Vamos rezar o terço…


Por Dom Eurico dos Santos Veloso

Se há um convite e uma insistência para rezarmos sempre, o santo rosário é um meio secular do povo cristão atender a esse apelo. Foi assim na história da Igreja. Sempre que assaltada por heresias, nos perigos de calamidade para a comunidade cristã, o povo clamou por Maria rezando o rosário. E sempre foi atendido.

Todos os atos de nossa vida devem ser dirigidos para a glória de Deus. Mas, do nascer ao por-do-sol ou na profundidade da escuridão da noite, devemos tirar alguns minutos para estarmos a sós com Deus. Sem que o barulho do mundo nos perturbe. E como é suave a presença de Maria nesses momentos.

Adoramos a majestade divina, rendemos-lhe graças e, na confissão de pecadores, imploramos, como o publicano do Evangelho, a sua misericórdia. Se Maria está a nosso lado, podemos sentir que os olhos divinos a ela se dirigem atendendo nossas súplicas, como poeticamente descreveu Dante na Divina Comédia, pois os olhos de Maria não são senão os olhos divinos, olhos de quem é sua filha e sua mãe.

O terço, especialmente se rezado em família, é um momento precioso para esse ato de louvor.

Nele a oração vocal, a oração que Jesus nos ensinou mescla-se com a saudação à Virgem e, enquanto as recitamos, deslizando as contas do rosário, na sua simplicidade nossa mente e coração se elevam à altura da contemplação dos mistérios da redenção. Ao grande amor de Deus que nos resgatou do pecado para participarmos de sua glória em Cristo.

São quatro séries do mistério da salvação que meditamos e que não se esgotam quanto mais os contemplamos.

Poderíamos condensá-los no texto de São Paulo aos Filipenses (2, 5 a 11). A nossa redenção realizada pelo abatimento da Pessoa do Verbo que despe-se de sua glória divina para assumir a condição humana. Fazendo-se igual a nós, exceto no pecado, como ensina São Paulo, viveu as alegrias e dores que todos nós temos de suportar como homens e até o suplício dos escravos na cruz, para então ser exaltado na glória, que tinha junto ao Pai antes de existir o mundo (cf. Jo. 17, 5)e para a qual também nele seremos destinados, como já o foi Maria na sua gloriosa assunção.

Quando o Verbo se fez carne e habitou entre nós, raiou a alegria no coração da Humanidade. Primeiro em Maria quando disse o seu “sim”, para que em seu seio surgisse a verdadeira Vida e a Luz. João Batista, santificado antes do seu nascimento na visita de Nossa Senhora a Isabel, quando veio à luz, ouviu-se nas montanhas, entoado por seu pai, Zacarias, um hino de louvor. Surgia os albores da redenção. Os pastores e os pobres se alegraram com os anjos na noite de Natal e o velho Simeão proclamou que poderia morrer em paz porque seus olhos viram a salvação de Israel.

Na sua vida pública, na alegria em Caná da Galiléia e nas margens do Tiberíades foi proclamado aos pobres que o tacão do opressor fora esmagado e para os que habitavam as trevas surgia uma grande luz. Multiplicou o pão nas planícies e culminou a sua vida antecipando a doação de si mesmo no Pão Eucarístico e no Vinho que nos dá coragem, tornando-nos um com Ele.

Sofreu os tormentos do abandono total dos homens e do Pai e os suplícios da maldade humana. Tudo suportou até entregar-se: “Pai em tuas mãos entrego o meu espírito”.

Por isso foi exaltado e tem um nome glorioso diante do qual curvam-se céus e terra e as profundezas do sheol e do inferno. Ele nos deu seu Espírito para nos acompanhar na caminhada até o dia em que virá tudo assumir e entregar ao Pai o novo céu e a nova terra.

Quando meditamos todo esse amor, podemos ter confiança em expor nossas angústias, e pedidos, manifestar nossa alegria, tudo aquilo que é a nossa vida. Sairemos reconfortados e não teremos medo do perigo e da morte.

O rosário é a oração do povo. Quantos se santificam pela sua recitação. Aproveitemos este mês para oferecermos essas rosas à Maria e recebermos por sua intercessão os méritos da redenção.

(Comunidade Católica Shalom – http://www.comshalom.org)

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