exteriores sejam diferentes, é sempre, em toda parte, o mesmo Senhor Jesus que recebemos. Ele faz a unidade fisiológica de toda a Igreja. E eu vou ainda além.

Eu digo que Ele faz a unidade da humanidade, porque desde que Jesus tomou o corpo e o sangue de Maria, o Espírito Santo vai sempre ser derramado no mundo a partir do Corpo de Jesus. É a Carne de Jesus, cheia do Espírito Santo, que transborda o Espírito para o mundo. É por isso que muitas crianças têm a visão do cálice com o Sangue de Jesus que pega fogo e que queima diante deles; às vezes, a própria hóstia fica em chamas diante deles. Há crianças que gritam: “Mamãe, está havendo um incêndio!”, essas crianças vêem a “realidade teológica”, e nem sabem que muitos e muitos santos tiveram essa mesma visão. É a Carne onde queima, onde brilha o Espírito Santo e, recebendo o Corpo de Jesus, você recebe o Espírito Santo. Cada comunhão é um Pentecostes pessoal. Porque se esse Corpo que você recebe não estivesse cheio do Espírito Santo, não seria o Corpo de Deus. Então, hoje, o Pai só dá o Espírito Santo através da Carne do seu Filho.

Muito freqüentemente, tenho feito procissões do Santíssimo Sacramento em vários países do mundo. Muitas vezes, no meio da noite, gosto muito de, com o Santíssimo Sacramento, abençoar todos os povos da Terra. Vou-me voltando para os vários locais do horizonte, em direção dos países e das regiões, e vou abençoando, pronunciando o nome dos 180 países do mundo. Porque, a partir da Hóstia Consagrada, os raios do Espírito Santo se espalham no mundo. E tudo de bom que acontece a alguém, seja um pecador, seja um adúltero, vem do Espírito Santo através da Eucaristia! Essas pessoas talvez não saibam disso, mas eu sei muito bem de onde o Espírito Santo lhes é dado! E um dia eles vão descobrir espantados que tudo de bom, de amável que fizeram na vida, foi-lhes dado pelo Espírito Santo, que é derramado através da Eucaristia. A Eucaristia, o Mistério do Natal, gera a unidade na humanidade.

Fonte: Revista Shalom Maná

(Comunidade Católica Shalom – http://www.comshalom.org)

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